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15/10/2009

Zhou Ji aconselha o rei Qi a aceitar crítica

A obra Táticas dos Reinos Combatentes é um livro com mais de dois mil anos, que regista muitos factos históricos cheios de sabedoria.


O primeiro-ministro do reino Qi, Zou Ji, era um homem corpulento e elegante. Certa manhã, olhava-se no espelho depois de vestir-se bem e perguntou à esposa: “ Entre eu e o senhor Xu, que mora na zona norte da cidade, quem é o mais bonito?”
A senhora respondeu-lhe imediatamente como se tivesse a resposta na ponta da língua: “Claro que você é muito mais bonito!”
Zou Ji sabia que o sr Xu era famoso pela sua elegância. Desconfiado da resposta da esposa, perguntou à concubina: “Quem é mais bonito, eu ou o sr Xu?”
A resposta foi a mesma: “Ele não se compara com você”.
Pouco depois, chegou uma visita e Zou Ji formulou a mesma pergunta e logo teve a resposta: “O senhor é muito mais bonito do que o sr Xu”.
No dia seguinte, o sr Xu veio fazer-lhe uma visita. Zou Ji observou-o atentamente e quando o visitante se despediu, voltou a olhar-se no espelho e chegou à conclusão de que Xu era muito mais bonito do que ele.
À noite, já deitado, meditava: “Porque será que a minha esposa, a minha concubina e o meu visitante insistem em que sou mais bonito que o sr. Xu?” Pensava e repensava, compreendeu. Logo de manhãzinha, foi pedir uma audiência ao rei e disse-lhe: “Sei que não sou tão bonito como o sr. Xu, mas a minha esposa adora-me, a minha concubina teme-me e o meu visitante queria pedir-me um favor. Todos eles, queriam agradar-me e por isso encobriram a verdade e mentiram-me”.
E prosseguiu: “Nosso reino é grande. No palácio real, quem é que não adora o rei? Qual é o ministro ou o general que não o teme? Dos súbditos de todo o país, quem é que não pretende a sua protecção? Por isso, são inúmeros aqueles que o bajulam, e o rei deve ser muito enganado…”
O rei, aproveitando a lição, promulgou um decreto para valer em todo o país, segundo o qual seria premiado “quem quer que desse um conselho ou fizesse uma crítica ao rei”.
Nos primeiros meses após a promulgação do decreto, muitas pessoas foram fazer críticas ou oferecer conselhos ao rei, fazendo com que o pátio do palácio real estivesse tão cheio de gente como uma feira. Um ano depois, as pessoas não tinham o que criticar mesmo que quisessem. Inteirados do comportamento do rei Qi, os reinos Zhao, Han e Wei enviaram seus emissários ao reino Qi para apresentar seu respeito.

Entende-se nesta lenda que uma pessoa deve saber conhecer ela própria e não acredita cegamente nas palavras da sua gente íntima ou daqueles que peçam o favor dela.



23/09/2009

Bian Que



中国国际广播电台

Um dia, o médico mágico Bian Que foi visitar o rei Cai Huangong. Depois de observá-lo por algum tempo, disse ao rei: “Vi algum problema na pele de vossa excelência. Se não tratá-lo a tempo, ele poderia penetrar no corpo”. O soberano não deu atenção às palavras do médico dizendo: “Não tenho doença”. Viu o médico saindo, disse a um ministro a seu lado: “o médico costuma curar pessoas sem doença para pedir prémio”.
Passaram 10 dias. Bian Que voltou a visitar o rei. Disse: “a sua doença já penetrou no sistema de digestão. Se não curá-la oportunamente, ela poderia agravar-se”. O soberano continuou não ligando às suas palavras.
Mais dez dias passaram. O médico viu o rei de longe e tentou evitar o encontro com ele. O rei mandou perguntar a Bian Que: “”Porque não falou nada e foi-se embora?”
Bian Que respondeu: “Quando a doença está na pela, lavar a pele com medicamente ou aplicar compressa quente na pele podem dar efeitos curativos. Quando a doença se penetra entre carne e pele, o tratamento de acupuntura pode curar o problema. Quando a doença entra no sistema de digestão, pílulas feitas de ervas medicinais pode resolver a questão. Mas, quando a doença atinge medula, o doente está às ordens do Imperador do Inferno e o médico não pode com ele. A doença de vossa excelência já entrou na medula e eu não posso com ela”.
Cinco dias depois, o rei Cai Huangong começou a sentir dor em todo o corpo e mandou chamar Bian Que, mas este tinha fugido. Pouco depois, o rei morreu.

O conto lembra aos leitores: uma pessoa, quando cometer algum erro e ter alguma falha, deve corrigi-lo a tempo. Se deixá-lo desenvolver, de pequeno a grande, de leve a grave, as consequências serão imagináveis.


21/09/2009

O Gramático e o Dervixe

Numa noite escura um dervixe passava junto a um poço seco, quando do interior do mesmo brotou uma chamado de socorro.
- Que será? - indagou o dervixe, olhando para o fundo do poço.
- Sou um gramático e infelizmente, por desconhecer o caminho, caí neste poço profundo, em que estou agora quase imobilizado - respondeu o outro.
- Aguenta firme aí, amigo. Vou buscar uma escada e corda - gritou o dervixe.
- Um momento por favor! - exclamou o gramático.
- Sua gramática e pronúncia são incorrectas, seria bom que as corrigisse.
- Se isso é mais importante que o essencial será melhor que você permaneça onde está, até que eu tenha aprendido a falar com elegância e propriedade.
E após dizer tais palavras, o dervixe seguiu seu caminho.

07/09/2009

Acrescentar pernas à serpente



O dragão aparece muito nas lendas chinesas. Os imperadores consideravam-se e eram considerados pelos seus súbditos “dragões enviados à Terra pelo Deus do Céu”, ou “filhos do dragão”.

No reino Chu, que existiu na antiguidade chinesa, houve certo dia, uns criados a quem o patrão deu, como presente, uma garrafa de aguardente que havia sobrado dos rituais em memória dos antepassados. Houve, então, quem dissesse:
- Uma garrafa de aguardente para tanta gente? Não dá para matar a sede de ninguém! É melhor que fique só para um de nós.
Todos concordaram com a ideia. Mas quem abriria mão da sua oportunidade de ficar com a garrafa? O que fazer?
Um dos criados propôs então:
- Cada um de nós vai desenhar uma serpente no chão, e quem acabar primeiro ficará com a garrafa.
- Boa ideia! Disseram os outros.
Pegando nos “pauzinhos” que habitualmente usavam para comer, todos começaram apressadamente a desenhar as suas serpentes.
Passados alguns minutos, um deles acabou o desenho, e logo agarrou a garrafa. Porém, antes de a levar à boca, pôs-se a olhar para os amigos, que ainda não tinham conseguido fazer a cabeça da serpente, ou estavam ainda a começar o seu desenho. Pensou então:
- Ainda tenho tempo de pôr algumas pernas à minha serpente.
Enquanto retocava a sua obra, um dos outros acabou o desenho, e arrebatou-lhe a garrafa das mãos, dizendo:
- As serpentes não têm pernas! Com pernas, não seria uma serpente.
Dito isto, bebeu a aguardente de um só trago, deixando boquiaberto aquele que decidira acrescentar as pernas à sua serpente.



01/09/2009

Hou Ji, Deus da Agricultura



中国国际广播电台


A milenar civilização chinesa surgiu e se expandiu em função da agricultura. Por isso, a China cumula muitas lendas e mitos vinculados às actividades agrícolas.
Reza uma delas que após a sua criação, a humanidade vivia de caça, pesca ou colecta de frutas silvestres. Apesar dos árduos e exaustivos trabalhos diários, os homens continuavam enfrentando a fome.
Uma moça chamada Jiang Yuan vivia em Tai. Um dia, descobriu, no regresso à sua casa, uma enorme pegada num terreno encharcado de água. Achou-a estranha e divertida e meteu um de seus pés na gigante pegada. Inesperadamente, logo que tocou com o pé na marca do dedão do gigante, foi acometida por um estranho sentimento. Depois de voltar para casa, ficou grávida e, pouco depois, deu à luz um menino. Um menino sem pai era considerado um sinal de mau agouro. Por isso, o retiraram à força da mãe e o abandonaram no campo. Mas, os animais que passavam o protegiam e alimentavam; abandonaram-no na floresta, mas um cortador de árvores o salvou; as pessoas enraivecidas o abandonaram no rio congelado, mas, nem bem haviam deixado o local, um bando de pássaros posou para proteger o menino sob suas asas.
Perceberam que o menino não era uma vida vulgar e o levaram de volta à sua casa. Como foi abandonado várias vezes, a mãe deu-lhe o nome Qi, “abandono” em chinês.
Quando criança, Qi nutria grandes aspirações. Via pessoas caçando, recolhendo frutas silvestres, levando uma vida errante e pensava: “seria melhor termos um meio fixo para nos sustentar”. Observava, recolhia sementes de plantas silvestres tais como trigo, arroz, feijão, sorgo e legumes, cultivava-os e obtinha boa colheita. Para melhor produtividade do cultivo, inventou simples instrumentos que empregavam pedras.
Quando chegou a maioridade, Qi tinha acumulado muitas experiências agrícolas e transmitiu-as sem reservas à população. Desta forma, contribuiu para que a humanidade se livrasse da dependência da caça, pesca e colecta de frutas silvestres. Por esta razão, a população o chamou, com todo o respeito, de Hou Ji, “Deus da Agricultura”.

28/08/2009

A mulher sem mãos

Era uma vez uma linda menina que vivia feliz com seus pais, mas sua mãe morreu quando ela tinha apenas quatro anos. Algum tempo depois, seu pai casou-se novamente, mas sua nova esposa tinha ciúmes da menina e tornava sua vida muito difícil.
A menina cresceu e se tornou uma linda donzela o que levou sua madrasta a odiá-la ainda mais.
Assim, a esposa começou a levar ao marido intrigas sobre sua filha, e aos poucos fez com que o coração dele se voltasse contra a moça.
Logo após a jovem completar quinze anos, a madrasta ameaçou o marido dizendo: - Não posso continuar a viver com sua filha malvada! Vou abandoná-lo!
O marido suplicou que ela ficasse. Então, livre-se de sua filha, ela exigiu. Ele prometeu fazê-lo e elaborou um plano. Convidou a filha para acompanhá-lo numa festa, lhe deu um lindo quimono para vestir. Ela ficou muito contente, mas ao mesmo tempo intrigada, quando o pai a conduziu até a floresta.
- Onde é a festa?, ela perguntou.
- Um pouco mais adiante, ele respondeu.
Então, no meio da floresta, ele parou para almoçarem e a filha caiu no sono. Era o momento que o pai esperava. Pegou um machado que levara, aproximou-se e decepou-lhe as mãos. A jovem acordou e gritou de dor.
- Pai, o que está fazendo?
Ele, rapidamente afastou-se dali e abandonou a pobre moça.
Completamente sozinha, ela rastejou até um riacho e lavou os cotos. Sem lugar para ir, permaneceu na mata, colhendo frutas com os dentes e dormindo no chão.
Um dia, um lindo rapaz foi caçar na floresta. Encontrou a jovem sem mãos e ficou surpreso. Você é um demônio ou fantasma?
Não, ela respondeu, sou uma jovem abandonada. Mas nada disse sobre o pai. O rapaz ficou com pena dela, colocou-a em seu cavalo e levou-a para casa. Encontrei essa criatura na floresta, disse para a mãe. A mulher acolheu a moça sem mãos em sua casa, deu-lhe roupas limpas e refeita a jovem mostrou como era linda e o rapaz caiu de amores por ela. Propôs que se casassem e ela aceitou.
A jovem estava esperando um filho quando o marido teve que partir para uma demorada viagem . Ele confiou a esposa à sua mãe. Cuide dela como se fosse de mim. Cuidarei, disse a mãe. Eu a amo tanto quanto você.
A jovem deu à luz um lindo menino. A avó logo escreveu ao filho contando e dizendo que a esposa passava bem e esperava ansiosa o seu regresso. Pediu a um mensageiro para levar a carta ao filho. Ele andou o dia todo e, já muito cansado, bateu em uma casa pedindo água. Uma mulher deu-lhe de beber e começou a conversar, perguntando onde ele ia com tanta pressa?
Estou levando uma notícia importante para o filho de uma senhora. A nora dela, a mulher sem mãos, deu à luz um menino e ela quer que o filho saiba.
A dona da casa era a madrasta má, e no mesmo instante, ela se deu conta de que a enteada não morrera na floresta. Cheia de ódio pensou num plano. Deu muito vinho ao rapaz, até que ele dormisse e aí abriu a sacola dele e retirou a carta que ele levava e trocou por outra escrita por ela. Disse que a esposa dera à luz um monstro horrível. O que faço? Colocou a carta na sacola e quando o rapaz acordou ela deu-lhe um prato de comida e ele seguiu viagem.
Passe aqui quando voltar, disse ela ao rapaz.
Ao receber a carta o marido leu com horror, e respondeu. Por favor, cuide de minha esposa e de meu filho, seja qual for a aparência dele. Voltarei assim que puder.
O mensageiro voltou e parou na casa da madrasta esperando beber mais vinho. Ela serviu-lhe mais vinho, até ele cair no sono. Pegou a resposta e mudou por outra. Livre-se de minha esposa e de meu filho, não quero ter monstros em minha família. Não voltarei se eles ficarem aí!
Quando o mensageiro entregou a carta à mãe do rapaz, ela ficou incrédula. Mas isso não pode ser! Meu filho não mandaria embora a esposa e o filho! Perguntou ao mensageiro se era essa carta mesmo, e se ele não parou em lugar nenhum.
Não, disse ele.
A mãe resolveu esperar o filho voltar, mas conforme o tempo poassava, ela começou a temer que ele não voltaria mais. Mostrou a carta à nora e ela ficou com o coração partido, mas disse: - Se meu marido não me quer , não ficarei aqui!
As duas choraram muito ao despedir-se e a moça sem mãos partiu com uma sacola às costas onde seu filho estava. A coitada não tinha para onde ir e voltou para a floresta. Estava com sede e ajoelhou-se para beber num riacho, mas inclinou-se demais e o bebê começou a deslizar de sua costas. Socorro! Socorro! Ela gritava, mas não tinha mãos para pegá-lo e o bebê caiu na água do riacho. Ela mergulhava os braços, desesperadamente na água para tentar salvar o filho. De repente, suas mãos reapareceram e ela segurou o filho e o salvou.
Meu filho está salvo e minhas mãos voltaram a ser como antes!, exclamou ela feliz. Ajoelhou-se e agradeceu.
Nesse ínterim, o marido voltou para casa e ficou chocado ao descobrir que a esposa partira com o filho deles. A mãe disse: - foi você mesmo quem mandou que isso fosse feito! O que a senhora está dizendo!, mas logo perceberam que alguém trocara as cartas. Chamaram o mensageiro e fizeram que ele contasse a verdade, sobre sua parada antes de entregar as cartas.
O marido partiu, imediatamente para a floresta em busca da esposa e do filho. Procurou por muito tempo. Então, chegou perto do riacho e viu uma mulher rezando ao lado de um santuário, com uma criança no colo. Olhou e achou-a parecida com a esposa, mas viu que ela tinha mãos. Aproximou-se dela e, muito feliz, descobriu que ela era a sua esposa.
Minha esposa!, disse ele.
Meu marido!, e se abraçaram. Ele explicou da troca das cartas e ela contou como suas mãos tinham voltado milagrosamente. Ela contou-lhe também, que quem tinha feito aquilo com ela, decepar-lhe as mãos, tinha sido seu pai.
Os dois voltaram de mãos dadas para casa com o filho nos braços.
Chegando em casa o marido procurou as autoridades e contou-lhes a verdade sobre a madrasta e o pai da mulher.
Os dois foram punidos e, assim, o casal pode viver feliz, junto do filho e da mãe dele.


Conto do Japão



25/08/2009

Chang E voa para a Lua



中国国际广播电台


As festas procedem dos mitos, ou vice-versa, os mitos geram as festas. Isto ocorre em todos os países. A China não é uma excepção.
Num país de civilização milenar como a China, todas as festas, sobretudo as tradicionais, têm origem em tradições antiquíssimas ou lendas belas e comoventes.
As festas tradicionais chinesas são geralmente determinadas segundo o calendário lunar. Hoje é a Festa do Meio Outono neste país, e vou falar um pouco sobre a Festa.
Numa civilização milenar da Nação Chinesa, as festas tradicionais têm uma simbologia rica e poderosa.

Dia 15 de Agosto, Festa do Meio Outono

No dia 15 de Agosto segundo o calendário lunar, os chineses comemoram a Festa do Meio Outono que tem origem numa belíssima lenda: Chang E voa para a Lua.
Na noite desse dia, quando a lua cheia levanta-se no horizonte , os velhos, junto com seus filhos e netos, sentam-se ao redor de uma mesa no pátio e contemplam a Lua, comendo melancia, maçã, uva e outras frutas, assim como yuebing, um tipo de bolo especialmente para esta festa.
Nestas ocasiões, os velhos costumam contar a história de Chang E, que voou para a Lua.
Segundo uma tradição, Chang E, sobrinha do Imperador Celestial, casou-se com Hou Yi, outra divindade do céu, e o casal levava uma vida feliz. Naquele tempo, havia dez sóis no Céu. E na terra, as plantas, queimadas, murcharam, reinavam as feras e os bichos venenosos.
O imperador celestial decidiu enviar Hou Yi para ajudar a humanidade a remover nove dos dez sóis do céu e aniquilar as feras e bichos venenosos na superfície da terra. E Chang E acompanhou seu marido. Ao chegar à terra, Hou Yi acomodou sua esposa numa gruta da montanha e foi combater os sóis com arco e flecha e aniquilar as feras e os bichos com sua espada.
Sozinha na gruta, Chang E sentia-se muito solitária. Um dia, ela percebeu que só restara um sol no céu e concluiu que, cumprida a missão dada pelo imperador celestial, Hou Yi voltaria logo. Sem conter a alegria, começou a dançar, queria voar, pois quando vivia no céu, ela viajava entre as nuvens. Mas ali não podia. Ficou aflita.
Quando voltou à gruta, Hou Yi viu que sua mulher chorava e perguntou o que lhe acontecera. Chang E contou o motivo. O marido consolou-a dizendo: "Não fique triste. A imperatriz-mãe do Oeste tem remédio de imortalidade. Vou pedir-lhe tal remédio para nós. Viver no mundo como imortais é muito melhor que levar uma vida solitária no céu."
Chang E concordou e parou de chorar.
Superando mil e uma dificuldades, Hou Yi chegou ao Palácio da Imperatriz-mãe do Oeste, situado em cima da Cordilheira Kun Lun.
Inteirada do caso, ela disse: "Quem toma uma pílula do meu remédio, fica imortal; quem toma duas, pode voar para o céu e tornar-se divindade."
Como havia decidido ficar na terra para continuar a ajudar a humanidade, Hou Yi pediu duas pílulas, uma para ele próprio, e a outra, para sua mulher Chang E.
Depois de uma viagem de alguns meses, Hou Yi retornou à gruta, levando as duas pílulas.
A Chang E ficou muito contente e queria tomar o remédio imediatamente, mas o marido a impediu, dizendo: "Paciência. Tomaremos amanhã, dia 15 de Agosto, com a Lua mais cheia e brilhante."
Alta noite, a Chang E não conseguia dormir. Pensava: uma pílula para ser imortal, e duas para voltar ao céu e levar uma vida de divindade. Por um impulso do momento, ela tomou as duas pílulas e saiu da gruta. A Lua estava lá no céu, redonda e brilhante, como um prato de prata. Chang E sentia-se leve, e começou a voar para o céu.
Inteirado do retorno de Chang E, o imperador celestial baixou uma ordem, dizendo que por ter voltado ao céu sem autorização, Chang E é condenada ao exilo na Lua de onde jamais poderia sair.
Sem se atrever a contrariar a ordem do imperador celestial, Chang E foi morar na Lua onde passou a levar uma vida triste, solitária, mordida de remorsos, acompanhada por um coelho branco que pila ervas medicinais, um sapo e um grande loureiro.



21/08/2009

Hou Yi derriba sóis



中国国际广播电台


Antigamente, havia dez sóis no céu, os quais, com seus raios, não só queimavam as colheitas, como também asfixiavam os homens. Como o calor era tão tórrido, as bestas selvagens tiveram que fugir dos rios secos e os bosques incendiados, atacando os seres humanos.
As queixas do povo comoveram aos deuses celestiais. O imperador celeste mandou Hou Yi quem era um hábil arqueiro, a descer à Terra e ajudar o imperador Yao para livrar os homens da desgraça. Com seu arco e flechas, Hou Yi desceu à Terra junto com sua bela mulher Chang E, sendo aplaudido pela gente.
Ao chegar ao mundo humano, Hou Yi aconselhou os sóis a colocar um plantão por dia, trazendo o calor e a luz à Terra e evitando o aquecimento demasiado. Mas, os sóis recusaram a proposta de Hou Yi. Irritado, Hou Yi inicou sua batalha. Colocou-se no centro da praça, tirou seu arco vermelho, disparou suas flechas brancas para os sóis, derribando em um instante nove deles, deixando apenas um a pedido do imperador Yao, pois o povo o necessitava para seu benefício.
As façanhas de Hou Yi provocaram a inveja de outros deuses, quem denegriam a reputação dele perante o imperador celeste. Como consequência, o soberano deixou de ter confiança nele, mandou-o descer à Terra e não permitiu-o regressar ao céu. A partir do então, Hou Yi viveu com sua mulher Chang E em hermitão ganhando-se a vida como caçador.
Passaram alguns anos. Hou Yi afligia-se porque sua esposa teve que vivir na Terra e decidiu ir à montanha Kunlun pedir o elixir à Rainha Mãe do Oeste com o fim de voltar ao céu. Mas, o elixir era suficiente para uma pessoas apenas. Hou Yi não queria ir ao céu abandonar a esposa nem vice-versa. Voltou para casa e escondeu o remédio.
Sem embargo, Chang E não queria suportar a vida pobre, procurou e achou o elixir quando Hou Yi estava ausente, e tomou o elixir. Pouco a pouco, começou a fluir até o céu e finalmente chegou à Lua.
Hou Yi continuava vivendo da caça na Terra e recebeu vários aprendizes ensinando-os a atirar flecha. Um deles chamava-se Feng Meng e progrediu rapidamente. Este pensava que com o professor vivo, jamais seria o número ! do mundo da arte de arco e flecha, por isso, assassinou-o quando este estava bêbado.
Chang E, na Lua, tinha a seu lado apenas um coelho que pilava ervas medicinais e um velho que cortava árvore e se arrependeu, levando uma vida solitária e triste.



O Ladrão e a Lua

Ryokan, um mestre Zen, vivia a mais simples e frugal das vidas em uma pequena cabana aos pés de uma montanha. Uma noite um ladrão entrou na cabana apenas para descobrir que nada havia para ser roubado. Entretanto Ryokan voltou e o surpreendeu lá.
- Você fez uma longa viagem para me visitar e você não deveria retornar de mãos vazias. Por favor tome minhas roupas como um presente.
O ladrão ficou perplexo. Rindo de troça, ele tomou as roupas e esgueirou-se para fora. Ryokan sentou-se nu, olhando a lua.
- Pobre coitado, gostaria de poder dar-lhe esta bela lua.

16/08/2009

Kuafu persegue o Sol




中国国际广播电台
Antigamente, um grupo de gigantes ocupava as montanhas do Norte. O chefe do grupo tinha duas serpentes douradas penduradas nas orelhas enquanto segurava outras sem suas mãos. Ele se chamava Kuafu, nome que deu origem à sua etnia. Tratava-se de um grupo de pessoas bondosas, valentes e muito trabalhadoras que viviam em paz.
Um ano, no entanto, uma onda de calor atingiu sua região. O Sol sufocante queimou as árvores e secou os rios, provocando a morte de muitos Kuafu. O chefe da tribo se entristeceu e, observando o Sol, disse: “O Sol é ..... Vou capturá-lo, a fim de que nos obedeça”. Muitos membros, no entanto, tentaram demovê-lo de sua idéia. Alguém disse: “Não vá, pois o Sol está muito longe de nós. Você vai morrer de cansaço”. Outras disseram: “O Sol é tão quente que você vai morrer de calor”. Mas Kuafu estava determinado a realizar a grande façanha e disse a seu povo: “Tenho que ir eno nome de nossa felicidade”.
Assim despediu-se da população. Com uma rajada de vento, seguiu em direção do Sol. O Sol se movia rapidamente no céu, enquanto Kuafu o perseguia. Passou por inúmeras montanhas e rios enquanto a terra fazia “Hong, Hong” sob seus passos. Kuafu, no entanto, sentiu o peso do cansaço e sentou no chão para limpar a terra acumulada em seus sapatos. Logo, elas se transformaram numa grande montanha. Ao cozinhar, Kuafu selecionou três pedras para colocar em sua panela, originando três montanhas com milhares de metros de altura.
Kuafu continuou perseguindo o Sol e, diariamente, se aproximava dele. O fato o enchia de autoconfiança. Finalmente, um dia, ele alcançou o Sol durante o entardecer Bronzeado, Kuafu queria abraçá-lo o Sol, mas sentiu o seu calor sufogante. Sentiu sede e cansaço e foi tomar água no rio Amarelo, esgotando de um gole suas plácidas águas. Ainda sedento, seguiu rumo ao rio Wei e esgotou toda a sua água. Mas, a sede persistiu. Correu rumo ao Norte, onde havia grandes rios e lagos. Mas, Kuafu morreu de sede no meio caminho.
Antes de morrer, no entanto, Kuafu, preocupado com seu povo, lançou sua bengala ao ar. O local de sua queda tornou-se um bosque de exuberantes pessegueiros que sombreavam a árdua jornada dos viajantes e frutos para aqueles que morriam de sede.
A lenda de Kuafu, de fato, trata da luta deste povo para vencer a seca..


02/08/2009

Lenda sobre Niulang e Zhinü


中国国际广播电台

Niulang (boiadeiro) era um pobre e alegre solteiro. Tinha apenas um velho boi e um arado. Diariamente, trabalhava no campo e, quando de volta à sua casa, fazia seus trabalhos domésticos, levando uma vida difícil. Mas, um dia, aconteceu um milagre.
Quando retornava do trabalho, viu tudo em ordem: roupas lavadas, comida quentinha e bem cheirosa sobre a mesa. Niulang, surpreso com o fato, pensou: o que aconteceu em minha casa? Apareceu algum imortal? Mas, não consegui decifrar o mistério...
Diariamente, no entanto, o fato se repetia. Niulang decidiu descobrir o que estava havendo. Um dia, saiu muito cedo de casa, como de hábito, mas se escondeu perto de casa para observar o movimento.
Pouco tempo depois, viu uma linda uma moça entrando em sua casa e a realizar suas tarefas domésticas. Impaciente, Niulang saiu do esconderijo e perguntou à moça: “Quem é você? Porque veio ajudar-me?” A moça, surpresa, murmurou envergonhada: “Chamo-me Zhinü (tecelã). Vi-o levando uma vida difícil e queria ajudá-lo”. Todo contente, Niulang se atreveu a dizer: “Case comigo. Vamos trabalhar e viver juntos”.
Zhinü concordou e os dois se casaram. Daí por diante, enquanto Niulang cultivava a terra, Zhinü tecia. Mais tarde, tiveram um casal de filhos.
Um dia, o céu estava muito nublado e havia muito vento. Dois generais celestes chegaram à casa de Niulang, dizendo que Zhinü era neta do imperador celeste e que havia fugido de casa há anos. Contra a sua vontade, ela foi conduzida ao céu.
Niulang ficou muito triste e jurou procurar a mulher. Mas, na qualidade de simples mortal, como poderia chegar ao céu?
Neste momento, o velho boi disse: “Pode me sacrificar. Tire minha pele e vista-a para voar até o céu”. Niulang seguiu as palavras do velho boi. O sacrificou, vestiu sua pele, pegou dois cestos onde colocou as duas crianças e voou para o palácio celestial. Mas, o imperador recusou o pedido de Niulang para reencontrar-se Zhinü.
Mas, devido à insistência de Niulang e seus filhos, o imperador permitiu-lhes um breve encontro. Vendo o marido e os filhos, Zhinü ficou, ao mesmo tempo, triste e contente. O tempo passou rápido. O imperador ordenou o fim do encontro. Niulang e os filhos corriam querendo alcançá-la. Neste momento, a Rainha Mãe do Céu tirou do cabelo um adorno de ouro e traçou com este uma linha entre Niulang e Zhinü. Logo surgiu um grande rio que Niulang não conseguiu atravessr.
Desde então, quando a noite chega, as pessoas o vêem e o chamam de Via Láctea. Separadas e em lados opostos, duas estrelas cintilam no espaço. Uma é Niulang (Altair) e a outra, Zhinü (Vega). Segundo a lenda, a Rainha Mãe do Céu, no entanto, permitiu que Niulang e Zhinü se encontrem uma vez por ano, no dia sete de julho do calendário lunar. Nessa noite, todas as pegas voariam à Via Láctea formando uma ponte onde eles poderiam encontrar-se.


01/08/2009

Morte

Um homem muito rico pediu a um mestre Zen um texto que o fizesse sempre lembrar do quanto era feliz com a sua família. O mestre Zen pegou num pergaminho e, com uma linda caligrafia, escreveu:
- O pai morre. O filho morre. O neto morre.
- Como? - disse, furioso, o homem rico. - Eu pedi-lhe alguma coisa que me inspirasse, um ensinamento que fosse sempre contemplado com respeito pelas minhas próximas gerações, e o senhor dá-me algo tão depressivo e deprimente como estas palavras?
- O senhor pediu-me algo que lhe fizesse lembrar sempre a felicidade de viver junto da sua família. Se o seu filho morrer antes, todos serão devastados pela dor. Se o seu neto morrer, será uma experiência insuportável.

30/07/2009

Gun e Yu controlam os rios


Na China, a história sobre o controle dos rios por Yu, o Grande, é muito famosa. Yu é considerado um herói que agia em benefício da população.

Antigamente, ocorreu uma grande inundação que durou 22 anos. A terra tornou-se um oceano; a população não tinha onde se abrigar ou como se alimentar. O número de pessoas caiu radicalmente. O rei Yao estava muito preocupado com a situação e convocou uma reunião dos chefes tribais. A reunião decidiu enviar Gun para controlar os rios.

Uma vez recebeu a ordem, Gun começou a planejar o controle das inundações e lembrou-se de um dito popular: “Na guerra usam-se soldados; Nas inundações, terra”. Gun considerou: se construir alguns diques em torno das aldeias, elas serão protegidas contra as inundações. Mas, durante as inundações, onde poderemos encontrar tal volume de terra e de pedras para se construir os diques necessários? Neste momento, uma tartaruga mágica saiu das águas e disse a Gun: “No palácio celestial há um tesouro chamado Xirang. Pode lançar o tesouro nas águas e ele crescerá rapidamente formando montes e diques”. Muito contente, Gun se despediu da tartaruga e foi ao Oeste em busca do tesouro.

Vencidas muitas dificuldades, Gun chegou à montanha Kunlun do Oeste e pediu ao imperador celestial o tesouro Xirang para salvar a população. No entanto, o imperador celestial recusou o pedido de Gun. Sem outra saída, Gun roubou Xirang e voltou à terra natal. Lançou Xirang às águas e este começou a crescer rapidamente. O nível das inundações subiu um metro, Xirang também subiu um metro e passou a acompanhá-lo sucessivamente. Os aldeãos se livraram das inundações e começaram a cultivar a terra.

Inteirado do roubo praticado por Gun, o imperador celestial enviou suas tropas para recuperar seu tesouro. Sem a proteção de Xirang, as inundações tornaram a destruir os diques e as terras cultivadas, matando afogadas milhares de pessoas. O rei Yao ficou muito zangado e ordenou: “Gun só pensa em impedir as inundações. Mas, quando os diques se rompem, as inundações causam maiores calamidades. Já se passaram nove anos e ele não obteve nenhum êxito. Por isso, deve ser executado”. Gun foi aprisionado e levado para a montanha Yu. Depois de três anos, acabou decapitado.

Vinte anos se passaram. O rei Yao abdicou do trono em favor de Shun. Este mandou Yu, o Grande, filho de Gun, para controlar as inundações. Desta vez, o imperador celestial entregou o seu tesouro Xirang a Yu. No início, Yu mandou construir diques para impedir o alastramento das inundações tal como o seu pai tinha feito. Mas, depois de vários fracassos, Yu entendeu que além da construção de diques, o combate às inundações exige ainda um sistema de drenagem. Então, mandou a tartaruga mágica carregar Xirang e acompanhar a sua viagem pelo país. Lançou Xirang nas zonas baixas para elevar o terreno e, ao mesmo tempo, adotou como guia o dragão mágico para ordenar os rios e canalizar as inundações rumo ao mar.

Dizem que Yu se despediu de sua noiva quatro dias depois do casamento para controlar as inundações. Durante 13 anos, passou pela porta da casa três vezes, mas não entrou. Por sua inteligência e diligência, as inundações foram controladas e os rios foram ordenados, com o que a população passou a viver em paz e felicidade. Para agradecer Yu, o povo o respeitava como rei, obrigando o rei Shun a abdicar do trono em seu favor.



22/07/2009

A ilha deserta

Certa vez um homem muito rico, de natureza boa e generosa, queria que o seu escravo fosse feliz. Para isso lhe deu a liberdade e um navio carregado de mercadorias.
- Agora você está livre - disse o homem. - Vá e venda esses produtos em diversos países e tudo o que conseguir por eles será seu.
O escravo liberto embarcou no navio e viajou através do imenso oceano. Não havia viajado muito tempo quando caiu uma tempestade. O barco foi arremessado violentamente contra os rochedos e se fez em pedaços. Tudo o que havia a bordo se perdeu. Somente o ex-escravo conseguiu se salvar, porque, a nado, pôde alcançar a praia de uma ilha próxima. Triste, abatido e só, nu e sem nada, o ex- escravo caminhou até chegar a uma cidade grande e bonita. Muita gente se aproximou para recebê-lo, gritando:
- Bem-vindo! Bem-vindo! Longa vida ao rei!
Trouxeram uma rica carruagem, onde o colocaram e escoltaram-no até um magnífico palácio. Lá muitos servos se reuniram ao seu redor, vestiram-no com roupas reais e todos se dirigiam a ele como soberano, em total obediência à sua vontade. O ex-escravo, naturalmente, ficou feliz e, ao mesmo tempo, confuso. Ele desejava saber se estava sonhando ou se tudo o que via, ouvia ou experimentava não passava de uma fantasia passageira. Convenceu-se, finalmente, de que o que estava acontecendo era real. E perguntou a algumas pessoas que o rodeavam, de quem gostava, como havia chegado àquela situação.
- Afinal - disse, - sou um homem de quem vocês nada conhecem, um pobre e despido vagabundo que nunca viram antes. Como podem transformar-me em seu governante? Isto me causa muito mais espanto do que possa dizê-lo.
- Senhor - responderam - esta ilha é habitada por espíritos. Há muito tempo eles rezaram para que lhes fosse enviado um filho do homem para governá-los, e suas preces foram ouvidas. Todos os anos é enviado um filho do homem. Eles o recebem com grande dignidade e o colocam no trono. Porém seu 'status' e seu poder acabam quando se completa o ano. Então lhe tiram as vestes reais e o põe a bordo de um barco que o leva para uma grande ilha deserta. Lá, a não ser que antes tenha sido sábio e tenha se preparado para esse dia, não encontra amigos, não encontra nada: vê-se obrigado a passar uma vida aborrecida, solitária e miserável. Elege-se então um novo rei, e assim acontece ano após ano. Os reis que o antecederam foram descuidados e não pensaram. Desfrutaram plenamente do seu poder, esquecendo- se do dia em que tudo acabaria.
Essas pessoas aconselharam ao ex-escravo a ser sábio e permitir que suas palavras permanecessem dentro do seu coração. O novo rei ouviu tudo atentamente, e lamentou ter perdido o pouco tempo que havia passado desde que chegara à ilha. Pediu ao homem de conhecimento que havia falado:
- Aconselhe-me, ó Espírito da Sabedoria, como devo preparar-me para os dias que chegarão no futuro.
- Nu você chegou até nós - disse o homem - e nu será enviado à ilha deserta da qual lhe falei. Agora você é rei e pode fazer o que quiser. Por isso mande trabalhadores à ilha e permita-lhes que construam casas, preparem a terra e tornem belas as redondezas. Os terrenos áridos devem ser transformados em campos frutíferos. As pessoas deverão ir viver lá e você estabelecerá um reino para si mesmo. Seus próprios súditos estarão esperando quando você chegar para dar-lhe as boas-vindas. O ano é curto, o trabalho é longo: seja diligente e enérgico.
O rei seguiu o conselho. Mandou trabalhadores e materiais para a ilha deserta, e antes de findar a vigência de seu poder a ilha se transformou num lugar fértil, aprazível e atraente.
Os governantes que o tinham precedido haviam antecipado o fim de seu tempo com medo, ou afastavam este pensamento se divertindo. Ele, porém, o aguardava com alegria, uma vez que então poderia começar sobre uma base de paz permanente e felicidade.
O dia chegou. O escravo liberto que tinha sido feito rei foi despojado de sua autoridade. Ao perder seus trajes reais, perdeu também seus poderes. Nu, foi colocado num barco, e as velas inflaram em direcção à ilha. Porém quando se aproximou da praia as pessoas que tinham sido enviadas antes para lá vieram para recebê-lo com música, canções e muita alegria. Fizeram- no seu governante, e ele viveu em paz.


19/07/2009

Cinco Montanhas Sagradas

中国国际广播电台
Segundo a mitologia chinesa, os seres humanos foram criados por Nü Wa. O mundo conheceu tempos de paz, após a conclusão de sua façanha. Mas, um dia, ocorreu um grande choque entre o céu e a terra. O céu tornou-se um enorme buraco e a terra conheceu muitas crateras que espargiam labaredas de fogo que destruíam as imensas florestas; as montanhas submergiam sob as águas; as bestas e animais malignos andavam às soltas, enquanto os seres humanos eram maculados pelo sofrimento.

Nü Wa ouviu o apelo dos seres humanos. Ela matou as bestas e animais malignos, amenizou as inundações e começou a reconstituir o céu.
Nü Wa recolheu montanhas de lenhas na terra e transportou-as até o buraco celeste. Além disso, selecionou pedras azuis idênticas ao céu anil. Além disso, recolheu pedras brancas, vermelhas, pretas e amarelas e as colocou em cima dos gigantescos feixes de lenhas. Depois, a incendiou. O fogo iluminou o Cosmos. Pouco a pouco, as pedras se derreteram, se tornaram lama e taparam o buraco no céu.
Nü Wa reconstituiu o céu, mas não conseguiu recuperar sua forma original. Assim, permaneceu inclinado ao Noroeste, fazendo com que tanto o Sol quanto a Lua caíssem sempre no Oeste; a terra ficou com uma grande cratera ao Sudeste que traga todos os rios que correm na terra, formando-se os grandes oceanos.
A leste do mar Bo, havia um profundo vale Guixu, onde as águas se acumulavam. Em Guixu, encontravam-se cinco montanhas sagradas, que se chamavam respectivamente Daiyu, Yuanqiao, Fanghu, Leizhong e Penglai. Todas elas tinham uma altura de 30 mil lis (dois lis equivalem a um quilômetro) e se distanciavam por 70 mil lis. Os imortais viviam nas montanhas.
Todos os pássaros e animais nas montanhas eram brancos e as árvores davam saborosas frutas que imortalizavam as pessoas comuns. Os imortais vestiam roupas brancas e possuíam pequenas asas às costas. Voavam como pássaros entre as montanhas para visitar seus parentes ou amigos e levavam uma vida muito feliz.
Mas, estavam aborrecidos com uma coisa: as montanhas permaneciam rodeadas pelo mar. Elas eram transportadas pelas ondas provocadas pelas tempestades, dificultando as “viagens” dos imortais. Estes, então, resolveram enviar um representante para apresentar suas queixas ao imperador celestial. Preocupado com o mesmo problema, o imperador celestial enviou 15 grandes tartarugas para carregar as cinco montanhas: uma carregava a montanha, enquanto duas aguardavam a troca de turno, prevista para cada 60 mil anos. O problema foi resolvido e os imortais sentiram grande satisfação.
Um ano, um habitante do País dos Gigantes foi a Guixu pescar. O corpo do gigante se assemelhava ao de uma montanha e pescou, uma após outra, as seis tartarugas que se responsabilizavam pelas duas montanhas. Assim as montanhas Daiyu e Yuanqiao foram levadas pelo vento ao pólo Norte e afundaram no mar. Os seus habitantes, apavorados, tinham que mudar de casa e ficaram exaustos por transportar seus bens voando.
Inteirado da desgraça, o imperador celestial ficou zangado com o País dos Gigantes e reduziu a estatura de seus habitantes, a fim de evitar a repetição da tragédia.
As outras três montanhas sagradas carregadas pelas tartarugas permanecem no litoral chinês até hoje.




15/07/2009

Yao abdica trono a Shun


Na longa história antiga da China, o trono de imperador era hereditário. Mas, os três mais antigos reis na mitologia chinesa não tinham relações de sangue.
Yao foi o primeiro imperador chinês na mitologia. Na velhice, queria escolher um sucessor e convocou uma reunião dos chefes tribais apresentando suas ideias.


Um homem que se chamava Fangqi, disse: “seu filho Danzhu é apropriado para suceder o tronco”. Muito sério, Yao respondeu: “Ele não dá para suceder meu trono porque costuma brigar.” Outra pessoa disse: “Gonggong, que administra obras hidráulicas, seria um bom candidato”. Yao disse abanando a cabeça: “Gonggong é falador e mostra-se respeitante, mas tem outras ideias no coração. Com pessoas dessa, não posso ficar tranquilo”. A discussão ficou sem resultado e o imperador Yao continuava procurando seu sucessor.
Tempo passado, Yao voltou a convocar reunião dos chefes tribais sobre o assunto. Esta vez, várias pessoas recomendaram um jovem comum com o nome Shun. Acenando afirmativamente a cabeça, Yao disse: “Já ouvi falar do jovem. Poderiam apresentá-lo com mais detalhes?” Começaram a falar de Shun: o pai de Shun era um homem muito confuso, por isso era chamado de Gu Sou, velho cego. A mãe de Shun morreu cedo e a madraste o odeava. O irmão de Shun, que nasceu da madraste, chamava-se Xiang. Trata-se de um homem muito insolente, mas Gu Sou o adorava muito. No entanto, Shun tratavam bem todos os membros da família, por isso, todos diziam que Shun era um homem com virtude.
Yao decidiu fazer examinação: casou suas duas filhas a Shun, construiu um celeiro para ele e distribuiu-lhe muitos bois e ovelhas. A madraste e o irmão de Shun invejavam-no e junto com Gu Sou, pretendiam assassiná-lo.
Um dia, Gu Sou mandou Shou a reparar o telhado do celeiro. Mas quando Shou subiu ao telhado, Gu Sou começou a lançar fogo em baixo. Shun queria descer pela escadaria, mas esta desapareceu. Felizmente, ele tinha a mão dois chapeus de palha e chegou ao chão são e salvo, abanando os chapeus tal como pássaro batendo as asas.
Gu Sou e Xiang não se conformou com o acontecido e mandou Shun a limpar poço. Quando Shun chegou ao fundo do poço, Gu Sou e Xiang lançaram pedras e terra ao poço com a intenção de enterrar Shun ao vivo. Mas, Shun fez um canal ao descer no poço e conseguiu sair.
Xiang não sabia que Shun tinha fugido do poço, voltou para casa e com todo contento, disse a Gu Sou: “esta vez, meu irmão vai morrer com certeza. Vamos dividir os seus bens”. Dito isto e foi ao quarto de Shun. Ao entrar no quarto, viu Shun tocando um instrumento musical. Xiang ficou surpreendido, mas disse gaguejando: “Tenho muia saudade de você e vim para o visitar”.
Shun, como se não tivesse acontecido nada, disse: “Veio na hora oportuna. Tenho muitos assuntos que precisam de sua ajuda”. Depois, Shun continuava tratando os pais e o irmão como antes. E Gu Sou e Xiang não se atreveram a mais tentar matar Shun.
Depois de muitas investigações, Yao considerava Shun um homem com virtude e competência e decidiu abdicar-lhe o o trono.
Como imperador, Shun governava o país com diligência e economia e obteve a confinaça da população. Na sua velhice, abdicou o trono a seu sucessor, como Yao fazia com ele.





Homem do Fogo




中国国际广播电台
A mitologia chinesa é repleta de sábios, audazes e perseverantes heróis que atuam em defesa da população. Sui Ren é um deles.
O conto versa sobre o período em que os homens ainda não dominavam o fogo. Na penumbra da noite, os seres humanos agrupavam-se atemorizados pelos uivos de animais selvagens. Além disso, os homens consumiam alimentos crus, eram dizimados por doenças e tinham uma baixa expectativa de vida.

Um imortal Fu Xi, que vivia no céu, nutria uma profunda compaixão pelas cotidianas dificuldades dos seres humanos. Ele ansiava que eles dominassem o uso do fogo e mandou uma tempestade com trovões. Após um grande “brrum”,os raios cortaram as árvores, incendiaram seus galhos e tornaram os bosques um mar de fogo. As pessoas fugiram apavoradas. Pouco depois, a tempestade cessou enquanto a noite vinha chegando e a terra e o ar exalavam um cheiro de umidade. As pessoas se agruparam defronte às árvores queimadas. Neste momento, um jovem percebeu que não havia mais os uivos de animais selvagens e pensou: “será que os animais têm medo dessa coisa brilhante?”Aproximou-se com coragem do fogo e sentiu-se aquecido. Animado, chamou seus companheiros: “Venham cá. O fogo nos trouxe luz e calor “.
Enquanto isso, outras pessoas descobriram animais mortos, cujas carnes exalavam um cheiro gostoso. As experimentaram e gostaram. Conhecendo o uso de fogo, começaram a recolher ramos de árvores para manter acesa as chamas e um plantão para guardá-la todo o dia. Mas, um dia, o plantão dormiu no seu posto e a chama apagou-se. A humanidade voltou a cair na escuridão.
Fu Xi acompanhou tudo isso no céu e entrou no sonho do jovem que descobriu o uso de fogo, dizendo: “No Ocidente existe um país da Luz. Pode ir lá para buscar sua chama ”. Ao acordar, o jovem lembrou-se das palavras do imortal e decidiu buscar a chama no País da Luz.
Atravessando altas montanhas, grandes rios e imensas florestas, o jovem chegou finalmente ao País da Luz. Mas, não havia lá nem luz solar nem qualquer chama acesa. O mundo, ali, era escuro. Decepcionado, o jovem sentou-se em baixo de uma grande árvore. De repente, descobriu uma coisa cintilante à sua frente. O jovem levantou-se, começou a procurar a fonte da luz e viu alguns pássaros comendo pequenos insetos na árvore. O atrito entre o bico das aves e o tronco das árvores provocava faíscas. Inspirado pela cena, o jovem pegou um galho e começou a perfurar o tronco da árvore. Surgiram faíscas, mas não obteve fogo. O jovem insistiu em tentar o fogo friccionando os galhos nas árvores. Pouco a pouco, as fricções provocaram fumaça e, finalmente, o fogo. O jovem, emocionado, chorou.
O jovem voltou à terra natal e ensinou a técnica de produzir fogo com fricções. A população, admirando a valentia e sabedoria do jovem, elegeu-o como seu líder e chamou-o Sui Ren, “Homem do Fogo”.


13/07/2009

Nada Existe

Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
- A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenómenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
- Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?

28/06/2009

O menino-avestruz


Reza a história que estando um frig em mudanças, uma mulher que levava um miúdo aos ombros ficou pata trás. Tinha visto algo no chão e aproximou-se para ver melhor. Quando lá chegou viu que o que lhe chamara a atenção era um punhado de ovos de avestruz. Quis avisar as pessoas mas, por mais que gritasse, não a ouviam, de modo que decidiu deixar o filho junto dos ovos para correr em busca dos restantes. Quis o azar que, depois de ela os alcançar, e quando todos se dirigiam para o lugar onde estavam os ovos, eufóricos com tão feliz descoberta, se levantasse um vento forte e o irif apagasse qualquer rasto deixado na areia.De modo que, apesar de os membros do frig terem procurado, incansáveis, durante vários dias, não houve maneira de encontrar a criança.
A mãe avestruz, ao ver a criança junto dos ovos, decidiu adoptá-la. De dia saía à procura de comida para a alimentar e à noite cobria-a com o corpo para que não lhe acontecesse nada de mal. Quando nasceram as crias, as pequenas avestruzes e o menino passavam o dia juntos e este fazia vida de avestruz, comendo o que elas comiam, gritando como elas gritavam e correndo tão velozmente como os irmãos adoptivos, saudável e feliz.
Passou o tempo e, um belo dia, um pastor que conduzia os seus rebanhos para outros pastos viu de longe as avestruzes e o rapazinho que corria com elas. Impressionou-o de tal forma aquela visão que, onde quer que fosse, falava daquele acontecimento extraordinário de que fora testemunha:
- Vi com os meus próprios olhos o que vos estou a contar! Era um rapaz, com o cabelo compridíssimo, que corria entre as avestruzes, comento o que elas comiam e emitindo os mesmos ruídos com a garganta.
Quando a história chegou aos ouvidos da família da criança perdida junto dos ovosd de avestruz, todo o frig se pôs imediatamente em marcha. Localizaram o pastor r pediram-lhe que lhes mostrasse o lugar onde apareciam as avestruzes. E quando estas, seguindo o seu costume, pararam para descansar sob os ramos de uma talja, os homens capturaram o rapaz e levaram-no com eles. Trataram dele, cortaram-lhe o cabelo, lavaram-no e ensinaram-no a comer e a comunicar como uma pessoa. Com o decurso do tempo, o menino-avestruz transformou-se num homem, casou-se e teve uma grande descendência.
Quanto às avestruzes, não querendo prescindir da companhia do seu meio-irmão, seguiram-no e instalaram-se junto ao frig para poderem continuar perto dele.



15/06/2009

Pan Gu, o criador do Universo


Segundo uma lenda chinesa, o mundo foi criado por Pan Gu. De início, o Universo e a Terra eram uma enorme confusão. O Universo assemelhava-se a um grande ovo preto dentro do qual dormia Pan Gu. Passaram-se dezoito mil anos, Pan Gu despertou do seu prolongado sono. Sentiu-se sufocado e então pegou num machado e quebrou com a casca do ovo. A parte clara e leve do ovo subiu e formou o Universo, a parte fria e turva sedimentou-se e transformou-se na Terra.
Preocupado com o fato do Universo e da Terra se juntarem novamente, Pan Gu pôs-se de pé, a fim de sustentar com a cabeça o Universo e a Terra com os pés. Cresceu dez chi (Chi, medida de comprimento antiga da China. Dez chi equivalem a 3,33 metros) por dia. Passaram-se mais dezoito mil anos, Pau Gu tornou-se num gigante com estatura de 90 mil li (45 mil quilómetros ). Passaram-se milhares de anos e o Universo permaneceu estável e a Terra, consolidada.
Tempos depois, esgotado, Pau Gu caiu na Terra e morreu.
Depois da morte de Pan Gu, a sua respiração transformou-se nos ventos e nuvens; sua voz, no trovão; um dos olhos tornou-se o Sol e outro, a Lua. Os braços, pernas e o tronco converteram-se em cinco grandes montanhas e seu sangue deu origem aos rios e lagos. Os nervos tornaram-se estradas e os músculos se converteram em terras férteis. Os cabelos e as barbas, as estrelas, e os pelos finos e a pele, flores e árvores. Os seus ossos tornaram-se jade e pérolas e o suor transformou-se no orvalho e na chuva que alimentam todos os seres vivos do planeta.