Mostrar mensagens com a etiqueta Contos e Lendas da Mitologia Grega. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Contos e Lendas da Mitologia Grega. Mostrar todas as mensagens

15/01/2012

Narciso


Há muito tempo, na floresta passeava Narciso, o filho do sagrado rio Kiphissos. Era lindo, porém, tinha um modo frio e egoísta de ser, era muito convencido de sua beleza e sabia que não havia no mundo ninguém mais bonito que ele.
Vaidoso, a todos dizia que seu coração jamais seria ferido pelas flechas de Eros, filho de Afrodite, pois não se apaixonava por ninguém.
As coisas foram assim até o dia em que a ninfa Eco o viu e imediatamente se apaixonou por ele.
Ela era linda, mas não falava, o máximo que conseguia era repetir as ultimas sílabas das palavras que ouvia.
Narciso, fingindo-se desentendido, perguntou:
— Quem está se escondendo aqui perto de mim?
— … de mim — repetiu a ninfa assustada.
— Vamos, apareça! — ordenou — Quero ver você!
— … ver você! — repetiu a mesma voz em tom alegre.
Assim, Eco aproximou-se do rapaz. Mas nem a beleza e nem o misterioso brilho nos olhos da ninfa conseguiram amolecer o coração de Narciso.
— Dê o fora! — gritou, de repente — Por acaso pensa que eu nasci para ser um da sua espécie? Sua tola!
— Tola! — repetiu Eco, fugindo de vergonha.
A deusa do amor não poderia deixar Narciso impune depois de fazer uma coisa daquelas. Resolveu, pois, que ele deveria ser castigado pelo mal que havia feito.
Um dia, quando estava passeando pela floresta, Narciso sentiu sede e quis tomar água.
Ao debruçar-se num lago, viu seu próprio rosto refletido na água. Foi naquele momento que Eros atirou uma flecha direto em seu coração.
Sem saber que o reflexo era de seu próprio rosto, Narciso imediatamente se apaixonou pela imagem.
Quando se abaixou para beijá-la, seus lábios se encostaram na água e a imagem se desfez. A cada nova tentativa, Narciso ia ficando cada vez mais desapontado e recusando-se a sair de perto da lagoa. Passou dias e dias sem comer nem beber, ficando cada vez mais fraco.
Assim, acabou morrendo ali mesmo, com o rosto pálido voltado para as águas serenas do lago.
Esse foi o castigo do belo Narciso, cujo destino foi amar a si próprio.
Eco ficou chorando ao lado do corpo dele, até que a noite a envolveu. Ao despertar, Eco viu que Narciso não estava mais ali, mas em seu lugar havia uma bela flor perfumada. Hoje, ela é conhecida pelo nome de “narciso”, a flor da noite.
Mitologia Grega

15/12/2011

Clítia



Clítia ou Clítie, ninfa do girassol, é protagonista de um mito bem conhecido. Era uma oceânida amada por Hélios, o deus-sol. Quando ele a abandonou pelo amor de Leucotéia, Sofrendo, Clítia começou a definhar. Ficava durante todo o dia sentada no chão frio com sua tranças desatadas sob os ombros. Passavam-se os dias sem que ela comesse ou bebesse, alimentando-se apenas das próprias lágrimas. Durante o dia contemplava o Sol desde o nascente ao poente. Era única coisa que via e seu rosto estava sempre voltado para ele. À noite, curvava-se para chorar.

Por fim, seus pés criaram raízes no chão e o rosto transfigurou-se em uma flor - girassol ou heliótropo -que se move sobre o caule de modo a acompanhar o amado Sol em seu curso diário.

A mais importante delas, porém, era Clóris ("A Verde"), identificada pelos romanos como sua deusa das flores e da vegetação, Flora. Era esposa de Zéfiro, o Vento Oeste e mãe de Carpo ("O Fruto") e reinava sobre os Campos Elísios ou as Ilhas dos Bem-Aventurados, o paraíso no Ocidente, além do Oceano, destinado aos heróis da mitologia grega após a morte.

13/12/2011

Dédalo e Ícaro


Dédalo (pai) e Ícaro (filho) foram condenados por Zeus e exilados na Ilha de Creta. Dédalo pai, discípulo de Hermes e renomado inventor, realizava seu trabalho em Atenas até que certo dia começou a temer que seu ajudante e sobrinho Talo lhe sobrepujasse no ofício. Enciumado, Dédalo atirou o jovem do alto de Acrópole, matando-o. Por esse crime foi condenado ao exílio, juntamente com seu filho Ícaro, partindo para a ilha de Creta, reino de Minos, onde realizou muitas obras sendo a mais célebre o Labirinto, onde fora confinado o Minotauro.
Os dois ali permaneceram encarcerados e sem alternativa de fuga até que Dédalo fabricou dois pares de asas artificiais amarrando as penas caídas das gaivotas que sobrevoavam o labirinto e colando-as a seguir com grossa camada de cera de abelhas. Alçaram vôo juntos, deixando o cárcere para trás, porém Ícaro, empolgado com a possibilidade de voar, esqueceu-se da recomendação prévia do pai de não voar tão rente ao sol, pois o calor derreteria a cera, nem tão rente ao mar, pois a umidade deixaria as asas mais pesadas levando-o a cair no mar em não se aproximar em demasia do sol. Inebriado pela sensação das alturas, cada vez mais o jovem Ícaro se acercava do sol até que, a cera que fixava as asas começou a se derreter e Ícaro despencou dos céus ao mar Egeu, morrendo afogado.

11/12/2011

O Mito de Venus


Quando Saturno cortou os testículos de seu pai Urano, estes ao cair no mar misturando o sémen com as águas, fecundou Gaia gerando a Vénus, Afrodite, uma deusa lindíssima que surge numa concha e é levada ao Olimpo pelas Horas, que cuidaram de sua beleza, tratando de vesti-la com belas roupas. Ao chegar na morada dos deuses, todos correram para admirá-la. Como diz o ditado popular: "É impossível agradar a Gregos e Troianos"; a Vénus não fugiu a esta regra. A deusa da Razão, Minerva, Atena, a deusa das Artes, Diana, e a deusa do Lar, Vesta, Hestia, insatisfeitas com a presença da bela deusa que faziam os homens perderem a razão, afastava-os de seus lares e ofuscava as artes com sua beleza, foram até Júpiter solicitando que este prejudicasse a Vénus em alguma coisa, e propuseram que ela casasse com o deus mais feio do Olimpo, Vulcano, Hefesto, que era coxo e com marcas de cicatrizes no rosto, devido ter sido atirado do alto do Olimpo, por sua mãe, Juno que o gerou sozinha por raiva do amor de seu marido com a bela Atenas, por achá-lo feio demais e tendo vergonha de apresentá-lo aos outros deuses. Vulcano demorou um dia e uma noite rolando morro abaixo e foi resgatado pelos povos próximos do vulcão Vesúvio, que cuidaram de seus ferimentos e o ensinaram as artes dos metais e do fogo, tornando-se em grande artesão.

Casou-se Vénus contra sua vontade, ela que já se apaixonara pelo jovem e valente Marte. Estes se encontravam constantemente até que o Sol, Apolo, o deus que tudo via, contou a Vulcano que sua mulher o traía. Este confecionou uma rede de ouro invisível e armou uma armadilha para os amantes. Quando foram consumar mais uma vez o adultério, Vénus e Marte ficaram aprisionados ao leito e Vulcano trouxe todos os deuses para observar a vergonha da Vénus. Ao serem libertados, Vénus esperava que Marte assumisse o seu amor e mesmo expulsos do Olimpo fossem vagar pelos cantos da terra juntos. Porém Marte frustou a deusa abandonando-a. Vénus, a deusa do Amor, transformando seu amor em ódio, rogou uma praga para que Marte se apaixonasse por todas mulheres que visse, tornando-se assim um deus constantemente apaixonado e agressivo, que tomava as mulheres a força quando estas não cediam à sua sedução. A primeira mulher que encontrou e se apaixonou foi Aurora esposa de Astreu.



15/11/2011

Hera, rainha do Olimpo



Hera era a filha mais nova de Cronos (Saturno) e Réia (Cibele). Assim como o irmão Zeus, foi poupada de ser devorada pelo pai, através de um ardil da mãe, que a entregaria recém nascida aos cuidados de Tétis e das Horas.
Quando Zeus derrotou Cronos, após uma guerra sangrenta de dez anos, tornando-se o senhor dos deuses, procurou pela irmã. Fascinado por sua beleza, encantou-se por ela, declarando-lhe uma paixão arrebatadora. Mas Hera declinou diante da paixão do irmão, preferindo manter-se casta. Inconsolável, Zeus transformou-se em um cuco, surgindo na frente da amada como um pássaro triste e quase morto pelo frio. Compadecida, Hera, pegou a ave, aquecendo-a no calor do seio. Tão logo se viu junto ao corpo da deusa, Zeus, entorpecido pelo desejo, tomou-a para si, violando-a.
Diante da vergonha e humilhação sofrida, Hera exigiu que o irmão reparasse o ultraje. Apaixonado e decidido a encontrar uma companheira, o senhor dos deuses tomou a irmã como esposa, em uma pomposa cerimônia no Olimpo, assistida por todos os deuses. Hera tornava-se, ao lado do marido, a rainha de todos os deuses do Olimpo.
Reza a lenda, que após a grandiosa festa de matrimônio, Hera e Zeus partiram para um longo período de núpcias que duraria trezentos anos. Após regressar das núpcias, a deusa foi até Náuplia, banhando-se na fonte de Cánatos, sendo ali, restituída a sua virgindade.

27/08/2010

O Minotauro no Labirinto



O rei Minos disposto a subir ao trono de Creta para ocupar o lugar de seu pai Astérion perguntou ao povo de Creta qual seria a prova a que seria submetido para ser declarado legítimo rei de Creta. A multidão discutiu esse assunto e eis que alguém deu uma excelente ideia.
Sugeriu então que o rei Minos deveria pedir aos deuses para sair um touro branco do mar.
Minos pensou como é que iria cumprir a tarefa e de repente lembrou-se que Poseidon, Deus do Mar adorava o sacrifício de animais. Assim, Minos pediu a Poseidon que fizesse sair um touro branco do mar e em troca este sacrificaria o animal.
Passado algum tempo, o feito concretizou-se e o povo de Creta declarou Minos como seu legítimo rei.
No entanto, Minos adorava o ser enviado por Poseidon, visto que era um touro diferente de todos. Assim, mandou sacrificar outro touro em seu lugar, o que deixou o Deus do Mar realmente zangado. Como castigo, Poseidon fez com que a mulher de Minos, a rainha Pasifae se apaixona-se pelo touro e tivesse um filho deste, o que envergonharia e desonraria Minos.
Pasifae teve então um filho que da cintura para baixo era homem e da cintura para cima era um touro. Envergonhado, Minos mandou Dédalo, um arquitecto muito famoso criar um labirinto em que quem entrasse nunca mais voltasse a sair. Assim, encerrou o Minotauro lá dentro, mas as exigências do enteado não eram nada fáceis, pois este exigia carne humana. Minos exigia então a Atenas que de nove em nove anos, sete rapazes e sete raparigas seriam enviados para o labirinto para serem devorados pelo Minotauro. Caso contrário, haveria guerra entre Atenas e Creta.
Assim, de sete em sete anos eram enviados os catorze jovens e Teseu, filho do rei de Atenas também decidiu ir, prometendo ao pai que iria matar o Minotauro. O pai disse-lhe então que colocariam uma vela negra no mastro, mas caso conseguissem vencer o Minotauro colocariam uma vela negra. Ao chegar a Creta, a filha do rei, Ariadna mal viu Teseu apaixonou-se. Decidida a ajudá-lo, Ariadna deu-lhe uma espada e um novelo que lhe indicaria onde estava o Minotauro, se ele prometesse levá-la consigo para Atenas para casarem. Ele prometeu e entrou no labirinto. Seguiu então o novelo e quando encontrou o Minotauro cortou-lhe a cabeça. Seguiu rapidamente o novelo que lhe indicava também a saída e fugiu com Ariadna e com os catorze jovens para Atenas. No entanto, quando pararam numa ilha para descansarem este abandonou Ariadna. De regresso a casa, devido aos festejos, os jovens esqueceram-se de hastear a vela branca, que significava que eles tinham saído vitoriosos. Ao ver que a vela continuava negra, o Rei Egeu, pai de Teseu pensara que tinha perdido o filho e atirara-se para o mar, morrendo afogado. Esse mar é hoje conhecido pelo mar Egeu.

Contos e Lendas da Mitologia Grega


21/08/2010

Lenda do Gigante Prometeu



Diz a lenda que quando os deuses criaram o céu e a terra, com todas as plantas e animais, chegou à terra o gigante Prometeu ("aquele que pensa antes"), descendente dos Titãs, destronados por Zeus. Prometeu, com um pouco de argila e água, criou o homem à imagem dos deuses para que reinasse sobre a terra. Das almas dos animais escolheu algumas características que juntou à sua obra. Atena, a deusa da sabedoria, impressionada, insuflou no homem o espírito. Pouco depois os primeiros seres humanos começaram a multiplicar-se na terra, mas faltava-lhes as informações sobre a sua subsistência e sobre os assuntos divinos. Por esta razão, Prometeu ensinou aos homens todos os segredos da agricultura, da pesca, do comércio, da profecia, da astronomia e de tudo o que era necessário ao desenvolvimento da humanidade. Mas ainda lhes faltava o dom do fogo, que Zeus tinha negado aos homens. Então, Prometeu apanhou um ramo e aproximando-o do sol incendiou-o e trouxe o fogo à terra. Contrariado, Zeus arquitectou a sua vingança ordenando que se fizesse uma estátua de uma linda mulher, que os deuses dotaram de muitas qualidades, e a quem chamou Pandora, "a que tem todos os dons". Zeus pediu a cada um dos deuses que criassem um malefício e guardou-os a todos numa caixa que Pandora levava nas mãos. Zeus tencionava unir Pandora a Epimeteu ("o que pensa depois"), irmão de Prometeu, e ordenou a Hermes que conduzisse Pandora à Terra até junto de Epimeteu. Diante dele, ela abriu a caixa dos malefícios que se espalharam por toda a Terra, enchendo-a de dor e de doença. Pandora fechou a caixa rapidamente, antes que se escapasse o único benefício que esta continha: a esperança.
Tinha chegado a hora de Zeus castigar Prometeu, mandando Hefesto e os seus servos Crato ("o poder") e Bia ("a violência") acorrentar o gigante a um despenhadeiro do Monte Cáucaso. Mandou depois uma águia devorar-lhe o fígado, que, por ser imortal, se regenerava continuamente, causando-lhe um grande sofrimento. O seu tormento prolongou-se por centenas de anos até que Hércules, com o consentimento de Zeus, matou a águia com uma pedra e libertou Prometeu das correntes. É então que Prometeu revela a Zeus uma profecia: se Zeus continuasse com os seus amores com Tétis, deles nasceria um filho que o destronaria. Assim sendo, Zeus abandonou Tétis, que casou com o mortal Peleu. Entretanto, Prometeu tornou-se imortal ao trocar o destino com o centauro Chiron e ocupou o seu lugar no Olimpo, para grande alegria do povo de Atenas, que via em Prometeu o grande benfeitor da humanidade, patrono das artes e das ciências.

Contos e Lendas da Mitologia Grega

18/08/2010

Lenda de Dédalo e Ícaro

Dédalo era um construtor e um escultor muito competente de Atenas que caiu em desgraça por ter assassinado Talo. Acolhido com amizade pelo rei Minos de Creta, Dédalo refugiou-se com o filho Ícaro na Ática. Foi incumbido de construir um labirinto para guardar o terrível Minotauro, filho da Rainha Pasifae, mulher de Minos, e de um touro. Minotauro era portanto um monstro, metade homem e metade touro, que se alimentava de carne humana. O labirinto era tão perfeito que até Dédalo teve dificuldade em sair dele.
O rei Minos, como castigo pelo facto dos Atenienses lhe terem matado o filho Androgeu, tomou a cidade de Atenas e impôs um tributo anual de sete rapazes e sete raparigas para alimentar o Minotauro. Ao fim do terceiro tributo, Teseu, filho do rei de Atenas, ofereceu-se como uma das vítimas, a fim de salvar a sua Pátria do flagelo que os atingia. Ao chegar a Creta, Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se pelo jovem Teseu e, com a ajuda de Dédalo, deu ao jovem um novelo de fio que guiou o herói para fora do labirinto. Furioso com a traição de Dédalo, o rei Minos mandou-o encerrar, juntamente com o seu filho Ícaro, numa ilha de onde não podiam fugir sem autorização do rei. Dédalo começou então a imaginar uma fuga. Recolheu penas de aves e, unindo-as com cera, construiu asas para si e para o filho. Conseguiram assim voar até uma ilha vizinha, mas Ícaro, entusiasmado com o sucesso da experiência, continuou a voar cada vez mais alto, não dando ouvidos a Dédalo, que de terra o advertia para não voar alto de mais, por causa do sol. Como se aproximou demasiado do sol, este derreteu a cera das asas e Ícaro caiu no mar Egeu, afogando-se para grande desgosto de Dédalo, que mais não pôde fazer do que observar e chorar a morte do filho. A ilha, onde caiu o corpo do jovem Ícaro, recebeu o nome de Icária.



21/07/2010

Lenda de Andrómeda



Andrómeda era a filha dos reis da Etiópia, Cefeu e Cassiopeia. O reino tinha caído em desgraça porque Cassiopeia tinha-se vangloriado de que era mais bela do que as Nereidas, as cinco filhas de Nereu e Dóris. As virgens, de cabelo dourado, que viviam com o pai, no submundo aquático, e que eram vistas, quando o mar estava calmo, a brincarem com os Tritões na crista das ondas, pediram a Posídon que as vingasse pela injúria feita. Este enviou um monstro marinho para atacar a Etiópia e devorar os homens e os animais. Preocupado com o flagelo que atingia o país, o rei Cefeu consultou o oráculo de Ámon que lhe revelou que a solução para o problema seria a entrega de sua filha Andrómeda, como vítima, ao monstro. Foi, nesta época de catástrofe e de desgosto, que Perseu chegou à Etiópia e encontrou Andrómeda acorrentada a um rochedo aguardando a morte. Perseu apaixonou-se por ela, logo que a viu, e matou o monstro, salvando-a. Os dois enamorados partiram para Argos e depois para Tirinte, onde se casaram e tiveram vários filhos, entre os quais Perses, que viria a ser o primeiro dos reis da Pérsia.

Mitologia Grega

02/07/2010

Lenda de Aquiles


Como relatou Homero na Odisseia , Aquiles era o mais valoroso de todos os guerreiros gregos e distinguiu-se pela sua coragem na Guerra de Tróia. Filho de Tétis, deusa do mar, e de Peleu, rei dos Mirmídones, na Tessália, Aquiles foi criado pelo centauro Quíron. Ainda em criança, Tétis mergulhou-o nas águas do rio Estige para lhe dar imortalidade mas, como o segurou pelo calcanhar, esta parte do seu corpo ficou vulnerável.
Quando tinha nove anos, o profeta Calcas previu, em oráculo, que Aquiles conquistaria sozinho Tróia. Tétis, temendo por Aquiles, pois sabia que ele iria ser morto em Tróia, disfarçou-o de menina e escondeu-o no palácio de Licomedes, na ilha de Ciros. Os Gregos, que precisavam de Aquiles para combaterem a guerra de Tróia, descobriram-no, por entre as donzelas, através de uma artimanha. Ulisses dirigiu-se ao palácio de Licomedes e ofereceu prendas, entre as quais incluiu uma espada e um escudo, às filhas do rei; em seguida, juntamente com o seu séquito, deu gritos de alerta e de perigo de invasão, e Aquiles, pensando que estavam a ser atacados, correu a segurar as armas. Desta forma, os Gregos identificaram-no e levaram-no com eles, não podendo Aquiles escapar ao seu destino. Este jovem herói participou em muitas batalhas durante a Guerra de Tróia, conquistando doze cidades mas, quando o rei Agamémnon de Micenas raptou a sua amada, a virgem Briseida, Aquiles retirou os Mirmidónes da batalha e recolheu-se, desgostoso, na sua tenda. Os Troianos, animados pela sua ausência, atacaram os Gregos, fazendo-os retirar. Foi então que o seu amigo Pátrocles implorou a Aquiles que lhe emprestasse a armadura e que o deixasse conduzir os Mirmidónes, no que Aquiles consentiu. Pátrocles foi morto pelo príncipe troiano Heitor, e Aquiles voltou à batalha para vingar o amigo, matando Heitor. Depois liderou os Gregos para mais um ataque às muralhas de Tróia, sendo atingido mortalmente por Páris, irmão de Heitor, com uma seta, que, guiada por Apolo, atingiu o calcanhar de Aquiles. Diz a lenda que Tétis recolheu o corpo de Aquiles e o levou para a ilha de Leuke, na foz do Danúbio, onde, renascido, se casou com Efigénia e com ela governou a região. Como filho de um mortal e de uma deusa do mar, Aquiles tinha um estatuto especial entre os heróis gregos da Guerra de Tróia. Em criança, Tétis tinha-lhe revelado que tinha dois destinos à sua escolha: uma vida longa sem glória ou uma vida curta com glória. Assim sendo, sua opção por voltar à batalha para vingar Pátrocles foi uma viragem consciente no seu destino de herói.

Arquivo: 17Aquiles - Rubens -1- .jpg

30/06/2010

Lenda de Icário


O ateniense Icário recebeu, em sua casa, o deus Dionísio, durante uma das suas viagens à terra. Dionísio presenteou o anfitrião com uma oferta de vinho que Icário mandou distribuir pelos seus pastores, dado que era uma substância que estes não conheciam. Os pastores beberam o vinho e, sentindo-se intoxicados e tontos, pensaram que Icário os queria envenenar. Por essa razão, mataram Icário e enterraram-no. A filha deste ateniense, Erígone, dando pela falta do pai, procurou-o e encontrou o local onde estava sepultado, com a ajuda do seu fiel cão Marea. Desgostosa, enforcou-se na árvore junto da qual o pai tinha sido enterrado. O deus Dionísio castigou os habitantes de Ática com uma praga e castigou as mulheres levando-as à loucura, o que fez com que estas seguissem o exemplo de Erígone e se enforcassem. Depois, Dionísio levou Icário, Erígone e o cão Marea para os céus e transformou-os, respectivamente, nas constelações de Boeiro, Virgem e Cão Menor.


29/06/2010

Lenda de Adrasto


Adrasto era rei de Argos, uma das cidades mais importantes do Peloponeso e rival de Esparta. Um dia, Adrasto recebeu simultaneamente os pedidos de asilo de Polinices, filho de Édipo, que tinha sido arrebatado do trono de Tebas, pelo seu irmão Etéocles, e de Tideu, filho do rei de Calídon, expulso por ter matado o irmão. Os dois jovens, enquanto esperavam pela resposta de Adrasto, começaram a lutar, o que fez com que o rei se lembrasse que um antigo oráculo tinha predito que estes dois jovens iriam casar com as suas duas filhas. Adrasto casou-os então com elas e prometeu ajudá-los a recuperar os seus reinos.
Começou assim a expedição contra Tebas da qual resultou o episódio conhecido como os Sete contra Tebas. Para além de Adrasto, Polinices e Tideu, juntaram-se, a esta demanda, os príncipes Canapeu, Hipomedo, Partenopeu e Anfiareu. A expedição para Tebas parou em Nemea, onde foram involuntariamente causadores da morte de Ofeltes. Considerado um mau presságio, Adrasto organizou jogos fúnebres em honra do príncipe morto, que deram, posteriormente, origem aos Jogos de Nemeus. Chegados a Tebas, os sete príncipes atacaram as sete portas da cidade, que eram defendidas por sete heróis da cidade. O ataque foi um fracasso: os dois irmãos Etéocles e Polinices defrontaram-se até à morte e os outros príncipes morreram também. Somente Adrasto sobreviveu, recuperando os corpos dos mortos que foram sepultados em Elêusis. Passados dez anos, com os filhos dos príncipes mortos, Adrasto chefiou uma segunda ofensiva, a chamada expedição dos Epígones ou Epigoni, termo que significava "os que vêm depois", contra o novo rei de Tebas, Laodamas, filho de Etéocles. Tebas foi conquistada e o trono entregue a Tersandus, filho de Polinices e de uma das filha de Adrasto. Na batalha, morreu Egialeu, único filho de Adrasto, e este caiu num grande desgosto que o levou à morte.


22/06/2010

Perseu


Perseu era filho de Júpiter e de Dánae, filha de Acrísio, rei de Argos.
Acrísio, tendo sabido, através de um oráculo, que um seu neto havia de tirar-lhe a vida, mandou encerrar Dánae, sua única filha, numa torre de bronze para a subtrair ao contacto com os homens. Júpiter, todavia, condoendo-se da sorte a que a princesa tinha sido votada, resolveu contrariar o plano de Acrísio: introduziu-se na torre sob a forma de chuva de ouro e encontrou-se com Dánae.
Acrísio, quando recebeu a notícia de que Dánae estava grávida, mandou-a abandonar no mar, para que este a tragasse, o que, todavia, não sucedeu.
A embarcação em que ela tinha sido abandonada aportou à Ilha de Serifo, uma das Cíclades, onde Polidectes, rei daquela ilha, recebeu Dánae em sua casa e mandou educar o filho, que veio a receber o nome de Perseu.
Já homem, Perseu recebeu o escudo de Minerva, que o ajudou a praticar acções ousadas e meritórias: cortou a cabeça à Medusa, de cujo sangue nasceu o cavalo Pégaso; montado neste cavalo, correu veloz ao Egipto, para livrar Andrómeda de um monstro marinho que a ameaçava de morte (mostrando-lhe a cabeça de Medusa, transformou-o num rochedo).
No regresso a casa, Acrísio quis impedir-lhe a entrada; os dois lutaram e Acrísio foi morto, cumprindo-se, assim, a previsão do oráculo.
Quando Perseu soube que Acrísio era seu avô, expatriou-se e desapareceu.

Mitologia Grega

21/06/2010

Medusa


Era filha de duas divindades marítimas, Fórcis e Ceto, sendo uma das três Górgonas. Era a mais conhecida destas e considerada mesmo a "autêntica". De entre estas era a única mortal e visível aos olhos dos humanos. Na história sagrada da mitologia grega, Medusa passou de divindade primordial, pré-olímpica, ainda que um monstro, como Górgona que era, a vítima de uma transformação: de bela passou a horrorosa.
Seduzido pela sua maravilhosa beleza, Poseidon (Neptuno, em Roma) transformou-se em pássaro para a poder atrair e possuir, tendo mesmo profanado o templo de Atena (Minerva, para os romanos), pois foi aí que a terá possuído, o que era um sacrilégio. Poseidon foi o único que se terá aproximado dela. Por isso, Atena, irritada, terá então transformado os cabelos da bela Medusa em cobras. Outras lendas dão como causa desta sua aparência o facto de Medusa ter ousado considerar-se mais bela do que Atena, tendo uma grande vaidade na sua magnífica cabeleira. Para além dos cabelos em forma de serpentes, tinha Medusa dentes enormes e feios, como os javalis, uma língua vibrátil e um olhar penetrante e medonho, cheio de convulsões terríficas, mãos de bronze e asas de ouro, o que fazia com que pudesse voar.
Da união de Medusa com Poseidon nasceram Crisaor e Pégaso, o mítico cavalo alado. Medusa habitava na extremidade do mundo - a ocidente, perto do reino dos mortos - onde Perseu a foi matar. Perseu terá ido instigado por Atena, embora algumas lendas digam que terá sido a mando de Sérifo, tirano de Polidectes, que queria destruir o monstro. Perseu, depois de encontrar o covil dos monstros, elevou-se no ar com as suas sandálias aladas que Hermes lhe tinha dado; sem olhar para o rosto maligno de Medusa - o que o poderia petrificar - agarrou-a pelos cabelos e cortou-lhe a cabeça, enquanto o ser monstruoso dormia. Para evitar olhá-la, usou o seu escudo como espelho.
Foi do sangue que escorreu do pescoço cortado que nasceram os dois filhos de Medusa e Poseidon. Perseu terá então oferecido a cabeça de Medusa a Atena, a qual a partir daí passou a usá-la como ornamento do seu escudo, petrificando os seus inimigos. Perseu recolheu também sangue do pescoço de Medusa: o da veia esquerda era um veneno mortífero, enquanto que o da direita era um remédio capaz de ressuscitar mortos. Também se contava que apenas um ou dois dos seus cabelos bastavam para afugentar um exército. Segundo outras versões, diz-se que Perseu terá enterrado a sua cabeça no meio de uma praça em Argos. Uma madeixa dos seus cabelos foi dada por Atena a Hércules, tendo sido considerado como um talismã ao qual estava unida a saúde da cidade.

Mitologia Grega

Artemisa


Filha de Zeus e de Latona (ou Leto), uma Titânide, e irmã gémea de Apolo, Artemisa (ou Artémis) nasceu em Delos. Era uma divindade antiga, uma das doze maiores, com um grande e marcado culto popular. Conhecida pela prática de sacrifícios humanos, chegou mesmo a ser considerada uma divindade agreste, da vida selvagem e da floresta. No entanto, era, simultaneamente, a deusa dos caçadores e dos arqueiros e a protectora da castidade mas também da fecundidade, das crianças e dos seres sem defesa.
Apreciava vaguear pelos montes e vales, seguida por um grupo de ninfas, castigando exemplarmente quem as incomodasse. Ciosa dos seus domínios, bem como da sua virgindade - condição que exigia também às suas sacerdotisas e a todos os seus admiradores -, não permitia que alguém neles entrasse ou então tocasse nos seus animais. Por exemplo, Agamémnon, rei de Micenas, que chefiava a expedição grega a Tróia, por ter matado um dos veados sagrados de Artemisa, foi pela deusa obrigado, com a sua frota, a ficar detido em Áulis, tais eram os ventos que contra ele a eterna caçadora levantou. Só quando Agamémnon prometeu sacrificar sua filha, Ifigénia, a ira da deusa se desanuviou, embora não se saiba se Ifigénia terá sido mesmo morta.
Actéon foi também castigado por Artemisa, quando por infeliz acaso, numa caçada, surpreendeu a deusa a banhar-se nua, com as suas ninfas. Artemisa, que nunca cedia ao amor e à sedução dos homens, transformou Actéon num veado, depois perseguido e trucidado pelos cães de caça do próprio Actéon. Outra lenda conta que foi ele quem procurou encontrar a deusa, disfarçado de veado.
Também Oríon tentou tocá-la com a mão, mas Artemisa fez com que um escorpião o picasse mortalmente.
Com Apolo, e sedenta de vingança e de raiva, matou com flechas os doze filhos de Níobe, que tinham troçado de Latona, a mãe dos gémeos.
A Artemisa era associada Hécate, uma divindade lunar, mais sombria, oriunda do norte, deusa das invocações infernais, da magia e da feitiçaria. Também se confundia com Bendis (deusa trácia), Britomarte (deusa cretense), Ártemis Braurónia ou Ártemis de Éfeso, esta com inúmeros seios, sendo por isso deusa da fecundidade.


Mitologia Grega

20/06/2010

Pigmalião e Galateia




Segundo a lenda, Pigmalião era escultor de grande nomeada na Ilha de Chipre. Para se entregar inteiramente à sua arte e, por outro lado, indignado com a prostituição a que se entregavam as mulheres da cidade de Amatonte, na Ilha de Chipre, onde se erguia um templo a Vénus, resolveu viver em rigoroso celibato. Vénus, sentindo-se ofendida com esta atitude de Pigmalião e para se vingar, fê-lo apaixonar loucamente por uma estátua de marfim, prodígio de graça e de beleza saído do seu cinzel, a que Vénus havia dado o nome de Galateia.
A deusa do amor, no entanto, comovida pelas súplicas do desventurado, animou a estátua com o fogo da vida. Pigmalião casou com ela e teve um filho a que deram o nome de Pafos, que fundou a cidade do mesmo nome dedicada ao amor.


Contos e Lendas da Mitologia Grega

19/06/2010

Lenda de Eco

Eco foi personagem principal de numerosas lendas que tinham como objectivo explicar a origem do eco.
Eco era uma ninfa, reconhecida pelo seu encanto, juventude e beleza, que vivia nas montanhas e nas grutas. Foi uma das ninfas que acompanhou a deusa Hera quando esta se casou com Zeus. Eco tinha a tarefa de distrair a atenção de Hera, com conversas e cantos, sempre que Zeus se ausentava nas suas aventuras amorosas com deusas e mortais. Quando Hera descobriu a artimanha, castigou Eco, retirando-lhe a voz e fazendo-a repetir sempre a última sílaba das palavras que eram faladas na sua presença. A ninfa Eco ficou conhecida como "aquela que não sabe falar em primeiro lugar, que não pode calar-se quando se fala com ela, que repete apenas os últimos sons da voz que lhe chega" (Ovídio, Metamorfoses).
Pouco tempo depois, Eco apaixonou-se por Narciso, mas impossibilitada de lhe confessar o seu amor e ignorada por ele, refugiou-se nas cavernas, onde morreu de desgosto e onde ainda hoje se consegue ouvir o eco da sua voz. Quanto a Narciso, este foi castigado pelos deuses por ter recusado Eco. Condenado a apaixonar-se pela sua própria imagem, Narciso morreu a olhar para o rosto reflectido nas águas de um lago.
Outra lenda conta ainda que a morte de Eco foi causada pelo deus Pã a quem ela recusou o amor. Pã mandou que os pastores matassem Eco, a desfizessem em bocados e que os espalhassem pelo mundo inteiro. Gaia, a deusa da terra, recebeu os pedaços e guardou a sua voz e o seu talento de repetir qualquer som.


26/04/2010

O julgamento de Páris-Atena



Os deuses estavam presentes ao casamento da ninfa Tétis com Peleu, um mortal. Bem no meio da festa e dos cantos de himeneu, Éris, uma das divindades, levantou-se. Éris representa a discórdia, que divide os deuses e os homens. A alegria dos outros a entristece, e a felicidade deles é dolorosa para essa deusa malvada.
Na mesa em que se reuniam os convida¬dos divinos, ela lançou um pomo de ouro. Atena, Afrodite e Hera logo estenderam a mão. Éris lhes anunciou:
"Esse pomo que vocês três cobiçam é para a mais bonita."
Depois, calou-se.
Do rumor que percorreu a assembleia se elevaram sucessivamente os três nomes, mas ninguém quis correr o risco de dar a última palavra e provocar a cólera das deusas. Mesmo se a graça de Afrodite prevalecia, o brilho de Hera e a majestade de Atena impediam os deuses de lhe conceder o prémio. Éris sugeriu uma solução:
"Só um homem que não as conheça saberá escolher. E necessário um olhar novo e um espírito virgem. As três devem comparecer juntas diante de Páris, um jovem pastor que ainda não sabe que é filho do rei Príamo. Ele passa os dias nas montanhas pastando suas ovelhas. Deixem-no julgar."
Guiadas por Hermes, as três deusas, impacientes por saber do resultado, foram às encostas do Ida. Para convencer o árbitro, cada uma delas se cobriu com seus mais lindos adornos. E, uma após a outra, procuraram convencê-lo fazendo-lhe promessas tentadoras.
Hera começou:
"Você está destinado a subir ao trono de Tróia. Se escolher a mim, esposa do Senhor dos Céus, prometo-lhe o domínio de toda a Ásia."
Atena, a deusa da inteligência e da guerra, sucedeu-a:
"O poder sem a sabedoria não é nada. Em troca do pomo, eu lhe ofereço as artes políticas e militares que lhe permitirão reinar e conquistar as cidades."
Afrodite foi a última a falar:
"Você é bonito, Páris, e seria justo que obtivesse o amor da mais bela de todas as mulheres. Escolha-me, e lhe darei Helena."
Apesar da impressão que cada uma produziu no rapaz, as últimas palavras de Afrodite foram as que mais tocaram seu coração. Correspondendo ao desejo que a deusa fizera nascer nele, falou:
"Belas damas, vocês três são tão majestosas e tão divinas que não têm o que invejar uma da outra. Mas, à força e à glória, prefiro o amor."
Com essas palavras, deu o pomo a Afrodite como prémio para sua beleza.
Esse julgamento lhe granjeou a eterna gratidão da deusa do amor, mas em contrapartida provocou a hostilidade das outras duas contra o povo troiano. O rancor de Atena iria causar grandes desgraças à cidade de Príamo.
Pouco tempo depois, Páris deixou o rebanho e os pastos e foi para Esparta, certo de que conquistaria o coração de Helena. Desconsiderando a hospitalidade do rei Menelau, marido desta, o príncipe raptou a bela moça. O rapto encheu de indignação to-dos os gregos, que se juntaram para vingar a afronta. Um imenso exército partiu em direção às muralhas de Tróia, a fim de reclamar uma reparação. Durante dez anos, valorosos guerreiros se enfrentaram por causa de uma mulher.
Nos combates da Guerra de Tróia, Atena favoreceu os heróis gregos. Sob diferentes formas, ela aparecia para ajudá-los a alcançar a vitória sobre os troianos, dirigindo habilmente suas tropas. A arte da guerra era familiar a essa deusa que já viera ao mundo empunhando suas armas.
Atena era filha de Métis, primeira deusa a se unir a Zeus. Urano e Gaia tinham prevenido o deus dessa descendência:
"O destino prevê que o primeiro rebento da sua união com Métis será uma filha dotada de uma inteligência excepcional. Mas o segundo filho será um garoto violento e invejoso do poder do pai. Ele não demorará a destroná-lo para reinar no universo em seu lugar."
Temendo ter a mesma sorte que seu próprio pai, Crono, Zeus buscou um meio de pôr fim aos partos de Métis. Com palavras sedutoras, chamou-a. Ela se aproximou, e quando menos esperava, Zeus a agarrou e a engoliu como a um peixe. Assim, ele encerrava dentro de si, com a mãe, a primogénita que esta trazia na barriga e que viria à luz em breve.
Passado o tempo necessário para o nascimento, Zeus quis libertar a filha. Apelou para Hefesto, que, com uma hábil machadada, abriu-lhe uma fenda no crânio, por onde a deusa em armas saiu, soltando um estridente grito de guerra. O espectáculo prodigioso encantou seu pai, que a presenteou com a égide. Essa armadura, feita do couro da cabra Amaltéia, era uma poderosa protecção. Zeus já havia experimentado sua eficácia na guerra contra os Gigantes. Atena tinha um aspecto altivo com seu capacete emplumado, que lhe cobria os cabelos louros, seu grande escudo e sua comprida lança.
A deusa logo quis um reino. Escolheu a região da Ática, onde se encontrava uma cidadela construída numa colina. O deus do mar, Poseidon, também estava de olho nessa cidade. Para eleger seu soberano, os habitantes submeteram os pretendentes a um teste e decidiram que a Ática caberia à divindade que lhe oferecesse o maior benefício.
Deuses e mortais se reuniram na Acrópole para assistir à competição e apontar o vencedor. Poseidon golpeou o rochedo com seu tridente, e dele jorrou, de imediato, um lago de água salgada. A maravilha era notável, mas o benefício, mínimo. Foi a vez de Atena. No chão onde ela pusera seu cajado nasceu uma árvore de folhagem prateada e frutos verdes. Um grito de admiração se elevou entre os espectadores: que prodígio!
Por unanimidade, resolveram conceder o poder a Atena, que acabava de introduzir a oliveira nas terras da Ática. Para homenagear a deusa, os habitantes deram o nome dela à cidade e lhe consagraram a oliveira. A cidade de Atenas se tornou, assim, sua protegida.
A engenhosidade da deusa a levou a criar numerosas invenções. Para a guerra, ela imaginou a quadriga, um carro puxado por quatro cavalos, que conduz os heróis ao campo de batalha. Era igualmente considerada deusa da razão. Não foi por acaso que os filósofos e os poetas dos outros países foram compor suas obras em Atenas, sob a protecção da deusa.

Contos e Lendas da Mitologia Grega

03/04/2010

Hefesto, Afrodite e Ares


Como Hades, Hefesto quis ter a companhia de uma bonita deusa. O deus ferreiro morava numa grande gruta aberta na encosta de um vulcão. Ali instalou sua oficina com pesadas bigornas, foles incansáveis e ferros em brasa. As marteladas ressoavam o dia inteiro nesse antro barulhento, porque o deus, ajudado pelos Ciclopes, passava o tempo fabricando magníficas armas. Ele sabia trabalhar os metais melhor do que ninguém, e nenhuma proeza técnica lhe era impossível.
De suas mãos hábeis saiu um dia uma rede, toda feita de bronze. Era tão fina que mal dava para se distinguirem as malhas. E, no entanto, cada fio tinha a solidez de doze cabos. Nenhum animal, por mais forte que fosse, teria podido se safar dela.
A presa que o deus queria capturar era de porte... Ele estava se preparando para surpreender sua própria esposa, Afrodite, na companhia do amante, o impetuoso Ares, o deus da guerra em pessoa. As aventuras da volúvel deusa tinham sido denunciadas pelo Sol, e o marido não pretendia continuar a ser enganado.
É preciso dizer que o casamento deles não era dos mais sólidos. Alguns anos antes, na época em que se casaram, a união da mais linda das deusas com aquele ser disforme espantara os deuses. De fato, Hefesto não era favorecido pela natureza e tinha por esposa a mais bela de todas as criaturas.
Afrodite era filha de Urano e veio à luz numa concha de madrepérola. Desde que nascera, encantara a todos com sua beleza excepcional. Um terno sorriso animava continuamente seus traços delicados. A brancura da pele rivalizava em brilho com o dourado dos longos cabelos.
Sua chegada ao Olimpo não passou despercebida. As rivais de Afrodite, as outras deusas, viram-na com maus olhos, enquanto os deuses tentaram em vão seduzi-la. Eles ainda ignoravam que Hera já a tinha pro¬metido a um de seus filhos, o deus Hefesto.
A esposa de Zeus esperava assim se reconciliar com esse filho que ela havia maltratado tanto. Ao nascer, Hefesto era uma criança desproporcionada, com uma cabeça enorme e membros frágeis. Sua mãe se recusou a reconhecê-lo. Agarrou-o pela perna e o atirou nos ares. O bebé caiu no oceano, onde as ninfas marinhas, Tétis e Eurínome, o acolheram. A queda, que por pouco não foi fatal para ele, conferiu a Hefesto uma deficiência que acentuou sua deformidade natural. Apesar dessas desgraças, o deus coxo teve uma infância feliz. Desenvolveu excepcionais qualidades para o trabalho dos metais, e a fama dele chegou aos deuses. Para provar suas boas intenções, Hera decidiu lhe dar Afrodite como esposa.
Hefesto se mostrou mais que satisfeito com essa companheira inesperada, e Afrodite aceitou de imediato a união. Ela estava fascinada com o talento do artista e contava que este lhe faria jóias de dar inveja às outras deusas.
Mas a vida que ele lhe oferecia na forja não convinha à deusa. O calor e o barulho logo se tornaram insuportáveis, e ela teria preferido uma companhia mais refinada que a dos Ciclopes. Assim, a deusa do amor não demorou a ir buscar fora de casa os prazeres e a vida de delícias que lhe faltavam.
Ares, deus da guerra, conquistou-a. Hefesto não desconfiou de nada, e Afrodite se aproveitou disso. Inventando pretextos, ela ia se encontrar com o amante. O casal se separava antes do raiar do dia. Depois, seus encontros apaixonados se tornaram cada vez mais frequentes, e a vigilância dos dois diminuiu.
Certa manhã, esqueceram-se de acordar e foram surpreendidos pelo Sol. Com inveja do deus da guerra por Afrodite tê-lo preferido, o Sol contou a aventura a Hefesto. O deus não deixou sua raiva se manifestar: decidiu pegar a infiel em flagrante.
Foi para isso que o hábil ferreiro concebeu a prodigiosa rede de bronze. Armou-a acima da cama em que os amantes se encontravam. Um fio oculto atrás do cortina¬do deveria accionar seu fechamento. Quando a armadilha ficou pronta, Hefesto anunciou à esposa que iria se ausentar por alguns dias. Mal o deus desapareceu na curva de uma estrada, ela chamou Ares.
Hefesto deu tempo suficiente para os dois se deitarem e voltou para casa. Da porta, já podia ouvir os palavrões de Ares misturados aos gritos de raiva da amante: quanto mais eles se debatiam, mais as malhas da rede se apertavam.
Não contente em tê-los surpreendido, Hefesto lhes ofereceu como espectáculo aos outros deuses, que adoravam esse género de divertimento e não se fizeram de rogados. Alguns até sentiram inveja do pobre Ares. As zombadas se sucediam, enquanto as deusas, contidas pelo pudor, esperavam na porta comentando o carácter volúvel da bela rival...
Quando finalmente foram soltos, Ares e Afrodite se separaram. Em vez de voltar ao lar, a deusa se retirou para a ilha de Citera, onde a vida era mais agradável para ela. Não esqueceu a humilhação de que fora vítima e esperou o momento de tirar uma desforra memorável contra aquele que os denunciara. Mas essa desventura não a impediu de amar outros.
Do deus Ares, ela teve um filho, Eros. Desde pequeno, esteja possuía os mesmos poderes da mãe. Sabia inflamar os corações. Uma só das suas flechas bastava para desencadear as paixões mais vivas. A própria Afrodite foi vítima delas.
Um dia em que Eros se aninhou em seu colo para receber um beijo, não se deu conta de que uma flecha, saindo da aljava, roçou o seio da mãe. Afrodite a afastou ternamente, sem se preocupar com o ferimento. Mas aquele arranhão leve não tardou a despertar o amor no seu coração...
A beleza de Adónis, um jovem caçador que ela viu numa clareira, inspirou-lhe um sentimento cuja força a deusa ainda não experimentara. Afrodite fez dele seu companheiro e passou a compartilhar suas longas corridas nos bosques em busca de caça. Viam-na atravessar as planícies a seu lado ou descansar num vale, abraçada ao rapaz. Escolhia para ele um animal inofensivo e o prevenia contra os javalis, os ursos e os lobos.
Enquanto estava junto dela, Adónis se contentava em caçar lebres e cervos. Mas a deusa teve que se ausentar: reclamavam sua presença no Olimpo. Voou pelos ares, num carro puxado por quatro cisnes brancos, não sem lançar um olhar inquieto para o alto da serra em que deixara o belo namorado.
Adónis descia correndo as encostas cobertas de floresta, atrás da sua matilha. Sem que percebesse, os cães seguiram um novo rastro. De repente, começaram a latir, enraivecidos. Adónis foi ver o que era, e avistou entre as árvores os olhos brilhantes e as defesas1 curvas de um enorme javali. O bicho ia sair da floresta quando a lança do caçador se cravou no seu flanco. Furioso, o animal ferido se virou violentamente, arremessando longe a lança coalhada de sangue. E avançou para o rapaz, que já tratava de fugir. Mas as raízes das árvores o atrapalhavam, fazendo-o tropeçar o tempo todo. A dor decuplicava as forças do javali, que alcançou o pobre caçador e lhe fincou as defesas na coxa. Ferido mortalmente, Adónis foi ao chão com um grito dolorido. Afrodite o ouviu. Imediatamente deu meia-volta e correu para junto do corpo. Adónis acabava de expirar. Desesperada, a deusa rasgou as roupas e gemeu horas a fio, lamentando a crueldade do destino.
Suas lágrimas se misturaram com o sangue que corria do ferimento do rapaz, e delas nasceram frágeis anémonas. Todos os anos, o espectáculo das flores renascendo perpetua a lembrança da sua dor.
O amor com que Afrodite enchia os corações teve consequências funestas para nações inteiras. A Guerra de Tróia, que opôs gregos a troianos durante dez anos cruentos, foi causada pelo amor que a bela Helena, esposa de um rei grego, inspirou em Páris, príncipe troiano. Foi assim que Afrodite recompensou Páris por tê-la designado a mais bela das deusas.

Contos e Lendas da Mitologia Grega

21/03/2010

Demeter e Perséfone


Hades aproveitou um dia em que Perséfone passeava sozinha. Quando ela se inclinou para aspirar o perfume de uma flor, a terra tremeu com grande estrondo. Uma falha se abriu bruscamente, e dela surgiu o deus do Inferno, num carro puxado por quatro cavalos negros. A jovem nem teve tempo de se recuperar do susto, porque ele a agarrou pela cintura e a levou consigo. O carro sumiu tão depressa quanto tinha aparecido, e a brecha se fechou atrás deles.
Os gritos desesperados de Perséfone foram ouvidos por sua mãe, Deméter. Ela acudiu, mas tarde demais. Nada assinalava a passagem do deus. Somente o ar agitado conservava o vestígio dessa aparição súbita, e as flores caídas atestavam silenciosas uma agitação recente.
Apavorada, a pobre mãe não sabia mais aonde ia. Errava pelo lugar, esquecendo seus deveres para com os homens. Normalmente, sua função de deusa da colheita, do trigo e de todas as plantas lhe impunha vigiar a produção agrícola. Na ausência de Deméter, o trigo se recusou a germinar, as plantas cessaram de crescer, e a terra inteira se tornou estéril. Então os deuses resolveram intervir.
O Sol, que tudo viu, revelou a Deméter onde estava sua filha. A princípio ela ficou aliviada por Perséfone estar viva, mas quando soube quem a detinha, exigiu que Zeus obtivesse sua libertação.
"Entendo sua dor de mãe", o deus lhe respondeu. "Intercederei por você junto a Hades. Ele vai devolver sua filha, ou não me chamo Zeus!"
Mas Hades se negou a deixar a doce companheira partir. Deméter decidiu então abandonar suas funções. Pouco lhe importava como os deuses e os mortais viveriam sem ela. Ela também não podia viver sem a filha. Assumiu o aspecto de uma velhinha e se exilou voluntariamente na terra.
Iniciou-se então um período cruel para os homens. De novo o solo secou, e a fome ameaçou a espécie humana. Essa situação não podia mais persistir. Os deuses se reuniram no palácio de Zeus e concordaram em persuadir Hades a devolver Perséfone à mãe. Zeus tomou a palavra:
"Caro irmão, você é o soberano do reino subterrâneo. Como tal, age de acordo com a sua vontade, contanto que não se meta neste mundo. Ora, desde que você reteve Perséfone, sua mãe recusa alimento aos mortais. Pela mesma razão, os sacrifícios se fazem raros. Você não pode deixar essa situação se agravar. Devolva a moça!"
"Está bem!", disse o deus esperto. "Mas antes preciso verificar se ela não comeu ou bebeu alguma coisa durante sua estada, senão ela não pode mais voltar à terra. E a lei."
Interrogada, Perséfone respondeu com candura que tinha experimentado as sementes de uma romã. Hades exultou. Mas acabaram fazendo um trato: Deméter teve que aceitar que sua filha permanecesse três meses ao lado de Hades e subisse para ficar com ela o resto do ano.
Assim é que, durante três meses, a terra se entristece, junto com Deméter, pela ausência de Perséfone. E o inverno, e o solo se torna improdutivo. Logo que a moça volta, a vida renasce, e a natureza inteira festeja o encontro entre mãe e filha. Somente Hades acha demorada essa primavera que o separa de sua companheira.

Contos e Lendas da Mitologia Grega