Mostrar mensagens com a etiqueta Contos e Lendas da Mitologia Nórdica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Contos e Lendas da Mitologia Nórdica. Mostrar todas as mensagens

24/10/2010

Thor e seu criado Thialfi



Thor, o deus do trovão, tinha um fiel servidor chamado Thialfi. Eles se conheceram da seguinte maneira: Thor e o astucioso Loki haviam decidido ir até a Terra dos Gigantes (Jotunheim) para que Thor desafiasse aqueles arrogantes seres a uma disputa de força, bem ao gosto da época. Após um dia de cansativa viagem, entretanto, resolveram fazer pouso numa casa muito pobre - pois era a única que avistaram nas proximidades. Thor desceu sua carruagem puxada por dois vigorosos bodes e junto com Loki pediu alojamento por aquela noite. Estavam já sentados à mesa para matar a fome de um dia inteiro de caminhadas, quando Thor percebeu que aquela frugalíssima refeição não seria nem de longe o suficiente para saciar o seu monstruoso apetite.
- Só isto: duas nozes e um pedaço rançoso de queijo? - disse Thor, com o semblante irado, ao dono da casa e à sua mirrada esposa.
- É o que a pobreza nos permite, poderoso deus...! - disse o humilde anfitrião. Mas, neste momento, ele escutou o balir de suas duas cabras, que estavam lá fora, no pequeno redil.
- Garoto, vá até lá e traga já os dois animais! - disse Thor a Thialfi, que era o filho do dono da casa.
Thialfi deu um olhadela em seus pais e estes confirmaram, sem coragem para contestar o desejo do irascível deus. Num instante, as duas cabras estavam na sala apertada, espremidas com os demais.
- Matem-nas e façam uma bela caldeirada! - disse Thor ao casal.
O velho, entretanto, temeroso de que isto pudesse enfurecer o deus, disse:
- Mas, poderoso deus, são as suas cabras!...
- Loki, mate-as você, já que nossos anfitriões se recusam a nos saciar a fome! - bradou Thor, com o semblante ainda mais irado.
Loki deu cumprimento à ordem, e logo os pedaços das duas cabras estavam nadando dentro de um imenso caldeirão. Thor e Loki comeram com imenso prazer, mas Thialfi e seus pais mal puderam mastigar alguns bocados, pois temiam estar cometendo algum sacrilégio.
Thor custou a perceber a angústia dos anfitriões, mas, uma vez avisado por Loki, tratou de lhes acalmar a aflição.
- Não se preocupem - disse ele, com a barba ruiva manchada pelo molho. – Basta que recolham os ossos das duas cabras e os coloquem dentro de suas respectivas peles e amanhã os animais estarão inteiros outra vez.
O rosto dos anfitriões iluminou-se e, somente então, puderam comer a refeição – ou pelo menos o que sobrara dela - com gosto e alegria.
Loki, entretanto, dominado pelo seu furor em armar confusões, decidiu aprontar uma para cima daqueles pobres coitados. Cochichou, matreiramente, ao ouvido de Thialfi: - Thor não lhes deixou grande coisa: veja só o que restou...!
De fato, dentro do caldeirão restavam apenas os ossos das duas cabras, lisos como pedras.
- Abra um deles e chupe o tutano! - cochichou ainda a Thialfi. - Verá que não há nada mais saboroso do que o tutano de uma bela cabra cozida!
O jovem, esfomeado, seguiu o conselho e saboreou o petisco. Terminada a refeição, foram todos deitar, não sem antes devolver os ossos às respectivas peles.
Nunca uma noite foi tão contrastante como aquela, pois enquanto os dois visitantes dormiam e roncavam como duas sonoras tubas, os moradores da casa não podiam desgrudar os olhos, lá de seus miseráveis leitos, das peles recheadas de ossos, que jaziam atiradas a um canto. Mesmo quando tentavam fechar os olhos para dormir um pouco, tudo o que conseguiam ver nesta modorra angustiante era as duas cabras desconjuntadas, tentando se manter, desesperadamente, em pé e o deus tomado pela ira, arrebentando com tudo.
Porém, tão logo amanheceu, o velho dirigiu-se humildemente a Thor, e disse, enquanto fazia girar em suas encarquilhadas mãos o seu velho gorro:
- Poderoso Thor, será que elas voltarão a ser como eram...?
- Elas quem?... - disse o deus, com as barbas emaranhadas pelo sono.
- As suas cabras! - disse o velho, apontando para as peles cheias de ossos.
- Ah, sim! - exclamou o deus, tomando de seu martelo Miollnir. - Aproximando-se, então, dos restos dos animais, tocou-os com o martelo e eis que ali estavam outra vez, inteiros c saudáveis, os dois animais!
- Viva! - exclamou Thialfi junto da mãe, que batia palmas feito uma criança.
Mas cedo desfez-se a alegria, pois logo Thor percebeu que uma das cabras coxa.
Thor, encolerizando-se, ameaçou matar a família inteira, enquanto Loki tapava a boca com a mão para esconder o riso.
Os dois velhos arrojaram-se diante do deus e clamaram de mãos postas:
- Por favor, poderoso Thor! Perdoa a gula de nosso irresponsável filho! Há muitos meses que não sabia o que era provar o gosto de uma carne!
Mas, Thor estava irredutível e prestes a fazer descer seu pavoroso martelo sobre a cabeça dos infelizes quando o velho, em desespero, disse-lhe:
- Leve consigo o meu filho! Ele será seu escravo para sempre! Somente então, Thor sentiu aplacar sua ira.
- Está bem, levarei o jovem comigo! - disse ele, encaminhando-se para a porta, juntamente com Loki, o causador de tudo.
E foi assim que, ao mesmo tempo, Thialfi tornou-se o servo predileto de Thor e dois pobres pais perderam o animo de sua velhice.


27/08/2010

O Matador de Dragões



Era uma terra bela e fecunda, com florestas, campos, rios, ruas e cidades. Um rei fora empossado por Deus: um ancião, mais velho e altivo do que todos os reis dos quais já se tenha ouvido algo crível. A única filha desse rei era uma moça de grande juventude, anelo e beleza. O rei era aparentado com todos os tronos da redondeza, porém sua filha era ainda uma criança, e sozinha, como se não tivesse família alguma. Seguramente, eram sua brandura e benevolência e o poder de seu rosto sereno a causa inocente da existência daquele dragão – o qual, quanto mais ela crescia e desabrochava, mais se avizinhava, até que por fim sentou-se, como o próprio Terror, na floresta defronte a mais bela cidade do país. Pois existem misteriosas relações entre o Belo e o Terrível; em um determinado ponto, ambos se completam, como a vida ridente e a morte diária e próxima.
Não se diz com isso que o dragão fosse hostil à jovem senhora, assim como ninguém pode dizer, sem sombra de dúvida, se a morte é adversária da vida. Quiçá o grande e fervente animal se deitasse como um cão ao lado da bela moça e, quiçá, apenas a monstruosidade da própria língua o impedisse de acariciar, em humildade animal, as lindíssimas mãos. Contudo, naturalmente não se haveria de pô-lo à prova, uma vez que o dragão era impiedoso contra todos que porventura entrassem no círculo de sua força e, comparável a uma morte visível, tudo agaturrava e retinha, inclusive rebanhos e crianças.
A princípio, o rei há de ter percebido com grande satisfação que essa adversidade e esse perigo transformavam muitos jovens de sua terra em homens. Estes jovens, de todas as castas – nobres, seminaristas e criados –, partiam como para uma terra estranha, distante, possuíam o heroísmo de uma única ardorosa e febricitante hora, na qual encontravam vida e morte, e esperança, e medo, e tudo o mais – como num sonho. Após algumas semanas, já ninguém mais se lembrava de contar esses filhos destemidos e de registrar seus nomes em algum lugar. Pois, em dias de aflição como estes, o povo habitua-se também a heróis: eles já não são mais algo extraordinário. A emoção, o medo, a fome de milhares clama por eles – e eles estão lá, como uma necessidade, como pão, procedentes daquelas últimas leis que, mesmo nos tempos de calamidade, não deixam de vigorar.
Todavia, como o número daqueles que se sacrificavam após uma resistência desesperançada continuasse a crescer, como quase em toda família do país o melhor filho (e, muitas vezes, ainda na flor da juventude) caíra em combate, o rei começou então a temer, e com razão, que todos os primogénitos de sua terra viessem a morrer e que muitas donzelas tivessem de tomar sobre si uma viuvez virginal pelos longos anos de uma vida sem filhos. Ele, então, negou a seus subalternos a luta. Porém, a comerciantes estrangeiros que, tomados por um horror inominado, fugiam da terra flagelada entregava ele uma mensagem que reis em situação semelhante propalavam desde tempos antigos: aquele que conseguisse libertar a pobre terra desta grande morte, este obteria a mão da filha do rei, fosse ele da nobreza ou o último filho de um verdugo.
E mostrou-se que também o estrangeiro era repleto de heróis e que o grande prémio não perdia seu atractivo. Os forasteiros, porém, não eram mais felizes que os nativos – vinham tão-somente para morrer.
Nestes dias, deu-se uma mudança na filha do rei. Se até então seu coração, opresso pela tristeza e pelo destino do país, rogava pela destruição da besta, seu ingénuo sentimento, uma vez que ela fora prometida a um poderoso desconhecido, aliava-se agora ao flagelador, ao dragão; e chegou a tal ponto que ela, na honestidade do sonho, inventava preces a seu favor e reclamava a mulheres santas que tomassem o monstro sob sua protecção.
Certa manhã, ao acordar cheia de vergonha de tais sonhos, chegou-lhe aos ouvidos um rumor que a horrorizou e perturbou. Contava-se de um jovem que, sabe-se Deus de onde, viera para lutar e que, no entanto, não logrou matar o dragão, mas conseguiu, ferido e sangrando, desvencilhar-se das garras do execrando inimigo e esconder-se na floresta fechada. Lá, encontraram-no inconsciente, frio em sua fria casca de ferro, e trouxeram-no para uma casa onde ele agora jazia em febre profunda, o sangue quente sob as ataduras ardentes.
Ao ouvir esta notícia, de bom grado teria a jovem – assim como estava, em suas vestes de seda branca – corrido pelas ruas a fim de tomar o lugar do doente à beira da morte. Porém, quando as camareiras a vestiram, e ela viu seu lindo vestido e seu rosto triste ir e vir nos muitos espelhos do castelo – ela, então, perdeu a coragem de arrojar-se a algo tão excepcional. Ela sequer teve forças suficientes para mandar qualquer criada de confiança até a casa na qual jazia o enfermo desconhecido, a fim de mitigar-lhe os sofrimentos com uma boa compressa ou um bálsamo suave.
Entretanto, havia nela uma inquietação que quase a fez adoecer. Ao cair da noite, estava sentada à janela, tentando adivinhar a casa na qual o homem desconhecido jazia à beira da morte. Pois, para ela, era natural que ele morresse. Apenas Uma poderia, talvez, salvá-lo, mas Esta era covarde demais para procurá-lo. Este pensamento – o de que a vida do herói ferido estaria nas suas mãos – não mais a deixou. Por fim, este pensamento a empurrou, após o terceiro dia, passado em meio a tormentos e auto-reprimendas, noite adentro, numa escura, inquieta e chuvosa noite de primavera, pela qual ela perambulou como por um quarto escuro. Ela não sabia pelo que haveria de reconhecer a casa que procurava. Não obstante, logo a reconheceu numa janela que estava aberta, numa luz que ardia dentro do quarto – uma longa e estranha luz, junto à qual ninguém seria capaz de ler ou dormir. Lentamente, ela passou pela casa, desamparada, pobre e mergulhada na primeira tristeza de sua vida. Ela seguiu e seguiu. A chuva havia parado; sobre uma faixa de nuvens havia estrelas grandes e isoladas, e, em algum lugar de um jardim, um rouxinol cantava o início de sua estrofe, que ainda não conseguira concluir. Em tom de pergunta, ele a entoava repetidamente, e sua voz emergia do silêncio, enorme e poderosa, como a voz de um pássaro gigante cujo ninho descansasse sobre as copas de nove carvalhos.
Quando a princesa finalmente ergueu os olhos do vasto caminho, olhos estes cheios de lágrimas, viu uma floresta e atrás desta uma faixa de manhã. À frente desta faixa erguia-se algo negro que parecia aproximar-se. Era um cavaleiro. Instintivamente, ela embrenhou-se nos arbustos escuros e molhados. Ele passou cavalgando por ela, vagarosamente, e seu cavalo estava preto de suor e tremia. Ele mesmo parecia tremer: todos os anéis de sua armadura ressoavam, levemente, uns nos outros. Sua cabeça estava sem o elmo, suas mãos nuas, a espada pendurava-se, pesada e cansada. Ela viu seu rosto de perfil: era quente, com os cabelos revoltos.
Ela o acompanhou com os olhos por muito tempo. Ela sabia: ele matara o dragão. E sua tristeza a deixou. Ela não era mais uma coisa perdida e esquecida nesta noite. Ela pertencia a ele, a este herói desconhecido, trémulo; era sua propriedade, como se fosse uma irmã de sua espada.
Então, ela correu para casa a fim de esperá-lo. Passou aos seus aposentos sem ser percebida e, tão logo foi possível, acordou as camareiras, mandando que lhe trouxessem o mais lindo de seus vestidos. Enquanto a vestiam, a cidade despertou para uma grande alegria. As pessoas rejubilavam e, nas torres, os sinos dobravam sem cessar. A princesa, que ouvia esse som, de repente soube que ele não viria. Ela tentou imaginá-lo embalado pela ruidosa gratidão da multidão – não conseguiu. Ela buscava, quase angustiadamente, reter a imagem do herói solitário, do tremulo, como ela o tinha visto, como se fosse crucial para sua vida não se esquecer disso. E ela estava de ânimo tão festivo que, embora soubesse que ninguém viria, não interrompeu as camareiras que a ataviavam. Ela deixou que lhe entrelaçassem pérolas e esmeraldas nos cabelos, os quais, para grande admiração das criadas, estavam húmidos. A princesa estava pronta. Ela sorriu para as camareiras e, um tanto pálida, passou pelos espelhos ao som de sua cauda branca, que lhe vinha longa atrás. O encanecido rei, grave e digno, encontrava-se sentado na alta sala do trono. Os velhos paladinos do reino estavam de pé ao seu redor e refulgiam. Ele aguardava pelo herói desconhecido, o libertador.
Este, no entanto, cavalgava já longe da cidade, e sobre ele pairava um céu repleto de cotovias. Se alguém lhe tivesse lembrado do prémio, quiçá ele, sorrindo, retornasse. Ele o esquecera por completo.

19/04/2010

Reginsmal




Havia um rico lavrador chamado Hreidmar, conhecedor de magia; todos os seus três filhos tinham certas peculiaridades. Dois deles podiam mudar de forma, Fafnir e Otr. O terceiro era um duende, Regin. Como todos os anões era um excelente artesão, ferreiro ele era também um inteligente, selvagem e hábil na magia. Estranhamente, Otr costumava a transformar-se numa lontra e ia para um rio torrencial, comendo os peixes que apanhava - esta foi sua ruína.

Certo dia, os três deuses, Odin, Hoenir e Loki, saíram em uma de suas expedições e, como sempre, Loki criou problemas. Desta vez, por causa de um acto imprudente, embora desculpável. Chegaram a uma cachoeira e notaram, bem perto, uma lontra devorando um salmão na margem do rio. Como as lontras fazem, esta comia de olhos fechados. Deste modo não pode ver quando os deuses se aproximaram. Loki atirou uma pedra, matou-a e assim obteve ao mesmo tempo uma pele de lontra e um salmão. Os deuses acharam que fora um golpe de sorte até chegarem a casa de Hreidmar e pedirem para passar a noite ali. Gabaram-se do que haviam apanhado e mostraram a Hreidmar a pele da lontra. O lavrador e seus filhos a reconheceram, tomaram-na dos deuses e exigiram uma compensação. Os Aesir concordaram em encher a pele de ouro e empilhar ouro em cima, até cobri-la totalmente. Loki foi enviado em busca do metal.

Por sorte ele conhecia um anão chamado Andvari; como os anões eram grandes artesãos, em geral tinham muito ouro. Este era um anão muito estranho: assumia a forma de um arpão e vivia na cachoeira fisgando peixes. Loki tomou uma rede emprestada a Ran, deusa do mar, e levou o arpão. O Reginsmál registrou a conversa entre os dois. Loki perguntou :

"Que peixe é esse, nadando na corrente,
sem sem salvar-se do desastre?
Resgata a tua vida do reino da morte
e me trás o ouro brilhante".

"Andvari é meu nome, Odin, o do meu pai,
por muitas correntes nadei.
Antigamente um destino triste
fez-me andar pela água".

Loki pediu todo o ouro de Andvari como resgate. O anão pagou, mas tentou ficar com um anel ( possivelmente um anel de braço, não para o dedo), pois tinha propriedades mágicas que poderiam ajudá-lo a recuperar sua fortuna. Loki arrancou o anel de Andvari. Voltando com segurança para seu lar numa rocha, o anão lançou uma maldição sobre quem ficasse com o seu tesouro:

"O ouro [ ou o 'anel' ] que um dia foi de Gust
será a morte de dois irmãos,
será a queda de oito príncipes.
Da minha riqueza homem nenhum gozará".

Loki trouxe o saque; Odin cobiçou o anel e o tomou para si. Os Aesir encheram a pele da lontra com o resto do tesouro e o cobriram com ouro. Hreidmar inspeccionava e achou um fiozinho do pelo da lontra descoberto. Relutante, Odin tirou o anel e cobriu o fio. Quando os deuses saíram do castelo de Hreidmar, Loki revelou a maldição do anão. "Ouro agora para ti, grande resgate, foi entregue por minha vida. Para teu filho nenhuma fortuna. Isto será a morte para os dois"
Foi o que aconteceu, Fafnir e Regnir pediram sua parte do dinheiro como indemnização, mas Hreidmar não saldou a dívida. Fafnir matou o pai e escondeu o tesouro num lugar deserto. Ficou ali mesmo, assumindo a forma de um dragão, até Regin maquinar sua morte.


Mitologia Nórdica




09/04/2010

O Mito de Thiazi



Três Aesir - Odin, Loki e Hoenir - faziam uma expedição; um dia apanharam e mataram um boi para o jantar. Tentaram cozinhá-lo, mas toda vez que o experimentavam, a carne ainda não estava pronta. Acima deles estava um carvalho com uma águia pousada num galho. A águia revelou ser a responsável pela dificuldade na preparação; a carne jamais chegaria ao ponto se ela não ganhasse a sua parte. Os deuses aceitaram a proposta e convidaram a ave a se servir. Foi o que ela fez, depressa demais para o gosto de Loki.
Este, enfurecido, apanhou um bastão e bateu nela. O bastão caiu em cima da águia, que fugiu voando com Loki pendurado atrás, preso ao bastão. Abalado, Loki ficou aterrorizado e implorou para ser solto. A águia concordou, sob a condição de que ele prometesse atrair Idunn para fora da fortaleza dos deuses, trazendo consigo as maçãs, assim, Loki e os outros chegaram em casa salvos.
Loki foi fiel à promessa feita, atraindo Idunn para o bosque. A águia, que agora revelara ser o gigante Thiazi, atirou-se sobre ela, carregando-a para sua casa em Thrymheim. Os deuses, sem as maçãs, começaram a envelhecer e enfraquecer. Ficaram intrigados com o que teria acontecido com Idunn, até alguém se lembrar de tê-la visto pela última vez com Loki. Prenderam Loki e o ameaçaram com a morte se não encontrasse e trouxesse Idunn de volta. Loki transformou-se num falcão e voou para Thrymheim. Por sorte, o gigante havia saído para pescar e deixara Idunn sozinha. Loki transformou-a em uma pequena noz, apanhou-a em garras e voou. Thiazi, descobrindo que Idunn fora embora, voltou à forma de águia e saiu em perseguição, batendo, batendo as asas com tanta violência que provocaram tempestades. Os Aesir viram o falcão lutando contra a tormenta, sendo perseguido pela águia e compreenderam a situação. Reunirão uma pilha de gravetos do lado de dentro de suas muralhas e, quando o falcão voou a salvo sobre elas, acenderam o fogo. A águia voava com muita violência e não conseguiu parar. Caiu no fogo e suas asas foram destruídas. Os Aesir mataram Thiazi.
Thiazi tinha uma filha muito masculina chamada Skadi. Quando soube que seu pai havia sido morto, apanhou as suas armas, vestiu a armadura e saiu em busca de vingança. Os Aesir acharam melhor aplacá-la e ofereceram um do seu bando para casamento - mas ela teria de escolher pelos pés, sem ver nada do noivo. E assim, os deuses fizeram um concurso de tornozelos. Skadi viu um par muito elegante de pés e, acreditando que pertencessem ao belo deus Baldr, escolheu aquele. Mas era o velho Njörd. O casamento entre os dois não durou muito tempo, Skadi queria viver onde seu pai vivera, nas colinas chamadas Thrymheim. Por outro lado, Njörd queria viver perto do mar. Assim entraram num acordo de que permaneceriam em turnos: nove dias em Thrymheim e os nove seguintes em Noatum [ residência de Njörd junto ao mar ]. Quando Njörd voltou para Noatum, vendo as montanhas, declamou este verso :

"Me aborreço nas colinas, não fiquei muito por lá,
Apenas nove noites.
Detestei o uivo dos lobos,
se comparado ao canto dos cisnes."

Skadi por sua vez ao voltar de Noatum disse :

"Não consegui dormir junto ao oceano,
com os gritos das aves.
Toda a madrugada me acordavam
as gaivotas vindas dos mares."

Por isso Skadi foi para as colinas e passou a viver Thrymheim enquanto Njörd ficou em Noatum.


Mitologia Nórdica

29/03/2010

Tyr - o deus da guerra


Tyr sempre foi considerado um dos Deuses mais corajosos. Este foi o único Deus que teve coragem de colocar suas mãos nuas na boca do lobo Fenrir, assim permitindo que os demais deuses o acorrentassem. Todavia teve sua mão direita dilacerada. Muitos Clãs Vikings clamavam à si de "Tyr". Fazendo clara alusão à si como Guerreiros Corajosos e Nobilíssimos como o referido Deus. Estes interpretavam a História como sendo por sua vez, Tyr uma encarnação de Força e do Guerreiro Honroso, aquele que Sacrifica-se por seu Povo e um Destino melhor para estes.
Como, alguns clans também julgavam e analisavam o Mito a partir do momento da perda da mão direita por Tyr e pelas significâncias que isto poderia de ter. Segundo alguns nórdicos, o acto de dar a mão direita a outro é um sinal de confiança e de garantia de empreender algo (promessa),assim como também um sinal de que a pessoa está desarmada e por sua vez digna de confiança.
Tudo isto a partir da análise do referido Mito. Para os nórdicos o uso de armas na mão esquerda era um sinal de que a pessoa era por sua vez deveras traiçoeira, pois poderia utilizar sua mão sinistra enquanto mostrava a destra em um acto da mais vil covardia digna dos fracos e traiçoeiros.
Alguns outros nomes para Tyr seriam: Tiw e Tiu. Tyr habitava os palacetes enormes e atemporais de Odin como um dos mais nobres e impávidos Deuses.
Muitos Nórdicos antes de entrar no Estado de Berserker ou em Batalhas clamavam por Tyr em brados com punhos e espadas aos ares de forma selvática.
Quando os Normandos (que possuiam cerne genético Viking ) instalaram-se nas rochosas costas da Bretanha estes possuíam um calendário de Dias utilizando seu Panteão Norse. E um destes dias traduzido para o inglês chamava-se Tyr Day ou "Dia de Tyr". Com as influências gramático ortográficas da língua saxônica e o Tempo que passou por sua vez, o dia transmigrou-se para Tuesday. Um facto comprobatório de tal afirmação é quando pronunciamos ambas as formas designativas dos dias (Tyr Day e Tuesday) vemos que ambas possuem igual valor fonético.


Mitologia Nórdica


19/03/2010

Guerra entre os Aesir e os Vanir



Um dia, quando o mundo ainda era jovem, bem antes de se formar o solo de Midgard, uma bruxa chegou a Asgard. Seu nome era Gullveig, e ela tinha um ardente desejo por ouro. Não falava sobre nada que não fosse o quanto ela amava ouro, até que Odin e todos os Aesir se cansaram dela. Ao fim de uma refeição, decidiram que o mundo ficaria melhor sem a ambiciosa Gullveig. Então ela foi torturada e queimada pelos Aesir, mas não conseguiram mata-la. Foi queimada 3 vezes, e 3 vezes renasceu e saiu do fogo. A ela foi dado um outro nome, chamaram-na Heid, a Cintilante. Ela era a Bruxa Suprema, podia ver passado e futuro, encantar varinhas de madeira, lançar feitiços, era uma mestra da magia.
Quando os Vanir souberam como Gullveig foi recebida pelos Aesir, ficaram furiosos com tamanha falta de hospitalidade. Juraram vingança e se prepararam para a guerra. Mas Odin podia ver e ouvir tudo o que se passava em baixo, assim viu os Vanir afiando as suas lanças. Então os Aesir começaram a polir os seus escudos.
Logo ambas as famílias se encontraram no campo de batalha. E então começou a primeira guerra da história quando Odin lançou a sua lança aos Vanir. A guerra continuou por muitos anos, e ficou claro que nenhum lado estaria apto a derrotar o outro.
Logo as duas partes decidiram que uma trégua seria melhor do que o caos em que se encontravam. Os deuses reuniram-se e discutiram sobre de quem seria a culpa da guerra. Os Vanir diziam que era culpa dos Aesir, e vice-versa. O acordo final seria que os Aesir e os Vanir viveriam lado a lado, em paz, e como exemplo disso eles intercambiariam líderes.
Os Vanir mandaram um dos seus grandes líderes, Njord, para viver com os Aesir. Freyr e Freyja, seus filhos, o acompanharam. Também mandaram o mais sábio dos Vanir, Kvasir, para viver em Asgard. Njord e Freyr assistiriam aos sacrifícios, enquanto Freyja ensinaria a todos os Aesir tudo o que ela sabia sobre bruxaria e magia.
Igualmente, os Aesir enviaram Honir, e o sábio Mimir para viver em Vanaheim. Honir era bem criado, apontado como excelente líder, tanto na paz como na guerra. Eles foram aceites e bem recebidos pelo Vanir. Honir foi apontado como líder, e Mimir seria seu braço direito.
Rapidamente os Vanir acharam que não haviam feito uma boa opção, decapitaram Mimir, e enviaram a sua cabeça de volta para Odin. Este pegou na cabeça, poliu-a com ervas de maneira que nunca apodreceria. Lançou encantos e fez com que a sabedoria de Mimir se tornasse a Sua Sabedoria.


Mitologia nórdica

11/03/2010

A morte de Balder



Balder (Baldr/Baldur) tinha grande pesadelos indicando que a sua vida corria perigo e quando ele comentou isto com os Aesir eles se reuniram em conselho, e juntos decidiram requerer imunidade de Balder para todo o tipo de perigo, e Frigg recebeu o solene juramento de todas as coisas, de que nada iria atingir Balder.
Quando isso foi confirmado, criou-se um entretenimento colocaram Balder centro de cada reunião e os Aesir, que ali se reuniam atiravam-lhe objectos, pedras e o golpeavam, já que a Balder nada lhe acontecia. Balder, em cada ocasião, saía ileso. Porem quando Loki viu isto, se sentiu atingido. Transformou-se numa mulher, e então dirigiu-se a Fensalir, morada de Frigg. A Deusa, ao ver a esta mulher, perguntou se ela sabia se os Aesir estavam em assembleia. A mulher respondeu que todos atacavam Baldr e que este sempre saia ileso. Então Frigg disse: "Armas e madeiras não o matam. Pois todos haviam jurados não o fazer ". Então, perguntou a mulher: "Pegastes juramento de todas as coisas para estas não machucassem Balder?". Frigg contestou: "Excepto um broto que cresce ao oeste de Vahalla. Se chama muérdago, achei-o demasiadamente jovem para exigir que prestasse juramento".
Então a mulher desapareceu. Porem Loki procurou o muérdago o arrancou e dirigiu-se a Assembleia. Encontrando lá o Deuses Hodur (Hoder/Hod), o deus cego, que estava parado na borda do circulo de concorrentes. Loki aproximou-se e perguntou: "Por que não esta disparando objectos contra Balder?". Hodur contestou: " Porque não posso ver onde Balder está e alem do mais não tenho armas". Contudo disse-lhe Loki: "Se queres seguir os exemplos dos outros eu mostro-te onde esta Balder e arranjo-lhe uma lança".

Hodur pegou a lança com muérdago e com a ajuda de Loki colocou-a em direcção a Balder. Esta foi arremessada directamente para ele e atingiu o seu coração, Balder caiu morto.

Os Deuses, profundamente tristes, reuniram-se em torno de Frigg, mãe de Balder. Frigg Falou: "Quem, entre todos os Aesir, ira a Hel para tratar da devolução de Balder, oferecendo-lhe alguma recompensa para que esta o devolva a Asgard?".
Hermod o valente, filho de Odin, tomou Sleipnir, o corcel de oito patas de seu pai, e empreendeu-se nesta travessia, muitos Deuses colocaram o corpo de Balder num barco chamado Hringhorni (Ringhorn), o maior barco de todos, para iniciar o funeral do Deus morto. No funeral estavam Odin, seus corvos Hugin e Munin, as Valkyrias, Frigg, Frey conduzindo seu carro puxado pelo javali Gullinbursti. Heimdall e o corcel Gulltopp, Freya e os gatos. Também compareceram os Gigantes Helados e os Gigantes das Montanhas. O barco foi elegantemente decorado com coroas de flores, armas e objectos de cada um dos Deuses. Depois os Aesir, um a um passaram a dar um ultimo adeus a Balder. Quando chegou a fez de Nanna, mulher de Balder, uma dor muito forte partiu o seu coração e ela caiu morta ao lado de seus esposo. Os Deuses colocaram Nanna junto a Balder, para que ela o acompanhasse ate mesmo na morte. Acto seguido, como símbolo do sonho eterno, rodearam os defuntos Deuses com espinhos.
Quando Odin se aproximou para dar o ultimo adeus deixou como oferenda o seu precioso anel Draupnir, sussurrando misteriosas palavras nos ouvidos de Balder.
Então o Gigante Hyrrokin, o único com força suficiente para empurrar o barco, empurra o barco com um impulso tão forte que os troncos que estavam encostados cederam sobre a pira funerária. Thor, acertou com o seu martelo Mjolnir para consagrar a pira.
Hermod, durante nove dias e noites, cavalgou os vales obscuros e profundos, para chegar onde estava Hel. Disse então a Hel que desse a Balder a possibilidade de retornar a Asgard junto com ele, dada a grande dor e luto entre os reinantes de Aesir. Disse-lhe Hel: "Para provar que Balder é um ser amado, todas cada uma das criaturas e objectos, vivos ou mortos, devem proclamar sua dor e pena. Só assim Balder poderá voltar a Asgard. Porém se uma só criatura ou objecto não o fizer Balder permanecera aqui comigo".
Hermod regressou esperançado a Asgard, para comunicar a noticia a Frigg. Ao tomar conhecimento a Deusa tratou de obter lágrimas de penas de todas as criaturas e coisa, vivas e mortas porém uma Giganta de nome Thok, que era Loki disfarçado novamente, não correspondeu às suas expectativas e não mostrou pena alguma.
A tarefa de devolver Balder a Asgard havia fracassado....

Mitologia Nórdica