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19/12/2011

As rãs que queriam um rei


Irritadas com a anarquia que reinava entre elas, as rãs enviaram uma delegação a Zeus: queriam um rei. Zeus viu como elas eram ingénuas. Jogou então um pedaço de madeira no açude dizendo-lhes que aquilo era seu rei. A princípio assustadas com o ruído, as rãs fugiram para a parte mais profunda do açude. Depois, como o pedaço de madeira permanecesse imóvel, elas voltaram à superfície e começaram a zombar do seu soberano a ponto de montar em suas costas.
Achando-se logradas, voltaram a Zeus e pediram um rei um pouco mais enérgico. Zeus então lhes enviou uma hidra que se lançou sobre elas e as devorou.

Mais vale ter como governante um bravo homem, embora lento, que um celerado que semeia o terror.


Fábulas de Esopo

18/12/2011

O touro e o mosquito



Um Mosquito que estava voando, a zunir em volta da cabeça de um Touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: "Mas, se, no entanto, meu peso incomoda o senhor, por favor é só dizer, e eu irei imediatamente embora!"
Ao que lhe respondeu o Touro: "Oh, nenhum incômodo há para mim! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre."
Com frequência, diante de nossos olhos, julgamos-nos o centro das atenções e deveras importantes, bem mais do que realmente somos diante dos olhos do outros.


Moral da História:
Quanto menor a mente, maior a presunção.

13/12/2011

A Raposa e o Espinho



Certo dia, andava uma Raposa a trepar uma colina quando pôs uma pata em falso e escorregou. Para não cair, agarrou-se a um arbusto cujos espinhos se lhe enterraram nas patas. Bastante ferida queixou-se ao arbusto:
- Pedi-te ajuda e afinal fiquei bem pior do que se me tivesse deixado cair.
O arbusto interrompeu-a dizendo:
- Onde é que tinhas a cabeça quando te agarraste a mim? Não sabes que é meu costume magoar os outros?

Moral da história:
Nunca peças ajuda a quem tem por costume fazer mal.


Fábula de Esopo

03/12/2011

O Burro, a Raposa e o Leão


O Burro e a Raposa acordaram proteger-se mutuamente e foram juntos para a floresta em busca de comida. Mal tinham começado a caminhada quando encontraram um Leão. Perante este perigo, a Raposa aproximou-se do Leão e propôs-lhe:
- Se me poupares, ajudo-te a caçares o Burro sem grande esforço.
O Leão aceitou a troca. Satisfeita, a Raposa voltou para junto do Burro e tranquilizou-o:
- Não tenhas receio porque o Leão prometeu que não nos fará mal.
O Burro acreditou no que ela disse e continuou a pastar despreocupadamente. Mas, a pouco e pouco, a Raposa conduziu-o para a beira de uma ravina e provocou a sua queda.
Vendo que o Burro já não podia fugir-lhe, o Leão atirou-se à raposa e comeu-a.

Moral da história:
Não confies nos teus inimigos.


Fábula de Esopo


A raposa e o porco espinho



Uma Raposa, que precisava atravessar a nado um rio não muito caudaloso, acabou surpreendida por uma forte e inesperada enchente.
Depois de muita luta, teve forças apenas para alcançar a margem oposta, onde caiu quase sem fôlego e exausta.
Mesmo assim, estava feliz por ter vencido aquela forte correnteza, da qual chegou a imaginar que jamais sairia com vida.
Pouco tempo depois, veio um enxame de moscas sugadoras de sangue e pousaram sobre ela. Mas, ainda fraca para fugir delas, permaneceu quieta, repousando, em seu canto.
Então veio um Porco Espinho, que vendo todo aquele seu drama, gentilmente se dispôs a ajudá-la e disse:
- "Deixe-me espantar estas moscas para longe de você!"
E exclamou a Raposa quase sussurrando:
- "Não! Por favor não perturbe elas. Elas já pegaram tudo aquilo de que precisavam. Se você as espanta, logo outro enxame faminto virá e irão tomar o pouco sangue que ainda me resta!"

Moral: Pode ocorrer que, algumas vezes, o remédio para a cura de um mal é pior que o mal em si mesmo.


Fábulas de Esopo

16/11/2011

As cabras montanhesas e o cabreiro



Levou um cabreiro a pastar a suas cabras e de pronto viu que as acompanhavam unas cabras montanhesas. Legada a noite, levou todas a sua gruta.
Na manhã seguinte caiu uma forte tormente e não podendo levá-las, cuidou lá mesmo. Porém, enquanto dava a suas próprias cabras um punhado de forragem, às montanhesas servia muito mais, com o propósito de ficar com elas. Terminou por fim o mau tempo, e sairam todas ao campo, porém as cabras montanhesas escaparam para a montanha. Acusou-as o pastor de ingratas, por abandoná-lo depois de tê-las atendido tão bem, mas elas lhe responderam:
- Maior razão para desconfiar de ti, porque se a nós recém chegadas nos tratou melhor que a tuas velhas e leais escravas, significa isto que se logo vierem outras cabras, tu nos depreciaria por elas.

Nunca confíes em quem pretende tua nova amizade a ponto de abandonar a que já tinha.


Fábulas de Esopo

12/11/2011

A Lamparina



Uma lamparina cheia de óleo gabava-se de ter um brilho superior ao do Sol. Um assobio, uma rajada de vento e ela apagou-se. Acenderam-na de novo e lhe disseram:
- Ilumina e cala-te. O brilho dos astros não conhece o eclipse.

Moral da Estória:
Que o brilho de uma vida gloriosa não te encha de orgulho. Nada do que adquirimos nos pertence de verdade.


Fábulas de Esopo
(Século VI a.c.)

A Formiga e a Mosca

Entre a Mosca e a Formiga, houve grande altercação sobre pontos de honra. Dizia a Mosca:
- Eu sou nobre, vivo livre, ando por onde quero, como viandas preciosas, e assento-me à mesa com o rei, e dou beijos nas mais formosas damas. Tu mal-aventurada, sempre andas trabalhando.
Respondeu a Formiga:
- Tu és douda ociosa. Se pousas uma vez em prato de bom manjar, mil vezes comes sujidades e imundícias, aborrecida de todos; se te pões no rosto das damas ou à mesa com o rei, não é por sua vontade, senão porque tu és enfadonha e importuna.


Fábulas de Esopo
(Século VI a.c.)

30/10/2011

As lebres e as rãs



Reuniram-se um dia as lebres e se lamentavam entre si de levar uma vida tão precária e temerosa pois, com efeito, não eram elas vítimas dos homens, dos cães, das águias e outros animais?? Mais valia morrer de vez que viver no terror! Tomada esta resolução, se lançaram todas ao mesmo tempo a um lago para morrer afogadas.
Porém as rãs, que estavam sentadas ao redor do lago, quando ouviram o ruído das lebres se aproximando, saltaram assustadas na água. Então uma das lebres, a que parecia mais inteligente que as demais, disse:
- Alto companheiras. Não há porque nos apressarmos, pois vejam que há outros mais medrosos que nós!

O consolo dos desgraçados é encontrar outros em piores condições.


Fábulas de Esopo
(Século VI a.c.)

23/10/2011

O galo briguento e a águia



Dois galos estavam, disputando em feroz luta pelo direito de comandar a chácara. Por fim um pôs o outro para correr.
O Galo derrotado afastou-se e foi se recolher num lugar sossegado.
O vencedor, voando até o alto de um muro, bateu as asas e exultante cantou com toda sua força.
Uma Águia que pairava ali perto lançou-se sobre ele, e com um bote certeiro levou-o preso em suas poderosas garras.
O Galo derrotado saiu do seu canto, e daí em diante reinou absoluto livre de disputa.

Moral: O Orgulho leva antes à Destruição.


Fábulas de Esopo

O Lobo ferido e a Ovelha


Um Lobo, gravemente mordido pelos cães, jazia deitado no chão. Como tinha fome e sede, pediu a uma Ovelha que lhe trouxesse água de um rio que corria ali perto. E acrescentou:
- Se me trouxeres de beber, eu próprio me encarregarei de encontrar de comer.
- Sim - respondeu-lhe a Ovelha. - Se eu te trouxer de beber, sem dúvida que eu própria serei o teu almoço.

Moral da história:
Não confies nos malvados, mesmo que pareçam ser bem-intencionados.


Fábula de Esopo

13/10/2011

O Morcego e a Doninha


Um dia, um Morcego caiu num buraco de uma Doninha e foi apanhado por ela. Pediu-lhe que lhe poupasse a vida, mas a Doninha recusou respondendo-lhe que não o podia fazer porque era inimiga dos pássaros.
- Mas eu não sou um pássaro, sou um rato! - argumentou o Morcego.
Ouvindo isto, a Doninha poupou-lhe a vida e deixou-o partir.
Pouco tempo depois, o Morcego voltou a cair e foi apanhado por outra Doninha. Desta vez, quando o Morcego lhe pediu que lhe poupasse a vida, a Doninha respondeu que não podia, porque detestava ratos.
- Mas eu não sou um rato, sou um pássaro! - respondeu-lhe o Morcego.
A Doninha deixou-o partir, poupando-lhe a vida.

Moral da história:
É bom sabermos adaptar-nos às circunstâncias.


Fábula de Esopo


17/09/2011

O Leão, a Raposa e o Rato


Era um dia de Verão, o Sol ia alto no horizonte e o Leão dormia calmamente a sua sesta. Nisto, um Rato trepou para cima dele e desatou a correr. O Leão acordou sobressaltado e pôs-se às voltas sobre si mesmo, à procura do Rato. A Raposa, que o observava, criticou-o dizendo:
- Que grande Leão, cheio de medo de um Rato...
- Não é do Rato que tenho medo - respondeu-lhe o Leão. - Estou admirado com o seu à vontade e com a sua coragem.

Moral da história:
Nunca subestimes o valor dos outros.


Fábula de Esopo

15/09/2011

A Raposa que perdeu a cauda



Uma Raposa foi apanhada numa armadilha. Conseguiu escapar, mas ficou sem a cauda porque a armadilha a cortou.
Sentindo-se envergonhada e ridícula, pensou convencer as outras raposas a cortarem também as suas.
Reuniu um bom número de amigas e explicou-lhes que, sem cauda, não só ficariam muito mais bonitas, mas também se livrariam de um peso inútil.
Ouvindo isto, uma das raposas interrompeu-a e perguntou-lhe:
- Se não tivesses perdido a tua cauda, também nos aconselharias a cortar as nossas?

Moral da história:
Tem cuidado com quem te dá conselhos tendo em vista os seus próprios interesses.


Fábula de Esopo

13/09/2011

O Urso e os dois viajantes



Certo dia, dois homens viajavam juntos quando um Urso se atravessou no seu caminho. Um deles subiu a uma árvore e escondeu-se nos seus ramos. O outro, percebendo que ia ser atacado a qualquer momento, deitou-se no chão.
Quando o Urso o começou a cheirar, o homem susteve a respiração fingindo-se morto. Ao fim de algum tempo, o Urso foi-se embora.
Certificando-se que o Urso não voltava, o outro viajante desceu da árvore e, com ar brincalhão, perguntou ao amigo:
- Afinal o que é que o Urso te segredou ao ouvido?
- Deu-me este conselho: «Nunca viajes com um companheiro que te abandone perante o perigo» - respondeu-lhe o amigo.

Moral da história:
Os amigos conhecem-se nos momentos difíceis.


Fábula de Esopo


12/09/2011

A Leoa e a Raposa




A leoa, reprovada pela raposa por ter um só filhote ao invés de muitos, respondeu:
- Sim, mas um leão.

Moral da Estória:
A fábula mostra que a excelência não está na quantidade, mas na qualidade.


Fábulas de Esopo
(Século VI a.c.)

A Formiga


Diz uma lenda que a formiga atual era em outros tempos um homem que, consagrado aos trabalhos de agricultura, não se contentava com o produto de seu próprio esforço, senão que olhava com inveja o produto alheio e roubava os frutos de seus vizinhos.
Indignado Zeus pela avareza deste homem, transformou-o em formiga.
Porém ainda que tenha mudado de forma, não mudou seu caráter, pois até hoje percorre os campos e recolhe o trigo e a cevada alheios e os guarda para seu uso.

Moral da Estória:
Ainda que aos malvados se lhes castigue severamente, dificilmente mudarão sua natureza.


Fábulas de Esopo
(Século VI a.c.)

19/08/2011

O cão, o galo e a raposa



Um Cachorro e um Galo que viajavam juntos, resolveram se abrigar da noite, em uma árvore. O Galo se acomodou num galho no alto, enquanto o cão deitou-se num oco, na base do tronco da mesma. Quando amanheceu, o Galo, como de costume, cantou ao despertar.
Uma Raposa, que procurava comida ali perto, ao escutar o canto, se aproximou da árvore, e foi logo dizendo o quanto lhe agradaria conhecer de perto, o dono de tão extraordinária voz.
"Se você me permitir", ela disse, "Ficarei muito grato de passar o dia em sua companhia, apreciando sua voz."
O Galo então disse: "Senhor, por favor, dê a volta na árvore, e peça para meu porteiro lhe abrir a porta, pois eu o receberei de bom grado."
xxxx
Quando a Raposa se aproximou da árvore, o Cachorro a atacou afugentando-a para longe.
Autor: Esopo

Moral da História:
Quem age de má fé, cedo ou tarde acaba por cair na própria armadilha.


Fábulas de Esopo

13/08/2011

O cão e o seu reflexo



Um cão estava se sentindo muito orgulhoso de si mesmo. Achara um enorme pedaço de carne e a levava na boca, pretendendo devorá-lo em paz em algum lugar.
Ele chegou a um curso d´áqua e começou a cruzar a estreita ponte que o levava para o outro lado. De repente, parou e olhou para baixo. Na superfície da água, viu seu próprio reflexo brilhando.
O cão não se deu conta que estava olhando para si mesmo. Julgou estar vendo outro cão com um pedaço de carne na boca.
Opa! Aquele pedaço de carne é maior que o meu, pensou ele. Vou pegá-lo e correr.
Dito e feito. Largou seu pedaço de carne para pegar o que estava na boca do outro cão. Naturalmente, seu pedaço caiu n`água e foi parar bem no fundo, deixando-o sem nada.

Moral: Quem tudo quer tudo perde.


Fábulas de Esopo

12/08/2011

O sapo e o rato


Um rato do campo criou fortes laços de amizade com uma rã. Esta teve a infeliz ideia de atar a pata do rato à sua. E foram juntos pelos campos para arranjar alimento. Quando chegaram à beira de um açude, a rã arrastou o rato para o fundo, lançando-se na água com espalhafato. O pobre do rato, de tanto beber água, morreu. Como seu cadáver flutuasse, amarrado que estava à pata da rã, um milhafre veio e o levou em suas garras. A rã foi forçada a ir com ele e terminou também na pança do milhafre.

Moral: A tua vítima, mesmo morta, pode ainda punir-e; a justiça divina tudo vigia e, com o olho na balança, dá a cada um o que merece.


Fábulas de Esopo