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14/02/2011

A princesa com cabeça de porco


Havia um rei em Tir na n-Og (Terra da Juventude), que ocupava o trono e a coroa por muitos anos contra todos os que a cobiçavam. E a lei do reino era que a cada sétimo ano, os campeões e melhores homens do país deveriam concorrer ao cargo de rei. Uma vez a cada sete anos, todos se reuniam na frente do palácio e corriam para o alto de uma colina duas milhas distante. No topo da colina tinha uma cadeira, e o homem que conseguisse sentar na cadeira primeira, seria o rei de Tir na n-Og pelos próximos sete anos.Depois que ele governou durante eras, o rei começou a ficar ansioso. Ele tinha medo que alguém pudesse se sentar na cadeira diante dele e tomar a coroa de sua cabeça. Então, um dia ele chamou seu druida e perguntou: “Por quanto tempo devo ficar nessa cadeira para governar esta terra, e se algum homem sentar-se nela antes de mim e tomar a coroa da minha cabeça?”
“Você vai manter a monarquia e a coroa para sempre”, disse o druida, “a menos que seu próprio genro as tire de você.”
O rei não tinha filhos, mas uma filha, mas, a mais bela mulher em Tir na n-Og; e o igual a ela não podia ser encontrar em Erin ou qualquer reino do mundo. Quando o rei ouviu as palavras do druida, ele disse, “Eu nunca vou ter um genro, porque eu vou deixar a minha filha de um jeito que nenhum homem irá se casar com ela.”
Então ele pegou uma vara druida mágica, e chamando a filha diante de si, ele a golpeou com a vara, e colocar uma cabeça de porco em seu no lugar da cabeça dela.
Então ele mandou a filha de volta para o seu canto no castelo, e voltando-se para o druida “Não há homem na Terra que vá querer se casar com ela agora.”
Quando o druida viu o rosto que estava na princesa, a cabeça de porco que o pai tinha lhe dado, ele ficou muito triste por ter dado essa informação ao rei, e algum tempo depois ele foi ver a princesa.
“Devo ficar assim para sempre?” perguntou ela para o druida?
“Você precisa”, disse ele, “até que você se casar com um dos filhos de Fin MacCumhail em Erin. Se você se casar um dos filhos de Fin, você estará livre da mancha que está em você agora, e voltar a ter sua própria cabeça e rosto. “
Quando ouviu isso, sua mente ficou impaciente, e nunca descansou até que ela deixou Tir na n-Og e foi para Erin. Quando ela perguntou das pessoas, ouviu que Fin e os fenianos de Erin estavam naquele tempo vivendo em Knock an Ar, ela se dirigiui para o local imediatamente e viveu lá por um tempo. E quando ela viu Oisin, ele agradou a ela, quando ela descobriu que ele era um filho de Fin MacCumhail, a quem ela estava sempre observando, ela correu em sua direção. E era usual para os fenianos naqueles dias sair para caçar nas colinas, montanhas e nas florestas de Erin, e quando um deles ia, sempre levava cinco ou seis homens com ele para trazer para casa o prêmio.
Um dia Oisin saiu com os seus homens e cães para a floresta, e ele foi tão longe e matou tanta caça que, quando tudo foi reunido, os homens estavam tão cansados, fracos e famintos que não podiam levá-lo, mas foram embora, deixando-o com os três cães, Bran, Sciolán e Buglén, para cuidar de tudo sozinho.
Agora a filha do rei de Tir na n-Og, que era a própria rainha da Juventude, seguia de perto a caçada por todo o dia, e quando os homens deixaram Oisin ela foi até ele. Ele estava lá, olhando para a grande pilha de caça e dizendo: “Lamento muito deixar para trás tudo o que eu tive o trabalho de matar”, ela olhou para ele e disse: “Amarre um pacote para mim, eu vou levá-lo para alivar a carga de você. “
Oisin deu-lhe um pacote de caça para carregar, e pegou o restante. A noite estava muito quente e o fardo pesado, e depois de terem caminhado a alguma distância, Oisin disse: “Vamos descansar um pouco.”
Ambos jogaram as suas cargas, e se encostaram contra uma grande pedra que estava à beira da estrada. A mulher estava suada e sem fôlego, e abriu seu vestido para refrescar-se. Então Oisin olhou e viu a sua forma bonita e seu seio branco.
“Ah, então”, disse ele, “é uma pena que você ter uma cabeça de porco em você, pois eu nunca vi tal aparência de uma mulher em toda a minha vida antes.”
“Bem”, disse ela, “meu pai é o rei de Tir na n-Og, e eu era a mais requintada mulher do seu reino e o mais bela de todos, até que ele me jogou uma magia druida e deu-me a cabeça de porco que está em mim agora no lugar da minha própria. E o duida de Tir na n-Og veio falar comigo depois e me disse que se um dos filhos de Fin MacCumhail se casasse comigo, a cabeça do porco iria desaparecer, e eu deveria voltar a ter meu rosto da mesma forma como era antes, antes de meu pai me surpreender com a varinha do druida. Quando eu botei isso na cabeça, não parei até que cheguei a Erin, onde encontrei o seu pai e te escolhi dentre os filhos de Fin MacCumhail, e te segui para ver se você vai se casar comigo e me libertar. “
“Se esse é o estado em que você está, e se o casamento comigo vai te libertar do feitiço, eu não vou deixar a cabeça de porco em você por muito tempo.”
Então eles se casaram sem demora, não esperando para levar a caça para ou para tirá-la do chão. Naquele momento a cabeça de porco desapareceu, e a filha do rei, tinha o mesmo rosto e a beleza que ela tinha antes de seu pai lhe deu um soco com a varinha druida.
“Agora”, disse a Rainha da Juventude para Oisin, “Eu não posso ficar aqui muito tempo, e a menos que você venha comigo para Tir Na n-Og nós devemos nos separa.”
“Oh”, disse Oisin, “onde quer que você vá eu vou, e sempre que você voltar, eu vou te seguir.”
Então ela virou-se e Oisin a acompanhou, não voltando para Knock an Ar para ver seu pai ou seu filho. Naquele mesmo dia, eles partiram para Tir na n-Og e não pararam, até que chegou ao castelo do pai dela. E quando eles chegaram, já hvia uma recepção, pois o rei pensou que sua filha estava perdida.
Nesse mesmo ano houve a escolha de um rei, e quando o dia marcado chegou no final do sétimo ano, todos os grandes homens e os campeões, e o próprio rei, se reuniram na frente do castelo para correr e ver quem deve ser o primeiro a sentar na cadeira na colina. Mas antes que qualquer um deles estivesse na metade do morro, Oisin já estava sentado na cadeira antes dele.
Após esse dia, ninguém se levantou para correr Oisin, e ele passou muitos anos felizes como rei em Tir no n-Og.


Jeremiah Curtin, Myths and Folk-Lore of Ireland
(tradução brasileira)

17/12/2010

A lenda de Galahad


Ficheiro:Galahad.jpg

Galaaz (também conhecido por Galahad ou Gwalchavad) é um personagem lendário das histórias do Ciclo Arturiano. Galaaz era um dos Cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur e um dos três que conseguiu alcançar o Santo Graal. Era o filho ilegítimo de Lancelote e de Helena de Carbonek.
Galaaz era considerado o cavaleiro mais puro e, consequentemente, o único a poder sentar-se na Cadeira Perigosa da Távola Redonda, um assento que ficava sempre vazio, já que só o escolhido poderia se sentar. Pela sua pureza, Galaaz é considerado uma encarnação de Jesus na forma de cavaleiro.
A concepção de Galahad dá-se quando Helena, filha do Rei Pelinore, usa magia para enganar Lancelote, fazendo-o levar a crer que ela era Guinevere. Eles dormem juntos, mas ao descobrir o que aconteceu, Lancelote deixa Helena e volta para a Corte do Rei Artur. Galaaz é, então, entregue aos cuidados de uma tia sua, abadessa de um convento, e ali criado. "Galahad" era também o nome original de Lancelote, mas é-lhe alterado quando criança, pois Merlin profetiza que o seu filho irá ultrapassar o seu pai em valor e terá sucesso na demanda do Graal.
Ao chegar à vida adulta, Galahad reúne-se ao seu pai, que o torna cavaleiro. É então trazido para a Corte do Rei Artur em Camelot durante o Pentecostes. Sem se aperceber do perigo em que estava a se meter, Galahad dirige-se para a Távola Redonda e senta-se na cadeira proibida. Este lugar tinha sido sempre mantido vago para a única pessoa a alcançar o sucesso na demanda do Santo Graal. Qualquer outra pessoa que aí se sentasse teria morte imediata.
Galaaz sobrevive ao evento testemunhado por Artur e pelos seus cavaleiros. O Rei testa-o então, solicitando-lhe que arrancasse uma espada espetada numa rocha, teste que ele passa com facilidade. O Rei Artur proclama Galahad como o melhor cavaleiro do mundo. Ele é então convidado a juntar-se à Ordem da Távola Redonda e, depois de uma visão do Graal, lança-se na sua demanda.

O incrível poder e sorte de Galahad na demanda do Graal são sempre atribuídos à sua piedade. De acordo com a lenda, só os cavaleiros puros conseguiriam alcançar o Graal. Em termos gerais, a sua pureza refere-se à sua castidade. Galahad parece levar uma vida totalmente sem pecado e, como resultado, vive e pensa num nível totalmente à parte dos outros cavaleiro da lenda.
Talvez devido à sua natureza totalmente pura, Galahad parece quase não-humano. Ele derrota os cavaleiros rivais aparentemente sem esforço, praticamente não lhes fala e leva os seus companheiros ao Graal com uma determinação inderrotável. Assim, dos três que terminam a demanda (Boors, Perceval e o próprio Galahad), ele é o único que realmente o alcança. Quando o faz, Galahad é levado para os Céus, tal como os Patriarcas Bíblicos Enoque e o profeta Elias, deixando os seus companheiros para trás.

Lendas dos Cavaleiros da Távola Redonda


06/12/2010

Batalha de Mag Tuired e o Nascimento de Bres filho de Elatha e seu Reinado.



Os Tuatha De Danann viviam nas ilhas ao norte do mundo, estudando a sabedoria oculta e a feitiçaria, as artes druídicas e a magia e a habilidade mágica, até que eles sobrepujaram todos os sábios das artes do paganismo.
Eles estudaram a sabedoria oculta e o conhecimento secreto e as artes diabólicas em quatro cidades: Falias, Golias, Murias, e Findias...
Para Falias foi trazida a Pedra de Fal que estava localizada em Tara. Ela era usada para gritar quando o verdadeiro rei da Irlanda se pusesse de pé sobre ela.
Para Gorias foi trazida a lança que Lug possuiu. Nenhuma batalha foi alguma vez sustentada contra ela, ou contra o homem que a segurasse em sua mão.
Para Findias foi trazida a espada de Nuadu. Ninguém jamais escapou dela uma vez que estivesse fora de sua mortífera bainha, e ninguém poderia opor-se a ela.
Para Murias foi trazido o Caldeirão de Dagda. Nenhuma companhia alguma vez o deixou insatisfeita.
Havia quatro magos nestas quatro cidades. Morfesa estava em Falias; Esras estava em Gorias; Uiscias estava em Findias e Semias estava em Murias. Estes eram os quatro bardos de quem os Tuatha De aprenderam a sabedoria oculta e o conhecimento secreto.
Os Tuatha De fizeram então aliança com os Fomorianos, e Balor, o neto de Net, deu sua filha Ethne a Cian, o filho de Dian Cecht. E ela gerou a gloriosa criança, Lug.
Os Tuatha De chegaram a Irlanda com uma grande esquadra para tomá-la a força dos Fir Bolg. Após chegarem ao território de Corcu Belgatan (atualmente Conmaicne Mara), eles imediatamente queimaram seus barcos de forma que não pensassem em fugir neles. A fumaça e a névoa saída dos barcos encheram a terra e o ar ao redor. Por esta razão se pensou que eles chegaram em nuvens de neblina.
A Batalha de Mag Tuired foi lutada entre eles e os Fir Bolg. Os Fir Bolg foram derrotados, e cem mil dos seus foram mortos incluindo o rei, Eochaid mac Eire.
A mão de Nuadu foi cortada fora nessa batalha, Sreng mac Sengainn a golpeou. Então com Credne, o brazeiro, o ajudando, Dian Cecht, o médico, colocou nele uma mão de prata que se mexia como qualquer outra mão.
Ora, os Tuatha De Danann perderam muitos homens na batalha, incluindo Edleo mac Allai, e Ernmas, e Fiacha, e Tuirill Bicreo.
Então aqueles dos Fir Bolg que escaparam da batalha fugiram para os Fomorianos, e eles se estabeleceram em Arran e em Islay e em Man e em Rathlin.
Havia uma disputa quanto a soberania dos homens da Irlanda entre os Tuatha De e suas esposas desde que Nuadu se tornou inelegível para a realeza depois que sua mão foi cortada fora. Eles diziam que o homem apropriado para tomar o reino era Bres, o filho de Elatha, filho adotivo deles, e que o entregando à criança atariam uma aliança com os Fomorianos, visto que seu pai, Elatha mac Delbaith, era o rei dos Fomorianos.
Ora, a concepção de Bres se deu desta forma:
Um dia uma mulher dos Tuatha De, Eriu, a filha de Delbaeth, estava olhando para o mar e a terra de sua casa de Maeth Sceni; e ela viu o mar perfeitamente calmo como se fosse uma tábua lisa. Depois disso, no tempo em que esteve ali ela viu uma coisa: um navio de prata apareceu para ela no mar. Seu tamanho lhe pareceu grande mas sua forma não ficou clara para ela; e a corrente do mar carregou-o até a terra.
Então ela viu que o navio trazia um homem de bela aparência. Ele tinha um cabelo louro dourado que lhe caia pelos ombros, e uma capa com ataduras de ouro. Sua camisa possuía ornamentos de ouro. Em seu peito estava um broche de ouro com uma brilhante pedra preciosa. Trazia duas brilhantes lanças de prata e nelas duas firmes pontas de bronze. Cinco anéis de ouro lhe rodeavam da nuca. Carregava uma espada dourada com inscrições em prata e botão dourado.
O homem disse-lhe: "Poderia eu, ter um momento de amor contigo?".
"Certamente ainda não marquei nosso encontro", disse ela.
"Venha sem o encontro", ele respondeu.
Então deitaram juntos, e a mulher chorou quando o homem subiu outra vez.
"Porque você está chorando?", ele perguntou.
"Eu tenho duas razões para lamentar", disse a mulher, "separar-me-ei de ti, todavia nós nos conhecemos hoje, e os jovens homens dos Tuatha De Danann tem implorado em vão me possuir como você fez."
"Sua ansiedade sobre essas duas coisas será removida," ele disse. Ele tirou seu anel de ouro do dedo médio e o colocou na mão dela, e disse-lhe que ela não deveria abrir mão dele, nem para vender tampouco para presentear, exceto para alguém em cujo dedo ele coubesse.
"Outra coisa me preocupa", disse a mulher, "eu não sei quem esteve comigo e me possuiu".
"Você não ficará ignorante de tal pessoa", ele disse. "Elatha mac Delbaith, rei dos Fomorianos, esteve contigo. Você dará a luz a um filho como resultado de nossa união, e não darás outro nome a ele além de Eochu Bres (isto é, Eochu, o belo), porque cada bela coisa que ser ver na Irlanda, como planície e fortaleza, cerveja e vela, mulher e homem e cavalo serão julgados em relação e este menino, de forma que as pessoas dirão a estas coisas, 'Isto é um Bres.'"
Então o homem foi embora, e a mulher retornou para sua casa, e a famosa fecundação se deu nela.
Então ela deu a luz a um menino, e o nome Eochu Bres foi lhe dado como Elatha havia dito. Uma semana depois do acontecimento o menino já tinha duas semanas de crescimento; e ele manteve esse crescimento por sete anos, ao fim dos quais havia se desenvolvido como uma criança de quatorze anos.
Como resultado da disputa que acontecia entre os Tuatha De, a soberania da Irlanda foi dada para este jovem; e ele deu sete reféns aos guerreiros da Irlanda (seus parentes por parte de mãe) como garantia da resituição da soberiania Irlandesa, caso ele praticasse maus atos. Então sua mãe lhe deu seu reino, e ele possuía uma fortaleza construída neste reino, Dun mBresse. E foi o Dagda que construiu esta fortaleza.
Mas depois de Bres ter assumido a soberania, três reis Fomorianos (Indech mac De Domnann, Elatha mac Delbaith, e Tethra) impuseram um tributo à Irlanda, e não havia fumaça de uma casa na Irlanda que não estivesse sob este tributo. Além disso, os guerreiros da Irlanda estavam reduzidos para servi-los: Ogma debaixo de uma pilha de madeira e o Dagda como um construtor de defesas, e ele construiu uma fortificação em volta da fortaleza de Bres.
Ora, o Dagda estava triste no trabalho, e na casa que ele usava pra comer havia um preguiçoso homem cego chamado Cridenbel, cuja boca originava-se no peito. Cridenbel considerava sua refeição pequena e a de Dagda grande, então ele disse, "Dagda, por sua honra dê-me os três melhores pedaços de sua porção!", e o Dagda acostumou-se a da-los a ele toda noite. Mas os pedaços do satírico eram grandes: cada pedaço tinha o tamanho de um avantajado porco. Além disso, aqueles três pedaços eram um terço da porção de Dagda. A aparência de Dagda estava muito ruim por isso.
Então um dia o Dagda estava numa vala e ele viu o Mac Oc indo em sua direção.
"Saudações a ti, Dagda!", disse o Mac Oc.
"E a ti", disse o Dagda.
"O que faz você parecer tão mal?", ele perguntou.
"Eu tenho uma boa causa", disse ele. "Toda noite Cridenbel, o satírico, exige de mim os três melhores pedaços de minha porção."
"Eu tenho um conselho para você", disse o Mac Oc. Ele colocou as mãos nos bolso e pegou três moedas de ouro, e as ofereceu para ele.
"Coloque", continuou ele, "essas três moedas de ouro nos três pedaços de Cridenbel ao anoitecer. Então esses serão os melhores de teu prato, então o ouro se encravara em seu ventre e por isso ele morrerá; e mais tarde o julgamento de Bres não será justo. Os homens dirão ao rei, 'O Dagda matou Cridenbel com uma erva mortal que deu a ele.' Então o rei ordenará que você seja morto, e tu dirás a ele, 'O que você diz, rei dos guerreiros de Feni, não condiz com a honestidade de um governante. Porque ele vinha me importunando desde que comecei meu trabalho, dizendo a mim: "dê-me os três melhores pedaços de sua porção, Dagda.Estou fraco hoje", realmente, eu o mataria por isso, se as três moedas de ouro que encontrei aquele dia não me tivessem ajudado. Eu as coloquei em minha porção, então dei-a a ele, porque o ouro era a melhor coisa que havia diante de mim. Então o ouro está agora em Cridenbel, e ele o matou.'
Assim foi feito, e disse o rei, pronunciando seu julgamento: "Está certo, tirem fora o estômago do satírico para ver se o ouro é encontrado nele. Se não for encontrado, você morrerá, entretanto, se for encontrado, você viverá”.
Então eles cortaram fora o estômago do satírico e encontraram as três moedas de ouro em suas entranhas, e Dagda foi salvo.
Então o Dagda voltou para o seu trabalho na manhã seguinte, e o Mac Oc foi a ele e disse, "Em breve você finalizara seu trabalho, mas não pedira pagamento até que o gado da Irlanda seja trazido a você. Escolha dentre eles uma escura, de crina negra, treinada e impetuosa novilha”.
Então o Dagda concluiu seu trabalho, e Bres perguntou-lhe o que ele queria como recompense pelo seu labor. O Dagda replicou, "Eu exijo que você reúna o gado da Irlanda em um único lugar." O rei fez o que ele pediu, e ele escolheu a novilha sobre a qual o Mac Oc lhe disse. Isso pareceu tolo a Bres. Ele pensou que ele escolheria algo mais.
Ora, Nuadu havia sido tratado, e Dian Cecht havia lhe dado uma mão de prata que se movia como qualquer outra mão. Mas seu filho Miach não gostou disso. Ele foi até a mão que havia sido substituída e disse "junta ligue-se com junta, e tendão com tendão"; e ele curou-a em nove dias e nove noites. Nos primeiros três dias ele carregou-a ao seu lado, e ela ficou coberta com pele. Nos segundos três dias ele carregou-a junto ao peito. Nos últimos três dias ele lançou brancos feixes de junco negro após terem sido escurecidos com fogo. Dian Cecht não gostou dessa cura. Ele atirou uma espada na cabeça de seu filho e cortou sua pele deixando-o em carne viva. O jovem se curou através de suas habilidades. Ele golpeou-o de novo e cortou sua carne até alcançar o osso. O jovem se curou pelos mesmos meios. Ele lhe infligiu um terceiro golpe e atingiu a membrana de seu cérebro. O jovem se curou pelos mesmos meios. Então ele o golpeou uma quarta vez e tirou fora seu cérebro, de forma que Miach morreu; e Dian Cecht disse que nenhum médico poderia curá-lo dessa ferida.
Depois disso, Miach foi enterrado por Dian Cecht, e trezentas e sessenta e cinco ervas cresceram através da sepultura, correspondendo ao número de suas juntas e tendões. Então Airmed estendeu seu manto e arrancou essas ervas de acordo com suas propriedades. Dian Cecht foi a ela e misturou as ervas, de forma que ninguém soubesse suas propriedades medicinais além do Espírito Sagrado que lhes ensinaria mais tarde. E Dian Cecht disse: "Apesar de Miach não ter vivido muito, Airmed ficará”.
Enquanto isso, Bres mantinha o reinado a ele concedido. Existia um grande murmurinho contra ele entre seus parentes dos Tuatha De, porque suas facas não eram engorduradas por ele. Todavia freqüentemente eles viessem, seu hálito não cheirava a cerveja; e eles não viam seus poetas, nem seus bardos, nem seus satíricos, nem seus harpistas, nem seus flautistas, nem seus tocadores de chifres, nem seus malabaristas, nem seus palhaços em reuniões familiares. Eles não iam para competições de famosos artistas, nem viam seus guerreiros provando suas habilidades perante o rei, exceto por um homem, Ogma, o filho de Lain.
Essa era a responsabilidade que ele tinha: levar lenha para a fortaleza. Ele trazia uma pilha todo dia das ilhas de Clew Bay. O mar levava dois terços de sua carga porque ele ficava fraco pela falta de comida. Ele trazia apenas um terço que fornecia para o anfitrião todo dia.
Mas nenhum serviço nem pagamento para as tribos perseverou; e os tesouros da tribo não foram doados, devido ao comportamento de toda tribo.
Numa ocasião um poeta foi a casa de Bres procurando hospitalidade (este era Coirpre, filho de Etain, o poeta dos Tuatha De), ele entrou numa apertada, suja, escura, e pequena casa; e ali não havia fogo nem móveis nem cobertores. Três pequenos bolos foram trazidos a ele num pequeno prato, e eles estavam secos. No dia seguinte ele acordou, e ele não estava grato. Enquanto ele ia para o pátio ele disse,

"Sem comida rapidamente no prato,
Sem leite de vaca para os bezerros crescerem,
Sem habitações humanas na escuridão da noite,
Sem pagamento para uma companhia de contadores de historias, esta é a situação de Bres."
"A prosperidade de Bres não existira por muito tempo," ele disse, e isso era verdade. Havia apenas destruição nele desde aquela hora; e esta foi a primeira sátira que ele fez na Irlanda.
Ora, depois os Tuatha De foram falar com seu filho adotado Bres mac Elathan, e eles pediram-lhe seus reféns. Ele entregou-lhes a restauração da realeza, e eles não lhe respeitaram como devidamente qualificado para governar daquele momento em diante. Ele exigiu permanecer até o fim de sete anos. "Você terá o que pede," a mesma assembléia concordou, "garantindo que a guarda de todo pagamento destinado a ti — incluindo casa e terras, ouro e prata, gado e comida – serão garantidos pelas mesmas formas de segurança, e que teremos liberdade de tributo e pagamento até então."
"Vocês terão o que pedem," disse Bres.
E é por tal razão que pediram o atraso: para que ele conseguisse juntar os guerreiros de sid, os Fomorianos, para tomar posse dos Tuatha através da força desde que ele conseguisse uma exorbitante vantagem. Ele não estava disposto a ser afastado de seu reinado.
Então ele foi para sua mãe e lhe perguntou onde estava sua família. "Eu estou certa sobre isso," ela disse, e foi para a colina da qual ela viu o navio prateado no mar. Ela então foi para a praia. Sua mãe lhe deu o anel que foi deixado com ela, e ele o colocou em seu dedo médio, e ele coube. Ela não abriu mão dele por ninguém, tampouco para vender ou presentear. Até aquele dia, não houve nenhum dos motivos que se ajustasse a isso.
Então eles avançaram até que alcançaram a terra dos Fomorianos. Eles chegaram a uma grande campina com muitas comunidades sob ela, e eles alcançaram a melhor destas comunidades. Dentro, pessoas exigiram informações sobre eles. Então eles perguntaram se eles possuíam cachorros, já que neste tempo isso era um costume quando um grupo de homens visitava outra comunidade, para desafiá-los em uma amistosa competição. "Nós possuímos cachorros," disse Bres. Então os cães participaram de uma corrida, e aqueles dos Tuatha De eram tão rápidos quanto os dos Fomorianos. Então perguntaram se eles possuíam cavalos para correr. Eles responderam, "Nós temos," e eles eram tão rápidos quanto os cavalos dos Fomorianos
Então perguntaram se eles possuíam qualquer um que fosse bom com a espada, e ninguém foi encontrado entre eles exceto Bres. Mas quando ele levantou a mão com a espada, seu pai reconheceu o anel em seu dedo e perguntou quem o guerreiro era. Sua mãe respondeu em seu favor e contou ao rei que Bres era seu filho. Ela relatou-lhe toda a história como já foi relatado.
Seu pai estava melancólico a respeito dele, e perguntou, "Que força traz você para fora das terras que governa?"
Bres respondeu, "Nada me trás exceto minha própria injustiça e arrogância. Eu desprovi-os de suas preciosidades e posses e de sua própria comida. Nenhum tributo nem pagamento foi recebido deles até agora."
"Isso é mau," disse seu pai. "Melhor a prosperidade deles do que de sua realeza. Melhor seus pedidos do que suas maldições. Porque então você veio?" perguntou seu pai.
"Eu vim para pedir-lhe guerreiros," ele disse. "Eu pretendo tomar aquela terra pela força."
"Você não deve ganha-la pela injustiça se não pode ganha-la pela justiça," ele disse.
"Eu tenho uma pergunta então: que conselho pode dar a mim?" disse Bres.
Depois disso ele mandou-lhe para o campeão Balor, neto de Net, o rei dos Hebrides, e para Indech mac De Domnann, o rei dos Fomorianos; e estes reuniram todas as forças desde Lochlainn na direção do oeste para a Irlanda, para impor seus tributos e seu governo sob eles pela força, e eles fizeram uma única ponte de barcos desde as Hebrides até a Irlanda.
Nenhuma tropa chegou a Irlanda que não fosse mais assustadora e terrível que as tropas dos Fomorianos. Existia rivalidade entre os homens da Scythia de Lochlainn e os homens fora das Hebrides a respeito desta expedição.
Quanto aos Tuatha De, porém, isso é discutido aqui.
Depois de Bres, Nuadu estava uma vez mais na soberania dos Tuatha De; e neste tempo ele organizou um grande banquete para os Tuatha De em Tara. Ora, havia certo guerreiro cujo nome era Samildanach a caminho de Tara. Naquele tempo existiam uns porteiros em Tara chamados Gamal mac Figail e Camall mac Riagail. Quando o segundo estava em serviço, ele viu uma estranha companhia vindo em sua direção. Um belo, forte e jovem guerreiro com um diadema real atado à fronte.
Eles ordenaram ao porteiro que anunciasse sua chegada a Tara. O porteiro perguntou, "Quem esta aqui?".
"Lug Lormansclech esta aqui, o filho de Cian filho de Dian Cecht e de Ethne filha de Balor. Ele é o filho adotado de Tailtiu, a filha de Magmor, o rei da Espanha, e de Eochaid Garb mac Duach."
O porteiro então perguntou a Samildanach, "Que artes você pratica? Ninguém sem alguma arte entra em Tara."
"Perguntou-me," ele disse. "Eu sou um construtor."
O porteiro replicou, "Nós não precisamos de você. Nós já possuímos um construtor, Luchta mac Luachada."
Ele disse, "Perguntou-me, porteiro: Eu sou um ferreiro."
O porteiro replicou "Nós já possuímos um ferreiro, Colum Cualeinech das três novas técnicas."
Ele disse, "Perguntou-me: Eu sou um campeão."
O porteiro replicou, "Nós não precisamos de você. Nós já possuímos um campeão, Ogma mac Ethlend."
Ele disse novamente, "Perguntou-me." "Eu sou um harpista," ele disse.
"Nós não precisamos de você. Nós já possuímos um harpista, Abcan mac Bicelmois, o que foi escolhido pelos homens dos três deuses nas muralhas de sid."
Ele disse, "Perguntou-me: Eu sou um guerreiro."
O porteiro replicou, "Nós não precisamos de você. Nós já possuímos um porteiro, Bresal Etarlam mac Echdach Baethlaim."
Então ele disse, "Perguntou-me, porteiro. Eu sou um poeta e um historiador."
"Nós não precisamos de você. Nós já possuímos um poeta e historiador, En mac Ethamain."
Ele disse, "Perguntou-me. Eu sou um feiticeiro."
"Nós não precisamos de você. Nós já possuímos feiticeiros. Nossos druidas e nossas pessoas de poder são numerosos."
Ele disse, "Perguntou-me. Eu sou um médico."
"Nós não precisamos de você. Nós temos Dian Cecht como médico."
"Perguntou-me," ele disse. "Eu sou um copeiro."
"Nós não precisamos de você. Nós já possuímos copeiros: Delt e Drucht e Daithe, Tae e Talom e Trog, Gle e Glan e Glesse."
Ele disse, "Perguntou-me: Eu sou um bom braseiro."
"Nós não precisamos de você. Nós já possuímos um braseiro, Credne Cerd."
Ele disse, "Pergunte ao rei se ele possui um homem que possua todas essas artes: se ele possuir eu não estarei apto para entrar em Tara."
Então o porteiro foi para o salão real e contou tudo ao rei. "Um guerreiro chegou em frente ao palácio," ele disse, "chamado Samildanach; e todas as artes que ajudam seu povo, ele as pratica todas, de forma que ele é o homem com cada uma e toda arte."
Então ele disse que eles lhe trouxessem os tabuleiros de fidchell de Tara,
e ele venceu todas as apostas, e fez a cro de Lug. (Mas se fidchell foi inventado no período da guerra de Tróia, ele ainda não tinha chegado à Irlanda, pois a batalha de Mag Tuired e a destruição de Tróia ocorrem ao mesmo tempo.)
Então isso foi relatado a Nuadu. "Deixe-o entrar no palácio," Disse Nuadu, "Já que um homem assim nunca veio a esta fortaleza."
Então o porteiro deixou-o passar, e ele entrou na fortaleza, ele sentou-se no lugar do sábio, porque ele era um sábio em cada arte.
Então Ogma atirou o ladrilho, o qual precisava de oitenta juntas de bois para ser movido, pelo lado do salão de forma que o projetou para fora de Tara. Isto era para desafiar Lug, que arremessou a pedra de volta de forma que a projetou de volta para o centro do salão real; e ele jogou a peça que se arrastou novamente pelo lado do salão real de modo que este estava inteiro novamente.
"Conceda que uma harpa seja tocada para nós", disseram os anfitriões. Então o guerreiro tocou uma doce musica para os anfitriões na primeira noite, colocando-os para dormir desde aquele hora até a mesma hora do dia seguinte. Ele tocou uma música triste de forma que eles choraram e lamentaram. Ele tocou uma música alegre de forma que eles sorriram e se regozijaram.
Então Nuadu, quando viu os muitos poderes do guerreiro, considerou se ele poderia libertá-los da escravidão que eles sofriam nas mãos dos Fomorianos. Assim eles realizaram um conselho a respeito do guerreiro, e a decisão a que Nuadu chegou foi a de trocar de assento com o guerreiro. Assim Samildanach sentou na cadeira real, e o rei acordou antes dele até que treze dias tivesse passado.
No dia seguinte ele e seus dois irmãos, Dagda e Ogma, conversaram juntos em Grellach Dollaid; e seus dois parentes Goibniu e Dian Cecht estavam reunidos com eles.
Eles passaram um ano inteiro nessa conferência secreta, de forma que Grellach Dollaid é chamada Amrun dos Homens da Deusa.
Então os druidas da Irlanda se reuniram a eles, juntamente com seus médicos e seus cocheiros e seus ferreiros e seus ricos proprietários de terras e seus juristas. Eles conversaram juntos secretamente.
Então ele perguntou ao feiticeiro, cujo nome era Mathgen, que poder ele detinha. Ele respondeu que poderia sacudir as montanhas da Irlanda debaixo dos Fomorianos até que seus picos desmoronassem. E isso lhes pareceria como se as doze principais montanhas da Irlanda estivessem lutando em favor dos Tuatha De Danann: Slieve League, e Denda Ulad, e as Montanhas Mourne, e Bri Erigi e Slieve Bloom e Slieve Snaght, Slemish e Blaisliab e a Montanha Nephin e Sliab Maccu Belgodon e as Colinas Curlieu e Croagh Patrick.
Então ele perguntou copeiro que poder ele detinha. Ele respondeu que poderia servir os doze principais lagos da Irlanda na presença dos Fomorianos e eles não mais encontrariam água neles, mas sedentos ficariam. Estes eram os lagos: Lough Derg, Lough Luimnig, Lough Corrib, Lough Ree, Lough Mask, Strangford Lough, Belfast Lough, Lough Neagh, Lough Foyle, Lough Gara, Loughrea, Marloch. Eles procedem dos doze principais rios da Irlanda – o Bush, o Boyne, o Bann, o Blackwater, o Lee, o Shannon, o Moy, o Sligo, o Erne, o Finn, o Liffey, o Suir – e eles seriam ocultados dos Fomorianos de modo que eles não encontrariam uma gota neles. Mas bebida ele poderia providenciar para os homens da Irlanda mesmo se eles ficassem em batalha por sete anos.
Então Figol mac Mamois, druida deles, disse, "Três chuvas de fogo cairão nas faces das hostes dos Fomorianos, e eu capturarei dois terços de sua coragem e de sua destreza nas armas e de sua força, e eu prenderei a urina deles em seus próprios corpos e nos corpos de seus cavalos. Cada respiração que os homens da Irlanda exalarem aumentará sua coragem e sua destreza nas armas e sua força. Mesmo se eles ficarem em batalha por sete anos, eles não se cansarão de maneira nenhuma.”
O Dagda disse, "Os poderes que vocês possuem, utilizarei todos com destreza."
"Você é o Dagda ['o Bom Deus']!" disseram todos, e "Dagda" ele foi chamado desde então.
Então eles dispensaram o conselho para reunirem-se, desde esse dia, três anos depois.
Então depois que a preparação para a batalha foi terminada, Lug e o Dagda e Ogma foram os três deuses de Danu, e eles concederam a Lug equipamentos para a batalha; e por sete anos eles se prepararam e forjaram suas armas.
Então ela disse-lhe, "Tome para si a batalha que causará a queda de um reino." Morrigan disse para Lug,
"Acorde..."
Então Figol mac Mamois, o druida, profetizou a batalha e fortaleceu os Tuatha De, dizendo: "A batalha ocorrerá.”
Então o Dagda possuía uma casa em Glen Edin no norte, e ele a arrumou para encontrar uma mulher em Glen Edin em ano desde aquele dia, próximo de Todos os Santos da batalha. O Unshin de Connacht rugia na direção sul.
Ele viu a mulher no Unshin em Corann, se banhando, com um de seus pés em Allod Echae (isto é, Aghanagh) sul da água e o outro em Lisconny norte da água. Haviam nove cachos desprendidos em sua cabeça. O Dagda falou com ela, e eles se uniram. "A Cama do Casal" foi o nome desse lugar dai por diante. (a mulher mencionada aqui era Morrigan.)
Então ela disse ao Dagda que os Fomorianos desembarcariam em Mag Ceidne, e que ele deveria reunir os aes dana da Irlanda para encontrá-la no Vau de Unshin, e ela iria para dentro de Scetne para destruir Indech mac De Domnann, o rei dos Fomorianos, e lhe tiraria o sangue do coração e a disposição de sua coragem. Mais tarde ela deu dois punhados desse sangue para as hostes que estavam esperando no Vau de Unshin. Seu nome se tornou "O Vau da Destruição" por causa da destruição do rei.
Assim os aes dana fizeram, e eles cantaram feitiços contra as hostes dos Fomorianos.
Isso foi uma semana antes de Todos os Santos, e todos eles se dispersaram até que todos os homens da Irlanda tivessem se reunido no dia anterior ao de Todos os Santos. Seu número era de seis vezes trinta centenas, isto é, cada terço consistia de duas vezes trinta centenas.
Então Lug mandou o Dagda para espiar os Fomorianos e para atrasa-los até que os homens da Irlanda chegassem para a batalha.
Então o Dagda foi para o acampamento dos Fomorianos e propôs-lhes uma trégua na batalha. Isso lhe foi concedido conforme eles propôs. Os Fomorianos lhe fizeram mingau para zombar dele, pois seu gosto por mingau era notável. Eles encheram para ele o caldeirão do rei, que tinha cinco palmos de profundidade, e derramaram quatro galões de leite novo e a mesma quantidade de farinha e gordura nele. E colocaram bodes e ovelha e porco nele, e os ferveram todos junto com o mingau. Então eles derramaram isso em um buraco no chão, e Indech disse-lhe que ele seria morto a menos que comesse tudo aquilo; ele deveria fartar-se de comer de forma que sua força não fosse satirizada pelos Fomorianos.
Então o Dagda pegou sua concha, e ela era grande o bastante para que um homem e uma mulher repousassem em seu meio. Esses eram os pedaços que estavam nela: metade de um porco salgado e um quarto da banha de porco.
Então o Dagda disse, "Esta comida é boa se seu caldo é igual a seu gosto." Mas enquanto colocava a colher cheia na boa ele disse, "'Seus pobres pedaços não a estragam,' dizem os velhos homens sábios."
Então ao fim ele limpou todo o buraco tocando até o fundo entre bolor e cascalho. Ele adormeceu logo depois de comer seu mingau. Sua barriga estava tão grande quanto um caldeirão, e os Fomorianos riram-se dela.
Então ele foi embora para Traigh Eabha. E não foi fácil para o guerreiro se mover adiante levanto em conta o tamanho de sua barriga. Sua aparência estava horrivel: ele tinha um promontório no vazio entre seus cotovelos, e uma túnica cinza amarronzada ao redor dele até o inchaço de seu traseiro. E ele arrastava atrás de si uma forquilha que necessitava do trabalho de oito homens para se mover, e essa trilha era o bastante para ser uma trincheira da fronteira de uma província. E foi chamada "A trilha da clava de Dagda" por essa razão. Seu longo pênis estava descoberto. Ele vestia dois sapatos de pele de cavalo com o pêlo para fora.
À medida que ele continuava ele viu uma garota a sua frente, uma bonita jovem com uma excelente forma, seu cabelo em belos cachos. O Dagda a desejou, mas ele estava impotente por causa de sua barriga. A garota começou a zombar dele, então ela começo a lutar com ele. Ela arremessou-o de forma que ele afundou o côncavo de seu traseiro no chão. Ele olhou para ela irritado e perguntou, "O que você quer, garota, tirando-me fora de meu caminho?”.
"Isto: conseguir que você me carregue nas costas à casa de meu pai."
"Quem é seu pai?" ele perguntou.
"Eu sou filha de Indech, filho de De Domnann," ela disse.
Ela atacou de novo e bateu nele severamente, de forma que a fenda em volta dele ficou cheia com o excremento de sua barriga; e ela zombou dele três vezes até que ele a carrega-se em suas costas.
Ele disse que isso era um ges para ele, que carregaria qualquer um que o chamasse por seu nome.
"Qual é seu nome?" ela perguntou.
"Fer Benn," ele disse.
"Até o nome é demasiado!" ela disse. "Levante, carregue-me em suas costas, Fer Benn."
"Este não é realmente meu nome," ele disse.
"Qual é?" ela perguntou.
"Fer Benn Mach," ele respondeu.
"Levante, carregue-me em suas costas, Fer Benn Mach," ela disse.
"Este não é realmente meu nome," ele disse.
"Qual é?" ela perguntou. Então ele disse-lhe seu nome completo. Ela respondeu imediatamente e disse, "Levante, carregue-me em suas costas, Fer Benn Bruach Brogaill Broumide Cerbad Caic Rolaig Builc Labair Cerrce Di Brig Oldathair Boith Athgen mBethai Brightere Tri Carboid Roth Rimaire Riog Scotbe Obthe Olaithbe. . . . Levante, carregue-me para fora daqui!"
"Não ridicularize-me mais, garota." ele disse.
"Isso certamente sera difícil," ela disse.
Então ele moveu-se para fora do buraco, depois que deixara lá o conteúdo de sua barriga, e por causa disso a garota havia esperado por um longo tempo. Ele levantou então, e colocou a garota em suas costas; e ele colocou três pedras em seu cinto. Cada pedra pendeu e caiu - e foi dito que eram seus testículos que caíram. A garota saltou e o golpeou nas nádegas, e seus pêlos pubianos estavam a mostra. Então o Dagda conquistou uma amante, e eles fizeram amor. Uma marca ficou em Beltraw Strand onde eles se uniram.
Então a garota disse a ele, "Você não vai para a batalha por meio algum."
"Certamente eu irei," disse o Dagda.
"Você não irá," disse a mulher, "porque eu serei uma pedra na boca de cada vau que você cruzar."
"Assim será deveras," disse o Dagda, "mas você não me impedirá desa forma. Eu pisarei pesadamente em cada pedra, e as pegadas de meu calcanhar ficarão em cada pedra para sempre."
" Assim será deveras, mas elas trocarão de lugar de forma que você não as verá. Você não me deixará para trás ate que eu reúna os filhos de Tethra dos montes de sid, porque eu serei um carvalho gigante em cada vau e em cada passagem que você cruzar."
"Eu deveras passarei," disse o Dagda, "e a marca de meu machado permanecerá em cada carvalho para sempre." (E as pessoas serão observadas sob a marca do machado de Dagda.)
Então, no entanto, ela disse, "Permita que os Fomorianos entrem no reino, porque os homens da Irlanda terão todos se reunido em um lugar." Ela disse que atrasaria os Fomorianos, e ela cantaria feitiços contra eles, e ela praticaria a arte mortal da varinha mágica contra eles – e ela sozinha enfrentaria um nono de suas hostes.
Os Fomorianos avançaram até que sua décima parte estivesse em Scetne. Os homens da Irlanda estavam em Mag Aurfolaig. Neste ponto estas duas hostes estavam ameaçando batalhar.
"Os homens da Irlanda tomaram para si nos dar batalha?" disse Bres mac Elathan a Indech mac De Domnann.
"Eu também a darei," disse Indech, "de forma que seus ossos ficarão em pedaços se não pagarem seu tributo."
Para proteger-lhe, os homens da Irlanda haviam combinado poupar Lug da batalha. Seus nove pais adotivos foram proteger-lhe: Tollusdam e Echdam e Eru, Rechtaid Finn e Fosad e Feidlimid, Ibar e Scibar e Minn. Eles temiam que o guerreiro moresse cedo por causa do grande número de artes que dominava. Por essa razão eles não lhe permitiram ir à batalha.
Então os homens de posto entre os Tuatha De estavam reunidos em torno de Lug. Ele perguntou a seu ferreiro, Goibniu, que poder ele detinha em favor deles.
"Não é difícil dizer," ele disse. "Mesmo se os homens da Irlanda continuarem a batalha por sete anos, para cada lança separada de seu cabo ou espada que quebrar em batalha, eu providenciarei uma nova arma em seu lugar. A ponta de lança forjada por minhas mãos não fará um arremesso perdido. Nenhuma pele por ela tocada sentirá a vida outra vez.. Dolb, o ferreiro Fomoriano, não pode fazer isso. Eu agora estou preocupado com minha preparação para a batalha de Mag Tuired."
"E você, Dian Cecht," disse Lug, "que poder você detém?"
"Não é difícil dizer," ele disse. "Qualquer homem ferido ali, a menos que sua cabeça seja cortada, ou a membrana de seu cérebo ou sua coluna vertebral forem separadas, eu o colocarei sem falhas na batalha no dia seguinte."
"E você, Credne," Lug disse a seu brazeiro, "qual é o seu poder na batalha?"
"Não é difícil responder," disse Credne. "Eu os suprirei todos com pontas para suas lanças e punhos para suas espadas e enfeites e bordas para seus escudos."
"E você, Luchta," Lug disse para o seu carpinteiro, "qual poder você detem na batalha?"
"Não é difícil responder," disse Luchta. "Eu os suprirei todos com quanto escudos e cabos de lanças precisarem."
"E você, Ogma," disse Lug para seu campeão, "Qual é o seu poder na batalha?"
"Não é difícil dizer," ele disse. "Serei um adversário páreo para o rei e segurarei eu próprio de seus amigos, até que vencerei um terço da batalha para os homens da Irlanda."
"E você, Morrigan," disse Lug, "Que poder?"
"Não é difícil dizer," ela disse. "Eu ficarei firme; eu perseguirei quem estiver vigiando; eu serei capaz de matar; eu serei capaz de destruir aqueles que forem subjugados."
"E vocês, feiticeiros," disse Lug, "Que poder?"
"Não é difícil dizer," disseram os feiticeiros. "Suas brancas solas dos pés serão visíveis depois que nós os tivermos derrubados com nossas artes, de forma que eles serão facilmente mortos; e nós tiraremos dois terços das forças deles, e os impediremos de urinar."
"E vocês, copeiros," disse Lug, "Que poder?"
"Não é difícil dizer” disseram os copeiros. "Nós colocaremos uma grande sede sobre eles, e eles não encontrarão bebidas para matá-la."
"E vocês, druidas," disse Lug, "Que poder?"
"Não é difícil dizer," disseram os druidas. "Nós mandaremos chuvas de fogo sob as faces dos Fomorianos de forma que eles não poderão esguer os olhos, e os guerreiros em luta com eles poderão usar sua força para matá-los."
"E você, Coirpre mac Etaine," disse Lug ao seu bardo, "o que pode fazer na batalha?"
"Não é difícil dizer," disse Coirpre. "Eu farei um glam dicenn contra eles, e eu os satirizarei e os envergonharei de forma que através do encanto de minha arte eles não oferecerão resistência pra os guerreiros."
"E vocês, Be Chuille e Dianann," disse Lug às suas duas feiticeiras, "o que podem fazer na batalha?"
"Não é difícil dizer," elas disseram. "Nós encantaremos as árvores e as pedras e a grama da terra de forma que elas sejam uma hoste armada contra eles; e eles se dispersarão em fuga, apavorados e tremendo."
"E você, Dagda," disse Lug, "que poder você pode exercer contra as hostes Fomorianas na batalha?"
"Não é difícil dizer," disse o Dagda. "Eu lutarei pelos homens da Irlanda mutuamente golpeando e destruindo e com feitiços. Os ossos deles sob minha clava em breve serão como muitas pedras de granizo sob os pés de um rebanho de cavalos, aqui o dobro de inimigos encontraram no campo de batalha de Mag Tuired."
Então dessa forma Lug se dirigia a cada um deles um após o outro perguntando por suas artes, fortalhecendo-lhes e digirigindo-se a eles do mesmo modo até que cada homem possuise a coragem de um rei ou um grande senhor.
Ora, diariamente a batalha estava empatada entre os Fomorianos e os Tuatha De Danann, mas não haviam reis ou príncipes lutando, apenas homens bárbaros e arrogantes.
Uma coisa se tornou evidente para os Fomorianos na batalha parecendo fora do comum para eles. Suas armas, suas lanças e suas espadas, estavam embotadas; e aqueles dentre seus homens que morriam não voltavam no dia seguinte. Esse não era o caso com os Tuatha De Danann: embora suas armas estivessem embotadas um dia, elas estavam restauradas no próximo porque Goibniu, o ferreiro, estava em sua forja fabricando espadas e lanças e dardos. Ele fazia aquelas armas com três pancadas. Então Luchta, o carpinteiro, fazia os cabos das lanças em três lascadas, e a terceira lascada era o acabamento e a colocava fixa no encaixe da lança. As pontas de lanças estavam no lado da forja onde ele jogaria os encaixes com as setas, e não era necessário encaixá-los outra vez. Então Credne o brazeiro fazia os cravos com três pancadas e jogava os encaixes de lanças neles, e não era necessário perfurar orifícios para eles; e desta forma ficaram juntos.
Ora, essa era a forma que usavam para despertar os guerreiros que se feriram ali de forma que eles estivesem mais exaltados no dia seguinte: Dian Cecht, seus dois filhos Octriuil and Miach, e sua filha Airmed cantavam feitiços acima do poço chamado Slaine. Eles colocavam seus homens mortalmente feridos ali enquanto eles estavam abatidos; e eles estavam vivos quando vinha à tona. Seus homens mortalmente feridos ficavam curados pelo poder do encantamento feito pelos quarto médicos que estavam em volta do poço.
Ora, isto causava perdas para os Fomorianos, e eles escolheram um homem para inspecionar a batalha e as práticas dos Tuatha De - Ruadan, o filho de Bres e de Brig, a filha do Dagda – porque ele era filho e neto dos Tuatha De. Então ele descrevia aos Fomorianos o trabalho do ferreiro e do carpinteiro e do brazeiro e dos quatro médicos que estavam por perto. Eles mandaram-lhe de volta para matar um dos aes dana, Goibniu. Ele pediu uma ponta de lança para ele, cravos para o brazeiro, e um cabo de lança para o carpinteiro; e tudo lhe foi dado como ele havia pedido. Ora, havia ali uma mulher que afiava armas, Cron a mãe de Fianlach; e ela afiou a lança de Ruadan. Assim a lança foi dada a Ruadan por seus parentes por parte de mãe, e por essa razão ela foi chamada "a lança dos parentes por parte de mãe" na Irlanda.
Mas depois que a lança lhe foi dada, Ruadan voltou e feriu Goibniu. Ele tirou fora a lança e atirou-a em Ruadan de forma que ela atravessou-lhe; e ele morreu na presença de seu pai na assembléia Fomoriana. Brig chegou e chorou por seu filho. A principio ela gritou, e no fim das contas ela lamentou. Então pela primeira vez lamentos e gritos foram ouvidos na Irlanda. (Ora, ela é a Brig que inventou um assobio para sinalizar a noite.)
Então Goibniu foi para o poço e voltou curado. Os Fomorianos possuiam um guerreiro chamado Ochtriallach, o filho do rei dos Fomorianos, Indech mac De Domnann. Ele sugeriu que cada homem sozinho que eles possuisem deveria trazer uma pedra das pedras do rio Drowes para jogar no poço Slaine em Achad Abla a oeste de Mag Tuired, a leste de Lough Arrow. Eles foram, e cada homem colocou uma pedra no poço. Por essa razão o monte de pedras é chamado Ochtriallach. Mas outro nome para este poço é Loch Luibe, porque Dian Cecht colocou nele cada herva que crescesse na Irlanda.
Ora, quando chegou a hora da grande batalha, os Fomorianos marcharam para fora de seu acampamento e se colocaram em formações de fortes e indestrutíveis batalhões. Não havia um chefe, nenhum guerreiro hábil entre eles sem uma armadura contra sua pele, a um capacete na cabeça, um comprida lança em sua mão direita, uma pesada e afiada espada em seu cinto, um forte escudo sobre seu ombro. Com o intuito de atacar as hostes dos Fomorianos até que o dia estivesse "batendo a cabeça contra a pedra," estivesse "a mão no ninho da serpente," estivesse "a face próxima ao fogo."
Estes eram os reis e os líderes que encorajavam as hostes Fomorianas: Balor filho de Dot filho de Net, Bres mac Elathan, Tuire Tortbuillech mac Lobois, Goll e Irgoll, Loscennlomm mac Lommgluinigh, Indech mac De Domnann, rei dos Fomorianos, Ochtriallach mac Indich, Omna e Bagna, Elatha mac Delbaith.
No outro lado, os Tuatha De Danann levantaram e deixaram seus nove companheiros guardando Lug, e foram se unir a batalha. Mas quando a batalha sucedeu, Lug escapou da guarda nomeada sobre ele, como um combatente de carro de guerra, e assim foi ele que estava em frente aos batalhões dos Tuatha De. Então uma afiada e cruel batalha foi disputada entre a raça dos Fomorianos e os homens da Irlanda.
Lug encorajava os homens da Irlanda a lutar e batalhar ferozmente assim eles não ficariam em cativeiro nem mais um minuto, porque seria melhor para eles encontrar a morte enquanto defendiam sua terra natal do que em cativeiro e sob impostos como eles estavam. Então Lug cantou um feitiço, mudando de um lugar para o outro os homens da Irlanda em um pé só e com um olho fechado.
As hostes deram um grande grito a medida que iam para a batalha. Então elas se encontraram, e cada uma delas começou a golpear a outra.
Muitos belos homens cairam ali nas tendas da morte. Grande era o massacre e o grande embuste que aconteceu ali. Orgulho e vergonha ali estavam lado a lado. Havia raiva e indignação. Abundante era o rio de sangue sobre a pele clara de jovens guerreiros mutilados pelas mãos de homens destemidos enquanto corriam do perigo da desonra. Pungente foi o barulho feito pela multidão de guerreiros e campeões protegendo suas espadas e escudos e corpos enquanto outros os golpeavam com lanças e espadas. Pungente também o tumulto em todo lugar no campo de batalha, a gritaria dos guerreiros e o confrontar de brilhantes escudos, o tilintar de espadas e punhos de espadas de marfim, o ruído e chacoalhar das aljavas, o sussurar e zunir das lanças e dardos, as pancadas estraçalhando as armas.
À medida que eles cortavam as pontas dos dedos uns dos outros e seus pés se encontravam; e por causa do sangue escorregadio abaixo de seus pés, eles continuavam tombando, e suas cabeças eram cortadas fora enquanto eles se chocavam. Uma sangrenta, feridora, trapaceira, sangüinária batalha estava começada, e os bastões de lanças estavam avermelhados nas mõas de inimigos.
Então Nuadu Mão-de-Prata e Macha a filha de Ernmas cairam pelas mãos de Balor neto de Net. Casmael caiu pelas mãos de Ochtriallach filho de Indech. Lug e Balor do olho perfurante se encontraram na batalha. O segundo possuia um olho destrutivo que nunca abria exceto no campo de batalha. Quatro homens levantavam a pálpebra do olho com uma polida argola em sua pálpebra. A hoste que olhava no olho, mesmo se fossem milhares em número, não ofereciam resistência para os guerreiros. Ele possuia um poder venenoso por essa razão: uma vez seu pai druida estava misturando uma mágia. Ele chegou e olhou pela janela, e a fumaça da mistura afetou o olho e o poder venenoso da mistura ficou nele. Então ele e Lug se encontraram.
"Eleve minha pálpebra, jovem," disse Balor, "então poderei ver o companheiro tagarela com quem converso."
A pálpebra estava saliente no olho de Balor. Então Lug arremessou uma pedra numa funda que levou o olho através de sua cabeça, e ele passou a olhar para sua própria tropa. Ele atacou no topo da hoste Fomoriana de forma que vinte e sete deles morreram ao seus lado; e a coroa de sua cabeça bateu contra o peito de Indech mac De Domnann so de forma que um jorro de sangue irrompeu de seus lábios.
"Deixe que Loch Lethglas ["Meio-Verde"], meu bardo, esteja comigo," disse Indech. (Ele era meio-verde desde o chão até a coroa de sua cabeça.) Ele veio a ele. "Descubra para mim," disse Indech, "quem fez esse arremesso contra mim.".
Então Lug disse essas palavras em resposta a ele, "O homem que arremessou não tem medo de você”.
Então Morrigan a filha de Ernmas chegou, e ela estava fortalecendo os Tuatha De para batalhar resoluta e ferozmente.
Imediatamente depois a batalha se interrompeu, e os Fomorianos se dirigiram para o mar. O campeão Ogma filho de Elatha e Indech mac De Domnann cairam em um combate único.
Loch Lethglas implorou misericórdia a Lug. "Conceda meus três pedidos," disse Lug.
"Você os terá," disse Loch. "Eu removerei a necessidade de guarder a Irlanda dos Fomorianos para sempre; e qualquer julgamento de sua língua será ouvido em qualquer caso dificil, e este resolverá o negócio até o fim da vida."
Assim Loch foi poupado. Então ele cantou "O Decreto de fixação" aos Celtas. Então Loch disse que daria autoridade para Lug sob nove carros porque ele era misericordioso. Então Lug disse que precisaria dos nomes delas. Loch respondeu e disse, "Luachta, Anagat, Achad, Feochair, Fer, Golla, Fosad, Craeb, Carpat."
"Uma pergunta então: quais os nomes dos cocheiros que estão nelas?"
"Medol, Medon, Moth, Mothach, Foimtinne, Tenda, Tres, Morb."
"Quais são os nomes dos aguilhões que estão em suas mãos?"
"Fes, Res, Roches, Anagar, Each, Canna, Riadha, Buaid."
"Quais são os nomes dos cavalos?"
"Can, Doriadha, Romuir, Laisad, Fer Forsaid, Sroban, Airchedal, Ruagar, Ilann, Allriadha, Rocedal."
"Uma pergunta: qual é o número de mortos?" Lug disse a Loch.
"Eu não sei o número de camponeses e da multidão. Mas o número de lordes Fomorianos e nobres e campeões e grandes reis, eu sei: 3 + 3 x 20 + 50 x 100 homens + 20 x 100 + 3 x 50 + 9 x 5 + 4 x 20 x 1000 + 8 + 8 x 20 + 7 + 4 x 20 + 6 + 4 x 20 + 5 + 8 x 20 + 2 + 40, incluindo o neto de Net com 90 homens. Este é o número dos mortos dos grandes reis Fomorianos e de altos nobres que caira na batalha.
"Mas com respeito ao número de camponeses e pessoas comnus e da multidão e pessoas de todas as artes que chegarm na companhia das hostes – cada guerreiro e cada alto nobre e cada grande rei dos Fomorianos vieram a batalha com seus seguidores pessoais, de forma que todos caíram aqui, juntos seus homens livres e seus servos escravos – eu levo em conta apenas um pouco dos servos dos grandes reis. Este portanto é o número de quantos eu contei enquanto os via: 7 + 7 x 20 x 20 x 100 x 100 + 90 incluindo Sab Uanchennach filho de Coirpre Colc, o filho de um servo de Indech mac De Domnann (isto é, o filho de um servo do Rei dos Fomorianos).
"Quanto aos homens que lutaram em pares e os lanceiros, guerreiros que não chegam ao coração da batalha que também cairam aqui – até as estrelas do céu podem ser contadas, e as areias da praia, e os flocos de neve, e as gotas de orvalho na planície, e as pedras de granizo, e a grama sob os pés dos cavalos, e as ondas de Manannan filho Lir no mar tempestuoso – eles não podem ser contados de maneira alguma."
Imediatamente depois eles encontraram uma oportunidade para matar Bres mac Elathan. Ele disse, "É melhor me poupar do que me matar."
"O que então se sucederia disso?" disse Lug.
"As vacas da Irlanda sempre darão leite," disse Bres, "se eu for poupado."
"Eu direi isso a nossos homens sábios," disse Lug.
Então Lug foi ter com Maeltne Morbrethach e disse a ele, "Se Bres for poupado como dádiva as vacas da Irlanda para sempre darão leite?"
"Ele não deve ser poupado," disse Maeltne. "Ele não tem poder sobre a geração das vacas e sua cria, mesmo se ele controlar seu leite enquanto elas estiverem vivas."
Lug disse a Bres, "Isso não o salvará; você não tem poder sobre a geração das vacas ou sua cria, mesmo que você controle seu leite."
Bres disse, "Maeltne tem dado alarmes amargos!"
"Há mais alguma coisa que pode salva-lo, Bres?" disse Lug.
"Existe deveras. Diga a seu jurista que eles conseguirão uma colheita a cada quarto em recompensa por me pouparem."
Lug disse a Maeltne, "Bres será poupado por dar aos homens da Irlanda uma colheita de grão todos os quartos?"
"A isso nos temos adaptado," said Maeltne. "primavera para arar a terra e semear, e o começo do verão para amadurecer a dureza do rão, e o começo do outono para o completo amadurecimento do grão, e para colhe-lo. O inverno para consumi-lo."
"Isto não salvará você," disse Lug a Bres.
"Maeltne tem dado alarmes amargos," disse he.
"Menos poderá salva-lo," disse Lug.
"O que?" perguntou Bres.
"De que forma os homens da Irlanda ararão a terra? De que forma semearão? De que forma colherão? Se você tornar públicas essas coisas, você será salvo."
"Diga a eles, na terça-feira ararão a terra; na terça-feira semearão no campo; e na terça-feira colherão."
Assim através desse artifício Bres foi salvo.
Ora, na batalha Ogma o campeão encontrou Orna, a espada de Tethra, rei dos Fomorianos. Ogma desembainhou a espada e a limpou. Então a espada contou porque havia se comportado desse modo, porque este era um hábito das espadas nessa época para contar suas façanhas quando estavam desembainhadas. E por esta razão as espadas tinham direito a dádiva de serem limpas quando eram desembainhadas. Além disso feitiços eram colocados em espadas naquele tempo. Ora a razão pela qual demônios costumavam falar de armas era que as armas eram louvadas pelos homens e eram motivo de confiança naquele tempo.
Então Lug e o Dagda e Ogma perseguiram os Fomorianos, porque eles haviam pegado a harpa de Dagda, Uaithne. Finalmente eles alcançaram o salão de banquete onde Bres mac Elathan e Elatha mac Delbaith estavam. A harpa estava na parede. Esta era a harpa que o Dagda havia impedido de tocar melodias de forma que eles não fizeram som até que ele a chamou, dizendo:

"Venha Daur Da Blao,
Venha Coir Cetharchair,
Venha verão, venha inverno,
Bocas de harpas e foles e gaitas!"

(Ora, aquela harpa tinha dois nomes, Daur Da Blao e Coir Cetharchair.)

Então a harpa veio para, e ela matou nove homens e voltou ao Dagda; e ele tocou para eles as três coisas pelas quais a harpa era conhecida: música calma, música alegre, e música triste. Ele tocou uma música triste para eles de modo que suas mulheres, chorosas, verteram lágrimas. Ele tocou uma música alegre para eles de forma que suas mulheres e rapazes riram. Ele tocou uma música calma para eles de forma que as hostes dormiram. Então os três escaparam deles ilesos – embora tivessem procurado matá-los.
O Dagda trouxe com ele o gado pego pelos Fomorianos através do mugido da novilha que lhe foi dada por seu trabalho; porque quando ela chamava por seu filhote, o gado da Irlanda que os Fomorianos haviam pego como seu tributo começava a pastorear.
Então depois que a batalha estava ganha e o massacre havia sido limpado, a Morrigan, a filha de Ernmas, prosseguiu para anunciar a batalha e a grande vitória que havia ocorrido ali para os níveis reais da Irlanda e para suas hostes do Sid, e para as importantes águas e suas nascentes dos rios. E por tal razão Badb ainda relata grandes feitos. "Alguma notícia" todos então perguntaram à ela.

"Paz até o Céu.
Céu realista.
Terra abaixo do Céu,
Força em cada um,
Uma taça muito cheia,
Cheia de mel;
Hidromel em abundância.
Verão no inverno. . . .
Paz até o Céu . . ."

Ela também, profetizou o fim do mundo, prevendo cada mal que ocorrerá então, e cada doença e cada vingança; e ela cantou o seguinte poema:

"Eu não posso ver um mundo
que seja caro para mim:
Verão sem flores,
Gado sem leite,
Mulheres sem modéstia,
Homens sem coragem.
Conquistas sem um rei.
Florestas sem mastros.
Mar sem produção.
Falsos julgamentos de homens velhos.
Falsos precedentes de advogados,
Cada homem um traidor.
Cada filho um recuperador.
O filho irá para a cama do pai,
O pai irá para a cama do filho.
Cada irmão é um cunhado.
Ele não procurara mulher fora de casa.
Um tempo perverso,
O filho enganará o pai,
A filha enganará a mãe."


Lenda Celta
(Trad. brasileira)


Notas: Fidchell é uma espécie de xadrez jogado na Irlanda.
As palavras cro, aes dana e ges encontram-se nessa forma no original e em itálico, não tendo tradução.



17/11/2010

Lancelot

Segundo a lenda, Lancelote era filho do rei Ban de Benoíc e da Rainha Helena, mas foi raptado ainda criança pela Dama do Lago, que o educa e o torna o melhor cavaleiro da Távola Redonda e mestre-de-armas do Rei Artur. Lancelot mantinha vínculos com Avalon e sempre que podia visitava sua mãe, porém ele não seguia nenhuma das duas religiões da época (Católica e Celta). Lancelot não era um homem ligado aos cultos religiosos, embora pertencesse à linhagem real e tivesse a visão. Ele era apaixonado por Guinevere, antes mesmo desta se tornar rainha. A sua vida sempre foi regada por vitórias em batalhas e campeonatos.

Lancelote era o mais valoroso guerreiro do rei e o mais hábil domador de cavalos selvagens. Ele não tinha relacionamento com mulher alguma, pois aquela que ele amava não podia ser dele. Era o cavaleiro mais cobiçado pelas damas, mas por uma feitiçaria acabou casando-se com a filha do rei Pelinore e, com isso, se afastou um pouco do reino de Camelot e da rainha Guinevere, com quem passou a ter encontros furtivos e a quem realmente pertencia o seu coração.

O seu romance com Guinevere foi descoberto pelos cavaleiros da Távola Redonda, e depois disso ele foi expulso do reino de Artur e nunca mais voltou. Lancelote morreu velho no reino de seu sogro, o rei Pelinore.


Lendas do ciclo arturiano



17/10/2010

Dama do Lago

Dama do Lago (ou Fada Viviane como é mais conhecida) é, de acordo com a lenda, uma das sacertotisas de Avalon ou até a mais importante delas. Filha de Diana, a deusa dos bosques e irmã mais velha de Igraine, a fada tinha a missão de proteger e entregar a espada mágica do Rei Artur, a sagrada Excalibur. Ela foi morta por Balim,irmão de criação de seu filho Balam, enquando estava na comemoração de Pentecostes para pedir ao rei mais uma vez que ele fosse fiel às suas promessas sobre os antigos povos. Lancelot matou Balim em vingança da morte da mãe. O corpo da Dama do Lago não foi levado até Avalon para a despedida das outras sacerdotisas, e sim a Glastonbury,por ordens de Artur.





17/09/2010

Nimue, a Donzela do Lago

Ficheiro:CowperFC.jpg


A Dama do Lago,é também conhecida pelos nomes: Nimue, Vivienne, Vivien, Viviana.

Nimue relaciona-se a Mnme, um diminutivo de Mnemosyne, uma das nove ninfas da água da mitologia greco-romana que concedeu armas ao heróico Perseu. Vivienne, deriva-se provavelmente de "Co-Vianna-Vianna", uma Deusa da água muito difundida, denominada de Coventina.

Independente de seu nome, é uma das mais misteriosas e inexplicadas damas feéricas que aparecem nas lendas artúricas.

Na época em que Malory recopilou a "Matéria da Bretanha", as fadas haviam sido convertidas em feiticeiras, porém nas novelas mais antigas sua natureza feérica é evidente. O "Lanzelet", do alemão Ulrich von Zatzikhoven, era uma tradução de uma novela francesa encontrada na Áustria por Morville, que foi um dos reis de Ricardo Coração de Leão, provavelmente seja a versão mais primitiva da lenda de Lancelot. Nessa versão, a Dama do Lago é uma verdadeira Donzela do Lago, como Gwragedd Annwn, a rainha de uma ilha de donzelas situada no meio de um lago encantado, onde o inverno não chega e ninguém conhece a dor. Educa o jovem Lancelot para que seja um campeão e proteja seu covarde filho, Mabuz o Feiticeiro, das incursões de seu vizinho Iweret.

10/09/2010

O Lago Emprestado

Um jovem chefe cortejava a filha de outro chefe, cujo forte se achava situado no limite de Loch Ennel em Westmeath. A dama era bastante altaneira e melindrosa, e lhe disse claramente que não aceitaria assumir a condição de dona de casa se não pudesse ver da sua janela um lago tão belo como o que se divisava frente à casa de seu pai. Este era um assunto delicado, o vale era adequado, mas as ladeiras das colinas estavam cobertas de casinhas e o riacho que serpenteava lá no fundo demoraria muitíssimos anos para encher o vale, e uma vez terminada a represa, cuja construção necessitaria de uma dúzia de anos, o galã seria já velho.
Sua mãe adotiva, uma feiticeira (isto ocorria nos tempos dos Danaans), ao vê-lo arrancar os cabelos em um par de ocasiões, induziu-o a refazer-se e lhe ordenou que respeitasse até o dia seguinte seus soltos cachos. Logo, a feiticeira dirigiu-se com o meio corrente de transporte das feiticeiras, à cabana de uma irmã Firbolg na arte da magia, situada sobre a margem ocidental do Shannon. Esta cabana estava comodamente localizada sobre o corte de uma colina, dando sobre um agradável lago, e a mulher Danaan foi hospitaleiramente agasalhada pela mulher Firbolg.
Depois de seu singelo refrigério, a visitante revelou o motivo de sua viagem e suplicou a sua sabia amiga que lhe emprestasse seu lago até o dia da lua seguinte, acrescentando num resmungo enganoso "depois da semana da eternidade". Um lago era algo difícil de conseguir, mas finalmente obteve-o e o levou triunfalmente debaixo da capa ao vale de Leinster. As pessoas que viviam nas ladeiras das colinas despertaram naquela noite de seus sonhos ouvindo um estrondo, digamos assim como o de dez mil cascatas. Todos fugiram até as terras altas e foram hospitaleiramente resguardados pelos edifícios do forte, e ao alvorecer da manhã seguinte, milhares de assombrados olhos contemplaram o plácido lençol de água que cobria suas moradas do dia anterior.
Assim foi conquistada a altaneira noiva. A desgarrada mulher de Connacht esperou até o dia da segunda lua, irritadíssima ante o lamacento leito que exibia o fundo de seu lago debaixo da influência de um sol ardente e sem aparentes perspectivas de que lhe devolveriam com gratidão as águas. Até uma mulher sábia pode perder a paciência. Esta voou à casa de sua enganadora colega em bruxarias, cavalgando sobre sua vassoura e foi recebida com fingida alegria.
-Não há tempo para cumprimentos, comadre - lhe disse -Chegou o dia da lua seguinte e até o da lua subseqüente, e em vez do meu agradável lago, só vejo rochas, barro e peixe podre. Devolva-me meu lago, te digo.
- Ah, querida irmã! A ira te tirou a memória. Prometi-te devolver-te teu formoso pedaço de água no dia da lua seguinte à semana da eternidade, não antes; reclama-o quando vencer o prazo.
A ira da bruxa traída não teve limites, mas não tinha argumento algum, devido à traiçoeira reserva da astuta Danaan. O resultado foi trágico para a maior parte dos interessados; mas a incorporação de Loch Owel às agradáveis planícies de Meath é tudo o que nos interessa por agora.

lendas celtas irlandesas



09/09/2010

O Destino dos Filhos de Lir



O rei da Irlanda, Boadbh Dearg e Lir de Sidhe Fionna eram inimigos, mas quando a mulher de Lir morreu, o rei pensou que seria um bom momento para reconciliar-se. Boadbh Dearg ofereceu-lhe suas três filhas adotivas, Niamh (niav), Aoife (ifa) e Albha para que escolhesse. Lir se casou com a mais velha, Niamh, e voltou a seu reino, onde Niamh teve duas filhas gêmeas e logo outros dois filhos gêmeos que se chamariam Finola, Aedh (eir), Conn e Fiachra, em um curto mas feliz matrimônio. Niamh morreu no parto dos dois últimos, e então Lir voltou por causa de Aoife, a outra filha do rei para casar-se com ela.
Aoife não teve filhos próprios, mas foi a verdadeira mãe dos de sua irmã. Aoife começou a se sentir desprezada porque Lir só prestava atenção às crianças e adoeceu gravemente. Durante sua enfermidade, Aoife planejou livrar-se de seus sobrinhos. Disse que a primeira coisa a fazer quando se recuperasse, era visitar seu padrasto Boadbh Dearg e levar-lhe as crianças por uma temporada. Recuperou-se, e partiu a Emhain Mocha com os filhos de Lir. Quando as crianças estavam descansando da viagem banhado-se num lago, Aoife os transformou em cisnes. Fez-lhes, ainda, uma maldição, que lhes faria permanecer nesse lago 300 anos, outros 300 no mar entre Irlanda e Escócia, 300 mais na costa oeste, e que então teriam de esperar até que chegasse a nova fé à Irlanda, e até que o príncipe Lairgnean e a princesa Deichthe houvessem se casado para voltar a sua forma humana.




Depois disto, Aoife se sentiu culpada, e lhes concedeu a habilidade de falar com umas vozes melodiosas, cujo canto faria os homens não querer fazer nada mais além de escutar-lhes. Quando Aoife chegou a Emhain Mocha tratou de justificar a ausência de seus sobrinhos, mas Lir descobriu a verdade e a transformou num corvo.
Lir foi viver nas margens do lago onde viviam seus filhos, e escutava-os cantar sua desgraça. Passaram 300 anos, e os cisnes se foram, mas desta vez viveram sozinhos no frio mar de Moyle. Todos os que conheceram como humanos estavam mortos, a fortaleza de Sidhe Fionna destruída. Os anos passaram e os feitos prometidos se aproximavam, e os cisnes foram viver com Caemhoch, que havia sido discípulo de São Patrício. A rainha Deichthe ouviu falar dos cisnes, e se apaixonou por eles. Pediu a seu marido Lairgnean que os trouxesse, e ele foi pedir-lhes a Caemhoch.
Nesse momento, os cisnes começaram a retomar sua forma humana, mas já não eram crianças, eram anciões de 1500 anos e a ponto de morrer. Lairgnean assustou-se ao ver-lhes e Finola pediu a Caemoch que fossem batizados, e depois que os enterrassem todos juntos, de pé, na mesma tumba.
E assim, finalmente, se cumpriram seus desejos.

Lendas celtas irlandesas

20/08/2010

Finn MacCumhal e a Corsa

Um dia em que Finn e seus companheiros regressavam com seus cães de uma caçada no monte Allen, uma corsa cruzou por seu caminho e todos começaram a correr atrás dela.
Logo os perseguidores foram ficando para trás, exceto Finn e seus dois cães, Bran e Skolawn. Estes cães tinham uma origem muito peculiar já que eram filhos de Tyren, tia de Finn, que havia sido transformada em uma cadela por um encantamento.Eram os melhores cães de toda a Irlanda e Finn os admirava e amava muito.
Quando a caçada se dirigia a um vale, a corsa se deteve, se abaixou, e Finn viu que seus cães brincavam com ela lambendo-lhe o rosto.Finn ordenou que ninguém lhe fizesse dano e ela os seguiu durante todo o caminho de volta.
Naquela mesma noite, ele acordou e viu junto a sua cama a mulher mais bela que jamais havia visto em toda sua vida, e ela lhe disse: "Sou Saba, Finn, sou a serva que perseguiste na caçada de hoje. Por não querer dar meu amor ao druida da terra das fadas, ele me converteu no que viste, e tenho estado assim durante três anos. Mas um de seus escravos, apiedando-se de mim, me revelou que se pudesse chegar até vossa morada de Allen, oh Finn, voltaria a minha forma original. Temia ser destroçada por vossos cães ou ferida pelos caçadores, e por isso deixei me alcançar por ti, e por Bran e Skolawn, quem possuem a natureza de homem e não me fariam dano".
Finn prometeu protege-la e pronto a fez sua esposa. Tão profundo foi o amor que viveu, que durante meses não se preocupou em lutar nem guerrear, mas sim simplesmente em passar cada dia com sua bela esposa.
Um dia chegou a notícia de que barcos de guerra do Norte estavam na baia de Dublin, assim mandou chamar todos seus homens, e disse a sua esposa: "Os homens de Erin nos dão tributo e hospitalidade para que os defendamos dos invasores, e seria uma vergonha aceitar os pagamentos sem dar de nossa parte o que se pede".
Durante sete dias esteve ausente Finn, até que os escandinavos se afastaram das costas de Erin. Ao oitavo dia voltou aos seus, mas viu a preocupação nos olhos dos homens e mulheres e Saba não estava na muralha esperando seu regresso.
Ante o pedido de Finn, lhe contaram o que havia sucedido: Saba esperava ansiosa seu regresso, e um dia apareceu Finn com seus dois cães, e até se escutaram as notas da chamada da casa dos Fianna no vento.Saba pulou sobre a cerca para receber seu amado, mas era um falso Finn que brandiu uma varinha e a transformou de novo em uma corsa. Seus cães começaram a persegui-la, fazendo-a fugir. Os homens tomaram todas as armas que puderam e selaram em busca do feiticeiro, mas não encontraram nenhum dos dois.
Finn se retirou aos seus aposentos e ficou trancado o dia todo, entretanto logo seguiu ocupando-se dos assuntos de Fianna como sempre. Durante sete anos buscou Saba por bosques e cavernas de toda Irlanda, com a companhia apenas de seus fiéis cães até que perdeu toda esperança e abandonou a busca.
Um dia enquanto caçava em Ben Bulban ouviu que os cães grunhiam com fúria, ele e seus homens correram até eles e viram que os cães tentavam se aproximar de um garoto de longos cabelos ruivos, que estava nu ao pé de uma árvore, enquanto Bran e Skolawn os mantinham a distância. Os fians apartaram os cães e levaram consigo o garoto que, quando aprendeu a falar, lhes contou sua história.
Ele não havia conhecido nem pai nem mãe alguma.Sempre havia vivido num vale cerrado por escarpas altíssimas e havia sido criado por una corsa amorosa.Durante o verão se alimentava de frutos silvestres e durante o inverno se mantinha com as provisões que guardava em sua gruta.
De quando em quando, aparecia um homem de aspecto obscuro que falava com a corsa, umas vezes com ternura e outras com ameaças, mas a cerva sempre fugia dele.Um dia, o homem chegou e esteve por um longo tempo com a corsa, até que a tocou com uma varinha e a obrigou a seguir-lhe sem olhar para trás.O menino tentou ir com eles e não pode mover seu corpo, chorando de raiva e desolação, caiu ao solo e perdeu os sentidos.
Quando voltou a si estava na ladeira da montanha de Ben Bulban e durante dias buscou aquele vale verde, até que os cães o encontraram. Finn se deu conta de que era seu próprio filho e o chamou Oisin, pequeno cervo. Foi conhecido como guerreiro e grande compositor de canções e fábulas.


Lendas celtas irlandesas

17/08/2010

Viviana e Merlin



"Merlim, o Encantador, conselheiro do rei Arthur, chega a Bretanha, ao bosque de Brocelianda. Ali, junto a fonte (a fonte de Bareton) encontra uma donzela chamada Viviana. O pai de Viviana é um tal Dyonas, afilhado de Diana, a Deusa dos Bosques. Diana lhe havia outorgado um dom: sua primeira filha seria desejada pelo mais sábio dos homens, que acabaria apaixonado por ela e iria ensinar-lhe seu poder mágico. Merlim se enamora de Viviana, a qual, não quer aceitar seu amor, mas com a condição que lhe revele seus segredos, pouco a pouco tecia suas redes a Merlim, perfeitamente consciente de seu destino e que se conforma com ele. Um dia, Viviana pronuncia um encantamento sobre Merlim, que dorme, e desde então, Merlim se encontra em um castelo invisível, prisioneiro de Viviana, porém, completamente feliz em companhia da mulher que ama." (Estória de Merlim)

Neste relato Viviana aparece como uma "Virgem" zelosa que exige um culto exclusivo e Merlim, aceita seu destino de ficar eternamente submetido à ela. Viviana não é prisioneira de Merlim, ela é completamente livre como toda "Virgem" deve ser. Merlim é que torna-se seu "escravo de amor", seu adorador. Viviana se situa no plano de Divindade exclusiva a cujo serviço se consagra o homem. Viviana é portanto, um dos rostos que toma a Deusa Mãe sempre "Virgem".

09/08/2010

Fergus e o Hipopótamo



O governador Fergus adorava explorar os lagos e os rios da Irlanda. Um dia enquanto passeava pelo lago Rury, deu com o Muirdris, um hipopótamo do qual escapou a duras penas. Por casa do terror o rosto de Fergus ficou distorcido, e tendo em conta que os governadores não podiam ter nenhum defeito, os nobres esconderam todos os espelhos do palácio e o mantiveram ignorante sobre sua aparência.
Um dia, Fergus golpeou uma escrava e ela indignada gritou-lhe: "Seria melhor que se vingasse do hipopótamo que te deixou com o rosto distorcido do que cometer atos atrozes contra uma simples mulher que não te fez nada!"
Fergus mandou trazer um espelho, se olhou e decidiu que como ele era o governador não podia permitir que tivesse essa aparência sem nenhum tipo de vingança. Calçou os sapatos mágicos, tomou sua espada e foi ao lago Rury.
Esteve escondido debaixo das ondas durante um dia e uma noite, mas os ultonianos (assim se chamavam os habitantes das terras que Fergus governava) se preocuparam muito ao ver o lago borbulhar e se avermelhar com o sangue, já que pensaram que pertencia ao seu tão querido governador, mas estavam errados. Depois de um instante Fergus surgiu da águas com a cabeça de Muirdris em suas mãos. Havia desaparecido o defeito! Em seu rosto cada traço simétrico estava em seu lugar e todos os que o viram com o semblante marcado viam agora a compostura serena de um rei.
Sorriu; levou a orelha do troféu à sua boca e disse: Sobrevivi!... e se afogou, pois estava muito ferido. Assim foi a morte de Fergus. Mas em todos os ultonianos ficou a imagem de um governador valoroso que soube comportar-se e morrer como um bom rei.


Lendas celtas irlandesas

02/08/2010

Os filhosde Lir



O Rei Lir tinha quatro filhos – uma rapariga chamada Fionnuala e três rapazes, Aod, Fiachra e Conn – de quem a sua madrasta, Aoife, tinha imensos ciúmes.
Por causa dos ciúmes, Aoife levou as crianças até ao lago com o intuito de as matar, mas quando chegou o momento não foi capaz de o fazer. Em vez disso, ordenou às crianças que entrassem no lago. Quando o fizeram, Aoife transformou-os em grandes cisnes brancos. Condenou-os a passar 900 anos vagueando pelas águas da Irlanda – 300 anos no Loch Derravaragh, 300 anos no mar de Moyle e 300 anos na baía de Erris.
Assim que realizou este terrível acto, a madrasta encheu-se de remorsos e permitiu que as crianças mantivessem a fala humana e deu-lhes o dom de cantar da mais bela maneira.
Com preocupação, o Rei Lir começou a procurar os seus filhos. Enquanto se aproximava do lago o rei começou a ouvir vozes. Qual não foi o seu espanto quando viu que as vozes provinham de cisnes. Cheio de curiosidade perguntou-lhes quem eram. Eles contaram-lhe toda a história e, enquanto os via partir, o Rei Lir decretou que nenhum podia ser morto na Irlanda. Mal sabia ele que esta seria a última vez que veria os seus queridos filhos.
Aoife irada com esta decisão, foi falar com o sei pai, o Rei Dearg, que a transformou em espírito para sempre pela maldade que tinha feito.
Durante os longos anos em que durou o encantamento as crianças sofreram muito, mas enfeitiçavam toda a gente com o seu belo canto. Foram libertos do encantamento na altura em que chegou a Cristandade à Irlanda. Quando as penas começaram a cair, meu Deus, os seus corpos estavam fracos e em muito mau estado.
Morreram pouco depois de regressarem à forma humana mas a lenda dos Filhos de Lir sobreviveu até aos nossos dias.

Ainda hoje na Irlanda é proibido matar cisnes. Estas belas criaturas, uma das maiores que visitam a Irlanda, pode ser vista em lagos, rios, baías, etc.…um constante recordar dos Filhos de Lir.

20/07/2010

O'Donoghue

Lough Lean na Irlanda, agora chamado de lago de Killarney, é o lar de O'Donoghue, outrora governante das redondezas. Um dia, ele andou sobre a superfície do lago, observado por todos os membros de sua corte, e lentamente afundou nas profundezas para afirmar a propriedade de seu novo reino.

Todas as manhãs do dia 1º de Maio, ele deixa o magnífico palácio, que dizem ser localizado no fundo do lago, e visita seu velho domínio. Já faz alguns anos que O'Donoghue fez sua última aparição. Naquele dia, T. Crofton Croker nos conta em seu livro "Lendas e Tradições Encantadas do Sul da Irlanda", os primeiros raios do pôr-do-sol estavam dando um brilho dourado ao pico majestoso de Glenaa, quando as águas da parte oriental do lago de repente começaram a se agitar violentamente, embora o restante de sua superfície permanecesse suave e sereno como um túmulo de mármore polido. A seguir, uma onda espumante se projectou e, como um orgulhoso cavalo de batalha, com crina alta, jubiloso em sua força, atravessou o lago em direcção à montanha Toomies. Atrás dessa onda, surgiu um cavaleiro imponente, completamente armado, montado num corcel branco; uma plumagem alva acenava graciosamente de um capacete de aço polido, e, nas costas, uma capa azul claro tremulava. O cavalo, aparentemente jubiloso em sua obrigação nobre, saltava atrás da onda, ao longo do lago, que o sustentava como em terra firme, enquanto gotas, coloridas pelo sol matutino, eram borrifadas em todas as direções.

O guerreiro era O'Donoghue, que era seguido por um grupo de jovens que planava sobre a água; unidos com guirlandas de flores da primavera, ao compasso de uma doce música celestial. Tendo quase alcançado o outro lado do lago, O'Donoghue virou seu corcel em direção à margem de Glenaa, coberta de ramagens, acompanhado de sua comitiva. Lentamente, eles desapareceram nas brumas do lago, os acordes mágicos de sua música gradualmente esvaíram-se e " os ouvintes despertaram como de um sonho de bem-aventurança".


Lendas Celtas

18/07/2010

Amergin e os druidas


A origem dos Druidas na Irlanda se remonta, segundo os antigos anais irlandeses, aos primeiros colonos do país, que pertenceram à tribo de Japhet.
Uma das colônias mais importantes que haviam vindo à Irlanda era a de Milesian. Segundo as antigas tradições, estas pessoas, pertencentes também à raça de Japhetian, passarão desde Scythia à Grécia e logo ao Egito e à Espanha e finalmente da Espanha à Irlanda onde chegaram duzentos anos depois da conquista de Tuatha De Danann, aproximadamente o ano 1530 A.C. Durante o curso de todas as migrações marinhas, os Druidas desempenhavam um papel muito importante e entre eles Caicher foi considerado o mais importante... posto que se diz que ele previu que Erinn (Antigo nome para Irlanda) era seu último destino.
Em sua chegada à Irlanda, os principais druidas dos Milesianos eram Uar, Eithear e Amergin. Amergin era uno dos irmãos Milesianos de sobrenome Glungel. Era Poeta e Juiz da expedição, e um Druida muito conhecido ainda que não tivesse profissão. O Leabhar Gabhala, ou O Livro das Invasões, se refere a Amergin como o primeiro Druida dos Gaélicos na Irlanda ainda que não fosse o único Druida conhecido na Irlanda.



Lendas celtas irlandesas

01/07/2010

A Guerra por Etain



Etain, tida por todos como filha do soberano Etar, cresceu com uma beleza invejável, e muitos a cortejavam, embora ela não entregasse seu coração a ninguém, até que Eochy, rei da Irlanda, que andava buscando uma boa mulher para casar-se, se apaixonou por ela logo depois de vê-la.
Ela aceitou sua corte e se casaram, passando muitos anos juntos; mas ocorreu que Eochy tinha um irmão chamado Ailill, e sucedeu pois que Ailill caiu enfermo e ninguém sabia a causa de seu mal.
Passado algum tempo ele confessou a Etain que a causa era seu amor por ela, e a convenceu de que se não chegassem a consumar esse amor ele morreria. Etain, com pena de que tão belo jovem morresse por sua causa marca um encontro com Ailill para amarem-se mas este não chega encontro.
Quem chega é Midir, o Orgulhoso, que lhe disse que ele havia enfeitiçado Ailill para poder encontrar-se nesse lugar com ela e lhe pede que se vá com ele a Terra da Juventude, pois Fuamnach já havia morrido.
Etain não entendeu nada, assim Midir teve que lhe explicar todo seu passado. Etain se convenceu de tudo que ele lhe dizia era verdade e pouco depois se foram os dois esposos imortais.
Eochy se enraiveceu muito ao saber da fuga de sua esposa, e foi a um famoso druida que lhe informou quem a havia levado e onde estava seu palácio, então Eochy e seu exército foram buscá-la na Terra da Juventude e encontraram forte resistência por parte da gente de Midir, que ao final ficaram encurralados e Midir teve que ceder e disse a Eochy que a entregaria.
Entretanto, Midir preparou um estratagema para enganar Eochy e ficar com Etain, sendo que, ante os olhos de Eochy desfilaram 50 donzelas tão igualmente belas como Etain e Midir disse-lhe: "escolhe a tua verdadeira esposa".
Eochy se viu numa difícil situação, pois todas elas eram tão belas quanto Etain, e ele não podia identificar sua verdadeira esposa, se diz que Etain lhe fez um sinal e só assim ele pode acertar na escolha. Etain então voltou a viver com Eochy e lhe deu uma filha a quem também chamaram Etain.


Lendas celtas irlandesas

A História de Etain


Etain no Mundo das Fadas
Midir (ou Miled), o Orgulhoso, filho de Dagda, era o príncipe da Terra da Juventude, e estava casado com Fuamnach, uma mulher bela mas muito ciumenta.
Conta a história, que um dia ele levou ao seu castelo outra esposa, uma mulher de beleza e graça incomparáveis chamada Etain, e que, como era de se esperar, Fuamnach ficou possuída pelo ciúme, sendo que a converteu em uma mariposa e convocou uma tempestade que a levou pelos ares durante aproximadamente 7 anos.
Finalmente, um tufão a deixou no palácio encantado de Angus, ele foi incapaz de desfazer o feitiço, mas lhe construiu uma casinha ensolarada, rodeada pelas mais exóticas flores e no segredo da noite, Angus podia devolvê-la a sua forma humana e assim desfrutava de seu amor.
Com o correr do tempo, Fuamnach descobriu seu refúgio e voltou a convocar a tempestade mágica que, desta vez, a levou para o palácio de Etar, um chefe de Ulster.
A mariposa Etain caiu na taça da mulher de Etar, justo quando essa estava bebendo, entrou por sua boca e se alojou em seu útero, e foi assim que a mulher de Etar concebeu, e deu a luz a uma menina aparentemente mortal.

Lendas celtas irlandesas


22/06/2010

Lutey e a Sereia

Há muito tempo, os pescadores da Cornualha costumavam vasculhar os restos de navios afundados lançados à praia em busca de objetos de valor. Esse era o preço a ser pago naquela costa cruelmente rochosa. Um dia, Lutey de Cury, que fica próxima ao ponto Lizard, achou uma adorável sereia encalhada em uma das muitas poças entre as rochas formadas pela maré alta. Ela era uma criatura muito bonita e facilmente convenceu Lutey a levá-la para o oceano na maré baixa. Aninhada em seu colo, ela lhe ofereceu três desejos por sua gentileza e ele, que era um homem bom, escolheu primeiro ter o poder para quebrar feitiços, segundo, ter o poder para obrigar os familiares da bruxa a praticarem o bem para os outros e, terceiro, que esses dois poderes fossem concedidos a seus descendentes.

A sereia concedeu esses desejos com alegria e, por ele ter escolhido sabiamente e sem egoísmo, ela acrescentou mais dois dons - primeiro, que nenhuma sereia jamais o quisesse, e segundo, seu pente mágico, para que ele a chamasse sempre que precisasse. Ele agradeceu muito a ela, ainda carregando-a sem muito esforço, caminhou na direcção do mar.

Lutey era um homem bonito e forte. Na verdade, a sereia era uma criatura adorável, seus cabelos sedosos, claros como uma cascata de prata, olhos verdes grandes e uma voz cristalina de muita doçura. Quando eles finalmente chegaram a beira da água , ela pediu para que Lutey entrasse um pouco mais com ela na água. A sereia segurava-o com força pelo pescoço. Ele se abaixou para colocá-la na água. Sua voz era tão macia e o movimento de seu corpinho tão suave em seus braços que Lutey entrou sem medo no mar e teria se perdido para sempre se seu cachorro não tivesse latido freneticamente da praia, fazendo-o lembrar-se de sua esposa e filhos queridos. Mas a sereia o segurava com mais força e o teria arrastado para o fundo do mar se ele não tivesse desembainhado sua faca e a ameaçado.

A faca era de ferro, um metal repulsivo ao povo do mar, e ela fugiu para o oceano, falando enquanto ia:
"Adeus! Adeus!
Cuide-se bem, meu amor!
Nove longos anos, por ti esperei
Leve-me em seu coração, meu amor
E então voltarei!"

Todos os desejos de Lutey se tornaram reais, sua família e seus descendentes viraram curandeiros famosos. Mas a promessa da sereia também se tornou real, pois, após nove anos, a contar do dia em que Lutey livrou-se dela, ela voltou. Ele estava pescando com um de seus filhos, quando ela surgiu da água e balançou seus cabelos sedosos e acenou. Lutey virou-se para o filho e disse: "Está na hora. Devo pagar minha dívida". Mas ele não parecia nem um pouco infeliz quando mergulhou nas profundezas verdes com sua amada de voz suave. Dizem também que, desde então, a cada nove anos, um Lutey de Cury se perderia no mar. Mas ninguém sabe se eles partem tão felizes quanto o primeiro Lutey.




19/06/2010

Oisin


Um dos poucos mortais a ser convidado para visitar Tir Nan Og foi Oisin (Isheen), filho de Finn, chefe dos legendários guerreiros fenianos da Irlanda. Um dia, os fenianos estavam caçando quando uma dama muito bonita se aproximou deles. Ela era Niamh dos cabelos dourados, filha de Manannan e acolhera Oisin, dentre todos eles, para ser seu amante. Ela lhe ofereceu montaria em seu corcel encantado e eles cavalgaram pelo reino até o mar, atravessando os topos das ondas em direção à terra encantada de Tir Nan Og, o país mais maravilhoso e o de melhor reputação sob o sol. A vista era extraordinária. Os palácios encantados apareciam sobre a superfície do mar. Em um desses palácios, Niamh pediu a Oisin para libertar uma donzela tuatha de danann que era prisioneira de um Fomor, um dos demónios das profundezas do mar. Oisin lutou contra o Fomor e libertou a moça.

Logo, eles chegaram à Terra dos Jovens e Oisin lá permaneceu com sua amada.

Muitas lendas recontam como St. Patrick encontrou Oisin, contorcendo-se no chão em sua velhice desamparada e o levou para sua casa. O santo fez o melhor que pôde para converter Oisin ao cristianismo, descrevendo as maravilhas do céu que poderia ser seu se ele apenas se arrependesse. Mas Oisin respondeu que ele não poderia conceber um paraíso que não se orgulhasse em receber os fenianos, caso eles quisessem entrar, ou um Deus que não estivesse honrado em tê-los entre seus amigos. No entanto, se esse fosse o caso, de que valeria uma vida eterna sem caçadas ou namorar mulheres bonitas? Ele preferiria ir para o inferno onde, segundo Sr. Patrick, seus camaradas fenianos agonizavam.

Lendas Celtas

Parsifal, cavaleiro da Távola Redonda

Também conhecido como Perceval ou Parzifal, era um herói gaulês, pertencente ao Ciclo Arturiano e filho de Sir Lancelot.
O seu pai e os seus dois irmãos morreram combatendo e a mãe, profundamente desgostosa, decidiu educar Parsifal na ignorância da identidade do pai e de todas as coisas da cavalaria. Parsifal cresceu forte, destro e belo, todavia com uma educação e inteligência muito deficientes. Foi mais tarde para a corte do Rei Artur depois de se juntar a um grupo de cavaleiros que encontrou. Ali, surpreende tanto pela beleza e coragem como pela incivilidade e rudeza. Derrota depois um inimigo do Rei Artur, o Cavaleiro Vermelho, e ganha o direito de se sentar na Távola Redonda.
A mais importante das suas aventuras foi a denominada Demanda - ou procura - do Santo Graal: uma vez, chega à margem de um rio demasiado largo para atravessar e quando ia voltar para trás ouve o chamamento de duas personagens que estavam num barco. Depois de subir a bordo, o barco desce o rio até um castelo que estava dissimulado pela floresta. Então, uma das pessoas que estava no barco identifica-se como sendo o rei Anfortas e diz que tinham chegado ao seu castelo Corbenic. Justifica a sua presença no barco dizendo que estava ferido e não podia caçar, por isso entretinha-se a pescar.
A meio do banquete que o rei Anfortas ofereceu a Parsifal entrou uma procissão encabeçada por um pagem que trazia uma lança a escorrer sangue, seguido por dois criados que portavam candelabros em ouro, por uma donzela que segurava um cálice resplandecente em ouro ornado com pedras preciosas e por fim por outra que levava um prato em prata. Parsifal contém-se e nada pergunta, por conselho de Gornemant, um sábio.
Quando se levanta na manhã seguinte Parsifal encontrou o seu cavalo e as suas armas preparados para a viagem, estando o castelo deserto. Partiu então, e ao terceiro dia depois da sua chegada à corte de Artur aparece uma mulher que acusa Parsifal de nada perguntar sobre a procissão que vira no banquete e por isso de ser causador de tremendas infelicidades. Sem o saber vira o Santo Graal. Então, o cavaleiro propõe-se o objectivo de voltar a Corbenic e perguntar ao rei Anfortas qual o significado da procissão.
Passou por muitas aventuras na Demanda do Graal, até que um dia, depois muitos anos, viu um grupo de cavaleiros descendo loucamente a encosta de uma montanha, entre os quais estavam alguns da Távola Redonda. Ao cruzar-se com uma donzela que fugia, esta disse-lhe para não subir a encosta sob pena de perder a vida ou a razão.
De imediato Parsifal se encaminha para o cume, onde depois de várias provações encontra finalmente Corbenic. Repetiu-se a acolhedora recepção que tinha tido da primeira vez, e quando chegou a altura da procissão perguntou ao rei Anfortas qual o seu significado. O rei disse-lhe que saberia se conseguisse unir as duas partes em que estava partida uma espada. Depois de Parsifal unir os dois fragmentos ficou a saber que a lança transportada pelo pajem era a de Longinus, o soldado romano que tinha perfurado o lado de Jesus e que o cálice era o Santo Graal, taça pela qual Cristo tinha celebrado a Última Ceia e que continha o seu sangue.
O rei Anfortas explicou então que estava encarregado de guardar as relíquias mas que devido ao seu ferimento não podia cumprir a missão. O castelo estava também encantado, e para curar o rei e livrar o castelo do feitiço era preciso punir Pertinax, o cavaleiro renegado que assassinou um irmão do rei. Depois de cumprida a missão volta à corte do Rei Artur e pede para se sentar na cadeira onde só o mais imaculado dos cavaleiros se podia sentar sob pena de castigo, a Siege Perilous, ou Cadeira do Perigo. Deste modo se cumpriu a profecia que tinha feito Merlim, de que haveria um dia um cavaleiro suficientemente puro para nela se sentar.