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03/03/2009

O Perfeito Macaco-Rei

Havia numa planície do Oriente, uma rocha que desde que o mundo foi criado, vinha recebendo raios da lua e do sol. Um dia essa rocha inchou e acabou se entreabrindo, para dar ao mundo um ovo de pedra. Esse ovo foi assolado por um furacão e arrebentou-se. Dele saiu um macaco de pedra. Possuía cinco sentidos: a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato, porém seus movimentos eram lentos. Depois de muitos alongamentos ele conseguiu dirigir-se aos quatro pontos cardeais, alimentando-se dos frutos das árvores e da água das torrentes. Mais tarde, pôs-se a morar nas montanhas, dormindo à noite nas baixas vertentes e durante o dia voltando aos cimos. Fez amizades com outros macacos, os gibões.
Um dia de muito calor, o macaco foi para um bosque de pinheiros em cujo centro havia uma torrente encachoeirada, profunda e fresca; os gibões o acompanhavam. Ao ver a água tão pura, tão cintilante, decidiu mergulhar nela a fim de procurar-lhe a nascente e medir-lhe a profundidade. Primeiro mergulhou o macaco de pedra, visto que seus camaradas haviam decidido eleger Rei aquele que descesse ao fundo da torrente... Ao chegar ao fundo, o macaco abriu os olhos. Não havia água, nem torrente; havia apenas um palácio onde estava escrito: “Monte das flores e dos frutos, terra da felicidade, caverna celeste”.
O macaco apressou-se a emergir, em busca dos demais macacos, a fim de lhes explicar o que havia descoberto no fundo da torrente encachoeirada. Os gibões, muito felizes, dançaram de alegria. O macaco de pedra porém, lhes disse: Vamos morar no palácio; lá estaremos ao abrigo do sol e da chuva. Todos os demais mergulharam e tomaram posse do palácio da felicidade. O macaco de pedra instalou-se num trono e fez com que o aclamassem Rei, conforme fora combinado. Foi nomeado “O Perfeito Macaco-Rei”.
Mas, apesar da glória de soberano, apesar de ter acumulado riquezas e poder, o Macaco-Rei vivia melancólico. Temia a velhice e a morte.
Decidiu, um dia partir em busca da imortalidade - iria ao mais fundo das cavernas, ao azul do céu, cavalgaria ao vento. No decorrer dessa busca, seu corpo e seu espírito pouco a pouco foram se modificando e afinal ele acabou por se tornar homem.

Lenda do Japão





02/03/2009

O nome da Gata



Há muitos e muitos anos, numa pequena cidade no interior do Japão vivia um casal de velhinhos. Eles levavam uma vida feliz e tranquila e amavam a natureza. Certo dia quando os velhinhos visitavam um templo, o monge deu a eles uma gatinha que havia nascido sob o assoalho do pavilhão de orações.
O velhinho e a velhinha receberam a linda gatinha como quem recebe uma graça divina. Eles não tinham filhos e sentiram que podiam criar aquele pequeno animal com todo carinho e dedicação. Enquanto voltavam para casa foram discutindo qual nome dariam para a gatinha.
- Vamos dar o nome de uma pessoa forte e valente para que nossa gatinha seja sadia e corajosa - disse o velhinho.
- Sugiro que seja Musashi-bo Benkei, pois é um forte e valente guerreiro e ao mesmo tempo, um monge dedicado - respondeu a velhinha.
- Seria um nome perfeito se Benkei não fosse nome de homem. Nossa gatinha tem que ter nome de mulher.
- Que tal Tomoe Gozen ...

... nome da mais forte mulher guerreira do Japão. Ela participou de várias batalhas cavalgando pelos campos, vestida de armadura e brandindo sua mortal naguinata (alabarda). Lutou ao lado do marido Minamoto no Yoshinaga, até tomar a capital do Japão e expulsar os poderosos de Heian-kyo (capital do antigo Japão).
- Tomoe Gozen, pode ser um nome interessante, porém é um nome muito comprido. Para chamar nossa gatinha será preciso repetir - Tomoe Gozen, Tomoe Gozen, Tomoe Gozen...ah! é comprido demais.
Assim os velhinhos continuaram pensando em qual nome colocar na gatinha, quando chegam em casa. Um vizinho que os viu chegar foi logo perguntando.
- Oh! Que linda gatinha, qual é o nome dela?
- Pois estávamos pensando exatamente em qual nome dar para ela. Tem alguma sugestão?
- Deixe-me ver...acho que Tora (tigre) combina com as manchas na pele dela.
- Pensando bem é um bom nome, pois o tigre é um animal forte e destemido.
Assim a gatinha passou a ser chamada de Tora, sendo tratada com muito carinho.
No dia seguinte o casal brincava com a gatinha chamando Tora pra cá e Tora pra lá. Nisso a mulher do vizinho que observava do portão perguntou:
- Pôr que deram o nome de Tora para um bichinho tão delicado?
- A sugestão foi de seu marido, e nós aceitamos porque queremos que nossa gatinha cresça muito forte.
- Ah! Meu marido não sabe nada. O animal mais forte que existe é o dragão. Se lutarem dentro d’água, o dragão vence o tigre facilmente.
O casal concluiu que a vizinha tinha razão e mudaram o nome da gatinha para Dragão.
Alguns dias depois, passou por ali um andarilho e comentou:
-É a primeira vez que ouço uma gatinha sendo chamada de Ryu (dragão). Por que puseram um nome tão diferente para uma gatinha?
Mais uma vez o velhinho explicou que era um nome sugestivo para a gatinha crescer forte.
-Realmente o dragão é um animal muito forte, porém, todos nós sabemos que em dia de grande tempestade, o dragão sobe nadando na chuva e penetra numa nuvem para chegar ao céu. Portanto, se não fosse a nuvem ele jamais chegaria ao céu. Isso significa que a nuvem é mais forte que o dragão.
O casal pensou, pensou e concluíram que o andarilho tinha razão. Assim mudaram o nome da gatinha para Kumo (nuvem). O andarilho seguiu sua caminhada e chegando ao castelo mais próximo comentou o que tinha acontecido.
Na época havia na corte muitos debates culturais. Os intelectuais discutiam incansavelmente durante anos à fio, qual era a estação do ano mais bonita: a primavera ou o outono. Também faziam debates para saber qual a flor mais bonita: a cerejeira (Sakura) ou a ameixeira (Ume). Houve então, grande interesse em sugerir o nome da gatinha pelos intelectuais do castelo. Um deles foi até o vilarejo e sugeriu ao casal que mudasse o nome da gatinha que agora chamava Kumo (nuvem), para Kaze (vento).
- Por que Kaze, perguntou o velhinho.
- Ora, pense bem. Um sopro de vento e a nuvem dissipa-se toda. Por isso é melhor dar o nome de Kaze (vento).
O bom velhinho pensou um pouco e concluiu que o cortesão tinha razão. Assim o nome da gatinha foi mudado para Kaze.
Nisso chegou outro intelectual da corte e questionou:
- Ora Kaze não me parece forte suficiente. Estive observando no último vendaval que o vento destelhou muitas casas, mas não conseguiu derrubar as paredes. Isso significa que Kabe (parede) é mais forte que Kaze (vento).
O argumento pareceu muito convincente ao velhinho e mais uma vez o nome da gatinha foi mudado para Kabe (parede).
- Acho que Kabe será seu nome definitivo, disse o velhinho olhando satisfeito para a gatinha.
Nisso a velhinha fez uma observação:
- Parede não é tão forte assim. Veja ali aquele buraco. Foi o Nezumi (rato) quem fez.
- Então precisamos mudar o nome dela para Nezumi.
- Gato com nome de rato não fica muito bem, e rato tem medo de Neko (gato)...
- Realmente, o gato é mais forte que o rato. Então vamos chama-la de Gatinha. E assim passaram a chamar a gatinha de Gatinha e parece que foi uma medida acertada, pois ninguém mais deu palpite no nome dela.


Lenda do Japão

01/03/2009

O Macaco e a Água-viva




No tempo do Japão mitológico, havia no fundo do mar um famoso palácio conhecido como Ryugyu, o Palácio do Dragão. O senhor desse maravilhoso local era Shiyozushi no Kami, o deus das Águas e do Mar. Sua bela filha se chamava Toyotama Hime, a princesa Alma Luxuriante.
Um dia a linda princesa ficou muito doente e os melhores remédios do fundo do mar não conseguiam curá-la. O Senhor do Mar ficou muito preocupado pois sua filha estava ficando cada vez mais fraca. Então ele reuniu vários peixes e os encarregou de conseguir um remédio que pudesse devolver a saúde da sua filha.
Os peixes convocaram todos os habitantes do fundo do mar para uma reunião e pediram a sugestão deles.
Todos ficaram pensativos mas ninguém soube responder, pois se um kami (deus) não sabem como salvar sua filha, muito menos eles. Como a reunião não acabava nunca, um enorme polvo de cabeça lisinha, com pressa, disse:
-Quando estive na superfície da terra pela última vez, ouvi alguns seres humanos dizendo que fígado de macaco é um excelente remédio para qualquer mal.
-Sr. Polvo, a sua enorme careca dá de entender que você é uma criatura inteligente. Vamos acreditar no que está dizendo - disse o peixe que coordenava a assembléia.
- Então precisamos encontrar um macaco com urgência, para salvar Toyotama Hime. Disse o camarão.
-Mas onde encontrar essa criatura, perguntou a estrela do mar.
-Ora nas ilhas do Mar de Seto existem muitos macacos. Basta alguém ir lá e capturar um deles. Sugeriu a lula.
-Nós peixes não podemos ir porque não temos pernas para andar no mato.
-Nós ostras e caracóis também não temos pernas.
-Idem - disse o cavalo marinho e sugeriu que fosse o caranguejo que tem seis pernas.
-Nesse caso é melhor ir o polvo que tem oito pernas. Disse o caranguejo.
-Eu só tenho oito pernas, mas a água-viva esta cheia delas. Disse o polvo tirando o corpo fora.
-Apoiado respondeu a lula.
Assim a assembléia dos habitantes do fundo do mar decidiu que seria a dona Água-viva a escolhida para a nobre missão.
A dona Água-viva ficou muito orgulhosa de ser a escolhida, mas como tinha muitas dúvidas a respeito do macaco perguntou:
-Afinal como é um macaco? Eu nunca vi esse bicho.
-Ora é fácil de reconhecê-lo. O macaco do Japão tem cara e bunda vermelha. Está sempre em galhos de árvores comendo castanha ou caqui. Explicou a tartaruga.
Como os peixes perceberam que a dona Água-viva jamais conseguiria pegar um macaco, embora tivesse tantas pernas instruíram-na no sentido de que ela enganasse o símio e o trouxesse ao palácio.
A idéia era pegar o macaco por uma das suas fraquezas: a gula. Ela teria de convidá-lo para um banquete no Palácio do Dragão, dizendo que está cheio de castanhas e caqui.
Assim a desengonçada dona Água-viva partiu para a superfície a procura de uma ilha com macacos. Chegando na praia, avistou uma árvore e se aproximou cuidadosamente. Num dos galhos viu um animal de cara e traseiro vermelho e não teve dúvidas quanto a sua identidade. Assim que ela se aproximou da árvore o macaco muito curioso foi logo perguntando:
-Hei que bicho é você ? Nunca vi nada igual, de onde apareceu?
-Sou a Água-viva, moro no Palácio do Dragão, onde existe o maior pomar frutífero do mundo. Lá está cheio de castanheiras e caquizeiros. Árvores que estão o ano inteiro carregado de frutos. O detalhe importante é que esses frutos têm sabor especial, são muitíssimos deliciosos.
O macaco demonstrou grande interesse no assunto e desceu da árvore.
-Puxa deve ser muito bonito esse lugar.
-Se você quiser conhecer será meu convidado e eu o levarei até lá.
-Assim sendo, eu topo com prazer. Vou nas suas costas porque não sei nadar...
-Suba e vamos embora, disse a água-viva toda feliz, certa de que tinha conseguido enganar o macaco.
Ela foi nadando durante algumas horas e o macaco começou a sentir cansaço e reclamar que estava demorando.
Para entreter o macaco a água -viva falava sem parar e deixou escapar uma pergunta indevida.
-É verdade que você possui um tal de fígado?
-Sim é claro todos os bichos têm fígado.
-Ah! Mas do macaco é muito importante.
-Como assim, por que importante?
-Ah, não leve em conta. Eu disse o que não devia.
O macaco muito esperto ficou desconfiado do repentino corte na conversa e disse:
-Minha amiga, gostaria muito de saber porque fígado de macaco é tão importante.
-Não sei se devo dizer. É um segredo.
-Veja aceitei seu convite de todo coração e acho que você está sendo descortês ao negar uma explicação para seu convidado.
-Está bem, se guardar segredo é falta de educação, vou dizer só para você. Na verdade a Princesa Toyotama está muito doente e o melhor remédio para curar a doença dela é fígado de macaco. Por isso vim para buscá-lo.
O macaco ficou muito assustado, mas com seu jeito cínico de ser, fingiu tranqüilidade e disse:
-Ah! Eu não sabia que meu fígado era um santo remédio para a princesa. Se soubesse eu teria trazido comigo. Se você tivesse dito antes eu não teria deixado o fígado no galho da árvore.
-Mas você não trouxe o fígado?! Ora então não vai adiantar nada ir até o palácio.
-Ora vamos voltar para pegar o meu fígado.
Dona Água-viva já não agüentava o peso do macaco em suas costas, mas deu meia volta e rumou em direção da ilha. Quando chegou o macaco subiu na árvore com pretexto de apanhar o fígado e ficou deitado no galho folgadamente.
-Ei macaco parece que você vai tirar uma soneca. Desça logo daí com o fígado.
-Olha mudei de idéia, não vou mais para o Palácio do Dragão. Vou sair pulando de galho em galho, por todas as ilhas avisando os macacos para não cair na sua conversa. Dizendo isso o macaco fez caretas para a água-viva e saltou de galho em galho até desaparecer.
No palácio todos os habitantes do mar esperavam ansiosamente pela Água-viva. Ficaram decepcionados quando ela chegou sozinha e de mãos vazias.
-O que vamos dizer agora para Deus do Mar que nos encarregou dessa importante missão?! Preocuparam-se todos.
A água viva contou detalhadamente que vinha trazendo o macaco, mas no meio do caminho falou demais e o macaco conseguiu enganá-la.
Os habitantes do mar resolveram dar uma surra na água-viva para ela aprender a não ser tão burra e tão linguaruda. Bateram tanto que quebraram todos os ossos que ela tinha.
Reza a lenda que, desde então, a água-viva ficou com o corpo mole e sem ossos como é atualmente.

Lenda do Japão



03/02/2009

O vinho de Maomé

Diz a lenda que certo dia, quando Maomé se sentara à mesa para almoçar, alguém quis agradá-lo colocando à sua frente uma grande taça de ouro cheia de vinho. Ao perceber o que aconteceria, o vinho pensou entusiasmado:- Oh, quanta honra para mim! Que dirão os meus quando souberem que tive a glória de fazer parte da refeição de Maomé!

Mas logo em seguida um outro pensamento lhe ocorreu:

- Onde é que estou com a cabeça? Que honra é essa? De qual glória estou falando? Por que estou satisfeito, se o que chegou, na verdade, foi a hora da minha morte? A qualquer momento vou entrar na caverna escura de um corpo humano, e uma vez lá dentro, o que vai me acontecer? Deixarei de ser o vinho doce e perfumado que deleita tanta gente fina e de bom gosto, para me transformar em água, só água, igual a milhões, e milhões, e milhões de outras águas que jazem obscuras em qualquer depressão perdida no pedaço de chão mais desconhecido do planeta. Oh, céus! Que se faça justiça! Que alguém me vingue por essa ofensa imperdoável! Não é justo que os homens me desprezem dessa forma, porque eu não fui feito para isso! Júpiter, meu pai Júpiter, mesmo que esta terra produza as melhores e mais lindas uvas do mundo, fazei com que elas não mais se transformem em vinho!

Júpiter ouviu a prece feita pelo vinho e decidiu atendê-lo. Assim, quando Maomé bebeu o que a taça de ouro continha, todos os vapores do vinho lhe subiram à cabeça, e por isso ele saiu de seu estado natural e passou a fazer coisas que normalmente não faria. Quando finalmente voltou ao normal, e lhe contaram o que havia acontecido, Maomé proibiu a seus seguidores o uso do vinho, e daí em diante a vinha, com suas frutas saborosas, foi deixada em paz por eles.



Moral da história: Versos antigos já diziam que o álcool não é amigo do homem, porque primeiro ele desce pra barriga, mas depois sobre pra cabeça.


Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci.






22/01/2008

A lenda do monge e do escorpião


Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então a margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
- Mestre, deve estar doendo muito! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:
- Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.