Mostrar mensagens com a etiqueta Lendas do Mundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lendas do Mundo. Mostrar todas as mensagens

28/07/2010

Lenda da Origem dos Ibejis



Existiam num reino dois pequenos príncipes gémeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces, balas e brinquedos.
Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe.
O gémeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.

Da mitologia africana

27/07/2010

Beowulf

Ficheiro:Beowulf and the dragon.jpg

O poema narra as aventuras de Beowulf, herói com força sobrehumana, originário da tribo dos gautas (na actual Götaland, Suécia). Ao ouvir as desventuras que afligem a corte do rei Hrothgar, na Dinamarca, Beowulf viaja com um pequeno grupo de guerreiros a esse país, onde é recebido pelo rei em Heorot, o grandioso salão da corte. Logo ao chegar o herói se oferece para livrar Hrothgar e seu povo dos ataques de Grendel, uma criatura monstruosa, descrita como descendente do clã de Caim e verdadeiro símbolo do mal encarnado, que devora homens inteiros. O herói vence e mata Grendel em duelo, utilizando como arma apenas as suas mãos nuas. Seguidamente, a mãe de Grendel, também ela uma criatura monstruosa, vem vingar a morte do filho com novas carnificinas. Beowulf segue seu rastro até uma caverna submarina, localizada num lago habitado por monstros aquáticos, onde a combate e vence com uma poderosa espada, criada para matar gigantes. Depois desta aventura, Beowulf e seus guerreiros retornam por mar à terra dos gautas.

O relato então é cortado por um longo hiato temporal e encontramos o mesmo Beowulf, já idoso e rei entronado do seu país. A chegada de Beowulf ao trono é explicada rapidamente: o rei Higelac morre numa batalha contra os frísios, sendo sucedido por seu filho Heardred. Este é mais tarde morto numa batalha contra as tropas suecas do rei Onela, deixando vazio o trono gauta, que é ocupado por Beowulf.

Cinquenta anos após ser entronado, Beowulf necessita livrar seu reino de um dragão, que fora despertado por um servo que roubara uma taça do seu tesouro ancestral, guardado sob a terra numa mamoa (um monte funerário feito pelo homem). Beowulf, munido de uma espada e um escudo de ferro, entra na caverna onde se encontra o tesouro e o dragão cuspidor de fogo, travando com ele uma feroz batalha. Wiglaf, o mais fiel dos seus guerreiros, entra na caverna e ajuda o rei a matar a criatura, derrubada por uma estocada fatal de Beowulf. Esta termina sendo a última aventura do herói, que morre devido às terríveis feridas causadas pelo monstro. O poema termina com o funeral de Beowulf, que é enterrado com o tesouro numa mamoa num monte junto ao mar, de onde os navegantes a pudessem ver.


Lenda da Suécia


26/07/2010

Cosme e Damião



Os Gémeos Acta e Passio nasceram na Arábia, em uma nobre família cristã, no século III da era comum, estudaram medicina na Síria e a praticaram na Egéia sem receber qualquer pagamento, sendo chamados de Anargiros (inimigos do dinheiro) para isso, dizendo: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder”.
Acta e Passio foram martirizados na Síria, perseguidos por Diocleciano, acusados de praticarem feitiçarias, e muitos de seus seguidores levaram seus corpos para Roma, onde foram sepultados num templo erguido em homenagem aos dois, pelo Papa Félix IV. Existem muitas versões a respeito de suas mortes, mas nenhuma é comprovada por documentos, o que põe em dúvida até mesmo a existência dos Gémeos.
Hoje, São Cosme e São Damião são considerados os patronos da medicina.

A crença em São Cosme e São Damião é a versão cristã para a crença nos deuses gregos gêmeos, chamados Castor e Pólux, muito difundida no Mediterrâneo. Segundo a tradição popular no século V, os gémeos São Cosme e São Damião apareciam materializados para ajudarem às crianças que sofriam de violência.


21/07/2010

A Lenda de Ch'ienniang

Image 3 for Four Chinese Tang Dynasty Women Painting Scroll Set


Ch'ienniang era filha de Chan Yi, um oficial em Hunan. Tinha um primo chamado Wang Chou, rapaz inteligente e bonito. Tinham sido criados juntos desde a mais tenra idade e como seu pai gostasse muito do menino tinha dito que faria de Wang Chou seu genro. Ambos ouviram essa promessa e, como a menina fosse a única filha e estivessem sempre juntos, cada dia mais se afeiçoavam um ao outro. Já agora eram dois jovens e continuavam, entretanto, a se tratar como parentes íntimos. Infelizmente o pai da jovem era o único que nada percebia. Um dia, um jovem oficial veio pedir-lhe a mão da filha e ignorando, ou esquecendo, sua promessa primitiva, ele consentiu fazendo com que Ch'ienniang, desesperada entre o amor e a piedade filial, quase morresse de dor, causando tal desgosto ao rapaz que êle resolveu sair para outras terras de preferência a ficar ali e ver sua amada tornar-se a esposa de um outro. Assim, inventou um pretexto e informou o tio de que precisava ir para a capital. Como o tio não conseguisse persuadi-lo a ficar, deu-lhe dinheiro e presentes e preparou um banquete de despedida para ele. Wang Chou, triste por ter de separar-se da amada, pensou na partida durante toda a festa dizendo a si mesmo que era melhor partir do que viver ali vendo seus, sonhos despedaçados.
Assim Wang Chou saiu num barco da tarde e antes de estar a algumas milhas de distância já a noite caíra. Disse ao barqueiro que amarrasse o barco na praia e descansasse a noite. Não conseguiu dormir e, por volta da meia-noite, ouviu passos ligeiros que se aproximavam. N’alguns minutos o som pareceu bem perto do barco. Ergueu-se e perguntou - "Quem pode ser a esta hora da noite ?" - "Sou eu, Ch'ienniang," foi a resposta. Surpreso e encantado, levou-a para o barco e ali ela lhe contou que esperara ser sua esposa. que o pai não tinha procedido bem para com ele e que ela não suportava a separação. Receava, outrossim, que ele, só e viajando por terras estranhas.. pudesse ser tentado a suicidar-se. Eis porque recaíra na censura da sociedade e na cólera dos pais e viera seguí-lo para onde quer que fosse. Assim ambos ficaram satisfeitos e continuaram a viagem juntos: para Szechuen.
Passaram-se cinco anos de felicidade e ela o presenteou com dois: filhos. Porém não tinham notícias da família e diariamente ela pensava nos pais. Era essa a única coisa que lhes empanava a felicidade.. Ele: não sabia se os pais ainda viviam e quais as condições e, certa noite, começou a contar a Wang Chou como se sentia infeliz e, por ser a filha única, como se considerava culpada de grande impiedade- filial por ter deixado os velhos pais dessa maneira. - "Tem um coração cheio de amor filial e estou de acordo com você," disse-lhe- o marido. "Já se passaram cinco anos; certamente não nos guardam rancor. Voltemos para casa." Ch'ienniang exultou ao ouvir isso e assim fizeram todos os preparativos para voltar para casa com os dois: filhos.
Quando o bote chegou à cidade natal, Wang Chou disse a Ch'ienniang - "Não sei qual o estado de ânimo de seus pais. Será melhor que eu vá para verificar." Seu coração palpitava ao aproximar-se da casa do sogro. Ao vê-lo, Wang OIou ajoelhou-se pedindo perdão; Ao ouvir isso, Chang Yi surpreendeu-se e disse - "De quem esta falando? Ch'ienniang jaz inconsciente em sua cama nesses últimos cinco anos, desde que você nos deixou. Ela jamais abandonou o leito. - "Não estou mentindo," disse Wang Chou. "Ela está passando bem e esperando por mim no barco".
Chan Yi não sabia o que pensar, por isso, mandou duas servas ver Ch'ienniang. Elas a viram sentada, bem vestida e feliz e até disse às servas para que falassem com seus pais o quanto os amava. Amedrontadas, as duas servas correram para casa para dar essas novas e Chang Yi ainda ficou mais intrigado. Nesse ínterim, aquela que estava na cama ouviu as novidades e parece que sua enfermidade desapareceu e os olhos brilharam. Levantou-se da cama e vestiu-se, ajeitando-se diante do espelho. Sorrindo e sem proferir uma palavra, encaminhou-se diretamente para o barco. A que estava no barco, preparava-se para tomar o caminho de casa e assim encontraram-se nas margens do rio. Quando as duas chegaram perto uma da outra seus corpos confundiram-se num só, com roupas em duplicatas, e surgiu a antiga Ch'ienniang tão jovem e encantadora como nunca.
Os pais ficaram satisfeitíssimos, porém pediram aos servos que guardassem segredo e nada dissessem aos vizinhos a respeito do que acontecera, a fim de que não houvesse comentários. Eis porque ninguém, exceto os parentes mais chegados da família Chang, jamais soube desse estranho acontecimento.

Wang Chou e Ch'ienniang viveram como marido e mulher durante mais de quarenta anos antes de morrerem. (Supõe-se que esta história tenha ocorrido em torno de 690 d.C.)


(Um conto da dinastia Tang)

20/07/2010

Lenda sobre a montanha Wutai



A China possui quatro famosas montanhas sagrads do budismo: Wutai, Putuo, Jiuhua e Emei. Segundo as lendas, são os sítios onde os quatro grandes budas Manjusri, Samantabhadra, Avalokitesvara e Ksitigarbha professavam o budismo.
A montanha Wutai situa-se na província do Shanxi, Centro da China. É composta por cinco montes, cujos cumes são planos e se assemelham a uma plataforma. Por esta razão, a montanha é chamada de Wu Tai, Cinco Plataformas.
Dizem que a montanha Wutai tinha outro nome: a montanha Wufeng, Cinco Picos, onde o clima era muito adverso com seu rigoroso inverno; a primavera de tempestades de areia e o sufocante calor do verão. Os camponeses não podiam cultivar suas terras. Um ano, o buda Manjusri ali chegou para divulgar o budismo e teve piedade dos flagelos causados à população local. Então, decidiu mudar o clima da região.
Inteirado de que o rei do Mar Meridional tinha uma pedra mágica que podia transformar o clima seco em úmido, Manjusri se transformou num monge, a fim de pedir emprestada a pedra.
Chegou ao Mar Meridional e viu uma pedra fora do palácio imperial. Ao aproximar-se dela, sentiu logo o ar fresco. Comunicou ao rei o seu desejo, mas este disse: “Pode pedir emprestada qualquer coisa com exceção da pedra mágica, pois ela foi retirada do fundo do mar após centenas de anos. Diariamente, quando voltam de seus trabalhos, meus filhos, banhados de suor, descansam sobre ela. Se emprestá-la à você, eles não terão um lugar para descanso”. O buda Manjusri disse que era o monge da montanha Wutai e veio pedir ajuda em benefício dos seres humanos.

O rei-dragão não queria conceder a pedra mágica, mas via sentido em recusar o pedido do buda. Pensava que um monge idoso não iria levar a pedra sozinho e disse: “a pedra é muito pesada. Ninguém pode ajudar-lhe. Se você tem energia para levá-la, vá à pedra”.
O buda Manjusri agradeceu o rei-dragão e dirigiu-se diretamente à pedra. Leu as suas palavras mágicas e a grande pedra diminuiu rapidamente, transformando-se numa pequena pípula. O buda meteu-a na manga e voou. O rei do Mar Meridional ficou boquiaberto começou a se arrenpeder.
O buda Manjusri voltou à montanha Wutai, quando ali imperava muito calor e seca. Manjusri colocou a pedra num vale da montanha e o milagre se fez realidade: os cinco montes se transformaram em pastagens verdes. Desde então, o vale foi batizado de Vale do Frescor. A população construiu aí um templo dando-lhe o nome Templo do Frescor e a montanha, Qingliang, ou Montanha do Frescor. Por esta razão, a montanha Wutai é chamada também de Montanha do Frescor.



17/07/2010

Excalibur



Excalibur é o nome pelo qual ficou mais conhecida a lendária espada do rei Artur. Trata-se de uma corruptela do galês Caladvwlch ("corta-aço") e também é referida em textos mais antigos como Caliburn ou Caliburnus.
Em uma versão do mito, era a espada arrancada da rocha pelo jovem Arthur para provar seu direito ao trono, em outra versão, essa primeira espada, sem nome, foi quebrada na luta contra o rei Pellinor e substituída pela verdadeira Excalibur, dada pela Senhora do Lago.
Dez vezes mais valiosa, segundo Merlin, era sua bainha: aquele que a usasse estaria protegido de ferimentos mortais.
Morgana roubou a bainha e a jogou no lago. Mais tarde, quando Arthur foi mortalmente ferido, fez sir Gawain lançar Excalibur de volta ao lago, sendo apanhada novamente por sua Senhora.


A Lenda das Areias



Vindo desde as suas origens nas distantes montanhas e após passar por inúmeros acidentes de terreno nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. E do mesmo modo como vencera outras barreiras, o rio tentou atravessar esta de agora, mas se deu conta de que mal suas águas tocavam a areia, nela desapareciam.
Estava convicto, no entanto, de que fazia parte de seu destino cruzar aquele deserto, embora não conseguisse fazê-lo. Então uma voz misteriosa, saída do próprio deserto arenoso, sussurrou:
- O vento cruza o deserto, o mesmo pode fazero rio...
O rio objetou estar se arremessando contra as areias, sendo assim absorvido, enquanto o vento podia voar, conseguindo, dessa maneira, atravessar o deserto.
- Arrojando-se com violência, como vem fazendo, não conseguirá cruzá-lo. Assim desaparecerá ou se transformará num pântano. Deve permitir que o vento o conduza a seu destino.
- Mas como isso pode acontecer?
- Consentindo em ser absorvido pelo vento.
Tal sugestão não era aceitável para o rio. Afinal de contas, ele nunca fora absorvido até então. Não desejava perder sua individualidade. Uma vez a tendo perdido, como poderia saber se a recuperaria mais tarde?
- O vento desempenha essa função - disseram as areias. - Eleva a água, a conduz sobre o deserto e depois a deixa cair.
Caindo na forma de chuva, a água novamente se converte num rio.
- Como é que posso saber se isso é verdade?
- Pois assim é, e se não acredita, não se tornará outra coisa senão um pântano, e ainda isso levaria muitos e muitos anos, e um pântano não é certamente a mesma coisa que um rio.
- Mas não posso continuar sendo o mesmo rio que sou agora?
- Você não pode, em caso algum, permanecer assim - retrucou a voz. - Sua parte essencial é transportada e forma um rio novamente. Você é chamado assim, ainda hoje, por não saber qual é a sua parte essencial.
Ao ouvir tais palavras, certos ecos começaram a ressoar nos
pensamentos mais profundos do rio. Recordou vagamente um estágio em que ele, ou uma parte dele, não sabia qual, fora transportada nos braços do vento. Também se lembrou, ou lhe pareceu assim, de que era isso o que devia fazer, conquanto não fosse a coisa mais natural.
Então o rio elevou seus vapores nos acolhedores braços do vento, que suave e facilmente o conduziu para o alto e para bem longe, deixando-o cair suavemente tão logo tinham alcançado o topo de uma montanha, milhas e milhas mais longe.
E porque tivera dúvidas, o rio pôde recordar e gravar com mais firmeza em sua mente os detalhes daquela sua experiência. E ponderou:
- Sim, agora conheço a minha verdadeira identidade.
O rio estava fazendo seu aprendizado, mas as areias sussurraram:
- Nós temos o conhecimento porque vemos essa operação ocorrer dia após dia e porque nós, as areias, nos estendemos por todo o caminho que vai desde as margens do rio até a montanha.
E é por isso que se diz que o caminho pelo qual o Rio da Vida tem que seguir em sua travessia está escrito nas Areias.

"O Buscador da Verdade" de Idries Shah

27/06/2010

Eldorado

Ficheiro:Eldorado2.jpg

Eldorado (do castelhano El Dorado, "O Dourado"), Manoa (do achaua manoa, "lago"), ou Manoa del Dorado é uma lenda que se iniciou nos anos 1530 com a história de um cacique ou sacerdote dos muíscas, indígenas da Colômbia, que se cobria com pó de ouro e mergulhava em um lago dos Andes. Inicialmente um homem dourado, índio dourado, ou rei dourado, foi depois fantasiado como um lugar, o reino ou cidade desse chefe legendário, riquíssimo em ouro.

Embora os artistas muíscas trabalhassem peças de ouro, algumas das quais hoje formam o rico acervo do Museu do Ouro de Bogotá, nunca foram encontradas entre eles grandes minas, muito menos as cidades douradas sonhadas pelos conquistadores que pretendiam repetir a façanha de Francisco Pizarro no Peru. Tudo indica que os muíscas ou chibchas obtinham o ouro por meio de trocas com indígenas de outras regiões.

Sedentos por mais ouro, os conquistadores fizeram o mito migrar para leste, para os Llanos da Venezuela e depois para além, no atual estado de Roraima ou nas Guianas. Na forma tomada pelo mito a partir do final do século XVI, a cidade dourada, agora conhecida como Manoa, se localizaria no imenso e imaginário lago Parima e teria sido fundada ou ocupada por incas refugiados da conquista de Pizarro.

O mito é semelhante ao de Paitíti ou Candire, que também seria uma cidade cheia de riquezas que teria servido de refúgio a incas que escaparam da conquista espanhola, mas costuma ser localizada muito mais ao sul, entre as selvas da Bolívia e Peru ou no Brasil, no Acre, Rondônia ou Mato Grosso. Os dois mitos têm origem comum no sonho de conquistadores de enriquecer repetindo a façanha de Francisco Pizarro, o conquistador dos incas, e influenciaram-se mutuamente, mas o de Paitíti associou-se, em tempos mais recentes, com a nostalgia de povos andinos pelo antigo Império Inca, ganhando conotações nativistas

26/06/2010

Lenda de Osíris e a origem do Egipto

Osíris era filho de Geb, a Luz, e Nut, a Noite, e nasceu em Tebas, no Alto Egipto. No momento do seu nascimento ouviu-se uma voz misteriosa que proclamou a chegada do "Senhor Universal", o que deu aso a manifestações de alegria logo esmorecidas pelas revelações das desgraças que se aproximavam. O seu avô Rê (ou Rá) reconheceu Osíris como herdeiro ao trono, apesar dos maus agouros. Alto, belo e carismático, Osíris sucedeu a Geb no trono e casou com a sua irmã, a bela Ísis. Osíris começou por abolir o canibalismo e introduzir junto dos seus súbditos, ainda um pouco primitivos, normas de conduta e técnicas avançadas de agricultura, para além dos prazeres da música. Instituiu ainda o culto dos deuses, desconhecido até então, construindo templos e imagens divinas. As muitas cidades construídas e as leis justas que emitiu valeram-lhe o nome de Onofris, "o Generoso" pelo qual, como quarto faraó divino, era conhecido.
Ainda não contente com a sua obra, decidiu espalhar os seus conhecimentos pelo resto do mundo e partiu para a Ásia, acompanhado de Tot, Anúbis e Upuaut, deixando a regência a Ísis. Inimigo da violência, espalhou a civilização e o conhecimento por toda a terra e voltou ao Egipto. Quando chegou, verificou que Ísis tinha governado bem o seu reino, que encontrou em ordem. Mas em breve seria vítima de uma intriga orquestrada pelo seu invejoso e feio irmão Set, que o matou durante um banquete, despedaçou-o e lançou os bocados do seu corpo às águas do Nilo. Mas Ísis, com os seus poderes de feiticeira e ajudada por Tot, Anúbis e Hórus, devolveu Osíris à vida. Ressuscitado, Osíris preferiu, no entanto, o poder sobre o reino dos mortos ao reino dos vivos, retirando-se para os Campos Elísios, onde recebia com carinho as almas dos justos. Hórus, filho de Osíris e Ísis, derrotou mais tarde Set numa grande batalha e veio a ser o rei de todo o mundo.
Osíris foi o nome grego dado a Ousir, o protagonista desta lenda que foi contada por Plutarco. Os antigos Egípcios acreditavam que Osíris morria todos os anos no início da Primavera, quando era tempo de seca e de colheitas, para renascer no Outono, quando o nível das águas do Nilo baixava e se procediam às sementeiras. Por isso a cheia anual, que tinha o nome de Hapi, era venerada como sendo a "alma de Osíris". Muitas vezes representado por um pilar, o "djed", Osíris governava assim nos dois mundos, o da morte e o da vida. Identificado com o Sol, simboliza a continuação dos nascimentos e dos renascimentos.



Lenda dos Três Amores de Goai


A cidade de Goa, na Índia, teve vários nomes. Um deles era Goai, o nome de uma linda princesa hindu que, segundo a lenda, viveu num palácio sumptuoso, coberta de jóias e protegida pelo pai, o poderoso Nacrab, que sempre que chegava das suas viagens lhe oferecia presentes cada vez mais incríveis e exóticos. Um dia, Goai perguntou ao pai de onde vinha toda aquela riqueza ao que ele respondeu que a tinha herdado dos antepassados. Mas Goai não ficou satisfeita com a resposta e Nacrab mostrou-lhe um ídolo de ouro e esmeraldas, que representava o criador de toda aquela riqueza, ao qual Goai devia prestar culto todas as manhãs, mal o Sol nascesse. Assim fez a princesa, mas permanecia a dúvida no seu espírito, não conseguindo entregar-se, totalmente, àquela devoção.
A partir de certa altura, uma pomba branca começou a visitá-la todas as manhãs e, certa vez, pousou na sua cabeça, fazendo-a ouvir uma voz que lhe disse que havia apenas um único Deus criador. Nesse preciso momento, o ícone de ouro e esmeraldas rebentou em estilhaços. Dia após dia, Goai recebia ensinamentos da pomba branca e o seu coração encheu-se de felicidade. Os criados começaram a notar-lhe diferenças, dado que a princesa recusava mordomias, jóias e iguarias e, julgando-a doente, foram informar o pai. Quando Nacrab soube da boca da filha a razão da mudança de atitude, ordenou-lhe que voltasse a adorar os ídolos, mas esta recusou e decidiu oferecer tudo o que tinha aos pobres, passando a jejuar e a orar. Os súbditos, impressionados, disseram ao rei que iam seguir o exemplo da princesa. Sentindo o seu poder ameaçado, Nacrab decidiu castigar a filha e, perante mais uma recusa de Goai em renegar a sua nova fé, mandou que lhe fossem cortadas ambas as mãos e que a abandonassem no deserto. Goai caminhou ao acaso até que encontrou uma gruta onde estava uma fera que não a atacou, antes, pelo contrário, lambeu-lhe as feridas e acarinhou-a. Goai passou a alimentar-se de frutos silvestres e da água de uma nascente próxima, dando graças a Deus.
Algumas semanas depois, uma gazela ferida foi refugiar-se junto de Goai. Atrás dela ia um caçador cristão, fugido às perseguições de César, que julgou estar perante um milagre pelo facto de Goai viver entre as feras. Goai contou-lhe a sua história e o caçador disse-lhe que se chamava Vicente e que era um lusitano fugido da Península Ibérica num barco que foi ter à Índia. Com o passar do tempo, Vicente apaixonou-se por Goai e pediu-a em casamento, mas esta rogou-lhe que voltasse algumas semanas mais tarde, porque queria saber qual era a vontade do Senhor. Quando Vicente regressou, Goai mostrou-lhe as mãos que Deus lhe tinha devolvido, pois não queria que Vicente tivesse uma esposa sem mãos. Vicente e Goai viveram felizes de tal forma que faziam inveja a certas mulheres que cobiçavam Vicente. Nasceu um menino belo e forte, como ambos desejavam, mas, logo depois, Vicente foi obrigado a partir, deixando Goai e o filho aos cuidados de uma velha indiana. Algumas mulheres despeitadas aproveitaram a ausência de Vicente para forjarem um documento, supostamente assinado por ele, em que acusava a mulher de traição e a expulsava de casa com o filho que não acreditava ser dele.
Goai, que tinha apenas três amores no mundo, Deus, o marido e o filho, obedeceu às ordens que julgava serem de Vicente e foi para umas montanhas longínquas. Quando Vicente voltou a casa e lhe contaram o sucedido, correu logo a procurar Goai e o filho na gruta onde tinha conhecido a sua mulher. Foi lá que a encontrou e, longe das mentiras dos homens, decidiram viver na gruta, dando origem a Goa, uma cidade que, segundo a lenda, foi fundada por uma indiana e um lusitano.

21/06/2010

O falcão do rei de Furs

Contam que o rei de Furs era grande amigo de divertimentos, de passeios e de todo tipo de caça. Possuía um falcão treinado por ele próprio que não o abandonava nenhum momento. Mesmo durante a noite, o rei o trazia preso ao seu punho. Quando ia à caça, levava consigo. No pescoço dessa ave, tinha mandado pendurar uma vasilha de ouro, onde lhe dava de beber. Um dia, em seu palácio, o rei viu, subitamente, chegar o encarregado dos bosques e florestas.
Disse-lhe esse encarregado:
— Ó rei, estamos de novo na época das caçadas!
— Isso me deixa muito feliz! — exultou o rei e começou a fazer os preparativos para a partida.
No dia seguinte, com o falcão em seu punho, partiram, rumando para um vale, onde estenderam as redes de caça. Repentinamente, uma gazela ficou presa na rede.
Então o rei alertou:
— Matarei aquele que deixá-la escapar!
Começaram a puxar a rede em torno da gazela, que se acercou do rei, ergueu-se sobre as patas traseiras, encolhendo junto do peito as patas dianteiras. Nisso o rei bateu as mãos uma contra outra, espantando a gazela, que saltou e fugiu, passando-lhe por cima da cabeça e desaparecendo no meio das árvores.
O rei se voltou para os guardas e viu que eles piscavam os olhos uns para os outros, referindo-se a ele, o rei. Percebendo isso, perguntou ao grão-vizir:
— Que têm os soldados?
O grão-vizir respondeu:
— Eles dizem que tu juraste matar quem quer que deixasse escapar a gazela!
Falou o rei, em seguida:
— Pela minha cabeça, precisamos perseguir aquela gazela e trazê-la de volta!
Começou a galopar, seguindo a pista do animal. Libertou o falcão, incitando-o a perseguir a presa. O falcão rapidamente a localizou e, num voo rasante e certeiro, atirou-se sobre a gazela, enterrando-lhe o bico aguçado nos olhos, cegando-a. O rei apanhou seu bastão, bateu no animal, fazendo-o rolar. Desceu resolutamente, degolou-a, esfolou-a e prendeu a caça a sua sela.
Fazia calor e o local era árido e sem água. O rei teve sede e cavalo também. Olhando ao redor, o monarca viu uma árvore de onde escorria um líquido parecido com manteiga. O rei tinha a mão coberta com uma luva de pele, onde pousava o falcão. Apanhou a vasilha do pescoço da ave, encheu-a com aquele líquido e colocou-a diante do falcão. Inesperadamente, o animal, com um golpe de uma de suas garras, entornou-a. O rei apanhou a taça pela segunda vez, encheu-a, imaginando que a ave também tinha sede, mas o falcão, pela segunda vez, entornou-a.
O rei ficou enraivecido com o falcão e deu-lhe o líquido pela terceira vez. O falcão novamente o entornou e o rei disse:
— Que Alá te enterre, ave infernal!
Dizendo isso, feriu o falcão com sua espada, cortando-lhe as asas. O falcão ergueu a cabeça e sinalizou para o rei:
— Olha o que há sobre a árvore! — queria ele dizer.
O rei levantou a cabeça e viu uma serpente monstruosa na árvore. O que escorria era seu veneno. O rei, arrependido de ter cortado as asas do falcão, levantou-se, tornou a montar a cavalo e partiu levando a gazela. Mandou o cozinheiro preparar a gazela, depois se sentou no seu trono, tendo o falcão no punho. Percebeu, então, que a luva que vestia estava empapada de sangue. Imaginou que fosse da corça, mas, ao observar o falcão, percebeu as pelas coladas a pele pelo sangue que escorria dos ferimentos.
— Meu amigo, você não pode morrer! — lamentou o rei, apertando a ave junto ao peito.
O falcão, às portas da morte, apontou a taça que trazia ao pescoço e fez sinais para que o rei a enchesse de vinho. Aflito, o rei assim o fez, aproximando-a do bico da ave. Novamente o falcão fez sinais, dando a entender ao rei que desejava que este tomasse o primeiro gole. O rei o atendeu, bebendo um gole do vinho, depois voltou a oferecer o vinho ao falcão, que soltou um longo soluço e morreu. Vendo aquilo o rei soltou gritos de luto e aflição por ter matado o falcão que o salvara da morte. Sentiu um aperto no coração, mas estava por demais concentrado em seu sofrimento para perceber que o resto do veneno da serpente, que ficara na taça, o estava matando.

Lendas Árabes

The Dry Land of Rajasthan

17/06/2010

Guinivere



Guinevere (Gwenwyfar ou Gwen) e Lancelot são duas personagens muito importantes em toda essa lenda de Camelot. De um lado, a grande rainha e mulher de Arthur, o mais justo dos reis, e, do outro lado, o grande herói, o melhor cavaleiro, o chefe da cavalaria real: Sir Lancelot. Esse amor nasceu de uma visita de Lancelot ao reino do pai de Guinevere para cogitar se a herdeira daquele reino era digna de se sentar ao lado do grande rei da Bretanha, Arthur. Os dois se olharam e trocaram sorrisos, e a partir daí nasceu o amor tão comentado e polêmico que decreta a ruína de Camelot. Depois de muitos anos, Lancelot se casa e some de vez do reino de Arthur, mas, com o retorno do grande cavaleiro à Camelot, Gwen e Lancelot voltam a se encontrar e, guiados por Mordred , os Cavaleiros da Távola Redonda armam uma emboscada afim de desmascarar toda essa traição ao seu grande Rei. Lancelot é descoberto, e numa luta contra os cavaleiros ele acaba fugindo, mas antes mata Gareth, o filho de Morgause e o maior fã de Lancelot, que o tinha como um filho. Arthur descobre, manda Gwen para um convento e decreta a expulsão de Lancelot de seu reino. Existe uma outra versão que diz que Arthur condenou Gwen à fogueira e Lancelot veio em seu auxílio e a livrou da morte lutando com muitos soldados do Rei e decretando guerra a Arthur, mas isso é por mim visto como muito romântico e fantasioso, cabe ao leitor acatar a versão da lenda que lhe é mais apropriada, lembrem-se que o meu objectivo é narrar os fatos e não impor qual é o certo e o errado. Por fim, Gwen acaba voltando para Camelot depois de um pedido de perdão de Lancelot e a sua promessa de nunca mais voltar ao reino de Arthur enquanto os dois viverem.

05/06/2010

O falso monge



Numa das várias vilas antigas do Japão, morava uma velhinha que havia perdido, seu companheiro há pouco tempo, e a cada dia que passava a saudade batia mais forte. Quando isso acontecia, ela rezava muito, às vezes quase o dia inteiro.
Num dia, alguém bateu à porta, quando ela atendeu, deparou-se com o suposto monge viajante que lhe pediu :
- Senhora, estou perdido por esses cantos, será que eu poderia passar esta noite aqui?
A velhinha então pensou: “Puxa, se ele é monge, pelo menos poderá rezar direito, assim como manda o budismo”.
Então ela aceitou a proposta, e logo que ele se acomodou, ela lhe serviu vários tipos de comida.
Logo após o homem ter se esbaldado com tanta comida, a velhinha lhe fez um pedido:
- Senhor monge, o senhor poderia rezar pela alma de meu marido que faleceu recentemente?
Depois de ouvir a senhora, ele ficou um pouco perturbado. Na verdade o homem nem monge era, ele vestia trajes de monge e raspava a cabeça apenas para dormir de graça nas casas das pessoas. Assim o homem pensou: “Como eu vou sair dessa?”
Sem saber direito como proceder, ele ficou olhando para toda a casa, até que viu um buraco com um pequeno ratinho. Então o homem pensou em falar frases baseando-se nos movimentos do ratinho. Em pouco tempo estava tudo preparado, e a velhinha sentado no oratório disse em voz alta:
- Meu marido, esse monge que veio aqui hoje, vai rezar por sua alma, graças ao grande Buda!
O monge, que já estava sem jeito, resolveu não recusar a proposta e gaguejando, criou coragem e disse olhando para o ratinho:
- Devagar, devagar ele vem chegando...
Ele falava com tal afirmação que parecia estar rezando de verdade. E como a velhinha estava muito concentrada continuou :
- Devagar e devagar ele está espiando...
- Devagar e devagar ele parece estar cochichando...
As frases nem de longe pareciam reza, mas a velhinha estava crente na identidade do monge, que percebendo continuou:
- Devagar e devagar ele vai espiando... E depois cochichando...
- Agora ele está saindo... Agora saiu...
No dia seguinte a velhinha agradeceu o falsário, que saiu sem falar nada e logo depois de ter andado um pouco, começou a rir por ter pregado mais uma peça. A velhinha no entanto começou a rezar da forma que havia aprendido.
Num certo dia, um ladrão entrou na casa da velha senhora e, quando estava entrando para escolher o que roubar, ele ouviu:
- Devagar, devagar ele está chegando...
Por um momento o ladrão ficou assustado. Não havia ninguém naquele cômodo. Como seria possível ?
Ele então continuou a escolher os objetos:
- Devagar e devagar ele está espiando...
O ladrão, incomodado, falou com si próprio:
- Será que a pessoa que mora aqui consegue enxergar no escuro ?
De repente ele ouviu:
- Ele está cochichando...
O ladrão assustado, começa a dar meia volta para sair...
E de surpresa ouve:
- Devagar ele está saindo...
O ladrão foi embora correndo!
A velhinha, no entanto, estava tão entretida pela reza que nem percebeu o barulho na casa...

Lenda do Japão



27/05/2010

A fonte da juventude


A fonte da juventude é uma fonte que, segundo a lenda, possui águas capazes de rejuvenescer a pessoa que bebê-las.

A história ainda conta que a fonte foi descoberta pelos árabes há muito tempo. Porém ela foi roubada pelos bárbaros, que, por sua vez, foram amaldiçoados pelo líder da aldeia e o barco onde eles partiram afundou, levando a fonte da juventude junto com ele. Desde então algumas pessoas acreditam que a fonte, por não ser natural e conter águas muito puras, não foi atingida pelo mar e flutua pelo oceano até que um dia vai bater em alguma margem (se ainda não bateu).

No entanto, alguns historiadores acreditam e ostentam testemunhos de que a fonte se encontra no Ártico, onde a água da fonte concedeu seus poderes às águas do oceano Ártico. Agora, supõem eles, a pessoa que se banhar nua em noites de Lua cheia nas águas mornas da parte do Ártico mais próxima do Pólo Norte será abençoada com a imortalidade.

Outros dizem que a fonte da juventude esta em pleno Oceano, em uma ilha ainda não classificada e que se alguem chegue a bebe-la será teleportado para o passado. Em alguns filmes como Piratas do Caribe no final se pode ver um mapa para a fonte da Juventude.


17/05/2010

Avalon

Ficheiro:Bardsey-island.jpg

Avalon é uma ilha lendária em algum lugar da Ilhas Britânicas ou da França, ligada à lenda do rei Artur.

Geoffrey de Monmouth deixou o mais antigo registro da Insula Avallonis (em galês, Ynys Avallach), em sua Historia Regum Britanniae (1136). Segundo ele e a literatura que o seguiu, Avalon é o lugar onde o rei Artur foi levado para curar suas feridas depois de lutar contra Mordred na Batalha de Camlann. Segundo a tradição galesa e bretã, Artur estava vivo voltaria um dia para liderar seu povo contra seus inimigos, apesar de versões posteriores e mais racionalistas da lenda terem afirmado que ele realmente morreu e foi sepultado em Avalon. Também em Avalon teria sido forjada a espada Caliburn (depois chamada Excalibur). Geoffrey voltou a mencionar a ilha na Vita Merlini (1150), na qual descreve Morgana como a líder das nove irmãs que viviam em Avalon.


05/05/2010

A Lenda da Pintura


Era uma vez um califa de Bagdade que queria mandar decorar as paredes do salão nobre do seu palácio. Convocou dois artistas, um do Oriente, outro do Ocidente. O primeiro era um célebre pintor chinês que nunca saíra da sua província natal. O segundo, um grego, visitara todas as nações e aparentemente falava todas as línguas. Não se limitava à pintura Era igualmente versado em astronomia, física, química e arquitectura. O califa explicou aos dois o seu propósito confiou a cada um deles uma das paredes do salão nobre.
— Quando tiverdes terminado, disse, a Corte reunir-se-á com toda a pompa. Examinará e comparará as vossas obras e a que for considerada mais bela valerá ao seu autor enorme recompensa.
Depois, virando-se para o grego, perguntou-lhe de quanto tempo precisaria para concluir o seu fresco. E misteriosamente o grego respondeu-lhe: "Quando o meu confrade chinês tiver terminado, eu terei terminado também. Então o califa interrogou o chinês, que solicitou um prazo de três meses.
— Bem, disse o califa. Vou mandar dividir a sala em duas por meio de uma cortina a fim de que não vos incomodeis um ao outro, e dentro de três meses voltaremos a encontrar-nos.
Os três meses passaram, e o califa convocou de novo os dois pintores. Virando-se para o grego, perguntou-lhe: "Terminaste?" E misteriosamente o grego respondeu-lhe: "Se o meu confrade terminou, eu também terminei." Então o califa interrogou o chinês que respondeu: "Terminei."
A corte reuniu-se dois dias depois e dirigiu-se com grande expectativa para a sala de honra a fim de julgar e comparar as duas obras. Era um cortejo magnífico em que só se viam vestidos bordados, penachos de plumas, jóias de ouro, armas trabalhadas. Todos se concentraram em primeiro lugar do lado da parede pintada pelo chinês. Ressoou um só grito de admiração. O fresco representava com efeito um jardim de sonho com árvores floridas e pequenos lagos em forma de feijões atravessados por belas pontezinhas. Uma visão paradisíaca que os olhos não se cansavam de contemplar. O encanto de alguns era tão grande que propunham declarar o chinês vencedor do concurso, sem sequer terem visto a obra do grego.
Mas logo a seguir fez correr a cortina que separava as duas metades da sala, e a massa dos visitantes virou-se para o outro lado. Virou-se para o outro lado e deixou escapar uma exclamação de maravilhado assombro.
Que fizera o grego? Nada pintara. Contentara-se com instalar um grande espelho que partia do chão e subia até ao tecto. E, bem entendido, esse espelho reflectia o jardim do chinês nos seus mínimos pormenores. Mas então, hão-de dizer-me, em que é que essa imagem era mais bela e mais comovente do que o seu modelo? Porque o jardim do chinês era deserto e vazio de habitantes, ao passo que, no jardim do grego, se via uma multidão magnífica com vestidos bordados, penachos de plumas, jóias de ouro e armas trabalhadas. E toda essa gente se mexia, gesticulava e se reconhecia espantada.
Por unanimidade, o grego foi declarado vencedor do concurso.


Michel Tournier, Uma Ceia de Amar

02/05/2010

O Porquê do Trabalho

Berber Village Doorway, Morocco Photographic Print


Outrora, o céu estava tão próximo da terra que bastava levantar a mão para lhe tocar.
E os homens não faziam outra coisa. Chegavam mesmo a comer bocados do céu, porque este era bem saboroso. Sabia a fresco, a doce, a salgado, tinha todos os sabores que se quisesse.
Infelizmente, as pessoas tiravam bocados tão grandes que nem sequer acabavam de comê-los e deixavam-nos a apodrecer no chão.
Uma manhã, o céu cansou-se de ser assim maltratado. Subiu alto, tão alto com hoje está. A partir desse dia, os homens têm de trabalhar a terra, sobre a qual lançavam outrora o alimento celeste.


Lenda Africana

Jean-Jacques Fdida
La naissance de la nuit et autres contes du monde entier
Paris, Didier Jeunesse, 2006
tradução e adaptação




27/04/2010

Guilherme Tell

Ficheiro:Wilhelm Tell Denkmal Altdorf um 1900.jpeg


Guilherme de Bürglen era conhecido como um especialista no manejo da besta. Na altura, os imperadores Habsburgos lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Hermann Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos que por lá passassem teriam de fazer uma vénia como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador fossem cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Prenderam-no imeditamente e levaram-no à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã na cabeça do filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçaria ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de Novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao castigo (e, sobretudo, ao seu culminar). O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que levaria a população a aplaudir os dotes do corajoso arqueiro.

Não obstante, Guilherme trazia uma segunda seta. Gessler, ao vê-la, perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: "Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho".

Indignado, Gessler mandou o rebelde para a prisão alegando que dignaria a sua promessa deixando-o viver — mas preso, no castelo de Küsnacht. Guilherme foi levado acorrentado de imediato para um barco em Flüelen, onde esperou que Gessler e seus soldados embarcassem. Não muito distante do porto, deu-se uma tempestade. O Föhn, um vento do Sul, causava ondas tão altas que dificultou a viagem, praticamente arremessando o barco contra as rochas. Os que lá viajavam, assustados, gritaram: "Só Guilherme Tell nos pode salvar!". Gessler libertou Tell, que conduziu barco em segurança ao sopé da Montanha Axenberg, perto de uma rocha chamada Tellsplatte.

Quando amarrou, Tell tirou uma lança a um soldado, saltou do barco e, empurrando-o com os pés, fugiu pelo cantão de Schwyz. Gessler conseguiu sobreviver à tempestade e chegou ao castelo de Küsnacht nessa mesma noite. Tell ter-se-ia escondido nuns arbustos num beco que levaria à residência do governador. Assim que Gessler e os seus apareceram, Tell matou-o com uma seta da sua besta, libertando o país da tirania do governador. Segundo a lenda, este evento marcou o início a revolta que ocorreu a 1 de Janeiro de 1308.


Lenda da Suiça


29/03/2010

A Lenda do Cavalo Arabe


Conta a lenda que o beduíno árabe, que vivia no deserto, pediu a Alah um companheiro para dividir os dias longos e as noites frias do deserto.
Alah compreendeu o anseio desse homem solitário e resolveu dar vida a um ser, símbolo da criação.
Ordenou que se imprimissem numa única criatura, olhos tão potentes quanto os da águia, faro tão sensível quanto o do lobo, a velocidade da pantera e a resistência do camelo.
Acrescentou ainda a coragem do leão, a memória privilegiada do falcão, a elegância do andar da corsa e a fidelidade do cão.
Alah chamou o Vento Sul e ordenou que ele soprasse sobre um punhado de areia que estava em suas mãos.
Surgiu, então, o Cavalo Árabe para que Alah fosse sempre louvado.

Lenda árabe

27/03/2010

A pedra filosofal

Ficheiro:JosephWright-Alchemist.jpg

A Pedra Filosofal (Medicina Universal, Lápis Filosoforum) era o principal objetivo dos alquimistas. Segundo a lenda, era um objeto que poderia aproximar o homem de Deus. Com ela o alquimista poderia transmutar qualquer metal inferior em ouro, como também obter o Elixir da Longa Vida[1] que permitiria prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado pelos alquimistas de "A Grande Obra" (ou "Opus Magna", em latim). A lenda da pedra filosofal não existe na alquimia chinesa.

Aparentemente, o trabalho de laboratório dos alquimistas na busca pela pedra filosofal era, na verdade, uma metáfora para um trabalho espiritual. Neste sentido, a transmutação dos metais inferiores em ouro seria a transformação de si próprio de um estado inferior para um estado espiritual superior.

Torna-se mais clara a razão para ocultar toda e qualquer conotação espiritual deste trabalho, na forma de manipulação de "metais", se nos lembrarmos que na Idade Média qualquer um poderia ser acusado de heresia, satanismo e outras coisas, acabando por ser queimado na fogueira.

A pedra filosofal poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina. Vários alquimistas são considerados precursores da moderna medicina, e dentre eles destaca-se Paracelso.

A busca por esta pedra filosofal é, em certo sentido, semelhante a busca pelo Santo Graal das lendas arturianas. Em seu romance Parsifal, Wolfram von Eschenbach associa o Santo Graal não a um cálice, mas a uma pedra que teria sido enviada dos céus por seres celestiais e teria poderes inimagináveis.

Ao longo da história a criação da pedra filosofal foi atribuída a várias personalidades, como Paracelsus e Fulcanelli, porém é inegável que a lenda mais famosa refere-se a Nicolas Flamel, um alquimista real que viveu no século XIV. Segundo o mito, Flamel encontrou um antigo livro que continha textos intercalados com desenhos enigmáticos, porém, mesmo após muito estudá-lo, Flamel não conseguiria entender do que se tratava. Segundo a lenda, ele teria encontrado um sábio judeu em uma estrada em Santiago na Espanha, que fez a tradução do livro, que se tratava de cabala e alquimia, possuindo a fórmula para a pedra filosofal. Por meio deste livro, conseguiu fabricar a pedra: segundo a lenda, esta seria a razão da riqueza de Flamel, que inclusive fez várias obras de caridade, adornando-as com símbolos alquímicos. Ao falecer, a casa de Flamel foi saqueada por caçadores de tesouros ávidos por encontrar a pedra filosofal. A lenda conta que, na realidade, ambos, Flamel e sua esposa, não morreram, e que em suas tumbas foram encontradas apenas suas roupas no lugar de seus corpos.