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30/07/2009

Gun e Yu controlam os rios


Na China, a história sobre o controle dos rios por Yu, o Grande, é muito famosa. Yu é considerado um herói que agia em benefício da população.

Antigamente, ocorreu uma grande inundação que durou 22 anos. A terra tornou-se um oceano; a população não tinha onde se abrigar ou como se alimentar. O número de pessoas caiu radicalmente. O rei Yao estava muito preocupado com a situação e convocou uma reunião dos chefes tribais. A reunião decidiu enviar Gun para controlar os rios.

Uma vez recebeu a ordem, Gun começou a planejar o controle das inundações e lembrou-se de um dito popular: “Na guerra usam-se soldados; Nas inundações, terra”. Gun considerou: se construir alguns diques em torno das aldeias, elas serão protegidas contra as inundações. Mas, durante as inundações, onde poderemos encontrar tal volume de terra e de pedras para se construir os diques necessários? Neste momento, uma tartaruga mágica saiu das águas e disse a Gun: “No palácio celestial há um tesouro chamado Xirang. Pode lançar o tesouro nas águas e ele crescerá rapidamente formando montes e diques”. Muito contente, Gun se despediu da tartaruga e foi ao Oeste em busca do tesouro.

Vencidas muitas dificuldades, Gun chegou à montanha Kunlun do Oeste e pediu ao imperador celestial o tesouro Xirang para salvar a população. No entanto, o imperador celestial recusou o pedido de Gun. Sem outra saída, Gun roubou Xirang e voltou à terra natal. Lançou Xirang às águas e este começou a crescer rapidamente. O nível das inundações subiu um metro, Xirang também subiu um metro e passou a acompanhá-lo sucessivamente. Os aldeãos se livraram das inundações e começaram a cultivar a terra.

Inteirado do roubo praticado por Gun, o imperador celestial enviou suas tropas para recuperar seu tesouro. Sem a proteção de Xirang, as inundações tornaram a destruir os diques e as terras cultivadas, matando afogadas milhares de pessoas. O rei Yao ficou muito zangado e ordenou: “Gun só pensa em impedir as inundações. Mas, quando os diques se rompem, as inundações causam maiores calamidades. Já se passaram nove anos e ele não obteve nenhum êxito. Por isso, deve ser executado”. Gun foi aprisionado e levado para a montanha Yu. Depois de três anos, acabou decapitado.

Vinte anos se passaram. O rei Yao abdicou do trono em favor de Shun. Este mandou Yu, o Grande, filho de Gun, para controlar as inundações. Desta vez, o imperador celestial entregou o seu tesouro Xirang a Yu. No início, Yu mandou construir diques para impedir o alastramento das inundações tal como o seu pai tinha feito. Mas, depois de vários fracassos, Yu entendeu que além da construção de diques, o combate às inundações exige ainda um sistema de drenagem. Então, mandou a tartaruga mágica carregar Xirang e acompanhar a sua viagem pelo país. Lançou Xirang nas zonas baixas para elevar o terreno e, ao mesmo tempo, adotou como guia o dragão mágico para ordenar os rios e canalizar as inundações rumo ao mar.

Dizem que Yu se despediu de sua noiva quatro dias depois do casamento para controlar as inundações. Durante 13 anos, passou pela porta da casa três vezes, mas não entrou. Por sua inteligência e diligência, as inundações foram controladas e os rios foram ordenados, com o que a população passou a viver em paz e felicidade. Para agradecer Yu, o povo o respeitava como rei, obrigando o rei Shun a abdicar do trono em seu favor.



19/07/2009

Cinco Montanhas Sagradas

中国国际广播电台
Segundo a mitologia chinesa, os seres humanos foram criados por Nü Wa. O mundo conheceu tempos de paz, após a conclusão de sua façanha. Mas, um dia, ocorreu um grande choque entre o céu e a terra. O céu tornou-se um enorme buraco e a terra conheceu muitas crateras que espargiam labaredas de fogo que destruíam as imensas florestas; as montanhas submergiam sob as águas; as bestas e animais malignos andavam às soltas, enquanto os seres humanos eram maculados pelo sofrimento.

Nü Wa ouviu o apelo dos seres humanos. Ela matou as bestas e animais malignos, amenizou as inundações e começou a reconstituir o céu.
Nü Wa recolheu montanhas de lenhas na terra e transportou-as até o buraco celeste. Além disso, selecionou pedras azuis idênticas ao céu anil. Além disso, recolheu pedras brancas, vermelhas, pretas e amarelas e as colocou em cima dos gigantescos feixes de lenhas. Depois, a incendiou. O fogo iluminou o Cosmos. Pouco a pouco, as pedras se derreteram, se tornaram lama e taparam o buraco no céu.
Nü Wa reconstituiu o céu, mas não conseguiu recuperar sua forma original. Assim, permaneceu inclinado ao Noroeste, fazendo com que tanto o Sol quanto a Lua caíssem sempre no Oeste; a terra ficou com uma grande cratera ao Sudeste que traga todos os rios que correm na terra, formando-se os grandes oceanos.
A leste do mar Bo, havia um profundo vale Guixu, onde as águas se acumulavam. Em Guixu, encontravam-se cinco montanhas sagradas, que se chamavam respectivamente Daiyu, Yuanqiao, Fanghu, Leizhong e Penglai. Todas elas tinham uma altura de 30 mil lis (dois lis equivalem a um quilômetro) e se distanciavam por 70 mil lis. Os imortais viviam nas montanhas.
Todos os pássaros e animais nas montanhas eram brancos e as árvores davam saborosas frutas que imortalizavam as pessoas comuns. Os imortais vestiam roupas brancas e possuíam pequenas asas às costas. Voavam como pássaros entre as montanhas para visitar seus parentes ou amigos e levavam uma vida muito feliz.
Mas, estavam aborrecidos com uma coisa: as montanhas permaneciam rodeadas pelo mar. Elas eram transportadas pelas ondas provocadas pelas tempestades, dificultando as “viagens” dos imortais. Estes, então, resolveram enviar um representante para apresentar suas queixas ao imperador celestial. Preocupado com o mesmo problema, o imperador celestial enviou 15 grandes tartarugas para carregar as cinco montanhas: uma carregava a montanha, enquanto duas aguardavam a troca de turno, prevista para cada 60 mil anos. O problema foi resolvido e os imortais sentiram grande satisfação.
Um ano, um habitante do País dos Gigantes foi a Guixu pescar. O corpo do gigante se assemelhava ao de uma montanha e pescou, uma após outra, as seis tartarugas que se responsabilizavam pelas duas montanhas. Assim as montanhas Daiyu e Yuanqiao foram levadas pelo vento ao pólo Norte e afundaram no mar. Os seus habitantes, apavorados, tinham que mudar de casa e ficaram exaustos por transportar seus bens voando.
Inteirado da desgraça, o imperador celestial ficou zangado com o País dos Gigantes e reduziu a estatura de seus habitantes, a fim de evitar a repetição da tragédia.
As outras três montanhas sagradas carregadas pelas tartarugas permanecem no litoral chinês até hoje.




15/07/2009

Yao abdica trono a Shun


Na longa história antiga da China, o trono de imperador era hereditário. Mas, os três mais antigos reis na mitologia chinesa não tinham relações de sangue.
Yao foi o primeiro imperador chinês na mitologia. Na velhice, queria escolher um sucessor e convocou uma reunião dos chefes tribais apresentando suas ideias.


Um homem que se chamava Fangqi, disse: “seu filho Danzhu é apropriado para suceder o tronco”. Muito sério, Yao respondeu: “Ele não dá para suceder meu trono porque costuma brigar.” Outra pessoa disse: “Gonggong, que administra obras hidráulicas, seria um bom candidato”. Yao disse abanando a cabeça: “Gonggong é falador e mostra-se respeitante, mas tem outras ideias no coração. Com pessoas dessa, não posso ficar tranquilo”. A discussão ficou sem resultado e o imperador Yao continuava procurando seu sucessor.
Tempo passado, Yao voltou a convocar reunião dos chefes tribais sobre o assunto. Esta vez, várias pessoas recomendaram um jovem comum com o nome Shun. Acenando afirmativamente a cabeça, Yao disse: “Já ouvi falar do jovem. Poderiam apresentá-lo com mais detalhes?” Começaram a falar de Shun: o pai de Shun era um homem muito confuso, por isso era chamado de Gu Sou, velho cego. A mãe de Shun morreu cedo e a madraste o odeava. O irmão de Shun, que nasceu da madraste, chamava-se Xiang. Trata-se de um homem muito insolente, mas Gu Sou o adorava muito. No entanto, Shun tratavam bem todos os membros da família, por isso, todos diziam que Shun era um homem com virtude.
Yao decidiu fazer examinação: casou suas duas filhas a Shun, construiu um celeiro para ele e distribuiu-lhe muitos bois e ovelhas. A madraste e o irmão de Shun invejavam-no e junto com Gu Sou, pretendiam assassiná-lo.
Um dia, Gu Sou mandou Shou a reparar o telhado do celeiro. Mas quando Shou subiu ao telhado, Gu Sou começou a lançar fogo em baixo. Shun queria descer pela escadaria, mas esta desapareceu. Felizmente, ele tinha a mão dois chapeus de palha e chegou ao chão são e salvo, abanando os chapeus tal como pássaro batendo as asas.
Gu Sou e Xiang não se conformou com o acontecido e mandou Shun a limpar poço. Quando Shun chegou ao fundo do poço, Gu Sou e Xiang lançaram pedras e terra ao poço com a intenção de enterrar Shun ao vivo. Mas, Shun fez um canal ao descer no poço e conseguiu sair.
Xiang não sabia que Shun tinha fugido do poço, voltou para casa e com todo contento, disse a Gu Sou: “esta vez, meu irmão vai morrer com certeza. Vamos dividir os seus bens”. Dito isto e foi ao quarto de Shun. Ao entrar no quarto, viu Shun tocando um instrumento musical. Xiang ficou surpreendido, mas disse gaguejando: “Tenho muia saudade de você e vim para o visitar”.
Shun, como se não tivesse acontecido nada, disse: “Veio na hora oportuna. Tenho muitos assuntos que precisam de sua ajuda”. Depois, Shun continuava tratando os pais e o irmão como antes. E Gu Sou e Xiang não se atreveram a mais tentar matar Shun.
Depois de muitas investigações, Yao considerava Shun um homem com virtude e competência e decidiu abdicar-lhe o o trono.
Como imperador, Shun governava o país com diligência e economia e obteve a confinaça da população. Na sua velhice, abdicou o trono a seu sucessor, como Yao fazia com ele.





Homem do Fogo




中国国际广播电台
A mitologia chinesa é repleta de sábios, audazes e perseverantes heróis que atuam em defesa da população. Sui Ren é um deles.
O conto versa sobre o período em que os homens ainda não dominavam o fogo. Na penumbra da noite, os seres humanos agrupavam-se atemorizados pelos uivos de animais selvagens. Além disso, os homens consumiam alimentos crus, eram dizimados por doenças e tinham uma baixa expectativa de vida.

Um imortal Fu Xi, que vivia no céu, nutria uma profunda compaixão pelas cotidianas dificuldades dos seres humanos. Ele ansiava que eles dominassem o uso do fogo e mandou uma tempestade com trovões. Após um grande “brrum”,os raios cortaram as árvores, incendiaram seus galhos e tornaram os bosques um mar de fogo. As pessoas fugiram apavoradas. Pouco depois, a tempestade cessou enquanto a noite vinha chegando e a terra e o ar exalavam um cheiro de umidade. As pessoas se agruparam defronte às árvores queimadas. Neste momento, um jovem percebeu que não havia mais os uivos de animais selvagens e pensou: “será que os animais têm medo dessa coisa brilhante?”Aproximou-se com coragem do fogo e sentiu-se aquecido. Animado, chamou seus companheiros: “Venham cá. O fogo nos trouxe luz e calor “.
Enquanto isso, outras pessoas descobriram animais mortos, cujas carnes exalavam um cheiro gostoso. As experimentaram e gostaram. Conhecendo o uso de fogo, começaram a recolher ramos de árvores para manter acesa as chamas e um plantão para guardá-la todo o dia. Mas, um dia, o plantão dormiu no seu posto e a chama apagou-se. A humanidade voltou a cair na escuridão.
Fu Xi acompanhou tudo isso no céu e entrou no sonho do jovem que descobriu o uso de fogo, dizendo: “No Ocidente existe um país da Luz. Pode ir lá para buscar sua chama ”. Ao acordar, o jovem lembrou-se das palavras do imortal e decidiu buscar a chama no País da Luz.
Atravessando altas montanhas, grandes rios e imensas florestas, o jovem chegou finalmente ao País da Luz. Mas, não havia lá nem luz solar nem qualquer chama acesa. O mundo, ali, era escuro. Decepcionado, o jovem sentou-se em baixo de uma grande árvore. De repente, descobriu uma coisa cintilante à sua frente. O jovem levantou-se, começou a procurar a fonte da luz e viu alguns pássaros comendo pequenos insetos na árvore. O atrito entre o bico das aves e o tronco das árvores provocava faíscas. Inspirado pela cena, o jovem pegou um galho e começou a perfurar o tronco da árvore. Surgiram faíscas, mas não obteve fogo. O jovem insistiu em tentar o fogo friccionando os galhos nas árvores. Pouco a pouco, as fricções provocaram fumaça e, finalmente, o fogo. O jovem, emocionado, chorou.
O jovem voltou à terra natal e ensinou a técnica de produzir fogo com fricções. A população, admirando a valentia e sabedoria do jovem, elegeu-o como seu líder e chamou-o Sui Ren, “Homem do Fogo”.


28/06/2009

O Rapto de Ganímedes


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Um jovem quando muito belo, despertava a paixão e o desejo de homens maduros. Ser raptado por um homem mais velho era comum em sociedades como a cretense, sendo autorizado pela lei, estabelecendo um prazo de convivência entre raptor e raptado, que cessava com a volta do jovem trazendo presentes que a lei da cidade especificava, como um boi para ser sacrificado a Zeus, em uma festa que o jovem dava, declarando publicamente se havia concordado ou não com o rapto e com o relacionamento que estabelecera com o amante. Se ao ser raptado, o jovem noivo não concordasse com o amante, ele poderia, no momento do sacrifício do boi e da festa, exigir uma reparação e desligar-se da relação. Dificilmente este fato acontecia, visto que era uma desgraça social um jovem bonito e de família abastada não possuir amante em conseqüência da sua má conduta para com quem o raptasse. Os que eram raptados tornavam-se companheiros dos seus amantes, usufruindo privilégios especiais, como usar roupas da melhor qualidade; ocupar os lugares de honra nas corridas e danças, indicando que eram especiais para os seus amantes.
A lenda do rapto de Ganímedes por Zeus, o senhor do Olimpo, legitimava o ato de raptar adolescentes, dando ao costume a ritualização religiosa necessária. Zeus, pai absoluto dos deuses e dos heróis, tem as suas lendas voltadas para os amores impetuosos que sempre teve e que o levaram a raptar e amar diversas mulheres, com as quais sempre teve filhos. Para que as suas conquistas não fossem descobertas por sua colérica e ciumenta esposa Hera (Juno), Zeus usava os mais complexos disfarces para atrair as amantes: metamorfoseou-se de touro para atrair Europa ou de Cisne para amar a bela Leda. Fugindo da função dos amores fugazes e procriadores, surge a lenda de Ganímedes, um príncipe troiano que arrebatou o coração do mais poderoso dos deuses do Olimpo, fazendo-o por um momento, amante do amor que sublimava o belo, esquecendo-se da função milenar da procriação.
Ganímedes era um príncipe troiano, que, ao despertar a puberdade no corpo e na alma, trazia uma beleza rara. Seus traços de homem-menino reluziam pelos campos aos arredores da cidade de Tróia, onde cuidava dos rebanhos do pai. Foi numa tarde de primavera, que a beleza maliciosa de Ganímedes chamou a atenção de Zeus. O senhor do Olimpo, ao avistar beleza tão sublime, foi fulminado pela paixão. Impossível resistir à graciosidade do rapaz, ao rosto ainda imberbe, a transitar entre a juventude e à idade viril. Enlouquecido pelo desejo e pela paixão, Zeus transformou-se em um águia, indo pousar junto ao jovem. Encantado pela beleza onipotente da ave, Ganímedes aproxima-se, acariciando-lhe a plumagem. Imediatamente Zeus envolve o rapaz, tomando-o pelas garras, levando-o consigo para as alturas. Cego de paixão, o senhor do Olimpo possui o jovem ali mesmo, em pleno vôo. Ganímedes após ter sido ludicamente amado por Zeus, foi levado para o Olimpo.
Ao contrário das lendas das amantes de Zeus, que após o idílio do amor, eram perseguidas pelos ciúmes de Hera ou pela ira dos pais, sofrendo até o momento do parto do filho do deus, Ganímedes, apesar da fúria de Hera, chega ao Olimpo intacto, onde é recebido com honras, assumindo o posto privilegiado de servir o néctar da imortalidade aos deuses, substituindo Hebe na função. Após servir aos deuses, Ganímedes derramava os restos sobre a terra, servindo também aos homens.



A lenda legitima os privilégios que os jovens raptados tinham ao lado dos amantes. Evita-se o castigo, comum às amantes de Zeus, mostrando que o amor de um homem mais velho com um jovem era lícito, puro e honroso. Ganímedes é hoje um dos satélites do planeta Júpiter, uma homenagem ao mito.

Adónis e as anémonas

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Cíniras, rei de Chipre, filho de Apolo, é um soberano amante da arte e o criador de vários instrumentos musicais, como a flauta. Após um banquete regado de muito vinho e música, o rei recolheu-se nos seus aposentos, totalmente embriagado. A filha Mirra, que nutria uma paixão pelo próprio pai, aproveita da sua embriaguez para viver este amor, deitando-se no leito do pai e com ele tendo uma noite de amor. No dia seguinte, já sóbrio, o rei percebe o ardil. Enfurecido tenta matar a filha, que foge para os bosques. É nos bosques que Mirra irá dar à luz àquele que se tornaria o homem mais belo de toda a Grécia, Adónis, filho incestuoso do amor que sentia pelo próprio pai.
Adónis é de uma beleza perfeita. Tão perfeita que atrai para si a paixão de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Nos braços do amante mortal, Afrodite vive dias de intensa e feliz paixão, despertando a fúria do seu amante, o deus Ares, senhor da guerra e da discórdia. Preterido pelo amor de um mortal, o deus vinga-se da amante, quando Adónis participa de uma caçada de javalis. Ares envia um javali enfurecido que ataca o jovem, ferindo-o mortalmente nas ancas. O sangue de Adónis mancha a erva verde. Afrodite corre em socorro do amante, mas já o encontra dilacerado e morto pelo javali. Do sangue do belo Adónis faz brotar as anémonas, flores brancas e sem cor. A deusa que se tinha ferido ao correr entre as silvas, vê o próprio sangue respingar sobre as anémonas, que se tingem de vermelhas. Da sua dor e do sangue do amado foi feita a anémona, flor da tristeza e do consolo, de raríssima beleza e que floresce e vive por pouco tempo.

26/05/2009

Jacinto e o Amor dos Deuses

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O belo Jacinto trazia na sua sensualidade de mortal o poder da sedução que despertou a paixão do deus Apolo e de Zéfiro, deus e senhor dos ventos do oeste. Diante da corte dos dois deuses, Jacinto decidiu-se por Apolo, provocando a ira e o ciúme incontrolável de Zéfiro.
Jacinto tornara-se muito amado por Apolo, que passou a segui-lo onde quer que fosse. Corriam pelos campos sob os olhos invejosos de Zéfiro, desfilando sua paixão e corpos perfeitos. Numa tarde de brisa suave, os dois amantes se divertiam com o jogo de arremesso de disco. Apolo arremessou o disco no céu. Jacinto seguiu com os olhos extasiados o vôo daquele disco. Foi neste momento sublime que Zéfiro interviu, mudando a direção dos ventos, fazendo com que o disco arremessado por Apolo atingisse a fronte de Jacinto. Tão logo atingido, o belo Jacinto deu o seu último suspiro, caindo morto sobre os campos. Da sua fronte o sangue jorrou, manchando a terra.
Apolo correu em socorro do amante, tentou ainda ressuscitá-lo, mas nem os seus poderes imortais trouxeram o jovem à vida. Apolo abraçou-se ao corpo do amado. Sentia o tormento da culpa em seu ser imortal. Jurou ao amante que jamais seria esquecido por ele, que todas às vezes que tocasse a sua lira e murmurasse o seu canto, seria uma forma de homenageá-lo e de lembrá-lo. E do sangue de Jacinto que molhava o solo, o deus fez brotar uma flor que trazia o colorido mais belo que a púrpura tíria. Uma flor muito semelhante ao lírio, porém, roxa. Ela traduzia a saudade e o pesar de Apolo. A flor foi chamada de jacinto e renasce toda primavera para lembrar o destino e a beleza perdida de Jacinto.
A flor descrita em nada se parece com o jacinto moderno, talvez seja uma íris ou amor-perfeito. Mas o jacinto como flor ficou a ser o símbolo da dor e da culpa de Apolo. Ou da inveja e da paixão não correspondida de Zéfiro.

Contos e Lendas da Mitologia Grega


12/05/2009

Nü Wa restaura a abóbada celeste


A deusa Nü Wa é exótica. Meia humana, meia dragão, é um dos primeiros personagens da mitologia chinesa. Segundo afirma uma lenda, foi ela quem criou a humanidade.
Depois que Pan Gu criou o universo, Nü Wa viajava por todo o mundo. Naquele tempo, a Terra era habitada por animais, pássaros e peixes, bem como floresciam árvores e flores. Mas, Nü Wase sentia-se só. Em certa ocasião, ajoelhou-se no chão e tomou um punhado de terra e a misturou com água para moldar uma figura à sua imagem e semelhança. Mas, fez-lhe duas pernas em vez do corpo do dragão. Surgiu uma figura que podia falar e andar. Nü Wa a chamou de Ren, Homem. Quando terminou seu trabalho, a figura ganhou vida: era o primeiro ser humano. Nü Wa se sentiu tão contente com sua criação, que continuou modelando mais figuras, de homens e mulheres, quem dançaram alegremente ao seu redor fazendo-lhe esquecer a solidão.
Nü Wa queria povoar os seres humanos em toda a Terra, mas estava cansada de tanto trabalhar. Para acelerar o ritmo, pegou uma corda, molhou-a na lamas do fundo do rio, tirou-a e começou a agitá-la. A lama se espalhou pelo mundo e, ao cair no chão, tornava-se um ser humano.
Mas, Nü Wa tinha novas preocupações: as pessoas iriam morrer, e o trabalho de sua criação nunca acabaria, o que fazer? Então, ela uniu os homens e as mulheres por matrimónio para que procriassem e assumissem a responsabilidade de nutrir seus filhos. Desta maneira, perpetuou a humanidade.



15/04/2009

Huang Di combate Chi You


Há milhares de anos, as margens dos rios Amarelo e Yangtsé eram habitadas por muitas tribos. Reza a tradição que Huang Di e Yan Di eram os mais famosos chefes no curso do rio Amarelo e, ao mesmo tempo, no rio Yangtsé, Chi You comandava a tribo Jiuli.
Chi You tinha 81 irmãos. Todos possuíam corpos de animais, rostos humanos, cabeças de bronze e braços de ferro. Eram hábeis na produção de armas como a faca e o arco e flecha. Valendo-se desta poderosa força, Chi You hostilizava com frequência outras tribos.
Certa vez, Chiyou teria ocupado a região de Yan Di. Este queria retomar o território perdido, mas acabou derrotado e se retirou para Zhuolu, território sob o domínio de Huang Di.
Huang Di pretendia, desde há muito, eliminar a tribo de Chi You e organizou uma frente entre várias tribos para travar uma guerra contra Chi You.
No início, as tropas de Huang Di não podiam fazer frente ao poderio bélico de Chi You e acumularam várias derrotas. Em certa ocasião, quando ambos os exércitos estavam em meio a uma renhida batalha, Chi You fez um conjuro produzindo uma densa neblina que desorientou os soldados de Huang Di. Mas, graças ao carro-bússola que Huang Di tinha fabricado, seus homens se orientaram e puderam romper o cerco.
Logo, Chi You chamou o deus do vento e a chuva para promover uma tempestade. Mas, Huang Di chamou sua filha, a deusa da Seca, emanando uma grande quantidade de calor que acabou de um golpe com a tempestade.
A batalha decisiva se realizou em Zhuolu, imortalizada em muitos livros e registros históricos. Com a ajuda dos Kuafu, uma tribo de gigantes do Norte, cujo ancestral era Kuafu, aquele que morreu de sede ao perseguir o Sol, Chi You fez com que Huang Di retrocedesse 25 quilómetros. No entanto, este pôs em prática uma estratégia ensinada pela Deusa dos Noves Céus e venceu finalmente Chi You, que acabou capturado e decapitado. Para evitar o ressurreição de Chi You, Huang Di ordenou que sua cabeça fosse enterrada em Shandong, a mais de 500 quilómetros de distância do local onde fora enterrado seu corpo.
Depois da vitória sobre Chi You, Huang Di tornou-se o chefe de todas as tribos das planícies centrais, dominando uma área que se estendia até o Mar no Leste, a província atual de Gansu no Oeste, o rio Yangtsé no Sul e as actuais províncias de Shanxi e Hebei no Norte. Segundo a lenda, quando Huang Di completou 100 anos, um dragão alado o levou ao céu.




24/02/2008

O Último Combate





Na terra, a luta não havia terminado. Para se tornar definitivamente o soberano dos deuses e dos homens, Zeus ainda precisava combater um temível demónio, Tífon, que era o filho mais moço de Gaia.
Quando esse ser monstruoso se aproximava, todo mundo fugia, e os próprios deuses receavam enfrentá-lo. Sua força inesgotável, sua estatura descomunal e sua feiúra superavam as de todos os outros filhos de Gaia. Na extremidade de seus braços imensos, agitavam-se cabeças de dragão com língua preta. Cada uma delas soltava centelhas de fogo pelos olhos e gritos de animal selvagem.
Zeus as ouviu gemer, berrar e rugir uma após a outra. Preparou-se para a luta e empunhou suas armas. O choque foi terrível: a terra tremeu, o céu ficou em brasa, e o mar se ergueu num vagalhão fervente. Dentre os dentes dos dragões jorravam chamas que os relâmpagos de Zeus desviavam. De repente, juntando todas as suas forças, Zeus lançou um dardo1 poderoso, feito de seu raio, que inflamou de uma só vez as múltiplas cabeças de dragão. O monstro se consumiu num fogaréu gigantesco, queimando toda a vegetação em torno. Então, finalmente vitorioso, o senhor supremo do trovão o precipitou no fundo do Tártaro. Agora Zeus podia reinar. Voltou à sua morada no cume do monte Olimpo. Encoberto por nuvens espessas, o palácio do soberano dos céus ali se erguia, majestoso. Os deuses costumavam se encontrar no salão de mármore para alegres banquetes, em que se deleitavam com néctar e ambrósia. Eles gostavam das festas, e volta e meia suas risadas e cantos ressoavam no Olimpo. Sentado num trono de ouro e marfim, Zeus dominava os deuses e o mundo em baixo.
Com seu raio, podia agitar o céu e, com um meneio da cabeça, sacudir a terra. Todos temiam seu poder, mas respeitavam sua justiça.
Essa vitória assinalou o início de uma nova era, em que nasceram os Mortais.2 Os da época de Crono eram diferentes.

Contos e Lendas da Mitologia Grega


1 Espécie de lança, que se atira com a mão ou com a ajuda de uma arma.
2 Os homens são chamados desse modo em oposição aos deuses, que são imortais.

16/02/2008

O combate de Zeus e a divisão do mundo





O menino foi criado às escondidas numa gruta da ilha de Creta. Réia teve a ideia de confiar sua educação aos Curretes, demónios que tinham o costume de dançar batendo as armas umas contra as outras. De fato, Réia, preocupada em proteger o filho, contava com o barulho do bronze para encobrir o choro do bebê. Cercado pelas ninfas do lugar, o menino cresceu alimentado com o leite da cabra Amaltéia e com o mel que as abelhas do monte Ida forneciam. Essa infância secreta transcorreu harmoniosamente, sem que Crono descobrisse a existência de seu sexto filho.
Já crescido, Zeus sonhava em destronar o pai, mas não conseguiria fazer isso sozinho. Teve então a ideia de lhe dar uma bebida que o obrigasse a vomitar os filhos que engolira. O efeito foi fulminante. Libertados seus irmãos, Zeus pôde se lançar com eles num duro combate contra Crono e os Titãs.
Após dez anos de luta, a guerra ainda continuava. Gaia decidiu ajudar Zeus e seu grupo, revelando-lhe o conteúdo de uma velha profecia: "Você não poderá nunca vencer a exército de seu pai sem o auxílio dos Ciclopes e dos outros gigantes. Desça, pois, às profundezas do Tártaro, onde estão encerrados. Liberte-os, e eles lhe darão o trovão, o relâmpago e o raio!".
Zeus seguiu esse conselho e, com a ajuda dos Ciclopes, dos Cem-Braços e dos Gigantes, conseguiu derrotar o pai.
Como tinha vencido graças a seus irmãos Hades e Posêidon, Zeus partilhou com eles o domínio do mundo.
O universo se dividia em três regiões: o céu estrelado e a terra eram a primeira; o oceano, que rodeava a terra, a segunda, e, por fim, vinham as partes subterrâneas. A sorte destinou a cada um seu reino. Zeus recebeu a parte luminosa e terrestre. Suas armas simbolizavam as forças celestes. Coube a Hades a parte subterrânea, para onde vão os mortos: foi reinar no Inferno,1 sobre o povo das Sombras. Posêidon, enfim, fixou seu poder sobre todos os elementos líquidos, os mares e os rios que percorrem a terra.

Contos e lendas da Mitologia Grega


1 O Inferno representa o conjunto do mundo subterrâneo, e não apenas o lugar em que os condenados pagam por seus erros.



05/02/2008

Crono


Vencedor de seu pai Urano, Crono se tornou o senhor todo-poderoso do universo. Em vez de beneficiar seus parentes, libertando os irmãos, preferiu reinar sozinho e os deixou encerrados nas profundezas da terra. Sua mãe, furiosa, predisse seu fim:
"Você também, filho meu, será deposto do trono por um dos seus filhos!"
Temendo a realização dessa profecia, Crono fez como o pai: arranjou um jeito de eliminar os filhos que lhe dava sua esposa Réia. Cada vez que nascia um, ele o devorava. Isso ocorreu com cinco recém-nascidos.
A mãe deles, desesperada, foi ver Gaia:
"Querida avó, preciso da sua ajuda. Seu filho faz desaparecer todos os filhos que concebo. Um sexto acaba de nascer. E um menino. Ajude-me a salvá-lo!"
"Você precisa ser mais astuciosa do que ele, minha filha", respondeu-lhe maliciosamente Gaia. "Enrole uma pedra numa coberta e entregue a Crono, no lugar do bebé. Ele nem vai desconfiar e vai engolir a pedra, como engoliu os outros filhos!"
A profecia de Gaia não tardaria a se realizar: o bebê que elas acabavam de salvar era Zeus. O jovem deus logo tomou do pai o poder absoluto sobre o mundo...

Contos e Lendas da Mitologia Grega


04/02/2008

Urano e Gaia




Da união deles nasceram primeiro seis meninos e seis meninas, os Titãs e as Titânides, todos de natureza divina, como seus pais. Eles também tiveram filhos.
Um deles, Hiperíon, uniu-se à sua irmã Téia, que pôs no mundo Hélio, o Sol, e Selene, a Lua, além de Eo, a Aurora. Outro, Jápeto, casou-se com Clímene, uma filha de Oceano. Ela lhe deu quatro filhos, entre eles Prometeu. O mais moço dos Titãs, Crono, logo, logo ia dar o que falar.
A descendência de Urano e Gaia não parou nesses filhos. Conceberam ainda seres monstruosos como os Ciclopes, que só tinham um olho, bem redondo, no meio da testa, e os Cem-Braços, monstros gigantescos e violentos. Os coitados viviam no Tártaro, uma região escondida nas profundezas da terra. Nenhum deles podia ver a luz do dia, porque seu pai os proibia de sair.
Gaia, a mãe, quis libertá-los. Ela apelou para seus primeiros filhos, os Titãs, mas todos se recusaram a ajudá-la, excepto Crono. Os dois arquitectaram juntos um plano que deveria acabar com o poder tirânico de Urano.
Certa noite, guiado pela mãe, Crono entrou no quarto dos pais. Estava muito escuro lá, mas o luar lhe permitiu ver seu pai, que roncava tranqüilo. Com um golpe de foice, cortou-lhe os testículos. Urano, mutilado, berrou de raiva, enquanto Gaia dava gritos de alegria. Esse atentado punha fim a uma autoridade que ela estava cansada de suportar, e a inútil descendência deles parava aí — ou quase... Algumas gotas de sangue da ferida de Urano caíram na terra e a fecundaram, dando origem a demónios, as Erínias,1 a outros monstros, os Gigantes, e às ninfas,2 as Melíades.


Contos e Lendas da Mitologia Grega



1 Divindades infernais. Com seu corpo alado, sua cabeleira de serpentes e munidas de tochas e chicotes, atormentam suas vítimas, levando-as à loucura.
2 Deusas que vivem nos bosques, nas montanhas, nos rios, no mar.


13/01/2008

A criação do mundo


Na origem, nada tinha forma no universo. Tudo se confundia, e não era possível distinguir a terra do céu nem do mar. Esse abismo nebuloso se chamava Caos. Quanto tempo durou? Até hoje não se sabe.
Uma força misteriosa, talvez um deus, resolveu pôr ordem nisso. Começou reunindo o material para moldar o disco terrestre,1 depois o pendurou no vazio. Em cima, cavou a abóbada celeste, que encheu de ar e de luz. Planícies verdejantes se estenderam então na superfície da terra, e montanhas rochosas se ergueram acima dos vales. A água dos mares veio rodear as terras. Obedecendo à ordem divina, as águas penetraram nas bacias para formar lagos, torrentes desceram das encostas, e rios serpearam entre os barrancos.
Assim, foram criadas as partes essenciais de nosso mundo. Elas só esperavam seus habitantes. Os astros e os deuses logo iriam ocupar o céu, depois, no fundo do mar, os peixes de escamas luzidias estabeleceriam domicílio, o ar seria reservado aos pássaros e a terra a todos os outros animais, ainda selvagens.
Era necessário um casal de divindades para gerar novos deuses. Foram Urano, o Céu, e Gaia, a Terra, que puseram no mundo uma porção de seres estranhos.


Contos e lendas da Mitologia Grega