14/10/2011

Sansão e Dalila

Sansão, cujo nome significava "homem do sol", era um nazareno dotado de extraordinária força. Era um dos juízes bíblicos cuja história está descrita no Livro dos Juízes (13-16) e no Novo Testamento (Hebreus 11,32).
Conta-se que Deus terá chamado Sansão para libertar o povo de Israel que vivia dominado pelo Filisteus. Estes, que tinham um medo enorme da força do nazareno, tentavam sem sucesso prender Sansão. Os governantes filisteus, sabendo da paixão de Sansão pela finisteia Dalila, aliciaram a jovem, com 1100 moedas de prata, a descobrir a origem da força invencível de Sansão. Dalila amava Sansão, mas este amor era inferior ao que sentia pelo seu povo. Com o seu grande poder de sedução, Dalila tentou não só desvendar de Sansão o segredo da sua força, como também arranjar uma forma para que ele fosse dominado pelos finisteus.
Primeiramente, Sansão disse-lhe que ficaria vulnerável como qualquer outro homem, se o amarrassem com sete fibras novas de arco que não tivessem sido secas. Dalila atou Sansão com as sete fibras, durante o sono mas, quando os Filisteus chegaram para o levar, ele arrancou as fibras sem dificuldade. À segunda tentativa de Dalila, Sansão disse-lhe que seria, facilmente, dominado se fosse amarrado por cordas novas, mas também destas se libertou, sem custo, quando chegaram os Filisteus. A terceira versão de Sansão foi tão falsa como as duas anteriores, pois quando Dalila teceu as sete madeixas do cabelo de Sansão com uma rede e as apertou com um gancho, durante o sono de Sansão, este voltou a libertar-se facilmente. Foi então que Dalila (não se sabe através de que artes) conseguiu saber o segredo da força de Sansão. Este disse-lhe que, se os seus cabelos fossem cortados, a sua força abandoná-lo-ia e ficaria fraco como uma criança. Sansão adormeceu no colo de Dalila e esta, suavemente, cortou-lhe os caracóis dos cabelos. Acordado pela chegada dos Filisteus, Sansão acreditava ainda ter força, mas foi rapidamente dominado pelos soldados, que lhe perfuraram os olhos e o prenderam com algemas de bronze.
Sansão foi exposto e humilhado, publicamente, no caminho do templo de Dagôn, onde foi amarrado aos dois pilares que sustentavam o enorme edifício. A população juntou-se aos milhares para ver a derrota de Sansão e este, num último esforço, pediu a Deus que lhe devolvesse a força, por instantes. Foi, então, que Sansão, heroicamente, fez ruir os pilares, causando a destruição do templo e, consequentemente, a morte dos Filisteus, de Dalila e do próprio Sansão.



13/10/2011

O Morcego e a Doninha


Um dia, um Morcego caiu num buraco de uma Doninha e foi apanhado por ela. Pediu-lhe que lhe poupasse a vida, mas a Doninha recusou respondendo-lhe que não o podia fazer porque era inimiga dos pássaros.
- Mas eu não sou um pássaro, sou um rato! - argumentou o Morcego.
Ouvindo isto, a Doninha poupou-lhe a vida e deixou-o partir.
Pouco tempo depois, o Morcego voltou a cair e foi apanhado por outra Doninha. Desta vez, quando o Morcego lhe pediu que lhe poupasse a vida, a Doninha respondeu que não podia, porque detestava ratos.
- Mas eu não sou um rato, sou um pássaro! - respondeu-lhe o Morcego.
A Doninha deixou-o partir, poupando-lhe a vida.

Moral da história:
É bom sabermos adaptar-nos às circunstâncias.


Fábula de Esopo


07/10/2011

Remédio para cavalo

Em Urumqi, um taoísta vendia remédios no mercado e algumas pessoas diziam:
— Esse aí é feiticeiro. E dos grandes!
Ele tinha sido visto em um albergue e, pouco antes de dormir, abriu uma bolsa que trazia na cintura. De dentro da bolsa tirou uma menor. E nessa menor, pegou dois comprimidos de cor escura. Imediatamente duas mulheres belíssimas apareceram no quarto para dormir com ele. Elas só deixaram o quarto de madrugada.
No dia seguinte, alguém perguntou como tudo tinha acontecido. Ele fez cara de desentendido. Negou de pé junto que soubesse alguma coisa.
Eu me lembro de ter lido nos “Trabalhos Ininterruptos”, de Zhou Yuexi, uma explicação de que pessoas como esse monge taoísta são “caçadores de almas”. Como essa magia perde a eficácia se a pessoa comer carne de cavalo, e como um cavalo acabava de morrer na guarnição, enviei um ajudante com instruções secretas ao dono do albergue. Ele devia dizer ao taoísta que havia boa carne de cavalo e que ele estava convidado para comer um pouco.
O taoísta moveu a cabeça de um lado para o outro.
— Carne de cavalo? Claro que não — disse.
Isso reforçou minhas suspeitas e decidi tomar providências.
Meu colega, general Chen Tiqiao, foi contra:
— Que moças estejam com o taoísta é impossível saber, porque você não viu com seus próprios olhos. E não viu igualmente se ele come ou não carne de cavalo. Fiar-se a boatos não verificados para abrir um processo às pressas me parece perigoso. Nessa região, não se tem o direito de prender um indivíduo com base apenas na suspeita: melhor pedir a repartição competente para expulsá-lo do território e o assunto fica resolvido.
Estava pensando nos passos a dar quando o general Wen soube da história e disse:
— Querer ir a fundo nessa questão é ir longe demais. Suponhamos que por medo de castigo esse homem confesse qualquer coisa. O assunto ficaria então muito grave e seria preciso tomar outras providências.
Como não existe nenhuma prova ainda, como fazer para pôr um fim nisso? Expulsá-lo do território não resolve, por que ele vai para outro lugar, dá um golpe e declara que viveu durante muito tempo em Urumqi. Quem ficaria com a responsabilidade?
Todas as guarnições devem interrogar, investigar, examinar todos os indivíduos de comportamento suspeito. Se existem provas reais, ele será entregue à autoridade competente. Caso contrário, melhor enviá-lo ao lugar de onde ele veio, para que ele não engane o povo. Não é uma boa solução?
Nós ficamos admirados com a sabedoria dos senhores generais.



06/10/2011

Porque é que a cobra não tem patas



Então quando Adão e Eva apareceram, havia uma árvore que o fruto dela era a maçã, e a maçã nessa altura era o fruto proibido. E havia uma cobra e, nessa altura, ela tinha patas. Mas um dia, a Eva foi lá a passar por perto da árvore e a cobra estava lá e insistiu muito com a Eva para ela comer a maçã, e a Eva comeu a maçã. E depois não lhe fez mal nenhum. E depois foi lá o Adão a dizer porque é que ela tinha comido a maçã, mas ela disse que não tinha acontecido nada e para ele comer também. Depois ele comeu também e depois Deus como castigo divino tirou as patas à cobra.


Albufeira
(recolha oral)