08/12/2011

A história de Job



Job era muito rico, tinha muitos bens, tinha esposa, tinha filhos, tinha criados e tinha muito gado, era muito rico mesmo. E depois o demónio tinha inveja daquilo tudo [e] pediu a Jesus que queria Job para ele. E Jesus disse para ele:
- Não, Job não te dou, dou-te os bens dele, vai-lhos tirando conforme tu entenderes. Então, o demónio que [era] mauzinho, claro, logo se diz que é Satanás, é mau, coisas diabólicas são sempre más. Mas Jesus prometeu-lhe tudo menos a alma de Job que a queria para ele. Então, o demónio, hoje tirava-lhe uma filha, matava-lhe a filha, matou-lhe a esposa, os filhos todos, vá lá. Matou-lhe os filhos todos, matou-lhos mesmo, matou-lhos mesmo, é demónio, eram mortos mesmo que ele apanhava-os de caminho eles morriam assim fulminantemente. Dizia a minha mãe que eles que apareciam mortos, iam para a terra e que já não apareciam em casa, mortos. E depois tinha gado, levou-lhe o gado todo, matou-lhe tudo, tudo, tudo. E por fim encheu-o de feridas, de chagas.
Então os vizinhos diziam assim:
- Ó Job...
Porque naquele tempo diziam que quem fosse castigado que era por uns pecados que tinham: aquela pessoa é má, é castigada. É Deus que está a castigar. Não era Deus que Deus não castiga ninguém, é o demónio, é aí que foi o demónio que entrou.
Entrou mas levou os bens não levou Job porque Job foi sempre sério, sempre seguro. E as pessoas diziam assim:
- Ó Job, o que é que tu fizeste para Deus te castigar tanto?
- Deus não castiga, Deus deu e Deus vai tirando.
A ideia de Job era essa: Deus deu e Deus tirou.
Pois Deus prometeu ao demónio para tirar tudo até à última menos a alma dele. Então aquilo desapareceu tudo até ao fim, até estar mesmo no extremo todo doente.
E Job pediu a Nosso Senhor: “o que é que ele queria mais dele”.
E Jesus respondeu-lhe:
- Quero a tua alma mas vais novamente ter nova família.
Deu-lhe nova esposa, nova família, deu-lhe nova fortuna mas não permitiu mais que o demónio se metesse na vida dele. E disse para Job:
- Quero a tua alma nunca mais a percas, nunca mais te deixas.
Porque ele também não se deixou levar, porque ele também se dizia assim: ‘Deus deu e Deus tirou’, foi sempre firme até ao fim. É por isso nós dizemos assim:
- Eu queria ter um bocadinho de paciência como Job teve.

(Recolha oral)

03/12/2011

O Burro, a Raposa e o Leão


O Burro e a Raposa acordaram proteger-se mutuamente e foram juntos para a floresta em busca de comida. Mal tinham começado a caminhada quando encontraram um Leão. Perante este perigo, a Raposa aproximou-se do Leão e propôs-lhe:
- Se me poupares, ajudo-te a caçares o Burro sem grande esforço.
O Leão aceitou a troca. Satisfeita, a Raposa voltou para junto do Burro e tranquilizou-o:
- Não tenhas receio porque o Leão prometeu que não nos fará mal.
O Burro acreditou no que ela disse e continuou a pastar despreocupadamente. Mas, a pouco e pouco, a Raposa conduziu-o para a beira de uma ravina e provocou a sua queda.
Vendo que o Burro já não podia fugir-lhe, o Leão atirou-se à raposa e comeu-a.

Moral da história:
Não confies nos teus inimigos.


Fábula de Esopo


A raposa e o porco espinho



Uma Raposa, que precisava atravessar a nado um rio não muito caudaloso, acabou surpreendida por uma forte e inesperada enchente.
Depois de muita luta, teve forças apenas para alcançar a margem oposta, onde caiu quase sem fôlego e exausta.
Mesmo assim, estava feliz por ter vencido aquela forte correnteza, da qual chegou a imaginar que jamais sairia com vida.
Pouco tempo depois, veio um enxame de moscas sugadoras de sangue e pousaram sobre ela. Mas, ainda fraca para fugir delas, permaneceu quieta, repousando, em seu canto.
Então veio um Porco Espinho, que vendo todo aquele seu drama, gentilmente se dispôs a ajudá-la e disse:
- "Deixe-me espantar estas moscas para longe de você!"
E exclamou a Raposa quase sussurrando:
- "Não! Por favor não perturbe elas. Elas já pegaram tudo aquilo de que precisavam. Se você as espanta, logo outro enxame faminto virá e irão tomar o pouco sangue que ainda me resta!"

Moral: Pode ocorrer que, algumas vezes, o remédio para a cura de um mal é pior que o mal em si mesmo.


Fábulas de Esopo

01/12/2011

O arco e a flecha

Um homem contava vantagens da qualidade de seu arco:
-Olha meu arco. Ele é tão bom que nem preciso de flecha.
Outro vangloriava-se da qualidade de sua flecha.
-Olha minha flecha. Ela é tão boa que nem preciso de arco.
Nesse momento passava um mestre arqueiro que parou e disse aos dois contadores de prosa:
O que estão falando não tem sentido. Sem arco, como atirar a flecha? E sem flecha, como atingir o alvo?
Ele pediu então emprestado o arco e a flecha e começou a ensinar aos dois a arte do arco e da flecha.
Só então os dois faladores compreenderam pela primeira vez que um arco precisa de uma flecha e uma flecha precisa de um arco.