( 391x375 , 253kb)


18/08/2010

Os dois primos Li



Eram dois primos, mas nem pareciam. Um, Li-Fong, um coração de oiro. O outro, Li-Kong, um patifório sem coração.
Trabalhavam ambos no mesmo ramo. Cada qual tinha um armazém de sementes e frutos secos, frente a frente, numa das ruas de mercadores da cidade Piong, na Península da Coreia.
Li-Kong passava o tempo a queixar-se de tudo. Eram os negócios que corriam mal. Eram as chuvas que vinham fora da época. Eram os pássaros que lhe roubavam as sementes.
Li-Fong sorria a tudo. Se tinha razões de queixa, não se dava por isso. Até os pássaros que depenicavam sementes, à porta do armazém, lhe davam motivo para sorrir.
Uma vez, uma pequena andorinha, que ainda não sabia voar, partiu uma asa, ao cair no beiral. Li-Fong cuidou dela e com muito carinho pôs-lhe uma tala, que atou com um fio à asa partida.
A andorinha recuperou e, chegado o Outono, ganhou forças para subir aos ares com as suas companheiras, em direcção a outras paragens. Mas não se esqueceu de quem a salvara...
Na Primavera seguinte, passou pelo armazém de Li-Fong e depositou nas mãos do seu protector uma semente, que trouxera no bico, sabe-se lá donde. Depois, abalou.
Li-Fong, que sabia tudo de sementes, mas não conhecia aquela, resolveu semeá-la no quintal. A semente germinou e uma planta de grandes folhas verdes trepou pela parede. Li-Fong regava-a cuidadosamente e animava-a a crescer, com palavras de mimo, como se ela o entendesse.
A planta deu flor e a flor fruto, um grande e estranho fruto dourado do tamanho de uma abóbora. Li-Fong cheirou-o, mas não o reconheceu pelo cheiro. A bem dizer, não cheirava a nada. Em contrapartida, encostando o ouvido à casca do fruto, parecia que se ouvia música e uma longínqua agitação de festa.
O primo Li-Kong troçou dele, com o seu habitual azedume:
- Esse fruto estapafúrdio vai dar-te para fazeres uma sopa de barulho.
Li-Fong resolveu-se a abri-lo e, quando o fez, diante do primo, ficaram ambos sem fala. Daquela espécie de abóbora saiu um exército de criados que armou mesas e dispôs iguarias para um grande banquete. Seguiu-se um exército de artesãos que montou móveis, estendeu tapetes, armou cortinados e transformou o armazém num palácio. Depois, vieram músicos e com eles um financeiro, carregado de sacos, cheios de moedas de ouro.
No fim - ah! ah!, no fim... - saiu do fruto mágico uma jovem linda que disse que queria casar-se com Li-Fong.
E tudo, num repente, num sopro, sem que os dois primos tivessem sequer tempo para fechar a boca.
O invejoso do Li-Kong não descansou enquanto não soube a origem de toda aquela fortuna. Quando o primo lhe contou a história da andorinha que socorrera, Li-Kong rangeu os dentes e disse:
- Só por isso? Então, não custa nada.
Foi ao beiral do seu armazém, pegou numa andorinha, que ainda estava no ninho, e partiu-lhe uma asa. Em seguida, muito despachadamente, depois de ter feito o mal, tentou fazer o bem. Tal como o primo lhe ensinara, atou uma tala à asa partida da pobre andorinha e recomendou-lhe, ameaçadoramente:
- Vê lá se agora não te esqueces de mim...
De facto, na Primavera seguinte, esta andorinha quis demonstrar a Li-Kong que estava bem lembrada do que ele lhe fizera. Trouxe-lhe uma semente.
Li-Kong enterrou-a no quintal e ficou à espera. Brotou da terra uma planta de grandes folhas verdes, que demorou a crescer, parede acima.
- Então cresces ou não cresces, maldita? - impacientava-se Li-Kong. - Dá-me frutos, depressa.
A planta fez-lhe a vontade e presenteou-o com três enormes frutos dourados.
- Vou ser três vezes mais rico do que o meu primo - rejubilava Li-Kong, de faca na mão.
Golpeou o primeiro fruto, que se abriu numa grande gargalhada e logo se desfez.
Segundo fruto e outra gargalhada enorme...
Furioso, Li-Kong atirou-se ao terceiro fruto, como se a faca fosse um punhal.
- Não quero que te rias mais de mim! Não quero que te rias! - gritava ele.
Pelos lanhos abertos no fruto disparou uma ventania que varreu as sementes todas do armazém. Saltaram portas e janelas, voaram as telhas e estremeceram as paredes até aos alicerces. Li-Kong, soprado para longe, perdeu os sentidos. Quando os recuperou viu-se sozinho, desamparado, no meio das ruínas.


Lenda de Dédalo e Ícaro

Dédalo era um construtor e um escultor muito competente de Atenas que caiu em desgraça por ter assassinado Talo. Acolhido com amizade pelo rei Minos de Creta, Dédalo refugiou-se com o filho Ícaro na Ática. Foi incumbido de construir um labirinto para guardar o terrível Minotauro, filho da Rainha Pasifae, mulher de Minos, e de um touro. Minotauro era portanto um monstro, metade homem e metade touro, que se alimentava de carne humana. O labirinto era tão perfeito que até Dédalo teve dificuldade em sair dele.
O rei Minos, como castigo pelo facto dos Atenienses lhe terem matado o filho Androgeu, tomou a cidade de Atenas e impôs um tributo anual de sete rapazes e sete raparigas para alimentar o Minotauro. Ao fim do terceiro tributo, Teseu, filho do rei de Atenas, ofereceu-se como uma das vítimas, a fim de salvar a sua Pátria do flagelo que os atingia. Ao chegar a Creta, Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se pelo jovem Teseu e, com a ajuda de Dédalo, deu ao jovem um novelo de fio que guiou o herói para fora do labirinto. Furioso com a traição de Dédalo, o rei Minos mandou-o encerrar, juntamente com o seu filho Ícaro, numa ilha de onde não podiam fugir sem autorização do rei. Dédalo começou então a imaginar uma fuga. Recolheu penas de aves e, unindo-as com cera, construiu asas para si e para o filho. Conseguiram assim voar até uma ilha vizinha, mas Ícaro, entusiasmado com o sucesso da experiência, continuou a voar cada vez mais alto, não dando ouvidos a Dédalo, que de terra o advertia para não voar alto de mais, por causa do sol. Como se aproximou demasiado do sol, este derreteu a cera das asas e Ícaro caiu no mar Egeu, afogando-se para grande desgosto de Dédalo, que mais não pôde fazer do que observar e chorar a morte do filho. A ilha, onde caiu o corpo do jovem Ícaro, recebeu o nome de Icária.



17/08/2010

Viviana e Merlin



"Merlim, o Encantador, conselheiro do rei Arthur, chega a Bretanha, ao bosque de Brocelianda. Ali, junto a fonte (a fonte de Bareton) encontra uma donzela chamada Viviana. O pai de Viviana é um tal Dyonas, afilhado de Diana, a Deusa dos Bosques. Diana lhe havia outorgado um dom: sua primeira filha seria desejada pelo mais sábio dos homens, que acabaria apaixonado por ela e iria ensinar-lhe seu poder mágico. Merlim se enamora de Viviana, a qual, não quer aceitar seu amor, mas com a condição que lhe revele seus segredos, pouco a pouco tecia suas redes a Merlim, perfeitamente consciente de seu destino e que se conforma com ele. Um dia, Viviana pronuncia um encantamento sobre Merlim, que dorme, e desde então, Merlim se encontra em um castelo invisível, prisioneiro de Viviana, porém, completamente feliz em companhia da mulher que ama." (Estória de Merlim)

Neste relato Viviana aparece como uma "Virgem" zelosa que exige um culto exclusivo e Merlim, aceita seu destino de ficar eternamente submetido à ela. Viviana não é prisioneira de Merlim, ela é completamente livre como toda "Virgem" deve ser. Merlim é que torna-se seu "escravo de amor", seu adorador. Viviana se situa no plano de Divindade exclusiva a cujo serviço se consagra o homem. Viviana é portanto, um dos rostos que toma a Deusa Mãe sempre "Virgem".

No tempo em que os animais falavam



No tempo em que os animais falavam nem calculam a confusão que era! Os lobos imitavam a voz dos homens, os homens imitavam a voz dos lobos, os cães imitavam a voz dos donos, os gatos imitavam a voz dos cães, os ratos imitavam a voz dos gatos e a raposa, do lado de fora das redes da capoeira, imitava a voz das galinhas..
Como, no fim de contas, ninguém tirava vantagens desta situação, porque se está mesmo a ver que a fala dos bichos só servia para eles se enganarem uns aos outros, o leão, que já nessa altura era o rei dos animais, convocou uma grande assembleia para a cerca do seu palácio.
Vieram todos os bichos da Terra, do elefante às formigas, que também falavam, mas sempre em coro, e todos os bichos do ar, do abutre ao noitibó, que era um passarinho de poucas falas. Bichos da água não veio nenhum, por causa da distância e da incomodidade da viagem, mas fizeram-se representar por uns tais que andam cá e lá, ora na água ora em terra - os anfíbios.
O discurso do leão, por ser muito grande, não cabe aqui. Digamos, em resumo, o que ele propunha. Propunha que cada um passasse a falar para si e, quando fosse o caso de meter conversa com outros bichos de famílias diferentes, que se entendesse por sinais. Quanto à nova voz atribuída a cada animal que se informassem junto do corvo. Ele é que sabia. Ele é que ensinava. Ele é que adestrava os patos a grasnar, os cães a ladrar, os pombos a arrulhar, os elefantes a bramir e por aí adiante.
Discursava muito bem o leão, lá isso discursava, e até é pena que, depois disto, só passasse a rugir. Perdeu-se um grande orador.
Toda a bicharada aplaudiu as palavras do rei, palavras que eram ordens.
A assembleia desfez-se e a bicharada em bicha foi saber do corvo qual a voz que lhe tinha sido atribuída.
- Tu cricilas - dizia o corvo ao grilo. - Assim: ?Cri-cri-cri".
- Tu grunhes - dizia o corvo ao porco. - Assim: ?Rum-rum-rum".
E por aí fora.
Depois, foi cada um para seu lado, à sua vida, a ensaiar a nova voz. Era uma chinfrineira de estremecer a Terra.
Num esvoaçar assarapantado, apareceu o papagaio, quando o ajuntamento se dispersava. Não dera conta das horas, deixara-se ficar a dormir e o resultado estava ali - chegava à reunião, enquanto os outros se iam.
- O que se passou? O que ficou decidido? - perguntava ele à esquerda e à direita.
Latidos, mios, cacarejos, guinchos, grasnidos, uivos, balidos, berros, pios, chiados, zumbidos, assobios, bramidos, roncos, arrulhos, regougos foi o que o papagaio ouviu.
- Ai a minha cabeça - queixou-se ele. - Não entendo patavina!
Na clareira, defronte do palácio real, só ficara o burro, de orelhas caídas.
- Senhor burro, explique-me por favor o que se passa - pediu o papagaio. - Só cheguei agora e não consigo perceber nada.
- Nem eu. Nada! Nada! - zurrou o burro. - Iam! Iam! Uns podem falar outros não. Iam! Iam! A mim calhou-me esta voz... Iam! Iam!
E foi-se embora, num trote atarantado.
Atarantado também ficou o papagaio. Ao longo, ecoavam as vozes dos animais, que dantes falavam. Todas diferentes, algumas esquisitas... Quem as entendia?
- Ai que sina a minha! Não sei para que lado me voltar - afligia-se o papagaio. - Que voz me calhou em sorte? A do burro? A da cabra? A da galinha? A da serpente? A do homem? Não sei! Não sei! Não sei!
E ainda não sabe. E nunca saberá. Por isso, como não sabe a voz que lhe coube, o papagaio imita, repete, experimenta, arremeda as outras vozes. Calado é que ele não fica.


António Torrado

16/08/2010

Zuo Ci, o mágico

Zuo Ci, que também se chamava Yuanfang, nasceu em Lujiang e conhecia bem astrologia e os cinco clássicos. Ele percebeu que os problemas estavam se acumulando e que a Dinastia Han, entrava em declínio.
- Vivemos dias de degeneração e desordem – disse ele –. Pode ser fatal para um funcionário superior ostentar uma grande riqueza. Igualmente, não vale a pena procurar a fama ou o lucro.
Ele tinha estudado filosofia e era capaz de fazer mágicas incríveis, como, por exemplo, fazer com que os espíritos lhe preparassem comida refinada, sempre que ele quisesse. Praticava meditação no alto do Monte Tianzhu, onde tinha encontrado instruções sobre como fazer uma poção mágica, que lhe permitiria se transformar a qualquer hora. As maravilhas de que ele era capaz eram sem conta.
O Senhor Cao Cao ouviu suas proezas e enviou um emissário para trazê-lo à sua presença. Ele jogou Zuo numa cela e pôs guardas a vigiá-lo, deixando-o sem comer durante um ano inteiro. Depois disso, Zuo saiu da prisão forte e saudável. Cao Cao convenceu-se de que ele era um mágico, pois quem, a não ser um mágico, poderia ficar tanto tempo sem comer? Planejou então matá-lo. Zuo ficou sabendo desse plano e pediu permissão para ir embora.
- Por que ir embora? – perguntou Cao Cao.
- Porque mais cedo ou mais tarde o senhor vai me matar – respondeu.
Cao Cao negou que quisesse matá-lo, e permitiu que ele fosse embora, mas, antes, iria lhe oferecer uma festa.
- Já que eu vou embora – disse Zuo – vamos dividir um copo de vinho.
Cao Cao aceitou o convite.
Era inverno e o vinho, que tinha sido aquecido, estava muito quente. Zuo pegou um grampo de do cabelo e mexeu o vinho. Logo o grampo desapareceu, que nem um pingo de tinta num tinteiro. Cao Cão deu o copo novamente para ele, a fim de que bebesse primeiro. Mas Zuo simplesmente traçou uma linha no vinho com seu grampo, e o líquido dividiu-se em duas partes. Zuo bebeu uma metade e passou a outra para Cao Cao. E quando Cao Cao ficou desconfiado, Zuo ofereceu-se para beber ele mesmo o que restava. Depois de beber o vinho, jogou o copo no teto. O copo ficou grudado no alto, como se fosse um beija-flor. Todos os hóspedes maravilhavam-se com o beija-flor, até que, copo de novo, caiu no chão. Mas nesse momento Zuo já tinha desaparecido, e Cao Cao ficou sabendo que ele tinha ido embora.
Cao Cao sentiu então mais vontade ainda de matar Zuo, para ver se ele tinha algum truque novo para escapar da morte. Ordenou que ele fosse preso, mas Zuo escondeu-se em um rebanho de ovelhas e seus perseguidores não puderam achá-lo. Quando eles contaram as ovelhas e acharam que tinha uma a mais, desconfiaram que ele tinha se transformado numa delas.
- Nosso Mestre quer apenas vê-lo – disseram – seria melhor que retomasse sua forma normal. Não precisa ter medo, porque nada vai acontecer.
Um grande carneiro adiantou-se no rebanho e ajoelhou-se para perguntar:
- Estão falando a verdade?
Os enviados de Cao Cao responderam:
- Claro!
Eles estavam a ponto de agarrá-lo quando todas as ovelhas – centenas delas - transformaram-se também em carneiros e ajoelharam-se para perguntar:
- Estão falando a verdade?
De novo, portanto, eles não sabiam a quem agarrar.
Mais tarde alguém conseguiu saber onde estava Zuo e o prendeu, não porque ele não conseguisse fugir, mas porque ele mesmo queria ser preso para exibir seus poderes sobrenaturais.
Zuo Ci foi jogado numa cela. Quando o carcereiro chegou para torturá-lo, descobriu que havia dois Zuo, um do lado de dentro da cela e outro do lado de fora, e ele não distinguia qual era o verdadeiro e o falso.
Cao Cao soube disso ficou ainda com mais raiva, e ordenou que ele fosse executado na praça do mercado. Mas novamente o perderam. Eles fecharam todos os portões da cidade para que ele não escapasse. Quando aqueles que nunca o tinham visto perguntaram como ele era, os homens de Cao Cao disseram:
- Ele é cego de um olho e veste uma capa e roupa preta. Se avistarem uma pessoa com essas características, podem prendê-la que serão recompensados.
Neste mesmo instante todas as pessoas na praça do mercado tornaram-se cegas de um olho e apareceram vestidas com uma capa e roupa preta, e assim Zuo não pôde ser capturado novamente. Cao Cao disse aos seus homens que prendessem todos os caolhos vestidos de preto na praça e as matassem.
Um dos homens de Cao Cao agarrou o primeiro homem e o matou, enviando a notícia do que tinha feito a Cao Cao, que ficou muito satisfeito. Mas quando o cadáver foi levado diante dele, descobriram que era apenas um monte de palha – o corpo tinha evaporado.
Mais tarde alguns homens de Jinzhow disseram que eles tinham visto Zuo Ci. E Liu Biao, o governador, determinou que ele fosse preso e executado por feitiçaria. Liu Biao reuniu suas tropas, e Zuo achou que ele quisesse era assistir a um pouco de mágica. Zuo aproximou-se Liu Biao e disse:
- Tenho um presentinho para cada um de seus soldados.
Liu biao falou:
- Você é um estranho e está sozinho. Existem muitas pessoas no exército – como poderia dar um presente para cada um deles?
Mesmo com a má vontade de Liu Biao, Zuo insistiu. E logo enviou um emissário para saber de que presente se tratava. Acharam um pouco de vinho e carne seca numa panela. Mas quando tentaram trazer a panela e o vinho, nem mesmo dez homens conseguiram. O próprio Zuo trouxe então a carne e o vinho para os soldados. Cortou a carne, e pediu que mais de 100 homens o ajudassem a distribuí os pedaços, junto com um pouco de vinho, a cada um dos homens. Cada um recebeu três copos de vinho e uma fatia de carne, que tinha o gosto de carne normal. No fim, cerca de 10 mil soldados comeram carne e beberam vinho, mas dentro da panela continuava a mesma quantidade dos dois alimentos. Havia também mil outros convidados neste banquete, e todos eles ficaram bêbados de tanto vinho. Liu Biao, muito impressionado, desistiu de matar Zuo.
Zuo foi para o reino de Wu, batendo na casa de um homem chamado Zu Duo, que entendida de mágica e vivia em Dantu. Alguns dos protegidos de Xu foram ao portão com cinco ou seis carros de boi. E mentiram:
- Xu Duo não está em casa.
Embora soubesse que essa afirmação não era verdade, Zuo foi embora. Logo os bois começaram a subir nas árvores. Os homens ficaram impressionados e subiram nas árvores, atrás dos bois, mas os bois desapareceram, e quando os homens desceram, os bois apareceram de novo nos galhos mais altos. Espinhos de quase 30 centímetros cresceram nas rodas dos carros de boi, e era impossível cortá-los, e as rodas não saíam mais do lugar. Os homens foram falar com Xu:
- Chegou um caolho. Achamos que ele era um tipo qualquer, e mentimos para ele, dizendo que o senhor não estava em casa. Logo os nossos carros de boi ficaram enfeitiçados. Pode nos dizer o que isso significa?
Xu disse:
- Ah, deve ser Zuo Ci. E vocês não deviam ter tentado enganá-lo. Se irem bem depressa, pode ser que consigam encontrá-lo.
Eles foram em direções diferentes e quando o encontraram, um em cada lugar, pediram desculpas pelo que tinham feito. E quando voltaram, o feitiço tinha acabado os bois estavam novamente nos carros.
Em seguida, Zuo Ci foi visitar Sun Ce, o senhor de Wu, que também queria matá-lo. Quando saíram para passear juntos, Sun convidou Zuo para que caminhasse na frente de seu cavalo, planejando apunhalá-lo pelas costas. Zuo Ci estava com uma vara de bambu, e começou a caminhar na frente do cavalo de Sun. Mas embora Sun batesse no seu cavalo, não conseguia alcançar Zuo. Percebeu logo que isso era devido aos poderes mágicos de Zuo Ci e desistiu.
Mais tarde Zuo Ci falou com um monge, chamado Ge Xuan, que iria para a Montanha Huo, para fazer uma poção mágica. E desde essa época ele nunca mais foi visto.



Como Caçar Macacos



Havia uma vez um macaco que adorava cerejas. Certo dia, viu uma cereja muito apetitosa e desceu da árvore onde estava encarapitado para apanhá-la. Mas acontece que a frutinha estava dentro de uma garrafa de vidro transparente.
Após algumas tentativas frustradas, o macaco achou que poderia apoderar-se da cereja enfiando a mão pelo gargalo da garrafa. Tão logo fez o que pensava, fechou a mão em torno da fruta. Mas aí percebeu que não podia retirar seu punho agarrando a cereja, porquanto era mais largo do que a dimensão interna do gargalo.
Na realidade, tudo aquilo fora premeditado, já que a cereja colocada no interior da garrafa constituía uma armadilha preparada por um caçador de macacos, conhecedor do modo de pensar desses animais. Ao ouvir as queixas do mono, o caçador se aproximou.
O macaco tentou fugir, mas como acreditava que sua mão estava presa na garrafa, não pôde mover-se com rapidez suficiente para escapar. Mas enquanto pensava numa saída, continuou segurando a cereja. O caçador alcançou sua presa. Golpeou então o macaco no cotovelo, com força, conseguindo que ele soltasse de repente a fruta. O macaco estava livre, mas fora capturado.
O caçador tinha usado a cereja e a garrafa e ainda as conserva consigo.

Lenda do Santo António da Charneca

D. Aires de Saldanha, um rico proprietário do Alentejo, tinha uma filha (Ana) e um escravo (Macumba). Todos os dias, obrigava o seu escravo a ir recolher lenha por serras distantes. Ana ficava sempre fechada no seu solar.
Nas suas idas aos montes, Macumba cruzava-se com um frade franciscano. Os bois, que puxavam o carro de lenha, tremiam e curvavam-se diante do frade em obediência ritual. Macumba descobriu que se tratava de Santo António. Este pediu a Macumba para transmitir ao patrão o desejo de Santo António ver construída uma capelinha. Pediu-lhe também para dizer a Ana que esta sofria por não ter fé suficiente. Quando Macumba contou a Ana o sucedido, esta não acreditou nele e impediu-o de falar com o seu pai. Então, Santo António falou com Ana e disse-lhe que ela realizaria em breve o sonho de se casar.
No dia seguinte, e segundo as instruções de Santo António, os bois foram largados e, no lugar onde pararam, a população construiu a capelinha. Ana casou-se e Macumba, já homem livre, dedicou-se para sempre ao culto do seu santo protector.


Kali Devi



Kali Devi é conhecida como uma encarnação de Parvati. Ela tomou esta forma para destruir o demónio Taktabija, cujo nome significa: “a semente do sangue”. Ninguém podia matar Raktabija, porque ele tinha recebido uma bênção dos Brahmanas que iria reencarnar mil vezes mais forte quantas gotas de sangue lhe fossem tiradas. Resultado disso, é que cada gota de sangue que dele saia brotava do solo como um outro mais poderoso Raktabija. Todos os semideuses foram até ao Senhor Shiva pedir ajuda, mas Ele estava muito ocupado em meditação. Então os semideuses imploraram para Parvati por uma ajuda. De imediato, Parvati tomou a forma de Kali Devi. Seus olhos ficaram vermelhos, sua compleição ficou escura, seus cabelos em desalinho, e seus dentes apontaram agudos como caninos. Com seus oito braços armados, entrou montada por sobre um leão no campo de batalhas. Vendo-s, Raktabija tremou de medo. Kali perfurou Raktabija com sua lança, e então bebeu o sangue do demónio, deste forma, Raksabija não podia se reproduzir do seu próprio sangue. Após beber o sangue de Raktabija, Kali cruzou correndo o campo de batalhas, e matou todos (defensores do demônios) que ousavam cruzar Seu caminho. Ela vestiu uma guirlanda de crânios, membros e tripas das Suas vítimas. Então os semideuses foram até o Senhor Shiva e pediram para apaziguar Kali Devi. Para apaziguá-la, Sihva jogou-se sob os pés d´Ela. Isso acalmou a Deusa, e a sua forma feroz mudou para Gouri (compleição branca).

15/08/2010

A gaivota que não queria ser



Era uma vez uma gaivota que gostava de ser pomba.
Dizia ela que as gaivotas não servem para nada, ao passo que as pombas sempre servem para alguma coisa.
- Levam cartas, mensagens, avisos de um lado para o outro - explicava ela às outras gaivotas. - São as pombas ou os pombos-correios.
- Também há quem as cozinhe com ervilhas - interrompeu-a uma gaivota trocista.
- Essa serventia a nós não nos interessa - arrepiaram-se as outras gaivotas, que voaram, alarmadas
Ficou sozinha a gaivota que queria ser pomba. Servir de cozinhado também não estava nas suas ambições, mas à falta de outro préstimo? E pensou: ?Gaivota estufada", ?Gaivota de cabidela", ?Gaivota guisada com batatas"?
Realmente, não lhe soava bem. E menos bem devia saber, porque nunca lhe constara que os humanos, de boca aberta para todos os gostos, tivessem incluído tais receitas nos seus livros de cozinha.
A gaivota que queria ser pomba ficou a olhar o mar. Ia abrir as suas asas para as lançar sobre as ondas, à cata de peixinho para o almoço, quando um estranho torpor lhe tomou o corpo. Deteve-se. Encolheu-se. Tapou a cabeça com uma asa. Aquilo havia de passar.
As outras gaivotas, que há pouco tinham debandado, regressavam à praia, apanhadas pelo mesmo entorpecimento que atingira a gaivota desta história.
Formaram um bando tiritante, rente ao mar. Umas, levantadas numa só pata, outras escondidas numa cova da areia, olhavam as águas esverdinhadas, espumosas, como turistas descontentes com a paisagem.
- Estão as gaivotas em terra - disse uma voz humana, abrindo uma janela, junto à praia. - Vai haver tempestade. Sendo assim, já não me arrisco a ir para o mar.
De facto, quando as gaivotas ficam em terra, os pescadores sabem que o tempo vai mudar. Elas é que dão o sinal. Elas é que sabem. Elas é que pressentem quando a tempestade se aproxima.
- ?Afinal sempre tenho alguma utilidade", pensou a gaivota que queria ser pomba, toda enrolada numa bola de penas, e, daí em diante, preferiu continuar a ser gaivota.

Samuel – O menino que falava com Deus



Era uma vez uma mulher que se chamava Ana. Ana era casada com Elcana, que era levita. Ana não podia ter filhos, o que a deixava muito triste.
Uma vez por ano, Elcana e Ana iam adorar a Deus no Santuário de Siló. Em uma dessas visitas ao Santuário Ana orou ao Senhor por um filho e prometeu que, se o Senhor a atendesse, ela dedicaria seu filho para o trabalho na obra do Senhor.
O Senhor atendeu ao pedido de Ana. Ela concebeu um lindo menino e o chamou de Samuel, que significa “o nome de Deus”.
Quando Samuel já era crescido, Elcana e Ana levaram Samuel ao Santuário para cumprir o voto que fizeram com o Senhor. Samuel, a partir de então, foi criado pelo profeta Eli que ensinou a ele tudo o que Ele deveria saber para servir ao Senhor. Os pais de Samuel o visitavam todos os anos e lhe traziam túnicas novas. Por essa fidelidade, Ana foi abençoada por Deus com mais cinco filhos.
E assim crescia Samuel. Certa noite, quando todos na casa de Eli já estavam dormindo, Samuel ouviu uma voz que dizia assim: “Samuel, Samuel...”. Samuel pensou que fosse Eli que o chamava e então foi ao seu encontro. Mas não era Eli que o chamava. Samuel voltou a dormir quando escutou novamente a voz que dizia: “Samuel, Samuel...”. Então foi Samuel novamamente ao encontro de Eli. Eli percebeu que era o Senhor que queria falar com Samuel e o aconselhou que, sempre que ouvisse a voz lhe chamando, respondesse: “Fala Senhor, que o teu servo Te ouve”. Então ouviu Samuel novamente a voz lhe chamando e desta vez ele fez o que Eli tinha lhe aconselhado. Então Deus falou com Samuel pela primeira vez. A primeira de muitas, pois Samuel foi um dos profetas mais importantes de Israel.
Mas Samuel ainda era um menino quando ouviu a voz de Deus pela primeira vez. Todos podem ouvir a voz de Deus, basta ter no coração o desejo ardente de servir ao Senhor, custe o que custar. Samuel, ao longo de seu ministério, teve que profetizar coisas duras ao povo, coisas que as pessoas não gostavam de ouvir. Mas mesmo assim ele não se calou. E nós, assim como Samuel, não devemos nos calar. Só assim o Senhor se alegrará em nós.

Textos bíblicos: I Sm 1:3, 1:6-11, 1:28, 3:1-19

14/08/2010

Nüwa, a deusa criadora dos homens

Diz a lenda que o deus do céu, Hua Xu, deu à luz a gémeos. O de sexo masculino se chamou Fu Xi e o de sexo feminino se chamou Nüwa. O corpo de Fu Xi é coberto de escamas, enquanto Nüwa tem a cabeça de humano e o corpo de serpente. A deusa tinha um imenso poder, era capaz de mudar de forma mais de setenta vezes por dia.
Havia pouco tempo que ocorrera a separação entre o céu e a terra e não existiam seres humanos, por isso Nüwa pegou um punhado de lama e moldou a sua imagem e semelhança várias crianças, mas algum tempo depois, ela se cansou. Pegou então uma corda e embebeu-a na lama e balançou-a em meio ao céu e os pingos de lama que caíram sobre a terra, também se transformaram em seres humanos. A partir desse ato da deusa passou a existir a diferença de classe social: os que foram moldados pela própria Nüwa se tornaram ricas e os seres humanos feitos pelos pingos de lama que caíram na terra, se tornaram pobres.
No noroeste da China existe uma montanha chamada Imperfeita, que ganhou este nome devido à fúria de Gonggong, o deus das águas, ao ser derrotado na guerra pelo trono. Impetuosamente, ele se jogou contra à montanha, um dos pilares de sustentação do céu, que desmoronou e arrebentou a corda que segurava a terra. Logo, o céu se inclinou para a direção noroeste e a terra afundou em direcção sudeste, fazendo com que o sol e a lua nascessem ao leste e se pusesse ao oeste, e os cursos dos rios desviaram-se para o mar oriental, provocando uma grande inundação por toda a parte. Da grande fenda do céu, jorrava também água sem parar, gerando muitas mortes. Nüwa vendo os seus filhos em tamanho apuros, deu-lhe um aperto no coração e decidiu pôr as mãos à obra para os salvar.
Ela colheu do fundo dos rios várias pedras multicoloridas, acendeu o fogo e fundiu as pedras até chegar ao estado de cola e a utilizou para remendar a fenda do céu. Como ela temia que o céu despencasse outra vez, cortou as quatro patas de uma gigante tartaruga marinha para servirem de pilares nos quatro cantos da terra, como se o céu fosse um pano que cobrisse a terra. A partir daí nunca mais os seres humanos precisaram se preocupar que o céu caísse-lhes sobre a cabeça.
Mas ainda existiam muitas catástrofes devido ao céu ter despencado. Na região de Ji, um dragão negro se revirava no rio a fim de provocar inundação daquele local. Nüwa matou-o, bem como aproveitou e dispersou as feras para lugares bem longe dos humanos.
Mais ainda havia muito a se fazer, pois as inundações provocaram muitas doenças. Nüwa queimou os juncos em cinza e amontoou-os em formas de barragens para conter as águas, e assim, surgiram os continentes para os seres humanos habitarem.
Depois de todo esse trabalho, a paz voltou a reinar e a Terra a prosperar, mas Nüwa sentiu-se muito cansada e se deitou. Seu corpo se desintegrou e se transformou em muitas coisas, entre elas, dez deuses que guardam a inteligência e a genialidade.

Lenda de Machico ou do Amor Imortal



Na corte britânica de Eduardo III, vivia Roberto Machim, um homem sensível e com o dom da palavra. Tinha como melhor amigo e companheiro de armas o fidalgo D. Jorge. Este pediu a Roberto para ir com ele esperar a sua jovem e bela prima Ana de Harfet. Ao contrário do que esperava D. Jorge, Roberto e Ana apaixonaram-se. Os pais de Ana não aceitaram a união com um pretendente plebeu e ordenaram o casamento de Ana com um dos fidalgos da corte. Decidido a lutar por Ana, Roberto foi preso por ordem do rei durante alguns dias, enquanto a cerimónia de casamento se realizava. À saída da prisão, esperava-o o seu fiel amigo D. Jorge que o informou que Ana estava a morrer de amor. Com a ajuda de D. Jorge, Ana e Roberto fugiram num barco em direcção a França. Mas uma brutal tempestade desviou a embarcação para uma ilha paradisíaca. Ana não resistiu à febre e foi enterrada na bela ilha. Conta-se que Roberto sepultou D. Jorge no mesmo sítio de Ana e que morreu em cima da campa. A pretensa ilha a que aportaram os dois apaixonados é a ilha da Madeira.



Lenda de Machico ou do Amor Imortal



Na corte britânica de Eduardo III, vivia Roberto Machim, um homem sensível e com o dom da palavra. Tinha como melhor amigo e companheiro de armas o fidalgo D. Jorge. Este pediu a Roberto para ir com ele esperar a sua jovem e bela prima Ana de Harfet. Ao contrário do que esperava D. Jorge, Roberto e Ana apaixonaram-se. Os pais de Ana não aceitaram a união com um pretendente plebeu e ordenaram o casamento de Ana com um dos fidalgos da corte. Decidido a lutar por Ana, Roberto foi preso por ordem do rei durante alguns dias, enquanto a cerimónia de casamento se realizava. À saída da prisão, esperava-o o seu fiel amigo D. Jorge que o informou que Ana estava a morrer de amor. Com a ajuda de D. Jorge, Ana e Roberto fugiram num barco em direcção a França. Mas uma brutal tempestade desviou a embarcação para uma ilha paradisíaca. Ana não resistiu à febre e foi enterrada na bela ilha. Conta-se que Roberto sepultou D. Jorge no mesmo sítio de Ana e que morreu em cima da campa. A pretensa ilha a que aportaram os dois apaixonados é a ilha da Madeira.



13/08/2010

A Arca de Noé

A Arca de Noé era, segundo a religião abraâmica, um grande navio construído por Noé, a mando de Deus, para salvar a si mesmo, sua família e um casal de cada espécie de animais do mundo, antes que viesse o Grande Dilúvio da Bíblia. A história é contada em Génesis 6-12[1][2], assim como no Alcorão e em outras fontes.

Conforme a tradição bíblica, Deus decidiu destruir o mundo por causa da perversidade humana, mas poupou Noé, o único homem justo da Terra em sua geração, mandando-lhe construir uma arca para salvar sua família e representantes de todos os animais e aves. A certa altura, Deus se lembrou de Noé e interrompeu o Dilúvio, fazendo as águas recuarem e as terras secarem. A história termina com um pacto entre Deus e Noé, assim como com sua descendência.
Essa história tem sido amplamente discutida nas religiões abrâmicas, surgindo comentários que vão do prático (como Noé teria eliminado os resíduos animais?) ao alegórico (a arca representa a Igreja como salvadora da Humanidade em decadência). A partir do século I, vários detalhes da arca e da inundação foram examinados, questionados e até colocados em dúvida por estudiosos cristãos e judeus.
Mas, no século XIX, o desenvolvimento da Geologia e da Biogeografia tornaram difícil sustentar uma interpretação literal da história. A partir de então, os críticos da Bíblia mudaram sua atenção para a origem e os propósitos seculares da arca; no entanto, os intérpretes literais da Bíblia continuam a ver a história narrada como chave para sua compreensão da Bíblia e agora exploram a região das montanhas do Ararat, no nordeste da Turquia, onde a arca estaria descansando.

Ficheiro:Noahs Ark.jpg


Desafio

Ouvi uma antiga parábola - deve ser muito antiga, porque naquela época Deus costumava morar na Terra...
Um dia um velho fazendeiro veio a Deus e disse:
"Olha, você pode ser Deus e ter criado o mundo, mas preciso lhe dizer uma coisa: você não é fazendeiro, e não sabe nem o abc da agricultura. Você tem muito o que aprender."
Deus disse:
"O que você sugere?"
O fazendeiro respondeu:
"Dê-me um ano e permita que as coisas sejam de acordo comigo, e veja o que acontece. Não haverá mais pobreza!"
Deus concordou, e um ano foi dado ao fazendeiro. Naturalmente ele pediu o melhor, pensava somente no melhor - nada de trovões, nada de ventos fortes, nenhum perigo para a safra.Tudo confortável e aconchegante, e ele estava muito feliz. O milho estava crescendo tanto!
Quando queria sol, havia sol, quando queria chuva, havia chuva, o quanto quisesse. Nesse ano, tudo estava certo, matematicamente certo. O trigo crescendo tanto...
O fazendeiro ia a Deus e dizia:
"Olhe! Dessa vez a safra será tão grande, que por dez anos, mesmo que as pessoas não trabalhem, haverá comida suficiente!"
Mas quando fizeram a colheita, não havia grãos. O fazendeiro ficou surpreso. Ele perguntou a Deus:
"O que aconteceu, o que saiu errado?"
Deus disse:
"Por não existir nenhum desafio, nenhum conflito, nenhuma fricção, já que você evitou tudo de ruim, o trigo permaneceu impotente. Uma pequena fricção é uma necessidade. As tempestades são necessárias, os trovões e os raios são necessários. Eles agitam a alma dentro do trigo!"


Esta parábola tem um valor imenso.
Se você for apenas feliz, e feliz, a felicidade perderá todo o sentido. Será como se alguém estivesse escrevendo com giz branco em uma parede branca - ele pode continuar a escrever, mas ninguém será capaz de ler. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza são tão essenciais quanto os dias de felicidade. Isto eu chamo de compreensão. E lentamente, quanto mais você percebe o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, você para de pedir, para de escolher. E você descobriu o segredo.
Viva com este segredo, e de repente ficará surpreso: Como as bênçãos da vida são imensas! O quanto é derramado sobre você a cada momento! Mas você tem vivido em suas expectativas, em seus pequenos, insignificantes desejos triviais, e porque as coisas não se ajustavam a seus desejos, você ficava infeliz.
Quando você segue a natureza das coisas, não existe nenhuma sombra. Então, mesmo a tristeza é luminosa. Não é que a tristeza não virá; ela virá, mas não será sua inimiga. Você a acolherá, porque verá sua necessidade. Você será capaz de ver sua graça, será capaz de ver porque ela está ali e porque é necessária. E sem ela você será menos, não mais.