( 391x375 , 253kb)


18/12/2012

Os Filhos dos Primeiros Homens



Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel. Abel era pastor de ovelhas e Caim lavrador. Aconteceu que ambos ofereceram sacrifícios ao Senhor. Caiu deu frutos das suas terras e Abel os melhores cordeiros do seu rebanho. O Senhor viu com prazer o sacrifício de Abel, mas não olhou para a oferenda de Caim. Este ficou muito irritado. O Senhor disse-lhe: "Por que estás irritado? Se praticares o bem serás recompensado, mas se fizeres o mal serás castigado. Domina as tuas paixões". Depois disto, Caim disse a seu irmão: "Saiamos". E, logo que estavam no campo, Caim lançou-se contra seu irmão Abel e o matou.

Imediatamente o Senhor disse a Caim: "Onde está o teu irmão Abel?". Caim respondeu: "Não sei. Acaso sou o guarda de meu irmão?. Disse-lhe Deus: "O que fizeste? O sangue de teu irmão grita da terra por mim. Por isso serás maldito sobre a terra que bebeu o sangue de teu irmão".
Então Caim disse ao Senhor: "O meu pecado é tamanho que não mereço perdão. Esconder-me-ei do vosso olhar e quem me encontrar me matará". Disse-lhe o Senhor: "Não será assim". E marcou-o com um sinal para que ninguém ousasse matá-lo. Caim afastou-se e andou errante pelo oriente do Éden. Os seus descendentes foram os maus filhos dos homens.

Adão e Eva tiveram outro filho, ao qual chamaram Set. Os descendentes de Set foram os piedosos filhos de Deus. Mas, pouco a pouco, aliaram-se com os maus filhos dos homens e adotaram os seus perversos costumes.
[Deus concedeu larga vida aos patriarcas: Adão viveu 930 anos; Set, 912; Matusalém, avô de Noé, 969; Henoc, pai de Matusalém, viveu com tanta piedade que o Senhor o levou deste mundo e ele não morreu]

17/12/2012

A barrica de vinho e a promessa do Espírito Santo



Há muitos anos atrás na ilha do Pico, em todas as freguesias, havia grande devoção ao Espírito Santo e as pessoas faziam-lhe muitas promessas quando estavam aflitas ou agradecidas. Não eram ricos, mas viviam, na sua maioria, do que lhes davam as terras. Tinham de trabalhar durante anos para poder pagar o açúcar e a farinha para o pão doce e o das sopas, porque a carne e o vinho eram produto da sua lavra.
Carne não comiam senão pelo Natal, Páscoa e Espírito Santo e era de galinha, mas engordavam um boi três ou quatro anos para que no dia do gasto houvesse abundância.
Guardavam sempre uma barrica do melhor vinho, mas, quando o ano era mau, havia que comprá-lo e o dinheiro escasseava.
Uma vez, um homem de S. Caetano tinha prometido dar um gasto ao Senhor Espírito Santo naquele ano. Mas o tempo foi mau, nasceram poucas uvas, muitas perderam-se ou não se desenvolveram e, quando chegou ao tempo da vindima, o homem não conseguiu sequer encher um cesto com cachos que, para cúmulo, eram raquíticos e pouco sumarentos.
Ficou muito preocupado e aqueles dias de vindima não tiveram a alegria habitual porque não teria vinho para dar às pessoas no dia do jantar e não tinha dinheiro para o comprar.
Mesmo assim esmagou as uvas com todo o cuidado, deixou-as fermentar e pôs o mosto no fundo da barrica.
Passados dias, quando estava em casa a jantar, um vizinho chamou-o da rua e disse-lhe:
— Ó compadre, vai à adega que tens uma barrica a derramar. Passei por lá e cheirava poderes cá fora a vinho.
O homem ficou muito admirado, não acreditou, pois só tinha posto vinho numa barrica e esta nem meia tinha ficado. Era impossível que estivesse a deitar por fora, a não ser que, por qualquer razão, estivesse a vazar.
Levantou-se e foi logo para a adega, e ia a tremer como varas verdes, pensando que se calhar o pouco vinho que tinha lá já estava no chão e ia encontrar a barrica vazia.
Quando chegou, sentiu realmente cheiro a vinho e, ao abrir a porta, ficou espantado com o que viu. A barrica estava a botar por fora.
Ficou muito satisfeito por ter abundância de vinho para pagar a sua promessa. Como tava com os bofes a sair pela boca fora, sentou-se e bebeu logo ali uma teladeira de vinho do que Nosso Senhor lhe tinha deparado. Dizia, depois, a todos que tinha sido um milagre do Senhor Espírito Santo.