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03/01/2012

A Águia e a Truta


Uma rainha de Aragão foi sentenciada à morte pelo rei seu marido, em virtude de uma intriga de criados. Sabedora da sorte que a esperava, disfarçou-se e fugiu. Foi-lhe no encalço o rei, que junto ao Rio Minho a teria apanhado, se a rainha não houvesse pedido aos barqueiros que o demorassem o tempo suficiente para ela se acolher a certo castelo. Em virtude da lealdade dos barqueiros, a rainha conseguiu refugiar-se no castelo. Veio o rei pôr-lhe cerco, e pela fome e pela sede empreendeu rendê-la. Ela, porém, descobriu ali uma fonte que a alimentava de água pura, e, quinze dias passados, veio sobre os rochedos pousar uma águia, que trazia no bico uma truta, assustada talvez pela presença da rainha ou de alguma pessoa do seu séquito. Em vez de se aproveitar do saboroso peixe, a rainha mandou-o de presente ao rei, que a cercava, e tinha o seu acampamento no lugar onde hoje é Trute. O rei, persuadido de que o braço divino a amparava, levantou o cerco, perdoando-lhe, contrito, as supostas faltas. Não quis a rainha acompanhá-lo depois, e por estes lugares terminou a vida em devotos exercícios e penitências austeras.


VASCONCELLOS, J. Leite de, Contos Populares e Lendas

A água milagrosa

Era uma vez uma menina que quando era ainda muito pequena vivia na casa dos pais. Um dia a casa incendiou e os pais da menina morreram, só escapou a menina, mas sofreu graves queimaduras nos olhos e ficou cega.
Cresceu só com a ajuda de uma velhota que vivia lá por perto da casa dos pais.
À medida que foi crescendo tinha um grande desgosto de ser cega, mas mesmo assim fez-se uma bonita rapariga, casou-se... e teve filhos e era muito feliz.
Mas mais uma vez a desgraça voltou a bater à porta, e a casa onde vivia com o marido e os filhos também incendiou, o marido morreu, ela e as filhos salvaram-se… mas com o desgosto resolveu ir-se embora com os filhos para muito longe sem um destino certo.
Andaram, andaram até que resolveram parar para descansar. As crianças disseram à mãe que tinham sede e viram ao longe uma ribeira e foram andando até que lá chegaram, beberam e a mãe molhou as mãos e passou as mãos molhadas pela cara, e pelos olhos para refrescar porque fazia muito calor. Um milagre aconteceu, ao passar aquela água pelos olhos começou a ver novamente. Então, além de tanta desgraça sentiu-se feliz novamente por poder ver os filhos e assim conseguiram viver felizes os três para o resto da vida.