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26/06/2011

O voo de Hanuman



Com um salto descomunal, Hanuman lançou-se sobre o mar.
Sabendo que o macaco era filho do vento, o oceano pediu a Mainaka, a montanha submersa, que se erguesse bem alto e se oferecesse como um lugar de repouso para Hanuman.
-Agradeço, mas não posso interromper o voo – disse ele, apoiado no ar e tocando a montanha com a ponta do dedo.
Quando os deuses viram o filho do vento varando o espaço, resolveram testar sua força e mandaram Surasa, a mãe das serpentes, devorá-lo. No momento em que ela abriu a boca, o macaco duplicou deu corpo. A serpente abriu a boca ainda mais e ele ficou cem vezes maior.
Por fim, quando ela escancarou a bocarra, Hanuman diminuiu de tamanho, entrou lá dentro e tornou a sair.
-Experimentei sua esperteza e sua força – disse Surasa – e foi para isso que os deuses me mandaram. Você será capaz de cumprir a tarefa.
Hanuman continuou o voo.
Uma figura demoníaca, que vivia no meio do oceano, ao ver na água os reflexos das criaturas que voavam, agarrava-lhes as sombras e elas, assim presas, serviram de comida àquela boca voraz. Quando a diaba pegou a sombra do macaco voador, ele se tornou bem pequeno, entrou no corpo dela, espremeu-lhe o coração e sai pela orelha. A diaba caiu no fundo do mar e foi devorada pelos peixes.
Chegando a cidade de Lanka, Hanuman esperou anoitecer, pousando num rochedo. Depois, tomando a forma de um gatinho, transpôs as muralhas da cidade.
Lankini, a guardiã, percebendo sua chegada perguntou:
-Você aí, aonde vai? Não sabe que todo ladrão intruso é minha comida?
Hanuman lhe deu um soco tão forte que ela vomitou sangue. Mas recuperando-se, levantou e disse que a profecia tinha se cumprido:
-Quando você receber o soco de um macaco, fique sabendo que está tudo acabado com a raça dos demónios – avisavam as palavras proféticas.
Depois de atingir com um salto o palácio de Ravana, de se meter entre os demônios-vigias, de procurar nos jardins e nos pátios, o macaco acabou descobrindo Sita, magra, pálida e abatida, num pequeno bosque atrás do palácio.
Escondido no alto de uma árvore, Hanuman observou a chegada de Ravana, que tentava agradar a moça, sem sucesso. Sita lhe dizia:
-Escute aqui, Dez Cabeças, pode uma flor de lótus florir com a luz de um vaga-lume? Não temes a setas de Rama? Bandido, você me raptou quando estava só. Não se envergonha disso?
Furioso, Ravana ordenou que as bruxas a atormentassem. Mas uma delas resolveu ficar do lado da moça, pedindo-lhe que a salvasse e às suas companheiras, por causa de um sonho profético que tivera. No sonho, aparecia um macaco que incendiava a cidade e matava os demónios e as bruxas, enquanto Ravana, nu, montado num asno, estava com todas suas dez cabeças raspadas e seus vinte braços cortados. Sita prometeu livrá-las da morte.
E foi então que a prisioneira descobriu Hanuman no esconderijo. Apresentando-se como criado e mensageiro de Rama, o macaco lhe entregou o anel conforme o desejo de seu senhor.
-Posso levá-la comigo agora mas não tenho ordens de Rama para fazê-lo. Espere mais uns dias e ele próprio virá com uma tropa de macacos para libertá-la – explicou Hanuman.
-Mas os maçamos são pequenos e os demónios poderosos guerreiros – respondeu-lhe Sita.
Ouvindo isso, Hanuman ficou de um tamanho colossal, mostrando todo seu poder. Despedindo-se de Sita, partiu exibindo aquela forma imensa e derrubando tudo que encontrava pela frente.

26/05/2011

o incêndio de Lanka



Os demónios, alarmados, avisaram Ravana que um macaco gigantesco causava a maior destruição por onde passava. Exércitos foram enviados para combatê-lo e Hanuman derrotou todos, matando um dos filhos de Ravana.
Um outro filho foi incumbido da mesma missão e depois de muita luta acorrentaram o macaco e levaram-no à presença do Demónio de Dez Cabeças, que perguntou:
-Quem é você, de onde veio e o que quer?
-Sou Hanuman, mensageiro de Rama e vim até aqui para descobrir onde está Sita.
Depois de conversar com seus guerreiros sobre o que fazer com o prisioneiro, Ravana decidiu:
-Deixem-no ir embora mas mutilem-no primeiro. Um macaco é muito apegado à sua cauda. Amarrem nela trapos molhados de óleo e ponham fogo. Quando o macaco sem rabo retornar À casa, trará seu mestre de volta com ele e então veremos que poder tem esse mestre tão elogiado – falou o demónio.
Em toda cidade não sobrou um trapo sequer, nem uma única gota de óleo, porque Hanuman fez crescer a cauda até que ela ficasse enorme. Quando o fogo foi ateado, o vento soprou forte e o macaco não sentiu o calor. Desprendeu-se das correntes, saltou de palácio em palácio, de casa em casa, até incendiar toda a cidade.
Do alto de uma colina contemplou Lanka, destruída pelo fogo. Esfriou a cauda numa fonte e saltou até o bosque onde se achava Sita. Esta lhe deu uma jóia, que usava nos cabelos, para que entregasse a Rama.
Hanuman voou até a praia e lá estavam os ursos e macacos, à espera de notícias. Sabendo que Sita fora encontrada, todos voltaram para o reino.
Lá chegando, prepararam o grande exercito de animais, que acompanharia Rama no resgate de sua esposa Sita, e partiram para a guerra contra Ravana e seus demónios.


A busca das plantas medicinais

No cerco de Lanka, o chão ficou coalhado de mortos e de feridos. Lakshman foi gravemente atingido e Rama entrou em desespero com o estado que se encontrava o irmão.
Nesse momento Hanuman atravessou o mar, dessa feita voando em direcção ao norte, até o Himalaia, em busca da montanha da vida, coberta de plantas medicinais capazes de curar todo tipo de ferimento e ainda devolver a vida aos mortos.
Vindas da lua, as plantas brilhavam com luz própria.
Lá de cima, Hanuman viu a montanha faiscando. Mas as plantas se esconderam debaixo da terra e as luzes se apagaram, quando sentiram que alguém se aproximava.
Como não havia tempo para desenraizá-las, Hanuman arrancou a montanha inteira, com as ervas, árvores, os minérios, rios, animais e, levantando-a com as mãos acima da cabeça, retornou a Lanka.
O voo rápido aqueceu as ervas que começaram a exalar vapores. Enquanto pairava no ar, à procura de um lugar apropriado para depositar a montanha, o cheiro das plantas se espalhou por todo o campo de batalha e isso foi o bastante para que os mortos recuperassem a vida e os feridos se curassem. Todos se salvaram, romperam o cerco e conquistaram Lanka.
Vencida a guerra contra o Demônio de Dez Cabeças, Sita foi liberada e voltou para a companhia de Rama, de Lakshman, agora completamente curado, de Hanuman, Sugriva, Jambavat e do vitorioso exercito de macacos e ursos.





26/04/2011

O filho do vento



Quando Brahma, o deus criador, descansava, derramou uma lágrima sobre o chão de ouro do monte Meru e assim nasceu o primeiro macaco.
Um dia, ao contemplar seu reflexo no lago e pensando se tratar de um inimigo, o maçado se atirou nas águas, mergulhou até o fundo mas não encontrou ninguém. Ao sair, havia se transformado numa fêmea.
O grande Indra se apaixonou por aquela linda macaca e dessa união nasceu Vali. Surya, o Sol, também se enamorou dela e desse encontro nasceu Sugriva.
Numa ocasião em que a mãe banhava os filhotes no lago, ficou toda respingada da água que os macaquinhos lhe atiravam e, nesse momento, percebeu que havia voltado a ser macho. Levou, então, os filhos até Brahma e este deu a Vali uma cidade da qual ele se tornou rei. Mas nada deu a Sugriva.
O primeiro macaco foi morar no céu e lá de cima viu que Vali parecia ter o domínio de tudo. Então pediu a Vayu, o deus do vento, que gerasse um filho macaco, a fim de que se fosse o fiel amigo de Sugriva.
Um dia, quando soprava no alto de uma montanha, o deus do vento encontrou uma bela macaca sonhadora que passeava distraída. Vayu se uniu a ela e nasceu Hanuman, cujo nome significa “o que tem mandíbulas fortes”.
Porém, a macaca abandonou o filhote na entrada de uma caverna e foi embora.
Sozinho e com fome, Hanuman se pós a correr atrás do sol para devorá-lo. Isso provocou a raiva de Rahu, a cabeça sem corpo, engolidora do sol e provocadora dos eclipses.
Rahu reclamou com Indra e ele, montando em seu elefante Airavata, derrubou Hanuman com um raio. Na queda, o macaco quebrou a mandíbula.
Vayu tomou o filho ferido nos braços e tal foi sua tristeza que se recolheu no interior de uma caverna, recusando-se a ventar. De repente, desapareceram as dez formas de vento e o mundo parou de respirar.
Os deuses apavorados com o perigo que ameaçava toda a criação, imploraram o perdão de Vayu e ofereceram a Hanuman o dom da imortalidade, a coragem total e o poder da cura.

27/03/2011

Lakshmi



Numa época remota, existia um grande Asceta, o Sábio Durvasa. Um dia, ele estava caminhando com uma guirlanda de flores na mão, que na Índia se chama "Santanaka" para oferecê-la a Indra. Indra que vinha na posição oposta cavalgando o elefante Airavata, passou pelo sábio e o ignorou. Indra fez com que Airavata pisasse e rasgasse a guirlanda de flores. Durvasa se encheu de ira e rogou uma praga em Indra:
"O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi irá te abandonar."
Então Indra, que havia percebido a loucura que tinha feito, se curvou perante Durvasa e pediu seu perdão. Durvasa disse: "Que Vishnu o faça feliz" e partiu.
Por causa da maldição de Durvasa, Lakshmi deixou Indra e desapareceu. Como Lakshmi, a deusa da prosperidade, poder e coragem, desapareceu, a vida dos Devas se tornou miserável. Os Assuras depois dessa oportunidade, invadiram o paraíso, derrotaram Indra e os Devas em uma guerra e ocuparam o paraíso. Indra perdeu seu reino e todo seu poder para os Assuras, e os Devas perderam sua imortalidade e seu valor.
Vários anos se passaram. O mestre de Indra, Brihaspati pensou num caminho para acabar com os problemas de Indra. Então ele foi juntamente com os Devas falar com Brahma, que os levou até Vishnu, de acordo com os desejos dos Devas. Então Vishnu disse: "Não tenham medo, eu lhes mostrarei uma maneira, o mar de leite precisa ser agitado. É certamente uma tarefa muito difícil, então façam amizade com os Assuras, e peçam sua ajuda. Usem a montanha Mandara como poste, e Vasuki, o rei das serpentes como corda. Eu irei ajudar na hora certa. Quando o oceano é agitado, o Amrita emerge das profundezas, bebam ele e sejam imortais, vocês ganharam força e poderão derrotar os Assuras. Quando o mar for agitado, Lakshmi que havia desaparecido, reaparecerá e derramará sua graça sobre vós".
Brihaspati foi muito inteligente. Ele foi ter com os Assuras, e com astucidade conseguiu fazer amizade com os mesmos. Então ele pediu que os ajudassem no Batimento do mar de Leite. Os Assuras aceitaram, porque secretamente queriam o Amrita para eles. Depois de conseguirem a ajuda dos Assuras, eles começaram a fazer oferendas ao Oceno de leite. Os Devas e os Assuras ofereçeram toda sorte de ervas e plantas para o Oceano. Todos se juntaram para realizar a tarefa de adquirir o Monte Mandara. Eles alcançaram a planície onde o majestoso monte estava posto. Depois de grande trabalho de cavar, conseguiram desarraigar o monte da terra. Eles então tentaram carregar a montanha Mandara para o oceano, mas o peso da montanha era demais para eles, muitos morreram e muitos se machucaram. Pouco tempo depois Vishnu chegou e com um olhar ressucitou todos os mortos e curou todos os feridos. Então ele mandou Garuda carregar o monte mandara para o oceano. Garuda carregou o monte Mandara nas suas costas até a beira-mar, então o imergiu no oceano de leite. Ele amarrou Vasuki o rei das cobras como corda no monte. Os Assuras e os Devas ficaram cada um com uma ponta da serpente, então começaram a bater no oceano. O batimento continuou por um longo tempo sem que nada emergisse dele, até que o monte começava a deslizar para o fundo do oceano. Os Devas e os Assuras não poderiam continuar com o batimento sem o monte mandara. Até que eles foram abençoados com a Misericórdia de Vishnu. Vishnu, escutou o choro deles e veio logo ao resgate. Então ele tomou a forma de Kurma, seu Avatar com forma de tartaruga, colocou o monte nas costas e o levou de volta à superfície. Os Devas e os Assuras respiraram aliviados, pois agora poderiam continuar com o batimento do oceano. O Batimento do oceano de leite continuou com vigor. Então surgiu do fundo do oceano uma nuvem de fumaça que sufocava os Devas e os Assuras. Então eles começaram a clamar por socorro, pois estavam sem saber o motivo do sufocamento, até que descobriram que o Oceano tinha expelido o "Kalakuta", um veneno mortal. Todos estavam amedrontados diante da ferocidade do veneno. Os Devas oraram fervorosamente por Shiva e esperaram que ele poderia vir para ajudá-los, pois era uma substância que corroía tudo que tocava, e Shiva era o mais resistente dos Deuses. Shiva escutando o clamor dos Devas, rapidamente veio ao local, então, como foi pedido pelos Devas, Shiva concordou em beber o veneno. Shiva reteu o veneno em sua garganta, e salvou os Devas da destruição. O veneno era muito poderoso, tanto que fez com que a garganta de Shiva ficasse azul, por isso até hoje ele é chamado de "Neel-Kantha", que significa "aquele que tem a garganta azul". Depois que o veneno foi consumido por Shiva, os Devas e os Assuras continuaram mais uma vez com o Batimento do Oceano de leite. Pasado algum tempo com o batimento do oceano, os Presentes Celestiais tomaram forma, o batimento trouxe à tona vários tesouros perdidos:

Sura (deus do vinho); Chandra (a lua); Apsaras (ninfas celestiais); Kaustabha (uma jóia preciosa para o corpo de Vishnu); Uchchaihshravas (o cavalo divino); Parijata (a árvore dos desejos); Kamadhenu (a vaca sagrada); Dhanvantari (o médico dos deuses) Airavata (o elefante de quatro trombas) Panchajanya (concha sagrada de Vishnu) Sharanga (o arco invencível).

Continuando com o batimento, no meio das ondas do oceano de leite, uma deusa angelical apareceu, ela estava sentada em cima de um lótus desbarochado com um colar de flores de lótus no pescoço e segurando um lótus na mão. Sua aparição foi a mais atraente de todas. Em sua face havia um sorriso brilhante, era a própria Lakshmi!
Os sábios começaram a entoar cânticos em honra de Lakshmi, enquanto as apsaras dançavam. Os elefantes esguichavam água sagrada nela, ela adquiriu o nome de Gajalakshmi. O rei do oceano apareceu em sua forma natural e revelou que Lakshmi era sua filha. O rei presenteou Lakshmi com jóias e roupas, dando à ela uma guirlanda de flores de lótus. Quando todos os Devas olhavam surpresos, Lakshmi colocou a guirlanda no pescoço de Vishnu e, a partir daí, começou a habitar seu coração. Quando Lakshmi olhou para Indra ele logo adquiriu vigor e um brilho extraordinário.
Os Devas e os Assuras continuaram a bater no oceano, até que finalmente Dhanvantari emergiu do mar. Dhanvantari é o médico dos Devas. Ele carrega um pote sagrado nas mãos, esse pote continha o Amrita, néctar que garante imortalidade a quem bebesse. Quando os Assuras viram o que tinha acontecido, correram e tomaram o pote das mãos de Dhanvantari! Aqui começa a luta entre os Assuras e os Devas. Vishnu que via tudo, resolveu ajudar os Devas. Ele se disfarçou de Mohini. Mohini emergiu do oceano com beleza e graça. Ela chegou para os Assuras e perguntou:
"Porque vocês estão lutando?"
Eles responderam:
"Nós lutamos porque queremos o Amrita!"
Mohini sorrindo disse:
"Não briguem pelo Amrita! Se vocês aceitarem, eu mesmo sirvo ele pra vocês! Façam duas filas, uma de Devas e outra de Assuras!"
Os Assuras encantados aceitaram a proposta, assim como os Devas. Mohini, com seus truques, serviu veneno aos Assuras e Amrita aos Devas. Os Assuras encantados nem se tocaram do truque que havia sido usado. Os Devas beberam o Amrita e ganharam imortalidade, então começaram uma guerra com os Assuras, os quais foram derrotados facilmente.

26/03/2011

Lakshmi



Lakshmi é uma divindade do hinduísmo, esposa do deus Vishnu, o sustentador do universo na religião hindu. É personificação da beleza, da fartura, da generosidade e principalmente da riqueza e da fortuna. A deusa é sempre invocada para amor, fartura, riqueza e poder. É o principal símbolo da potência feminina, sendo reconhecida por sua eterna juventude e formosura.
Lakshmi é uma Shakti, a esposa de Vishnu. Manifesta o poder que sustenta o Universo e o mantêm em equilíbrio. É representada sobre a flor de lótus, símbolo da pureza e do conhecimento. Valoriza a beleza, a generosidade, a justiça, misericórdia e representa o bem-estar, a boa alimentação, fertilidade, riqueza espiritual e material, saúde e sorte.
Pode ser vista sentada sobre uma flor de lótus, ou segurando flores de lótus nas mãos, e um cântaro que jorra moedas de ouro.
Geralmente atribui-se a Lakshmi o símbolo da suástica, que representa vitória e sucesso. Apadma é o nome dado a Lakshmi, quando representada sem o lótus, ao sair do Oceano.
Lakshmi é uma Deusa Indiana consorte Vishnu, um Deus Protetor, que é muito amada por seu povo. Foi ela que deu a Indra, o Rei dos Deuses, o soma (ou sangue do conhecimento) do seu próprio corpo para que ele produzisse a ilusão do parto e se tornasse o Rei dos Devas.

A Deusa Lakshmi significa "boa sorte" para os hindus. A palavra "Lakhsmi" é derivada da palavra "Laksya" do sânscrito, significando o "alvo", o "objectivo".

17/03/2011

A Corça que salvou a vida do marido



Era uma vez um veado que comandava um rebanho de cervos e vivia em uma floresta com sua bela esposa. A corça era muito fiel a seu marido e o ajudava em qualquer assunto.
Certo dia, o veado foi pego em uma armadilha de um caçador, e a corça ficou tão assustada quanto o próprio veado. Todos os amigos do veado fugiram, deixando-o para trás, mas sua esposa ficou junto a ele, esperando pelo caçador. Ela era muito devotada a seu marido. Logo que o caçador chegou, ela caiu de joelhos e implorou: “Senhor, por favor, faça uma boa cama de folhas para mim e meu marido, e então me mate, e depois meu marido, e assim você terá um belo banquete.”
O caçador ficou tão maravilhado e surpreso pelo amor da corça que, antes mesmo de preparar a cama de folhas, libertou o veado da armadilha, de modo que o casal de animais fugiu no primeiro instante.

Moral: Um grande amor tudo pode.


Contos e Lendas da Mitologia Hindu

26/02/2011

Radharani



Radha foi amiga de infância e cônjuge de alma de Krishna e os dois foram inseparáveis como namorados e mais tarde, como amantes.Esse foi um amor escondido da sociedade, e deu a Radha o status de uma mulher casada. Eles tiveram seus momentos de amor, paixão e ódio - como qualquer casal de amantes. Krishna teve que deixar Vrindavan com Radha, para assegurar que os ideais de verdade e justiça fossem estabelecidos, mas no processo tiveram que deixar o ideal do amor pessoal.
Ele tornou-se um rei, destruiu inúmeros inimigos e casou mesmo várias vezes. E ainda assim Radha permaneceu esperando por ele até ele voltar para ela. Seu amor por Krishna é considerado tão divino e puro que Radha por si só obteve o status de divindade, com seu nome sendo inseparavelmente ligado ao de Krishna.
A maior parte das imagens de Krishna são consideradas completas quando Radha aparece ao seu lado.

A palavra Radha significa "a maior adoradora de Krishna". Nenhuma outra gopi em Vrindavana tem nome tão significativo quanto Radha. É claro, todas as gopis de Braja amam e dão prazer a Krishna.
De qualquer forma, comparada com o oceano de amor de Radha por Krishna, as outras gopis são meros rios, piscinas e baldes. Assim como o oceano é a fonte original de toda a água encontrada nos lagos e rios, similarmente o amor encontrado nas gopis, e todos os outros devotos têm em sua origem Radha sozinha. Desde que o amor de Radha é o maior, ela dá o maior prazer para Krishna. Em Vrindavana, as pessoas são acostumadas a cantar o nome de Radha mais do que o nome de Krishna.

Radha é a alma; Krishna é o Deus. Krishna é o shaktiman - possessor da energia - e Radha é Sua shakti - energia. Ela é a parte feminina da cabeça do Deus. Ela é a personificação da maior amor por Deus, e por sua mercê, a alma está conectada com o serviço e amor a Krishna.

26/01/2011

Kumbh Mela

O Khumb Mela se baseia numa lenda na qual deuses (Devas) e demónios (Asuras) entraram em guerra por causa de um pote (Kalasha) que continha o néctar da imortalidade (Amrit). O néctar da imortalidade encontrava-se no fundo do oceano e só poderia ser encontrado se este fosse totalmente revirado. Assim, deuses e demónios fizeram um pacto para unir forças e revirar todo o fundo do oceano.

Ao revirar o oceano, diversas coisas emergiram do fundo e o que caísse do lado dos deuses ficaria com os deuses e o que caísse ao lado dos demónios ficaria com os demónios. Ao final, depois de muito revirar o oceano, finalmente emergiu o pote com o néctar da imortalidade, que caiu ao lado dos deuses. Porém, os demónios descumpriram o pacto e tomaram o pote para si. Com isso, começou uma feroz batalha que durou 12 dias e 12 noites. Durante a batalha, quatro gotas deste néctar caíram nas cidades de Haridwar, Prayag, Ujjain e Nasik, onde o Khumba Mela acontece sucessivamente a cada três anos. Finalmente, os deuses venceram a batalha, beberam o amrit e alcançaram a imortalidade.

Metaforicamente, diz-se que o oceano é a nossa mente e o néctar é a paz mental. Na busca por esse néctar (paz mental), revira-se o oceano (mente) e do fundo dele muitas coisas boas e ruins irão emergir. Ao final, com o desapego de todas as sensações boas, ruins ou neutras que surgem do oceano de nossa mente, finalmente encontramos a paz mental ou imortalidade. Metaforicamente, é o Kumbh Mela.





26/11/2010

Narasinha



A narrativa purânica diz que um demónio muito poderoso quis solicitar ao criador Brahma a bênção da imortalidade. Brahma disse que a imortalidade era algo impossível de ser obtida já que ela não faz parte da criação (todo ser criado deve ser mortal).

Por esperteza esse demónio (Hyranyakshipu) pediu a Brahma que não fosse morto por qualquer criatura jamais criada, ou por qualquer criatura nascida de uma mãe, de um pai, de um ventre, de um ovo ou gerada por qualquer outra entidade viva criada, nem de dia nem de noite, que não morresse em um canto de lugar algum, nem na terra, nem na água e nem no ar, que não fosse morto por qualquer tipo e arma, que o metal jamais perfurasse sua carne, que sempre estivesse livre de doenças provocadas por microrganismos, que sempre fosse protegido de catástrofes naturais e que o seu próprio corpo e mente não fossem jamais causa da sua morte.
Brahma foi bastante solícito em conceder-lhe todas essa bênçãos, que aos olhos de um simples mortal equivalem à imortalidade.
Hyranyakashipu tornou-se um flagelo para toda a criação, vivendo sempre em busca de prazeres mundanos, tais como ouro (hyranya) e cama farta (kashipu), rapinando a própria espécie e todas as demais.
Seu filho, o humilde Praladha, invocou o poder de Vishnu para destruir seu pai que se dizia imortal.
Vishnu se encarnou como Narasinha (entidade viva sem forma definida, mais parecida como um leão) e jocosamente cumpriu as bênçãos proferidas por Brahma: a sua forma era inusitada e jamais havia sido criada por Brahma, ele surgiu do meio de um pilar de pedra e não foi gerado por uma mãe, pai, ventre, ovo, etc., sua morte ocorreu no crepúsculo, nem de dia e nem de noite, Vishnu o matou sobre o seu joelho usando a unha para estripá-lo (sobre o joelho é o tipo de “lugar nenhum,” nem na terra, nem na água e nem no ar, e a unha não é um arma de metal) e foi assim que o demónio morreu gozando de excelente saúde!

11/10/2010

Krishna




Krishna era da família real de Mathura - capital de um conjunto de três clãs: Vrishni, Andhaka e Bhoja - e o oitavo filho da princesa Devaki e o marido Vasudeva, um nobre da corte. No dia do casamento, como é de costume na tradição védica, o primo mais velho, Kamsa, ficou encarregado de conduzir Devaki e o esposo até a nova casa do jovem casal.
O rei Kamsa subiu ao trono após mandar prender o próprio pai, Ugrasena (rei da dinastia Bhoja). Kamsa é tido como um grande demônio, que pertencia à classe dos Kshatriyas (guerreiros), mas que, de algum modo, havia se desviado do Dharma universal.
No caminho que conduzia os noivos até a nova casa, Kamsa escutou uma voz que dizia que o oitavo filho de Devaki iria levá-lo à morte. Imediatamente fez menção de matar Devaki, mas Vasudeva implorou pela vida da esposa, prometendo que cada filho que nascesse, seria levado à presença de Kamsa.
Receoso, mandou prender Vasudeva e a esposa no porão do castelo, sendo vigiados dia e noite por guardas. Cada filho do casal que nascia era morto por Kamsa, que mesmo sabendo que a profecia se cumpriria apenas no oitavo filho, não tinha piedade de nenhum e matava a todos.
Kamsa havia sido alertado por Narada Muni que em breve Vishnu nasceria na família de Vasudeva. Soube também, através deste sábio, que em uma encarnação anterior, Kamsa havia sido um demônio chamado Kalanemi que tinha sido morto por Vishnu.
Conta a tradição védica que Kamsa, temendo que Vishnu nascesse em qualquer uma das famílias do reino, mandou matar todos os meninos com até dois anos de idade, a fim de evitar o cumprimento da profecia.
E foi então que o oitavo filho de Devaki nasceu - Bhagavan Sri Krishna. O local do nascimento é conhecido atualmente como Krishnajanmabhoomi, onde um templo foi erguido em honra. Como a vida corria risco na prisão, foi tirado da prisão e entregue aos pais adotivos Yashoda e Nanda em Gokula.

30/09/2010

Hiranyaksha e Varaha



Entre os descendentes de Daksha, o primeiro homem que Brahma criou no início dessa era, existia um em especial, Kashyap, um Sábio, que teve quatro esposas, Diti, Aditi, Vinita e Kudroo. Diti deu à luz aos Assuras, e de Aditi nasceram os Devas, de Vinita nasceu Garuda, o pássaro veículo de Vishnu, e da última, Kudroo, nasceram as Hidras. Dos Assuras nascidos de Diti, dois vieram com grande poder. Esses dois irmãos se chamavam Hiranyaksha e Hiranyakashyapu. Ambos praticaram práticas religiosas e austeridades, com isso seus poderes aumentavam cada vez mais.
Hiranyaksha, abastecido de um poder sem limites, atacou o Paraíso, o reino dos Devas. Ele atacou os Devas, que amedrontados tiveram que se esconder. Hiranyaksha desafiou Varuna, o Senhor do Oceano, para uma luta. Mas Varuna respondeu: "Ó grande herói, eu vivo como um ermitão. Eu não desejo lutar, além disso quem pode lutar com você! Somente um Deus pode fazer isso." Então Hiranyaksha, foi procurar Hari(Vishnu).
Nessa época, a terra(pritvi, ou bhumidevi), encontrava-se submergida nas águas. Nessa época, das narinas de Parabrahma, um porcou surgiu. Era bem pequeno de tamanho, quase de uma polegada. Mas com o passar do tempo ele cresceu, cresceu, até ficar enorme como uma montanha. A terra tinha caído e estado debaixo d'água. O porco levantou ela pelas presas. Ele agora estava subindo sobre a água para oferecer a Terra para Brahma.
Hiranyaksha viu esse porco do tamanho de uma montanha e ficou surpreso. Ainda em ilimitado orgulho, ele chorou: "Porco tolo deixe a terra onde ela está e vá embora! Sim, eu sei quem você é; você não é nada menos que Vishnu na forma de um porco. Eu vim quebrar sua cabeça!" Dizendo assim, ele parou o porco. A Deusa-terra tremeu pelo aparecimento feroz desse terrível demônio. Mas Varaha (o porco gigante) não ligou para isso e prosseguiu carregando a Terra em rumo ao céu. Hiranyaksha perdeu a paciência e gritou: "Covarde! Você não tem vergonha?" Varaha escutou esses insultos e colocou a terra de lado. Seus olhos ficaram vermelhos de raiva. Ele disse: "Essas palavras de orgulho, só te levarão ás garras da morte!" "Bem, então, lute!" Disse Hiranyaksha. Uma briga terrível foi travada entre os dois. Os deuses testemunharam essa luta, que durou da manhã até a tardinha. Brahma estava muito ansioso que a luta acabasse antes de escurecer, pois queria que o porco ganhasse, e ele sabia que na noite, os demônios ganham mais poder. Como se ele lêsse os pensamentos de Brahma, Varaha sorriu e mandou seu disco de energia ao redor de Hiranyaksha. Essa poderosa arma destruíu todas as armas de Hiranyaksha. Vendo todas suas armas destruídas pelo porco, a raiva de Hiranyaksha cresceu,e se apressou rugindo adiante com raiva, querendo esmagar Varaha nos seus braços. Então, o porco divino soprou forte na bochecha de Hiranyaksha. O sopro foi tão forte que Hiranyaksha morreu.
Então a mãe-terra foi salva e reposta em seu lugar.

10/09/2010

Krishna



De acordo com a tradição Hindu, Krishna (कृष्ण em Devanagari) é o oitavo avatar de Vishnu. É citado no Mahabharata, mais exatamente no Bhagavad Gita, e é considerado, segundo o Movimento Hare Krishna (ISKCON), a Suprema Personalidade (Deus), sendo assim, a origem de todas as encarnações seguintes.
Krishna e as histórias aparecem nas diversas tradições filosóficas e teológicas hindu. Embora, algumas vezes diferentes nos detalhes, ou até mesmo contradizendo as características de uma tradição particular, alguns aspectos básicos são compartilhados por todas elas. Estes incluem uma encarnação divina, uma infância e uma juventude pastoral e a vida como um guerreiro e professor. A imensa popularidade de Krishna fez com que várias religiões não-hindus que se originaram na Índia tivessem as próprias versões dele.

Segundo a obra Harpas Eternas, Krishna foi a sexta reencarnação de Jesus em nosso planeta. As anteriores foram Juno e Numu, na Lemúria, Anfião e Antúlio, na Atlântida, e Abel na Palestina. As posteriores foram Moisés, Buda (Siddhartha Gautama 600-A.C.) e, por último, Jesus, este espírito que hoje é o mestre espiritual de nosso orbe. Uma versão da história de Krishna,pode ser lida no volume II da obra citada, onde consta também o nascimento quarenta séculos após a morte de Abel, o que corresponderia a cerca de 4270 AC.

O Mahabharata (Udyogaparva 71.4), analisa a palavra 'Krishna' da seguinte maneira:

krishir bhu-vacakah sabdo nas ca nirvriti-vacakah tayor aikyam param brahma krishna ity abhidhiyate

A palavra 'krish' é a característica atractiva da existência do Senhor, e 'na' significa 'prazer espiritual.' Quando o verbo 'krish' é adicionado ao 'na', ele se torna 'krishna', que significa Verdade Absoluta.

De acordo com a maioria dos dicionários, a palavra Krishna significa 'negro' ou 'escuro' em sânscrito. Relaciona-se com palavras parecidas em outros idiomas indo-europeus. Às vezes se traduz como 'O Senhor Escuro' ou 'o de pele escura'. Pode significar também 'Todo atrativo'.

06/09/2010

Durgha, manifestação de Parvati

É uma das manifestações de Parvati, diz-se possuidora de grande beleza, com três olhos como lótus, dez poderosas mãos, cabelos anelados, seus ornamentos são feitos de ouro, cravejado de pérolas e pedras preciosas. Suas armas são as armas de todos os deuses e seu vahana (veículo) é Astrid, representado algumas vezes como um leão e outras como um tigre.

Conta o mito que o Rei dos Assuras, Rambha, apaixonou-se por um Búfalo e desse casameto nasceu Mahishashura, que era muito devoto de Brahma, que em gratidão Brahma resolveu lhe conceder um desejo, e Mahishashura desejou não ser morto por nenhum homem ou deus. Dessa forma, com tal poder, passou a aterrorizar o mundo. Como não podia ser morto nem por homens e nem por deuses (masculinos), os deuses Shiva, Brahma e Vishnu reuniram os deuses e decidiram que teria que ser uma deusa a enfrentar Mahishashura, sendo assim, Parvati se torna Durgha e recebe as armas dos deuses. Uma imensa luta foi travada, enquanto os deuses só podiam observar.

Em outra passagem, os Assuras gémeos, Chanda e Munda, resolveram atacar Durgha que foram impiedosamente mortos pela sua espada.



01/09/2010

O Batimento do oceano


O Batimento do oceano é um conto da mitologia hindú. Ele conta a história de uma disputa entre os Devas e os Assuras.

Numa época remota, existia um grande Asceta, o Sábio Durvasa. Um dia, ele estava caminhando com uma guirlanda de flores na mão, que na Índia se chama "Santanaka" para oferecê-la a Indra. Indra que vinha na posição oposta cavalgando o elefante Airavata, passou pelo sábio e o ignorou. Indra fez com que Airavata pisasse e rasgasse a guirlanda de flores. Durvasa se encheu de ira e rogou uma praga em Indra:
"O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi irá te abandonar."
Então Indra, que havia percebido a loucura que tinha feito, se curvou perante Durvasa e pediu seu perdão. Durvasa disse: "Que Vishnu o faça feliz" e partiu.
Por causa da maldição de Durvasa, Lakshmi deixou Indra e desapareceu. Como Lakshmi, a deusa da prosperidade, poder e coragem, desapareceu, a vida dos Devas se tornou miserável. Os Assuras depois dessa oportunidade, invadiram o paraíso, derrotaram Indra e os Devas em uma guerra e ocuparam o paraíso. Indra perdeu seu reino e todo seu poder para os Assuras, e os Devas perderam sua imortalidade e seu valor.
Vários anos se passaram. O mestre de Indra, Brihaspati pensou num caminho para acabar com os problemas de Indra. Então ele foi juntamente com os Devas falar com Brahma, que os levou até Vishnu, de acordo com os desejos dos Devas. Então Vishnu disse: "Não tenham medo, eu lhes mostrarei uma maneira, o mar de leite precisa ser agitado. É certamente uma tarefa muito difícil, então façam amizade com os Assuras, e peçam sua ajuda. Usem a montanha Mandara como poste, e Vasuki, o rei das serpentes como corda. Eu irei ajudar na hora certa. Quando o oceano é agitado, o Amrita emerge das profundezas, bebam ele e sejam imortais, vocês ganharam força e poderão derrotar os Assuras. Quando o mar for agitado, Lakshmi que havia desaparecido, reaparecerá e derramará sua graça sobre vós".
Brihaspati foi muito inteligente. Ele foi ter com os Assuras, e com astucidade conseguiu fazer amizade com os mesmos. Então ele pediu que os ajudassem no Batimento do mar de Leite. Os Assuras aceitaram, porque secretamente queriam o Amrita para eles. Depois de conseguirem a ajuda dos Assuras, eles começaram a fazer oferendas ao Oceno de leite. Os Devas e os Assuras ofereçeram toda sorte de ervas e plantas para o Oceano. Todos se juntaram para realizar a tarefa de adquirir o Monte Mandara. Eles alcançaram a planície onde o majestoso monte estava posto. Depois de grande trabalho de cavar, conseguiram desarraigar o monte da terra. Eles então tentaram carregar a montanha Mandara para o oceano, mas o peso da montanha era demais para eles, muitos morreram e muitos se machucaram. Pouco tempo depois Vishnu chegou e com um olhar ressucitou todos os mortos e curou todos os feridos. Então ele mandou Garuda carregar o monte mandara para o oceano. Garuda carregou o monte Mandara nas suas costas até a beira-mar, então o imergiu no oceano de leite. Ele amarrou Vasuki o rei das cobras como corda no monte. Os Assuras e os Devas ficaram cada um com uma ponta da serpente, então começaram a bater no oceano. O batimento continuou por um longo tempo sem que nada emergisse dele, até que o monte começava a deslizar para o fundo do oceano. Os Devas e os Assuras não poderiam continuar com o batimento sem o monte mandara. Até que eles foram abençoados com a Misericórdia de Vishnu. Vishnu, escutou o choro deles e veio logo ao resgate. Então ele tomou a forma de Kurma, seu Avatar com forma de tartaruga, colocou o monte nas costas e o levou de volta à superfície. Os Devas e os Assuras respiraram aliviados, pois agora poderiam continuar com o batimento do oceano. O Batimento do oceano de leite continuou com vigor. Então surgiu do fundo do oceano uma nuvem de fumaça que sufocava os Devas e os Assuras. Então eles começaram a clamar por socorro, pois estavam sem saber o motivo do sufocamento, até que descobriram que o Oceano tinha expelido o "Kalakuta", um veneno mortal. Todos estavam amedrontados diante da ferocidade do veneno. Os Devas oraram fervorosamente por Shiva e esperaram que ele poderia vir para ajudá-los, pois era uma substância que corroía tudo que tocava, e Shiva era o mais resistente dos Deuses. Shiva escutando o clamor dos Devas, rapidamente veio ao local, então, como foi pedido pelos Devas, Shiva concordou em beber o veneno. Shiva reteu o veneno em sua garganta, e salvou os Devas da destruição. O veneno era muito poderoso, tanto que fez com que a garganta de Shiva ficasse azul, por isso até hoje ele é chamado de "Neel-Kantha", que significa "aquele que tem a garganta azul". Depois que o veneno foi consumido por Shiva, os Devas e os Assuras continuaram mais uma vez com o Batimento do Oceano de leite. Pasado algum tempo com o batimento do oceano, os Presentes Celestiais tomaram forma, o batimento trouxe à tona vários tesouros perdidos:
Sura (deus do vinho); Chandra (a lua); Apsaras (ninfas celestiais); Kaustabha (uma jóia preciosa para o corpo de Vishnu); Uchchaihshravas (o cavalo divino); Parijata (a árvore dos desejos); Kamadhenu (a vaca sagrada); Dhanvantari (o médico dos deuses) Airavata (o elefante de quatro trombas) Panchajanya (concha sagrada de Vishnu) Sharanga (o arco invencível).
Continuando com o batimento, no meio das ondas do oceano de leite, uma deusa angelical apareceu, ela estava sentada em cima de um lótus desbarochado com um colar de flores de lótus no pescoço e segurando um lótus na mão. Sua aparição foi a mais atraente de todas. Em sua face havia um sorriso brilhante, era a própria Lakshmi!
Os sábios começaram a entoar cânticos em honra de Lakshmi, enquanto as apsaras dançavam. Os elefantes esguichavam água sagrada nela, ela adquiriu o nome de Gajalakshmi. O rei do oceano apareceu em sua forma natural e revelou que Lakshmi era sua filha. O rei presenteou Lakshmi com jóias e roupas, dando à ela uma guirlanda de flores de lótus. Quando todos os Devas olhavam surpresos, Lakshmi colocou a guirlanda no pescoço de Vishnu e, a partir daí, começou a habitar seu coração. Quando Lakshmi olhou para Indra ele logo adquiriu vigor e um brilho extraordinário.
Os Devas e os Assuras continuaram a bater no oceano, até que finalmente Dhanvantari emergiu do mar. Dhanvantari é o médico dos Devas. Ele carrega um pote sagrado nas mãos, esse pote continha o Amrita, néctar que garante imortalidade a quem bebesse. Quando os Assuras viram o que tinha acontecido, correram e tomaram o pote das mãos de Dhanvantari! Aqui começa a luta entre os Assuras e os Devas. Vishnu que via tudo, resolveu ajudar os Devas. Ele se disfarçou de Mohini. Mohini emergiu do oceano com beleza e graça. Ela chegou para os Assuras e perguntou:
"Porque vocês estão lutando?"
Eles responderam:
"Nós lutamos porque queremos o Amrita!"
Mohini sorrindo disse:
"Não briguem pelo Amrita! Se vocês aceitarem, eu mesmo sirvo ele pra vocês! Façam duas filas, uma de Devas e outra de Assuras!"
Os Assuras encantados aceitaram a proposta, assim como os Devas. Mohini, com seus truques, serviu veneno aos Assuras e Amrita aos Devas. Os Assuras encantados nem se tocaram do truque que havia sido usado. Os Devas beberam o Amrita e ganharam imortalidade, então começaram uma guerra com os Assuras, os quais foram derrotados facilmente.

27/08/2010

Parvati



Certo dia, enquanto Parvati ou Gauri tomava banho, Shiva, inesperadamente, apareceu. Acanhada, Parvati interrompeu seu banho e correu para o interior de seu quarto. Suas atendentes Jaya e Vijaya explicaram-lhe que, lamentavelmente, não puderam impedir a entrada de Shiva no recinto, porque elas eram também criadas dele.
Então sugeriram a Parvati que ela tivesse as suas próprias atendentes, da mesma forma como Shiva tinha os seus shivaganas. Tendo seu próprio assistente, a entrada de Shiva poderia ter sido impedida. Se Shiva é rei, Parvati é rainha. Ouvindo isso, Parvati reuniu as impurezas de sua pele e com essa substância fez uma escultura masculina, dando-lhe vida. Um belo e bochechudo rapaz surgiu. Abençoando-o, colocou-o no posto de vigia do lado de fora de sua porta.
Quando Shiva retornou e tentou entrar, o garoto o impediu, dizendo-lhe que sem a permissão de Parvati ninguém poderia entrar. Os atendentes de Shiva não puderam vencer o garoto, que a todos paralisou. Muitos dos shivaganas, outra vez, tentaram entrar e todos foram repelidos.
Com o rebuliço lá fora, Parvati veio saber o que estava sucedendo e encorajou o garoto a manter a sua guarda. Shiva não queria cair no descrédito. Brahma veio e solicitou ao garoto que deixasse a passagem livre, mas seu pedido não foi atendido. Ao pensar que Brahma fosse mais um de seus atendentes – shivaganas –, o garoto puxou-lhe a barba e seus bigodes. Então Brahma, ao explicar que ele era um brâmane e que não poderia lutar, foi-se embora.
Não havia ninguém que pudesse enfrentar o garoto, com exceção de Kaartikeya. Kaartikeya, ou Skanda, o poderoso deus da guerra, o segundo filho de Shiva e Parvati, com seis faces, representa a personificação da perfeição. Foi criado por todos os deuses para liderar o céu e destruir os demônios. O mais masculino e feroz de todos os deuses, detém todos os poderes espirituais, particularmente o da sabedoria. Em uma de suas mãos, segura uma lança – sakti –, a qual simboliza a destruição das tendências negativas humanas. Com a outra, ele sempre abençoa os devotos. Seu veículo é o pavão, capaz de destruir as serpentes peçonhentas, que representam o ego e os maus desejos. Vishnu sentiu que sua espinha fora quebrada pelo golpe do garoto. Houve um forte grito de angústia. A intervenção e a ajuda de Shiva foram solicitadas, que, então, ergueu o tridente – trishula – e o apontou em direção ao pescoço do garoto, cuja cabeça foi, velozmente, arrancada e trazida para as suas mãos.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, Parvati teve um violento acesso de fúria. No alto de sua raiva, vários poderes emergiram: karaati, kubjuka, kanza, lambashirsha, dentre outros. Até mesmo Shiva ficou aterrorizado. Ele simplesmente permaneceu de pé, olhando, sem nada fazer. Os anjos e deuses apareceram para Parvati. Sábios e videntes, liderados pelo grande sábio Narada, foram também prestar-lhe reverências. O sábio Rajarajeshwari insistiu que o garoto fosse trazido de volta à vida. Parvati disse a Shiva que somente retiraria seus assistentes – shakteya ganas – após tal feio.

Shiva desistiu e enviou alguns de seus ganas – assistentes – para o norte e lhes ordenou que trouxessem a cabeça de qualquer animal jovem que combinasse com a estrutura física do corpo do garoto que encontrassem pelo caminho e, enquanto isso, o seu tronco seria cuidadosamente banhado, perfumado e envolto por ornamentos. Tão logo os ganas retornaram, trazendo consigo uma cabeça de um jovem elefante, essa foi rapidamente colocada ao tronco do garoto. Juntos, anjos e deuses oraram para que esse votasse à vida. Shiva atendeu às preces. Brilhando com uma intensa luz vermelha, o garoto revive, forte e belo com a cabeça de elefante. Parvati ficou feliz pelo fato de seu garoto ter sido trazido de volta à vida, apesar de sua cabeça de elefante. Shiva o proclamou como sendo seu filho, o Senhor dos Shivaganas e o removedor dos obstáculos. A partir daí, o garoto passou a ser adorado, reverenciado e exaltado e chamado por todos, carinhosamente, de Ganesha ou Ganapati. Parvati, feliz, acalmou-se, e o mundo prosseguiu o seu destino.

Por tal razão, na Índia, ainda hoje, é muito comum ver diante das portas das casas e lojas, estátuas ou figuras do Senhor Ganesha.

16/08/2010

Kali Devi



Kali Devi é conhecida como uma encarnação de Parvati. Ela tomou esta forma para destruir o demónio Taktabija, cujo nome significa: “a semente do sangue”. Ninguém podia matar Raktabija, porque ele tinha recebido uma bênção dos Brahmanas que iria reencarnar mil vezes mais forte quantas gotas de sangue lhe fossem tiradas. Resultado disso, é que cada gota de sangue que dele saia brotava do solo como um outro mais poderoso Raktabija. Todos os semideuses foram até ao Senhor Shiva pedir ajuda, mas Ele estava muito ocupado em meditação. Então os semideuses imploraram para Parvati por uma ajuda. De imediato, Parvati tomou a forma de Kali Devi. Seus olhos ficaram vermelhos, sua compleição ficou escura, seus cabelos em desalinho, e seus dentes apontaram agudos como caninos. Com seus oito braços armados, entrou montada por sobre um leão no campo de batalhas. Vendo-s, Raktabija tremou de medo. Kali perfurou Raktabija com sua lança, e então bebeu o sangue do demónio, deste forma, Raksabija não podia se reproduzir do seu próprio sangue. Após beber o sangue de Raktabija, Kali cruzou correndo o campo de batalhas, e matou todos (defensores do demônios) que ousavam cruzar Seu caminho. Ela vestiu uma guirlanda de crânios, membros e tripas das Suas vítimas. Então os semideuses foram até o Senhor Shiva e pediram para apaziguar Kali Devi. Para apaziguá-la, Sihva jogou-se sob os pés d´Ela. Isso acalmou a Deusa, e a sua forma feroz mudou para Gouri (compleição branca).

06/08/2010

Uma história de Shiva e Parvati



Sati nasceu como Parvati, a filha do rei da cadeia do Himalaia. Sendo uma menina, ela não tinha interesse em brincar com as outras crianças. Ela estava inclinada em adorar Shiva, e tinha o desejo de casar-se com Ele. Depois de ter a permissão dos seus pais, ela foi até o local sagrado do Gangavatara, o qual ficou mais tarde conhecido como Pico Gouri. A penitência que fez para casar-se com o Senhor Shiva foi severa. Ela ficou por sobre uma perna, com as mãos erguidas, tendo por sobre Sua cabeça a neve das montanhas, meses e meses, sem comer ou beber nada. O Senhor Siva ficou muito contente com as preces d´Ela, mas quis fazer um teste. Ele foi até Ela como um velho devoto do Senhor Siva. Parvati ofereceu Seus respeitos ao velho devoto, bem como ao Senhor Shiva. Então, o velho devoto tentou convencê-la que deveria passar a Sua junventude em meditação, mas que também deveria desfrutar a vida casando-se com Ele. Assim sugerindo, disse que era melhor casar com ele, em vez de alguém que fica dançando em cemitérios e vestindo crânios e ossos. Parvati, incapaz de reconhecer que o velho homem era o Senhor Shiva em pessoa, ficou muito irada em escutar os insultos, mas mostrou a ele os devidos respeitos, porque ele era semelhante a um devoto, mas Ela não queria mais escutar qualquer coisa contra o Senhor Shiva.
Ela pediu para que o velho devoto deixasse o local imediatamente. O Senhor, estando grato com a determinação de devoção de Parvati, então revelou-Se quem era, concedendo o desejo de Ela poder casar-se com Ele. Parvati e Shiva casaram-se e iniciaram uma vida feliz no monto Kaillash.

Eles tiveram dois filhos, Kartikeya e Ganesha. Ganesha nasceu quando Parvati desejou ser mãe de Krishna.

31/07/2010

História de Ganesha

Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terremoto o perturba.

Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo em um bangalô no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe: — Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente saudades dos seus companheiros? — É que quando estou perto de você, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peça para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto te amo.
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação? Ela era sua maior ocupação. Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora através da meditação que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, Shiva coloca sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço, apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu, muito tempo se passou. Quando, finalmente, Shiva se levantou da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito. E nem ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas a tinha deixado grávida. E no tempo certo, deu à luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati mantinha-se perto do portão, aguardando sua mãe. Neste instante um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. "Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão?" Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês. — Não — respondeu Ganapati — Você não pode entrar! Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras e seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente. — Mas o que você fez? — O que você fez? Ela repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu filho, e você o destruiu!
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade. Logo tentou confortá-la:
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça? Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito... Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê, tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram à Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prossegue:
· Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura. Acrescenta, Vishnu:
- Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as empresas novas. E é assim que tudo aconteceu...


26/07/2010

História de Shiva

Há muitíssimo tempo, havia três grandes deuses, filhos do Grande Deus Desconhecido, assim chamado porque – segundo narram os sábios – nenhum homem podia Dele se aproximar, a menos que tivesse o coração puro e limpo e merecesse, por suas virtudes, a graça de Sua visão. Estas três divindades eram, como seu próprio Pai, imaculadas. Brahma, o primogénito, teve por tarefa a criação de todo o universo; o segundo, Vishnu, dedicou-se à conservação e cuidando da obra de seu irmão; enquanto que o mais difícil de todos os trabalhos, coube a Shiva. – Eu modelo os mundos disse Brahma – para que todas as almas manifestadas tenham a oportunidade de cumprir seu ciclo e retornar à Consciência de nosso Pai Celeste. E por esta razão que crio estrelas e gotas de orvalho, e algum dia, todos seremos novamente UNO. Tempo e Espaço poderão então descansar, pois ninguém necessitará deles. – Eu cuido da tua obra – falou Vishnu -, e velarei por ela dia após dia, minuto após minuto, para que se mantenha tal qual tu a criaste. Não terei sossego enquanto existir uma só criatura que deva transitar pela “casa das formas” em busca da essência de nosso Divino Pai. – E tu Shiva? – interrogaram ao terceiro. – Meu papel é muito difícil, queridos irmãos. Os homens que me contemplam, mas que permanecem aferrados à matéria, verão em mim seu destruidor, porque certamente serei eu quem levará suas almas de regresso ao reino de nosso Senhor. Os sábios, em troca, amar-me-ão buscando-me; e eu, prazeiroso, procurá-los-ei para orientá-los no caminho de retorno àquele mundo do qual jamais voltarão; mundo esse que só podem habitar os homens que alcançaram o supremo estado de perfeição espiritual. – Sim – disse Vishnu – teu trabalho é árduo, e poucos poderão entendê-lo. Deverás ensinar aos homens que todo este universo criado por Brahma, e custodiado por mim, é pálido reflexo do outro, o real, que mora no coração de nosso Pai. Deverás fazer com que entendam que, ficar apegado a estas formas plasmadas por nós, é pueril. O sábio vê o intimo das coisas, e se une à Essência Suprema da qual tudo isto provém. Assim foi sempre, e o é ainda agora. Enquanto Brahma cria o cosmos, Vishnu o protege, e Shiva ensina ao coração de todas as coisas, o meio pelo qual atingirá a divina meta. Shiva, deus da Misericórdia e do Amor, com infinita ternura, alerta os homens para não se extraviarem na busca daquela Essência Suprema. – Se souberdes abandonar todos os bens terrenos – diz a seus discípulos -, podereis achar o caminho da Imortalidade, nunca antes. Deveis matar todo apego físico e mental às coisas transitórias, a fim de que vos ilumine a glória dos bens eternos. E como bom mestre de almas, ele próprio pratica uma austeridade tão rígida, que se tornou conhecido como o maior dos ascetas religiosos. Nada possui na casa-criação de seu irmão Brahma; nela, nada lhe pertence, a não ser as almas que ele, ansiosamente, busca elevar para uni-las a seu Divino Pai. Ainda que príncipe, veste uma humilde túnica de anacoreta, anda descalço, não participa de festa alguma neste mundo, e tudo quanto faz é concentrar sua mente e seu coração naquela amadissima Essência. Na mais alta montanha da índia, lá nos Himalaias, costuma-se vê-lo junto aos monges penitentes que vivem nas neves orando ao Deus Supremo. Eles também adoram Shiva, que reconhecem como seu mestre; e dizem que ele mora no monte Kailasa, perto do lago Mansarovara. Nesse louvado cume onde só chega o vento gelado, ele fica submerso em profunda meditação, tentando colocar toda sua vontade e seu amor na tarefa de despertar almas. O Kailasa é um monte estranho: quando Shiva está meditando, afirmam que o próprio céu estremece de regozijo, agita-se a neve de suas encostas e as altas montanhas inclinam-se reverentes para, ansiosamente perguntar-lhe: – Ó misericordioso Shiva! Quando estaremos libertas de nossos corpos de matéria, a fim de nos unirmos outra vez Àquele, nosso Senhor? Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não existiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar. Essa maravilhosa dança de Shiva é evocada ainda hoje, em toda a Índia; assim, uma vez por ano os monges a representam, querendo significar com isto que chegará o dia em que o universo inteiro tornar-se-á uma Única Realidade. Shiva nada pede a seus devotos; uma vareta de incenso, uma flor ou uma simples oração é suficiente para louvá lo. Todavia, para ele também são louvores as lágrimas de todos os que sofrem as misérias da vida terrestre. Existe uma árvore que particularmente aprecia, e sob sua generosa sombra costuma abstrair-se em longas meditações. Na Índia chamam-na bael, e os devotos do Misericordioso depositam aos pés de suas estátuas, flores, folhas e pequenas lascas dessa madeira. Diz a tradição que um dia, quando Shiva orava ao Deus Supremo, foi atacado por uma quadrilha de ladrões que, o desconhecendo e acreditando que fosse um rei, não por suas roupas, mas por seu porte, golpearam-no com bastões de bael para roubar-lhe o dinheiro que, imaginavam, possuía. Shiva não interpretou este ato como uma agressão; ao contrário, pensou que se tratava de devotos que lhe ofertavam pedaços daquela madeira, de um modo muito particular; entretanto, o único que pareciam conhecer. Nem por um instante cogitou em castigá-los, e sim agradeceu-lhes a dádiva de seu amado lenho. Os ladrões fugiram espavoridos, pois não compreendiam como alguém podia sorrir e agradecer cada golpe que recebia. Numa outra oportunidade, descendo de seu monte Kailasa, pôs-se a contemplar todas as criaturas. Assim, viu nas selvas dos Himalaias um poderoso leão, respeitado por sua ferocidade e admirado por seu porte, que perambulava pelos intrincados caminhos; observou o tigre, as gazelas, o cordeiro, os pássaros, descobrindo com profunda alegria os cuidados e esmeros que havia tido seu irmão Brahma quando lhes deu suas formas adequadas. Por uma ou outra razão, todos eles eram queridos, procurados e elogiados. Mas, ai! quanto sofreu ao ver as serpentes, fugindo sempre das águias, dos homens de todo mundo! – Ó Senhor da Piedade! – queixou-se tristemente Takshaka, o rei das serpentes. – Ninguém nos quer; absolutamente ninguém Homens e animais procuram sempre nos matar! Não há em todo o reino deste mundo, criatura mais desditosa que o réptil… E o senhor Shiva, com infinito amor, alçou várias delas e lhes disse: – Como ninguém vos ama, dar-vos-ei meu coração e proteger-vos-ei com todo zelo. E assim o fez. Para que ninguém as atacasse, acolheu-as junto de si. Timidamente, algumas se enroscaram em seus braços, outras em seu pescoço e cabeça. Desde aqueles remotos tempos, pintores e escultores vêm fazendo quadros e estátuas do deus Shiva e suas serpentes… Muitos procuram um estranho simbolismo neste fato, cujo verdadeiro significado é o infinito amor que Shiva prodigaliza aos desamparados. Entre estes, também está o homem. O Senhor da Misericórdia, dá abrigo àqueles que o mundo rejeita, pois sabe que o Deus Desconhecido depositou sua essência em todas as criaturas, ainda que estas sejam- na aparência – decrépitas ou mentalmente aleijadas. Eis porque ele também ama os maus Logo serão perfeitos – diz suspirando.- Chegarão a descobrir-se e ser realmente o que são, isto é, filhos de nosso Pai Celeste.

Desta forma, Shiva vai de era em era, de cultura em cultura, ensinando às almas o caminho do retorno à Morada Eterna.