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06/02/2011

A raposa e o leão



A raposa estava doente e por isso mantinha-se quieta e conformada em sua casa, esperando que seu estado de saúde melhorasse com o repouso forçado a que se submetia. Foi quando o leão bateu à sua porta e perguntou com voz suave como ela estava passando, pedindo-lhe também que o deixasse entrar porque ele poderia lambê-la com sua língua, que tinha a virtude de curar qualquer enfermo, fosse qual fosse o seu mal. A ouvir tal afirmação a raposa respondeu lá de dentro:
- Infelizmente não posso abrir a porta, e nem quero. Acredito que sua língua tenha realmente esse dom curativo de que você está falando, mas acontece que ela é vizinha dos seus dentes, dos quais eu tenho um medo enorme. Por isso, prefiro ficar aqui dentro de casa, sofrendo sozinha com a minha doença.

Moral da história: Preste atenção no que lhe oferecem como coisa boa, porque elas podem lhe custar muito mais caro do que você imagina.


Fábulas de Esopo

Os cães e as peles



Os Cães famintos por falta de caça na região, chegaram à beira do rio. Avistaram lá dentro da correnteza um grande molho com centenas de couros fortemente amarrados no meio das águas. Combinaram beber a água para secar o rio e assim poder alcançar os couros. É claro que eles estouraram de beber e o rio não secou!

Moral - Examine bem antes de começar um empreendimento, pois pode ser que seja inútil o esforço que você vai dispender e o resultado não venha.


Fábulas de Esopo

O chacal que salvou o leão



Era uma vez um leão que vivia na selva. Certo dia, quando ele foi beber água em um regato, suas patas ficaram presas na lama do chão, e ele não conseguia sair do lugar. O leão teve que ficar vários dias sem comida, pois ali não passara ninguém para ajudá-lo. Finalmente, chegou o dia em que apareceu um amável chacal, que, escavando na areia, conseguiu desprender o leão e puxá-lo para fora da lama. O leão ficou muito grato pelo chacal ter-lhe salvo a vida. Assim, o leão propôs ao chacal que passasse a viver junto a ele, e também prometeu o alimentaria sempre que capturasse um animal. O chacal, então, passou a viver com o leão, dividindo as caças com ele. Logo expandiram suas respectivas famílias (tendo leõezinhos e pequenos chacais).
Depois de muito tempo, a leoa, senhora da casa do leão, ficou farta da amizade do chacal com seu senhor. Ela disse isso aos filhotes do leão, que o disseram aos filhotes do chacal, que, por sua vez, o disseram à senhora do chacal. Esta, então, falou o que ouvira ao próprio chacal, que foi até o leão e lhe disse que, se não mais quisesse manter a amizade, deveria ter dito isso há muito tempo.
O leão estava bastante surpreso com isso, e assegurou ao chacal que jamais desejara romper a amizade, e que falaria o quanto antes com a leoa. Mas o sábio chacal disse-lhe então: “Amigo, eu sei que és sincero. Mas nossas famílias podem não manter o mesmo grau de amizade que nós. Portanto, os mantenhamos a parte; podemos até nos encontrar para caçar, mas é melhor que minha família se mantenha distante da tua”. O leão concordou com o conselho do chacal, e as duas famílias se distanciaram, mas o chacal e o leão continuaram bons amigos, saindo juntos para caçar.

Moral: Não espere que sua família corresponda ao mesmo grau de amizade que você tem com outra pessoa.


Histórias Hindus

O Nome Secreto de Rá

Rá, o poderoso deus que veio a existência por si mesmo, o que fez o céu, a terra, a água, o que criou a vida, o fogo, os homens e deuses possuía tantos nomes que nem mesmo os deuses conheciam.
Ísis, a grande Maga, era uma mulher de palavra hábil, mais hábil que os corações de um milhão de homens. Se sobressaía sobre milhões de deuses, e era mais astutas de que muito deles. Conhecia, como Rá, o senhor supremo, tudo o que se podia saber sobre o céu e a Terra. A deusa tramou em seu coração averiguar o nome secreto de Rá, o qual lhe dava o poder sobre o resto dos homens e dos deuses.
A cada dia, Rá surgia, sobre sua barca, do lado oriental do horizonte para realizar sua travessia pelos céus e atravessar o lado ocidental, ao entardecer, realizando sua viagem noturna pelas regiões de Duat, a qual ele iluminava com sua luz. No entanto eram muitas as viagens que o deus havia realizado e a cada dia ele envelhecia um pouco mais. Quando atravessava as terras do Egito sua cabeça se balançava, sua mandíbula tremulava e da sua boca caía a saliva que regava a terra
Um dia Ísis recolheu a saliva com sua mão, misturando-a com a terra modelou uma serpente que deu origem a primeira cobra. Não necessitou empregar sua magia para levar a cabo essa criação, porque na criatura se encontrava a própria substância divina de Rá. Ísis tomou a serpente inerte e a situou no caminho em que seu pai efetuava a transição diária do Oriente e do Ocidente, de acordo com o desejo de sua alma.
Depois de que o grande deus fez firme seu coração, disse àqueles que o seguiam: Venham a mim, Oh, vocês, que vieram a existência do meu corpo. Vocês, deuses que surgiram de mim. Que então saibam o que me aconteceu. Uma criatura mortal me feriu. Meu coração o pressenti, mas não sei do que se trata, porque meus olhos não puderam vê-la, nem minhas mãos puderam tocá-la. É desconhecida entre tudo que eu criei. Nunca senti tal dor, não conheço nada tão mortal. Sou o Governador e filho de um Governante, o fluido produzido por um deus. Sou o Grande filho de um Grande. Foi meu pai que pensou meu nome. Tenho muitos nomes e uma variedade de manifestações, e meu Ser está em cada um dos deuses que existem. Sou proclamado como Atum e como Hórus. Meu pai e minha mãe pronunciaram meu nome, que estava oculto em meu corpo antes mesmo do meu nascimento, de modo que ninguém pode ter poder sobre mim mediante suas palavras. Quando saí para ver minha obra e avançava pelas Duas Terras, algo me mordeu, mas não sei o que foi. Não é o fogo, nem a água, no entanto sinto o fogo em meu coração, meus membros tremulam e estremecem. Venham, filhos meus, deuses, venham a mim, aqueles que conhecem a glória das palavras e quem conheça sua mágica pronunciarão, os de poderosa influencia que alcança o céu.
Todos acudiram ao chamado de Rá, e também o fez Ísis, a Grande Maga, com seu glorioso poder e eficaz palavra. Ísis disse: Que é isso? O que foi que lhe sucedeu? Pai Divino, foi, talvez uma serpente que lhe transmitiu essa dor? Uma de suas criações pôs seu coração contra o seu? Se assim é eu expulsarei a dor que te aflige e destruirei com meus feitiços.

Rá abriu sua boca para contestar: “ Quando viajava pelo largo caminho, quando atravessava as Duas Terras, e os países estrangeiros, desejoso que meu coração percebe-se minha obra, uma serpente a qual não podia ver me mordeu. Não é fogo, não é água. Sinto o frio em meu corpo como a água, sinto o calor do fogo, todos meus membros tremem e o suor corre pelo meu corpo. Me estremeço, meus olhos se encontram inseguros e não posso distinguir o céu. A umidade me alcança no rosto como nos quentes dias de verão.”
Ísis novamente falou e agora sua voz era cálida e reconfortante: “Venha, diga Senhor, vosso nome, oh divino pai, vosso verdadeiro nome, o nome secreto que só você conhece, porque somente viverá aquele que é chamado por seu verdadeiro nome”
E Rá contestou com todos os nomes que possuía: "Sou o criador do Céu e da Terra, fui quem criou as montanhas e criou tudo que existe. Sou o que deu origem as Águas, fiz com que a Grande Inundação viesse a existência. Sou quem trabalhou o céu e as cavidades ocultas dos Dois Horizontes, dentro dos quais situei as almas dos deuses. Sou aquele que quando abre os olhos origina a luz e quando os fecha provoca a escuridão. Sou o aquele que criou as horas e assim os dias vieram a existência. Sou o que abre os festivais do ano, o criador do fluxo corrente das águas. Sou quem deu origem ao fogo para que os trabalhos o homem pudessem levar a cabo. Sou Jepri pela manhã, Rá ao meio dia e Atum pela tarde”
Mas Ísis já conhecia todos esses nomes, igual ao resto doa humanidade, no entanto Rá seguia guardando dentro de si seu nome secreto. Enquanto, a dor crescia e o veneno corria através de suas veias como o fogo. Então Ísis se dirigiu novamente a Rá dizendo-lhe: “ Não são esses os nomes que necessito para que seja curado, é necessário que me diga seu nome secreto, aquele que só você conhece, e o veneno será expulsado. Só viverá aquele que manifesta seu verdadeiro nome”.
Rá estremecido pela dor que lhe queimava com ferocidade, mas poderoso que as chamas do fogo, disse: Aproxime-se Ísis, venha aqui e deixe que meu nome passe do meu corpo para o teu. Eu, o mais divino entre os deuses, o mantive oculto para que meu assento na Barca Divina, de milhões de anos, pudesse ser extenso. Quando saí de meu coração, diga-o ao seu filho Hórus. Depois que haja jurado pela vida do deus”. Depois disso o grande deus revelou seu nome a deusa.
Então Ísis, a grandiosa dos feitiços, disse: "Vá embora veneno! Sai fora de Rá. Oh olho de Hórus, sai fora do Deus que deu origem a vida por meio de suas palavras. Sou eu quem realiza esse feitiço, sou eu quem envia pra fora o poderoso veneno. O grande Deus me entregou se nome. Rá viverá e o veneno morrerá.” Assim foi como disse Ísis, a Grande, senhora dos Deuses, que conhece Rá pelo próprio nome.


Contos e Lendas da Mitologia Egípcia

05/02/2011

A origem da e strela-do-mar



Uma antiga lenda da província de Okinawa conta que, certa vez, o Deus estrela polar e a Deusa cruzeiro do sul resolveram trazer vida para a terra. Então, quando a Deusa cruzeiro do sul estava pronta para dar à luz, ela perguntou ao Deus Poderoso do céu onde poderia ter seus beb'es.
O Deus poderoso do céu olhou para a terra e avistou uma pequena ilha chamada Taketomi-jima, onde existia, ao sul, um belo mar de coral. Então, ele disse à deusa Cruzeiro do Sul : – Vá ao lado sul de Taketomi-jima, pois lá existe uma praia com águas mornas e ondas mansas, isso será muito bom para seus bebés.
Assim, a Deusa cruzeiro do sul desceu da alta planície celeste e dirigiu-se à ilha, conforme sugerira o deus poderoso do céu. Lá chegando, deu à luz a várias estrelinhas cintilantes. A Deusa estava muito feliz, pois realmente aquela praia tinha a água morna e uma temperatura perfeita para que suas filhas pudessem passar os primeiros anos de suas vidas.
– Assim que crescerem, elas subirão a alta planície celeste para se encontrar comigo e viveremos cintilantes no céu.disse a Deusa retornando ao seu lugar.
Entretanto, o deus sete dragões do mar ficou irritado, porque a Deusa cruzeiro do sul não lhe pediu permissão e usou a praia para parir seus filhos. Ele então chamou uma das suas serviçais, a dona serpente gigante, e ordenou:
– Não admito que ninguém dê à luz em meu oceano sem minha permissão. Vá e devore todos os bebês que encontrar na região sul da ilha.
A dona Serpente Gigante, obediente à ordem de seu amo, engoliu todos os bebês da Deusa cruzeiro do sul com sua enorme bocarra, matando-os todos. Em seguida, cuspiu seus corpos.
As estrelinhas mortas flutuaram no mar até alcançarem uma praia chamada Higashi Misaki, no lado leste da ilha Taketomi. As estrelinhas, empurradas pelas ondas, pararam na praia e ficaram com o corpo salpicado de areia. Nessa localidade, havia um santuário onde vivia a semideusa Amável. Quando encontrou as estrelinhas sem vida, Amável sentiu muita pena delas e levou-as para o santuário.
- Oh! Pobres estrelinhas, vou colocá-las no incensório. Assim, quando os aldeões vierem me trazer oferendas durante o festival e queimarem os incensos, suas almas poderão subir ao céu junto à fumaça. Lá, na Alta Planície Celeste, poderão reencontrar sua mãe.
Conforme a semideusa amável planejou, quando chegou o dia do festival, os aldeões queimaram muitos incensos e as almas dos bebés-estrelas subiram ao céu levadas pelas fumaças.
Esta é a origem lendária da estrela-do-mar. Em Taketomi-jima, apesar de séculos terem se passado, ainda hoje é possível encontrar estrelas-do-mar com corpos salpicados de areia nas belas praias que ficam ao sul da ilha de Okinawa. Elas são conhecidas como Hoshi-suna (estrelas de areias), nome que nasceu em referência a esta lenda.


Lenda do Japão

A tartaruga com uma linda filha



Era uma vez um rei que era muito poderoso. Ele tinhae grande influência sobre as feras e os animais. Nessa época, a tartaruga era encarada como o mais sábio entre homens e animais. Este rei tinha um filho chamado Ekpenyon, a quem ele deu cinqüenta jovens como esposas, mas o príncipe não gostava de nenhuma delas. O rei ficou muito irritado com isso, e baixou uma lei que, se algum homem tivesse uma filha que fosse mais bela do que as esposas do príncipe, e que achasse graça aos olhos do seu filho, a moça e seu pai e sua mãe deveriam ser mortos.
Por coincidência, a tartaruga e sua esposa tinham uma filha que era lindíssima. A mãe achava que não era seguro manter uma criança tão bela, porque o príncipe poderia se apaixonar por ela, então ela disse ao marido que a filha deveria ser morta e o corpo jogado no mato. A tartaruga, porém, não estava disposto, e a escondeu até que ela tivesse três anos. Um dia, quando tanto a tartaruga e sua esposa estavam ausentes em sua fazenda, aconteceu do filho do rei estar caçando perto da casa deles, e viu um pássaro empoleirado no topo da cerca em volta da casa. O pássaro estava observando a menina, e estava tão encantado com sua beleza que ele não percebeu o príncipe chegar. O príncipe matou o pássaro com o seu arco e flecha, e o corpo caiu dentro da cerca, de modo que o príncipe mandou o seu servo para pegá-lo. Enquanto o servo estava olhando para o pássaro se deparou com a menina e ficou tão impressionado com suas formas, que ele imediatamente voltou ao seu mestre e lhe disse que ele tinha visto. O príncipe, então, pulou a cerca e encontrou a criança, e se apaixonou de imediato por ela. Ele ficou e conversou com ela por um longo tempo, até que finalmente ela concordou em se tornar sua esposa. Ele então foi para casa, mas escondeu de seu pai, o fato de que ele tinha se apaixonado pela bela filha da tartaruga.
Mas na manhã seguinte, ele foi até a tesouraria, e pegou sessenta peças de roupa e trezentos rods, [1] e os enviou para a tartaruga. Então, no início da tarde ele foi até a casa da tartaruga, e disse que ele desejava se casar com sua filha. A tartaruga viu imediatamente que o que ele temia veio a acontecer, e que sua vida estava em perigo, então ele disse ao príncipe que se o rei soubesse, ele ia matar não só ele (a tartaruga), mas também sua esposa e filha. O príncipe respondeu que ele preferiria morrer a permitir que a tartaruga , sua esposa e filha fossem mortos. Eventualmente, depois de muita discussão, a tartaruga consentiu, e concordou em entregar a mão de sua filha para o príncipe, para que ela casasse com ele quando ela chegasse na idade adequada. Então o príncipe voltou para casa e contou à mãe o que tinha feito. Ela se afligiu grandemente ao pensar que ela iria perder o filho, de quem era muito orgulhosa, pois ela sabia que, quando o rei ouvisse da desobediência do filho, ele o mataria. No entanto, a rainha, embora soubesse da raiva que marido teria, queria que seu filho se casasse com a moça por quem ele tinha se apaixonado, e assim ela foi para a casa da tartaruga e deu-lhe algum dinheiro, roupas, inhame, e óleo de palmeira como dote em nome de seu filho, para que a tartaruga não desse a sua filha para outro homem. Pelos próximos cinco anos, o príncipe visitava constantemente a filha da tartaruga, cujo nome era Adet, e quando ela estava prestes a ser posta na casa engorda, [2], o príncipe disse ao pai que ele iria tomar Adet como sua esposa . Ao ouvir isso o rei ficou muito zangado e ordenou a todo o seu reino que todas as pessoas devem vir em um dia determinado para o mercado local para ouvir o seu pronunciamento. Quando o dia marcado chegou o mercado estava lotado, e as pedras que pertencem ao rei e a rainha foram colocados no meio da praça do mercado.
Quando o rei e a rainha chegaram todo o povo levantou-se e o cumprimentou, e depois eles sentaram em suas pedras. O rei então disse a seus servos [3] para trazer o menina Adet diante dele. Quando ela chegou, o rei ficou bastante surpreso com sua beleza. Ele então disse ao povo que ele os havia chamado para lhes dizer que ele estava irritado com seu filho por sua desobediência e por ter tomado Adet como sua esposa, sem seu conhecimento, mas que agora que ele mesmo a tinha visto ele tinha de reconhecer que ela era extremamente bela, e que seu filho tinha feito uma boa escolha. Ele seria, portanto, perdoado.
Quando o povo viu a garota eles concordaram que ela era muito fina e muito digna de ser esposa do príncipe, e imploraram ao rei para cancelar a lei por completo, e o rei concordou, e como a lei tinha sido feita sob o título ” Egbo lei “, ele mandou um aviso para oito Egbos , e disse-lhes que o decreto estava cancelado em todo o seu reino, e que no futuro ninguém seria morto porque tinha uma filha mais bonita do que as esposas do príncipe, e deu aos Egbos vinho de palma e dinheiro para cancelar a lei, e , os dispensou. Então, ele declarou que a filha da tartaruga, Adet, deveria se casar com seu filho, e ele os fez casar no mesmo dia. Uma grande festa foi dada então, que durou cinqüenta dias, e o rei matou cinco vacas e deu a todas as pessoas muito foo foo [3] e óleo de palmeira, e colocou um grande número de potes de vinho de palma nas ruas que o povo bebesse à vontade. As mulheres fizeram uma grande dança no complexo do rei, e lá ficaram cantando e dançando dia e noite durante todo o tempo. O príncipe e seus companheiros também festejaram na praça do mercado. Quando a festa acabou, o rei deu a metade de seu reino para a tartaruga governar, e trezentos escravos para trabalhar em sua fazenda. O príncipe também deu a seu sogro duas centenas de mulheres e cem meninas para trabalhar para ele, e foi assim que a tartaruga se tornou um dos homens mais ricos do reino. O príncipe e sua esposa viveram juntos por muitos anos até que o rei morreu, e o príncipe se tornou rei em seu lugar. E tudo isso mostra porque a tartaruga é a mais sábia de todos os homens e animais.


Conto africano


Notas:
[1] antiga moeda corrente do país, ainda em uso em Cross River
[2] A casa engorda é uma cabana onde uma garota é mantida por algumas semanas antes do casamento. Ela é dada abundância de alimentos, para que ela fique o mais gorda possível, pois a gordura é vista como um grande atrativo pelo povo Efik.
[3] Foo foo = inhame amassado e cozido.

Sigurd


Sigurd era um herói nórdico, filho de Sigmund e Hjordis.
Foi criado pelo anão Regin, pois o seu pai morreu numa batalha antes do seu nascimento. A certa altura Sigurd pede a Regin que lhe faça uma espada suficientemente forte para vingar a morte do seu pai. No entanto todas as que o anão fazia se quebravam, até que um dia a sua mãe lhe deu a espada Oram, pertencente a seu pai, e ele uniu os fragmentos em que estava partida fazendo dela a espada da vingança.
O anão Regin tinha-lhe contado a história de Ottar e Fafnir; assim, depois de castigar os assassinos de seu pai dirigiu-se à caverna onde Fafnir transformado em dragão guardava o tesouro e matou-o. A pedido de Regin, que era irmão de Fafnir, trouxe-lhe o coração do dragão para assar. Mas ao estender-lho queimou-se com o sangue e começou a perceber a linguagem das aves, que estavam a dizer nesse momento que o anão se preparava para o assassinar. De imediato Sigurd saca da espada e mata Regin, apoderando-se de um anel, o Andvaranaut, pertencente ao tesouro roubado a Fafnir.
Vai então em busca de Brunilde para a resgatar do anel de fogo dentro do qual estava presa à espera que o cavaleiro mais destemido a viesse libertar, segundo uma sugestão dos pássaros.
Depois de libertar Brunilde ficou com ela durante alguns dias, fazendo juras de amor eterno e oferecendo-lhe o anel Andvaranaut como prova do seu afecto.
Parte depois para a corte do rei Gunnar, no palácio dos Giukungs. Lá, Grimhild, mãe de Gunnar, dá-lhe uma poção mágica para o fazer esquecer Brunilde e se casar com a sua filha e irmã do rei, a bela Gudrun.
A pedido de Gunnar, Sigurd toma a sua aparência e parte de novo para ir buscar definitivamente Brunilde e trazê-la para que se case com o rei. Esta acede ao casamento pensando-se abandonada por Sigurd e dizendo para consigo que uma vez que era mortal e desprotegida nada teria a perder em casar-se com um cavaleiro que tinha dado tantas provas de coragem. Brunilde foi então para o palácio dos Giukungs e encontrou-se com Sigurd. Este foi-se libertando do feitiço e recordando quem era o seu verdadeiro amor. Mas Brunilde, desgostosa e vingativa depois de descobrir que quem a tinha salvo pela segunda vez tinha sido Sigurd disfarçado de Gunnar, convence os irmãos do marido a matar Sigurd.
Finalmente, Brunilde mata-se junto à pira funerária de Sigurd, sendo os dois enviados ao mesmo tempo para o Helheim.
A Velha Canção de Sigurd, dos Edda, influencia a história de Siegfried.


Contos e Lendas da Mitologia Nórdica

Como a língua sobreviveu aos dentes




Chang Chuang estava doente e Laotse veio visitá-lo. Este disse a Chang Chuang:
-estás muito doente. Não tens nada que dizer ao teu discípulo?
-Ainda que não me pergutasses, eu ia dizer-te – replicou Chang – sabes porque uma pessoa não deve descer do carro quando chega a aldeia?
-Não significa este costume que as pessoas não devem esquecer sua terra de origem?- replicou Laotse.
-Ah, sim... Mas deixe-me perguntar outra coisa; sabes porque uma pessoa deve correr ao passar debaixo de uma arvore alta?
-Não significa que se deve respeitar os mais velhos, disse Laotse.
-Ah, sim...então Chang Chuang escancarou a boca e mostrou sua língua para Laotse, pedindo que ele olhasse bem lá dentro, dizendo: o que você vê agora?
-Sua língua, mestre – disse Laotse.
-Meus dentes estão aí? – disse o velho.
-Não – replicou Laotse.
-E sabes porque? – perguntou Chang Chuang?
-Não durou a língua mais tempo por ser flexível? E não caíram os dentes por serem mais duros? – retorquiu Laotse.
-Ah, sim... disse Chang Chuang – acabas de aprender o Tao. Não tenho mais nada te ensinar.

Abraão – Isac - Ló



Algum tempo depois Deus pôs Abraão à prova. Deus o chamou pelo nome, e ele respondeu: — Estou aqui. Então Deus disse: — Pegue agora Isaque, o seu filho, o seu único filho, a quem você tanto ama, e vá até a terra de Moriá. Ali, na montanha que eu lhe mostrar, queime o seu filho como sacrifício. No dia seguinte Abraão se levantou de madrugada, arreou o seu jumento, cortou lenha para o sacrifício e saiu para o lugar que Deus havia indicado. Isaque e dois empregados foram junto com ele. No terceiro dia, Abraão viu o lugar, de longe. Então disse aos empregados: — Fiquem aqui com o jumento. Eu e o menino vamos ali adiante para adorar a Deus. Daqui a pouco nós voltamos. Abraão pegou a lenha para o sacrifício e pôs nos ombros de Isaque. Pegou uma faca e fogo, e os dois foram andando juntos. Daí a pouco o menino disse: — Pai! Abraão respondeu: — Que foi, meu filho? Isaque perguntou: — Nós temos a lenha e o fogo, mas onde está o carneirinho para o sacrifício?
Abraão respondeu: — Deus dará o que for preciso; ele vai arranjar um carneirinho para o sacrifício, meu filho. E continuaram a caminhar juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus havia indicado, Abraão fez um altar e arrumou a lenha em cima dele. Depois amarrou Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
Em seguida pegou a faca para matá-lo. Mas nesse instante, lá do céu, o Anjo do SENHOR o chamou, dizendo: — Abraão! Abraão! — Estou aqui — respondeu ele. O Anjo disse: — Não machuque o menino e não lhe faça nenhum mal. Agora sei que você teme a Deus, pois não me negou o seu filho, o seu único filho.
Abraão olhou em volta e viu um carneiro preso pelos chifres, no meio de uma moita. Abraão foi, pegou o carneiro e o ofereceu como sacrifício em lugar do seu filho. Abraão pôs naquele lugar o nome de “O SENHOR Deus dará o que for preciso.” É por isso que até hoje o povo diz: “Na sua montanha o SENHOR Deus dá o que é preciso.”
Mais uma vez o Anjo do SENHOR, lá do céu, chamou Abraão e disse: — Porque você fez isso e não me negou o seu filho, o seu único filho, eu juro pelo meu próprio nome — diz Deus, o SENHOR — que abençoarei você ricamente. Farei com que os seus descendentes sejam tão numerosos como as estrelas do céu ou os grãos de areia da praia do mar; e eles vencerão os inimigos. Por meio dos seus descendentes eu abençoarei todas as nações do mundo, pois você fez o que eu mandei. Abraão voltou para o lugar onde estavam os seus empregados, e foram todos juntos para Berseba, onde Abraão ficou morando.


Génesis 22:1-19

04/02/2011

A Lenda do Tsuru



Era uma vez um camponês muito pobre. Vivia em uma cabana tosca e seu único alimento eram algumas verduras que colhia de sua terra cansada
Um dia, ele encontrou uma garça machucada, com a asa destroçada. Por isso ela não podia voar e buscar alimento: isto a deixou muito fraca, à beira da morte.
O camponês teve pena da garça, cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em seu bico algumas sementes. Sua bondade a livrou da morte e quando ela pôde voar, o camponês a soltou.
Alguns dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua casa e pediu que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, por ser bom, não negaria esta caridade a qualquer pessoa, mas a beleza da mulher fez com que ele acreditasse que deixá-la dormir em sua pobre cabana era realmente uma honra. Os dois se apaixonaram e se casaram.
A noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita, e assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade em viver sozinho, ficou muito difícil cobrir as despesas que sua nova vida de casado lhe trazia.
Preocupada com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial (tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época). Ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer.
O homem construiu uma outra pequena cabana nos fundos de sua casa e lá ela trabalhou, trancada, durante três dias. O marido só ouvia o som do tear batendo, e a curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que estes dias demorassem muito para passar.
Quando o som de tecelagem parou, ela saiu com um tecido muito bonito, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “mil penas de Tsuru”.
Ele levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para consegui-lo. O vendedor pagou com muitas moedas de ouro por ele. O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe sorrir.
Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia após dia mais magra.
Um dia, ela disse que não poderia tecer por um bom tempo. Ela estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé.
O camponês a amava muito e acreditava naquilo que ela dizia, porém tinha experimentado a cobiça e, como havia contraído algumas dívidas na cidade, pediu para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.
Desta vez ela não saiu no terceiro dia, como era de costume. E o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse. E isso começou a deixar o marido desesperado.
No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia.
Para a sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear encontrava-se uma garça, muito parecida com aquela que o camponês havia curado.
O homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua querida esposa a tecer mais uma vez.
Na manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver sua esposa sair dela com vida.
A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trémulas. Entregou-o para o marido e disse:
- Agora preciso voltar, você viu minha verdadeira forma, assim eu não posso ficar mais com você!
Então, ela se transformou em uma garça e voou, deixando o camponês em lágrimas.


Lenda do Japão

Lenda de Caria



Diz-se que na famosa “Casa da Torre” terá habitado uma família moura. A filha apaixonou-se por um jardineiro, os pais que não aprovavam o namoro resolveram manda-la para um monte longínquo, onde dormia numa toca e de onde só voltava ao fim-de-semana.

Dizem que a moura longe do seu apaixonado só chorava e quando voltava para perto deste só ria. Assim, quando estava lá chorava e quando estava cá ria.


Belmonte

O elfo da luz



Na estranha ilha da Islândia, cuspida para a superfície pelo fogo das profundezas do mar, vivia um rapaz que cultuava o deus Odin (1), e que aprendeu isso depois de ler dois livros absurdos chamado “Os Eddas”(2). Ele queria lutar e morrer em um campo de batalha, de modo que sua alma pudesse atravessar a ponte do arco-íris, e habitar nos belíssimos salões de Valhalla. Pois era assim que os heróis eram escolhidos, segundo o livro dos Eddas dizem que são os heróis escolhidos, e eles passam o dia inteiro lutando lá no paraíso e de noite, festejam até o raiar do dia.
Assim, ao invés de uma Bíblia, o jovem Thule jovens ficara estudando esses contos de fadas, e como um incentivo ao seu treinamento pagã, até que ele tinha alguns traços nobres, que um bom rapaz cristão poderia imitar.
Ele morava com a mãe viúva na beira de uma floresta. A neve empilhada-se aos montes, e o vento uivava entre as árvores, e se arrastave-sepelas janelas, pois a casa era muito velha, e poderia muito bem ser confundida com uma pilha de madeira velha. Mas Thule era muito feliz como se a cabana fosse um palácio. Ele amava a beleza invernal do rosto de sua mãe, e o seu cebelo prateado quase todo escondido pelo seu capuz preto. Todo a fogueira que eles faziam era feita de galhos secos que eles recolhiam na floresta, e mais da mais de metade do dinheiro que eles ganhavam era com o esforço de sua próprias mãos.
Nos meses gelados do ano, quando o tempo estava mais afiado do que um dente de serpente, Thule chegava de um duro dia de trabalho, e, quanto mais frio ficava, mais ele mantinha seu coração valente. Olhando para o horizonte à sua frente, ele viu o brilho frio que chamamos de aurora boreal, mas que ele sabia ser o elmos, escudos e lanças cintilando.
“As donzelas guerreiras (3)saíram esta noite”, pensou o rapaz: “eles estão indo para campos de batalha para decidir quem é digno de ser morto. Como gosto de ver o céu iluminando-se com o brilho de suas armaduras! Odin, permita que um dia eu possa ser um herói, e possa caminhar sobre a ponte do arco-íris! “
Depois Thule voltou para o seu caminho novamente, mas, assim que ele adentrou na floresta onde as sombras se tornam perigosamente profundas, ele ouviu um gemido, que soou como uma voz humana, ou poderia ter sido uma rajada de vento repentina em uma árvore oca.
“Possivelmente é alguma pobre criatura com mais frio do que eu”, pensou o rapaz: “Tomara que não seja um troll!”
Correndo para o local de onde vinha o som, ele encontrou um anão feio e de nariz comprido no chão, quase morrendo de frio. Estava ficando tarde, e o próprio garoto estava ficando com o corpo entorpecido, mas ele foi rápido, esfregando as mãos e pés do desconhecido, até mesmo tirando sua jaqueta azul para envolvê-lo no pescoço do anão.
O anão estava morrendo de frio e Thule o ajudou. Grato ele presenteou o rapaz com um amieiro. Mal sabia Thule que ele ia passar por muitas aventurar ainda...
Pobre boa alma, você não morrerá de frio”, depois ele alegremente disse, ajudando-o a levantar-se: “Iremos para a casa da minha mãe e vamos comer um belo mingau de aveia, bolos e arenques, e nosso fogo de ramos secos irá lhe fazer bem, “
O nobre rapaz sabia que mal havia ceia suficiente para dois, mas não se importava de ir para a cama com fome para ser caridoso. No fundo de seu coração, ele ouviu as palavras de sua mãe:
“Nunca se preocupe com a fome, meu filho, mas compartilhe de boa vontade o seu último pão com os necessitados.”
Eles caminharam pela floresta, o velho homem apoiado fortemente no ombro do jovem.
“Por que você deve ajudar um pobre coitado que não pode pagar?” Choramingou o anão com uma voz rouca que assustou Thule, era como o eco devolvido por uma montanha ou uma pedra.
“Eu não peço ou quero ser recompensado”, foi a resposta. “Você não sabe o que diz o provérbio” Faça o bem, e jogue-o no mar, se os peixes não souberem disso, Odin vai! ‘? “
“Sim: Odin deve saber, não tenhas medo”, respondeu o anão”, mas, como já sei que sua mesa de chá não é suficiente para três, acho que vou recusar o convite para jantar. Realmente, meu rapaz “, continuou ele,” seria do meu agrado fazer-lhe um pequeno favor, pois, embora eu seja apenas um pobre anão, eu sei como ser grato. A propósito, você já viu por aqui uma coisa assim como uma árvore verde de amieiro?”
“A um amieiro verde em tempo de inverno”, gritou Thule.
“Uma coisa curiosa, na verdade,” disse o anão “, mas por acaso eu vi uma outro dia em minhas andanças Ah, olha, aqui está bem diante dos seus olhos!”.
Todas as outras árvores da floresta estavam duros e secas, os seus corações congelados dentro deles, mas esta árvore estava viva, escondida atrás de uma moita de abetos. Quando Thule começaram a cavar em suas raízes, parecia que a árvore saía do chão de sua livre vontade, e se acomodou em seus ombros como se estivessem o acariciando.
“Leve para casa a pequena árvore, e a plante diante de sua porta, meu rapaz”’
O jovem virou-se para agradecer o estranho, mas ele havia desaparecido. Em seguida, Thule correu para casa com toda a velocidade para contar à mãe sobre o pequeno anão que havia desaparecido de sua vista como uma nuvem de fumaça.
“Agora me pergunto o que é que você já viu”, disse a boa mulher, levantando as mãos em surpresa. “Ele era marrom, meu filho, com um nariz comprido?
“Marrom como uma noz, mãe, sem a ponta do nariz.”
“Era como eu supunha, meu filho! Esse anão é uma criatura maravilhosa, uma dos elfos da noite, uma raça dotada de grande sabedoria. Sabe, meu filho, que ele entalhou runas nas pedras, e ele sem dúvida ajudou a fazer o martelo de Thor, esse terrível instrumento que pode esmagar o crânio de um gigante. “
“Uma coisa que observei”, disse o rapaz: “Ele piscou quando céu brilhou, o céu que as pessoas chamam de Luzes do Norte, ele tinha de proteger seus olhos com sua pequenas mãos. “
“Ele fez isso? Pobre elfo, a luz é dolorosa a sua raça e eu tenho ouvido dizer que um raio de sol é capaz de transformá-los em pedras. Estou quase com medo dessa pequena árvore, acrescentou a boa mãe pensativo. “Você sabe o que lemos nos santos Eddas: Ambos os amieiros e os freixos devem ser considerado sagrado, pois Odin formou o homem da cinza, e mulher do amieiro. No entanto, o elfo da noite não poderia ter feito uma travessura. Vamos plantar a árvore como ele instruiu “.
“O quê?, no solo congelado, sob a neve?”
Mas agora, pela primeira vez, parecia que havia um pedaço de terra perto da janela ao sul da casa, que deveria ter estado à espera da árvore, pois era tão macia e quente, como se o sol estava brilhando naquele lugar o ano todo. Aqui eles plantaram o amieiro, e Thule trouxe a água, e molhou as raízes.
Na manhã seguinte, a árvore parecia ter crescido, e à luz do dia mostrou as suas folhas prateadas.
“Possa Odin progetegê-la”, disse Thule, “nem deixe que o gelo a congelar, nem os ventos matar seus brotos verdes!”
Thule entrou na floresta de novo, e enquanto ele estava no seu caminho, ele olhou para baixo, e ali, no chão, aos seus pés, estava uma bolsa, revestida de ouro. Ele contou as moedas: cinquenta, todas brilhantes e novas.
“Eu vou para a cidade”, pensou o menino, balançando a cabeça e suspirando (pois era muito tentador), “Eu vou para a cidade e perguntar quem perdeu uma bolsa com cinquenta peças de ouro precioso. Ora eu! Eu gostaria de ficar com ela! “Então poderíamos ter arenques e óleo, e quem sabe, mas, pela primeira vez na minha vida, eu poderia até saborear carne de veado? “
Mas no momento em que sua ganância quase impediu sua missão, ele pensou: “Não importa quão lindamente brilhe o ouro! Não é meu ouro! E é muito pesado para eu carregar. O dinheiro roubado é pior que uma pedra de moinho amarrado no pescoço, assim que minha mamãe diz. “
Mantenha-se no caminho, menino “, disse uma voz doce ao seu lado. Ele se virou e viu uma criança linda, radiante como um raio de sol, e vestida em roupas de textura delicada e transparente.
“Eu vou ser sua amiga, rapazinho. Essa bolsa foi perdida por uma dama que veste um casaco de peles e longo véu. Se ela perguntar pelo seu tesouro, eu posso dizer que caiu em um buraco no chão. Todo mundo vai acreditar em mim:… Não tenha medo!”
medo! “
“Pobre anjo confuso!”, disse o rapaz, maravilhado com sua beleza maravilhosa e não menos pela sua aparente falta de caráter. “Isto é, de fato, uma tentação adorável, mas eu tenho uma querida mãe em casa, e eu a amo mais que um milhão de peças de ouro. Devo ir à cidade, e buscar essa dama que você menciona, que veste um casaco de peles e longo véu. “
“Ah não! Você não seriatão estúpido”, disse a criança reluzente, “mas mesmo assim vou com você, e te mostrar o caminho.”
Então, deslizando graciosamente diante do desnorteado jovem, ela o levou para fora da floresta, na parte mais frequentada da cidade, até a porta de uma casa magnífica, mas, quando Thule virou a cabeça apenas um instante, ela se foi, e nenhum traço dela foi visto: ela parecia ter derretido com o sol.
A dona da casa recebeu a bolsa com os agradecimentos, e ficaria feliz em ter dado uma moeda de ouro a Thule, mas, mesmo o rapaz ansiando por ela, ele a colocou de lado, dizendo: “Não, senhora: a minha mãe me diz que devo ser honesto, sem esperança de recompensa. Ela não gostaria que ganhasse um salário por não ser um ladrão! “
Na manhã seguinte, o árvore de amieiro cresceu mais um pouco, e Thule e sua mãe observavam as folhas em crescimento, e as tocaram com os dedos reverentes. Eles eram certamente de um verde tenro, com linhas brilhantes cor de prata.
“Possa Odin deixar belo meu amieiro”, disse Thule, “não deixe que o gelo afetá-lo e nem os ventos matar seus brotos verdes!”
Então Thule beijou sua mãe, e marchou para fora da floresta, como de costume. Mas ele parecia condenado a aventuras, pois desta vez ele se encontrou com três homens armados, que estavam vagando pelo país, como se procurassem alguma coisa.
“Belo rapaz”, disseum dos homens, “você pode nos dizer o que aconteceu com um jovem amieiro cujas folhas verdes tem linhas de prata?”
“Eu desenterrei um amieiro-mato, bondosos senhores”, respondeu o rapaz, tremendo, e lembrando que sua mãe tinha dito que ela estava quase com medo da pequena árvore.
“Há muitos amieiros selvagens, disse outro dos homens rispidamente,” mas apenas essa verde nesta época do ano, e tem folhas prateadas. Ela foi colocada aqui por ordem do gigante Loki, e ninguém deveria tocá-la, sob pena de morte, porque, quando o jardim de Loki na montanha florisse na primavera, a árvore deveria ser arrancadas, e plantada lá “
Thule ficou duro e branco como se um gigante de gelo de repente soprasse sobre ele. Ele sabia que Loki era um deus impiedoso, temido por todos, e amado por ninguém, um deus que tinha um rancor especial contra toda a raça humana.
“Vou manter a minha calma”, pensou Thule.
“Eu nunca vou confessar que a árvore que levei tinha folhas prateadas. Eu vou correr para casa, arrancá-la e queimá-la… Então quem é o mais esperto? “
Mas Thule, apesar de estar tremendo, não podia esquecer o conselho de sua boa mãe:
“Suas palavras, meu rapaz, devem ser verdade, e nada mais que a verdade, embora uma espada esteja balançando sobre sua cabeça.”
Então, logo que a voz dele voltou, ele confessou que a árvore que ele tinha arrancada era tal como os homens haviam descrito, e implorou por misericórdia, porque, como ele disse, ele tinha cometido o pecado por ignorância, não sabendo a ordem do terrível gigante.
Mas os homens Thule mandarm levá-los a casa de sua mãe, e mostrar o seu tesouro roubado, declarando que eles poderiam mostrar-lhe misericórdia, pois quando Loki baixava um decreto, nenhum homem deve alterá-lo por um jota ou um til.
“Oh!”, pensou o menino rapaz, torcendo as mãos, e tremendo dos pés a cabeça, “ah, se o cruel elfo da noite, que me levou a este mal, aparecesse na minha frente agora, e me ajudasse com isso! “Mas, infelizmente, não há sentido em invocá-lo, pois é agora plena luz do dia e o sol pode transformá-lo em uma imagem de pedra num piscar de olhos “.
Quando Thule, seguidos pelos mensageiros de Loki, tinha chegado à porta de sua cabana, ele encontrou a mãe de cabelos grisalhos aguando as raízes do belo amieiro, e acariciando suas folhas com prazer inocente. À vista dos homens armados, ela começou a se assustar.
“É de fato a árvore do gigante”, disseram os homens a Thule. “Arranque-a, e siga-nos com ela para o castelo de Loki na montanha.”
“Para o castelo de Loki!” gritou a mãe infeliz. “Então, ele deve passar por um deserto terrível, ser atacado por gigantes de gelo, e, sobrar fôlego nele, Loki vai matá-lo num piscar de olhos! Tenha piedade de uma pobre mãe pobre, bons soldados!”
O menino infeliz tocou na árvore, e ela saiu da terra de sua livre e espontânea vontade, e, num instante, estava em seus pés, se livrando dos galhos em seus ombros, num momento já não era uma árvore, mas uma criança, com uma beleza tão deslumbrante quanto a da luz solar.
“Infelizes homens!”, disse ela, em uma voz cujos tons zangados era mais doce do que a música de uma harpa, “infelizes são vocês por serem servos de Loki! Vão, e digam ao seu mestre cruel que os encantamentos que ele jogou em mim e os meus falharam: Meu encantamento foi quebrado por todo o sempre, maravilhoso rapaz “, disse ela, apontando para o pequeno Thule, “você me salvou, eu fui e ainda permanecem, um elfo de luz, tão brincalhona e inofensiva como a luz solar. O impiedoso Loki, irritado com o amor que eu carrego pelos filhos dos homens, transformou-me em árvore de emieiro, que é o emblema da juventude. Mas ele não tinha poder para me manter nessa forma para sempre. Ele foi obrigado a dar uma condição, e ele fez a mais difícil que a sua mente astuta poderia inventar: Como você ama os mortais tanto, ele disse, ninguém, a não ser um mortal deve livrá-lo de sua prisão. Você deve continuar a ser uma árvore até um bom filho toque em você, uma criança que é generoso o suficiente para compartilhar seu último pão com um estranho, honesto o suficiente para devolver um recompensa apenas por sua honestidade, corajoso o suficiente para falar a verdade mesmo quando uma mentiria puder salvar sua vida. Quanto tempo esperei po você.”
“Como Loki ficará espantado quando ele descobrir que este menino foi tentando de todas as maneiras, mas foi fiel. Meus pobres soldados, vocês podem retornar de onde vocês vieram, pois aquele amieiro jamais irá balançar sua folhas de prata no jardim da montanha de Loki “.
Em seguida, os homens desapareceram, aborrecidos que o bom menino escapou seu horrível destino.
Thule olhando para a bela elfa que recentemente foi uma árvore, não poderia confiar em seus próprios olhos, e imagino que muitos garotos, até mesmo no presente dia, teria ficado um pouco perplexo com as circunstâncias.
“Reluzente criança!” disse ele: “você se parece muito como o maravilhoso pequeno ser que me conduziu para fora da floresta à noite.”
“Isso pode muito bem ser”, respondeu a elfo da luz;. “pois ela é minha irmã. O anão marrom que indicou o amieiro é também um excelente amigo meu, no entanto, por estranho que pareça, nunca o vi. Nós amamos a ajudar uns aos outros em todas as formas possíveis, mas nunca poderemos nos conhecer, pois a luz nos meus olhos iria matá-lo. Ele tinha ouvido falar de Thule, o pequeno lenhador que era conhecido por ser corajoso, generoso e verdadeiro. Ele tentou você, você viu, e assim fez a minha irmã brincalhona, que ficou louca de felicidade por descobrir que você não poderia ser tentado a roubar! “
A mãe de Thule tinha ficado o tempo todo próximo, intimidada e muda. Agora, ela se aproximou, e disse:
“Estou mais orgulhosa hoje do que ficaria se meu filho tivesse matado dez homens no campo de batalha!”
A bela elfa da luz, cheia de gratidão e admiração, permaneceu amiga de Thule enquanto ele viveu. Ela deu ao menino e sua mãe uma excelente casa, e os fez felizes todos os dias de suas vidas.


Fairy Book. Sophie May. Boston, Lee and Shepard, 1866.
(tradução brasileira)



Notas:

(1) Eddas, Edas ou simplesmente Edda, é o nome dado ao conjunto de textos encontrados na Islândia (originalmente em verso) e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos personagens da mitologia nórdica. São partes fragmentarias de uma antiga tradição escáldica de narração oral (atualmente perdida) que foi recompilada e escrita por eruditos que preservaram uma parte destas histórias.
São duas as compliações: a Edda prosaica (conhecida também como Edda Menor ou Edda de Snorri) e a Edda poética (também chamada Edda Maior ou Edda de Saemund).
Na Edda poética se recompilam poemas muito antigos, de caráter mitológico e heroico, organizada por um autor anônimo até 1250.
A Edda de Snórri foi composta por Snorri Sturluson (1179 – 1241) até os anos 1220 ou 1225. Não são poemas, dado o fato de estarem em prosa. Conta com muitas recomendações para poetas, já que o poeta guerrero islandês Snorri tentava, com essas recompliações em prosa, ajudar na formação de poetas no estilo tradicional escáldico, uma forma de poesia que data do século IX, muito popular na Islândia.
Existe um número de teorias referentes a origem do termo Edda. Uma teoria sustenta que é idêntica a palavra que, em um antigo poema nórdico (Rígthula), parece significar “a bisavó”. Outra teoria argumenta que Edda significa “poética”. Uma terceira teoria defende que significa “O livro de Oddi”, sendo Oddi o lugar onde Snorri Sturluson foi educado.(fonte: wikipedia)

(2) Odin é o principal deus do panteão nórdico. Para ganhar a sua suprema sabedoria, Odin deu um dos olhos a Mímir, seu tido. sua montaria é o garanhão Sleipnir, um cavalo de oito patas.

(3) Essas donzelas guerreiras são as Valquírias que aparecem nos campos de batalha para levar a alma dos guerreiros mais corajosos. Odin as manda buscar guerreiros para que futuramente lutem ao lado dos deuses no Ragnarók. Quando elas cavalgam, suas armaduras reluzentes produzem a luz brilhante que vemos como Aurora Boreal.

02/02/2011

Zé do Telhado



O Zé do Telhado é o meu gato preferido. E suponho que, para ele, também sou a pessoa preferida. Pois é: somos dois bons amigos.
Além de amigos, somos vizinhos. Ele mora uns metros acima da minha casa, no telhado do prédio, onde ocupo o último andar. Tem lugar privativo junto à chaminé que é o sítio mais quente. Na Primavera, no Verão e no Outono, o telhado é para ele casa, jardim, passeio, miradoiro.
No Inverno, pede-me hospedagem. E, sempre que chove, vem fazer-me uma visitinha, como quem não quer a coisa. Tenho sempre um pratinho de fiambre para o receber.
Entra-me pela janela da trapeira. Quando a janela não está aberta, tem maneira de chamar a atenção, raspando as unhas nos vidros da clarabóia, o que provoca um ruído fininho de arrepiar. Vou logo abrir-lhe a janela.
Ele anda na sua vida e eu na minha, mas gosta de saber-me em casa. Nos dias em que sua excelência prefere o telhado, vai não vai passa rente à trapeira e, muito descaradamente, espreita para dentro. Se me vê, debruçado à secretária, a trabalhar, o Zé do Telhado descansa e segue telhas adiante.
Há dias, houve um grande desastre. Exactamente o que imaginam: o Zé do Telhado caiu do telhado ao pátio. Altura de três andares, sem asa-delta. Nem pára-quedas. Um baque e tanto.
Andavam a arranjar as antenas de televisão. Rolos de fio, ferramentas e confusão a mais, em território de gato pouco dado a novidades. Ainda por cima vinham pôr um prato de antena parabólica, junto à chaminé. Que afronta!
O Zé do Telhado sobressaltou-se, indignou-se, desequilibrou-se e... foi parar ao rés-do-chão.
Dizem que os gatos têm sete bofes ou sete vidas. Mas só têm quatro patas. O Zé do Telhado partiu duas.
O veterinário onde o levei cuidou dele com todo o esmero e o Zé pouco se queixou.
Queixou-se, depois, já em minha casa, quando se viu com as patas presas a duas talas com ligaduras e proibido de saltar para o telhado. Janelas todas fechadas.
Mia, desesperado, pela casa toda. Gatos e mais gatos espreitam pelos vidros da janela da trapeira, à procura dele. Hão-de estranhar-lhe a falta.
Estamos em pleno Verão e eu não posso abrir as janelas. O calor é sufocante deste terceiro andar batido pelo sol e eu suo em bica. Mais vou suar até o Zé do Telhado ficar bom.
- Lá para o meio do Outono, tiro-lhe as talas - promete-me o veterinário.
Mas se ainda estamos em Agosto...

A Águia, o Corvo e o Pastor



Lançando-se do ar, uma águia arrebatou um cordeirinho.
O corvo, vendo aquilo, tratou de imitá-la, e se jogou sobre um carneiro mas, de forma tão desengonçada que acabou por se enredar na lã e, debatendo-se em vão com suas asas, não conseguiu se soltar. O pastor, vendo aquilo, recolheu o corvo e, cortando as pontas de suas asas, o levou a seus filhos.
Perguntaram seus filhos sobre que ave era aquela, e eles lhes disse:
- Para mim, apenas um corvo, mas ele acha que é uma águia.


Moral da Estória:
Põe teu esforço e dedicação no que realmente estás preparado, não no que não te corresponde.



Fábulas de Esopo
(Século VI a.c.)

01/02/2011

Junishi - Os doze signos chineses

Há muito tempo atrás, Deus anunciou a todos os animais que escolheria doze deles para uma tarefa especial: cada um protegeria os seres humanos durante um ano.
Disse-lhes então que deveriam ir ter com ele em 12 de janeiro, quando decidiria sua seqüência, segundo a ordem de chegada.
Os animais esperavam ansiosamente por esse dia, mas parece que o gato andava muito esquecido e não conseguia lembrar-se da data marcada. Encontrou-se com o rato por acaso na rua mas este, como quisesse chegar antes, disse-lhe que o dia era 13.
uando o rato voltou para casa (que ficava no esteio de um estábulo), viu que a vaca estava se
preparando para sair e dizia:
Sou tão lenta que tenho de partir esta noite, ou não chegarei lá em tempo”.
O rato, que era ladino, teve uma grande idéia: escondeu-se nas costas da vaca, no meio das coisas dela. Viajaram a noite toda, até que chegaram ao palácio de Deus.
A vaca estava muito feliz, achando que era a primeira, mas, nesse instante, o rato pulou na sua frente e ela acabou chegando em segundo lugar.
No dia seguinte o gato chegou esbaforido ao palácio mas, apesar de ficar sabendo que tinha sido
enganado pelo rato, ficou fora do grupo dos doze animais.
Essa é a razão porque gatos e ratos, até hoje, não se dão bem!

Lenda do Japão